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Uma aula brasileira para as mulheres que cantam Metal

Divulgação

O número de mulheres cantando Heavy Metal hoje em dia está em crescimento, mas na maioria das bandas já está muito repetitiva a forma como as mulheres entram na música. Aquele estilo “beauty and beast” que consagrou bandas como o Nightwish, já cansou. O vocal lírico também não é tão chamativo quanto há cinco anos.

Eis que uma banda brasileira chamada Shadowside reforça a sua identidade tendo Dani Nolden nos vocais em mais um álbum, Inner Monster Out, lançado em 2011.

Dani Nolden e o Shadowside chamam a atenção por não ‘tirarem o pé’ em nenhum momento do álbum, que soa pesado e direto, em uma forma que geralmente as bandas com mulheres na linha de frente esquecem de fazer.

O que acontece é que a música em geral se repete muito e então é possível tentar sair do gesso. O Shadowside já saiu em álbuns anteriores e atingiu um ótimo nível em Inner Monster Out, com uma variação vocal de se tirar o chapéu para Dani Nolden e sem precisar colocar uma baladinha aqui, uma musiquinha pop ali.

A música que leva o nome do disco é para mim a mais legal, mas há vários outros destaques como “Waste of Life”, “In the Name of Love” e “Habitchual”. Sem contar a abertura moderna com a faixa “Gag Order”, além de “Angel With Horns”, que rendeu o primeiro videoclipe do álbum.

Para fechar a brincadeira em alto nível ainda tem na versão brasileira um cover muito bem feito para “Inútil”, do Ultraje a Rigor, com a participação do próprio Roger Moreira. Como sabemos, o Espelho Mau valoriza os covers, mas quando ele é abusado, é ainda melhor recebido. Ficou pesado, rápido, direto, e falando grosso! Ótima versão!

Como não posso ficar só falando dos pontos positivos, ainda vejo um ponto na banda que não agrada muito. Gosto dos vocais de Dani Nolden, mas em quase toda música tem aquela subida no tom que soa repetitiva e que não me parece casar bem com a voz dela. Pode ser frescura de blogueiro que canta (mal!), mas acho que isso poderia ser alterado futuramente.

No mais, soa preconceituoso dizer que Dani Nolden deixa muito marmanjo no chinelo, pois seria diminuir a capacidade de uma grande vocalista de forma machista. Agora, que ela está dando banho em muita gente grande por aqui e lá fora também, ah isso está!

Sócrates lutou por um país melhor e defendeu a boa música

7h20 da manhã, chego à redação atrasado e faço a primeira pergunta: “Sócrates está vivo?”. A resposta foi negativa e, naquele momento, senti um baque duplo. Por um lado de forma mesquinha (como quase todo jornalista) de saber que seria um dia difícil e o outro por saber da perda de alguém que sua importância foi muito maior que qualquer clube de futebol.

Pensei se deveria ou não escrever aqui. Primeiro por se tratar de um blog em que o assunto é música e não futebol, segundo por não querer entrar no alvo dos comentários “ah, só escreveu porque ele morreu, fez pela audiência” de quem não percebe que este blog não tem nenhum anúncio e escrevo por gostar, sem ligar se alguém vai ler ou não.

Mas depois de ver o encerramento da rodada que deu o título brasileiro ao Corinthians, li algumas entrevistas com o Doutor, inclusive uma muito boa do Lance!, da qual retirei a resposta para a pergunta do amigo Alexandre Lozetti sobre o medo da morte:

“Todos nós vamos morrer. A gente se engana achando que não. Temos de aproveitar bem a vida, ela é importante, não a morte”.

Frase óbvia? Sim, mas verdadeira e que muitas vezes nem lembramos quando deixamos de aproveitar a vida. Vi gente chamando o Sócrates de alcoólatra e coisas do tipo como se isso fosse algo condenável. Pois sou jornalista e mandei ver algumas latas de cerveja antes de escrever, podem me condenar também!

Ok, talvez você esteja agora esperando pela música neste post e a resposta é do próprio Magrão, aquele que ouve a boa música seja lá qual for o estilo musical. Pois o doutor gostava de Chico Buarque, Beatles e muita coisa da qual compartilho a admiração. E as atitudes dele foram bastante dignas das louvadas feitas por tais artistas. “Eu sou musical”, se definiu em entrevista à TV Cultura.

E se você ainda achou pouco, neste ano o Doutor cantou ao lado do Ultraje a Rigor no programa “Agora É Tarde”, apresentado por Danilo Gentili na Band. E a música não poderia ser outra, afinal, sem gênios como Sócrates, a gente somos inútil mesmo.

Brigas, topless, Pai Mike Patton e música no SWU

O SWU durou quatro dias a menos que o Rock in Rio, mas se compararmos os causos por minuto, o evento em Paulínia superou o maior festival de música do mundo com muitos méritos. Tivemos assunto para todo tipo de (mau) gosto.

O evento teve início no sábado com Marcelo D2 fazendo campanha pela liberação da maconha poucos dias após toda aquela discussão distorcida de alunos da USP e Polícia Militar de São Paulo, apenas uma curiosidade. O ponto alto foi a apresentação do Black Eyed Peas, com sua temática futurista e um colírio para os marmanjos com as reboladas da vocalista Fergie.

Mas a coisa esquentou mesmo foi no domingo, logo o dia em que a chuva começou a prejudicar a organização, que ao que parece não convocou nenhuma entidade sobrenatural para evitar o castigo de São Pedro. O destaque ficou por conta do quebra-pau rolando atrás do palco enquanto o Ultraje A Rigor se apresentava.

A briga acabou deixando em segundo plano a apresentação da banda brasileira, assim como a do próprio Peter Gabriel, que teve seus funcionários desligando equipamentos e discutindo com o pessoal do Ultraje. E está aí o que poucos sabiam, o ex-líder do Genesis não é apenas chato por sua música. No dia seguinte houve pedido de desculpas a Roger Moreira pelo incidente que o cantor/ativista disse não saber que estava ocorrendo. Um pedido de desculpas aos fãs que tiveram de aguentar o porre que é o seu show também não seria ruim.

Agora, se a ideia no domingo era causar, a convidada para fechar o New Stage não poderia ser outra que não Courtney Love e o seu Hole. A viúva de Kurt Cobain desafinou, fez um show meia-boca, exibiu os seios, xingou Dave Grohl e o Foo Fighters e ainda trocou ofensas com os fãs que carregavam imagens do ex-líder do Nirvana. Depois saiu do palco e ficou do lado de fora louca para ser chamada de volta. Um belo tapa na cara de quem gosta daquela coisa e de quem esperava algo bom de Courtney Love.

Para salvar o domingo teve o Lynyrd Skynyrd. Se alguns ainda têm coragem de classificar os veteranos como uma banda cover daquela que nos anos 70 perdeu integrantes em um trágico acidente aéreo, ninguém pode negar que ao vivo os caras não deixam a desejar. Os norte-americanos despejaram uma série de clássicos e empolgaram os fãs até o desfecho com “Free Bird”, a música que equivale ao nosso “Toca Raul!”.

O último dia foi marcado por bandas que certamente estariam no primeiro escalão de um Rock in Rio caso ele tivesse ocorrido na década de 90 e o retrô agradou a muitos fãs de bandas como Alice in Chains, Faith No More e Megadeth.

Claro que o dia teve seu momento mais curiosou, com um arredondado Phil Anselmo dando microfonadas na própria cabeça durante o show de sua banda, o Down. Depois teve a voz de pato de Dave Mustaine dando umas variadas em um show bem executado pelo Megadeth na divulgação do ótimo novo álbum Th1rth3n.

Com a formação criada há cinco anos, mas que muitos ainda chamam de nova devido à ausência dos falecidos Layne Staley e Mike Starr, o Alice in Chains subiu ao palco Consciência tendo problemas com o som, que durante as primeiras músicas sumiu com o microfone do vocalista William DuVall. Com a melhora técnica deu para perceber que o vocal dele não empolga, mas Jerry Cantrell continua salvando a pátria liderando a banda.

Para encerrar, nenhum mestre de cerimônias poderia ser mais ideal que Mike Patton junto ao seu Faith No More. O cara é um showman nato, faz bem o seu marketing e carrega a apresentação com maestria. Destaque para o palco parecendo um terreiro de umbanda e a roupa do vocalista que estava um legítimo pai de santo, era o Pai Patton, com direito até ao cigarrinho.

O show foi aberto pelo poeta pernambucano Cacau Gomes, que depois ainda fez outra participação já próximo ao fim do show. Falando palavras em português para a plateia, Patton ainda chamou para o encerramento um coral de garotas de Heliópolis.

Com direito a reger o público a cantar “Porra, Caralho”, Mike Patton e o Faith No More fecharam o festival de forma bastante digna com clássicos de toda a carreira e no final um agradecimento curioso a São Paulo, Paulínia, Campinas e… ao Palmeiras! Sim, por influência dos irmãos Cavalera (ex-Sepultura), o vocalista parece ter adotado o clube paulista como o seu favorito e toda vez que se apresenta no Brasil faz questão de exaltar ou vestir uma camisa do clube.

Ainda teve Chris Cornell, Duff McKagan’s Loaded, Raimundos, Stone Temple Pilots e outros. O festival pode ter sido curto, problemático pela chuva e a lama, mas teve ótimos momentos seja para quem gosta de música ou quem está atento apenas a barracos mesmo.

SWU: Começa com inteligência

A questão de haver ou não bandas de estilos musicais diferentes do Rock no festival Rock in Rio foi um tema polêmico há pouco mais de um mês. Faltando poucos dias para o início do SWU (Starts With You), decidi fazer uma comparação entre os dois eventos.

Em primeiro lugar, o SWU não usa um gênero musical em seu nome e poderia ser aberto a qualquer tipo de música, diferentemente do evento carioca. Mas curiosamente, o evento acaba sendo muito mais Rock do que o Rock in Rio.

E o ponto que considero mais inteligente do SWU é a criação de quatro palcos capazes de atender a diferentes públicos, além de separar bem as atrações de cada dia. Não me espantaria se, com a programação na edição deste ano do evento em Paulínia, os Medinas do Rock in Rio colocassem Black Eyed Peas, Duran Duran, Zé Ramalho e Megadeth no mesmo dia e no mesmo palco.

Já que falamos de algumas atrações, achei bacana a programação de cada dia e lamento apenas o fato de Neil Young ter sua presença garantida apenas em palestras sobre sustentabilidade. No mais, há atrações para todos os gostos dentro do que podemos considerar um público de festivais de música internacional – a galera de Hip Hop, Música Eletrônica, Pop e Rock.

Se você estava muito ocupado ou em outro mundo e não faz ideia do que poderá ver no festival. Faço aqui um resumo das atrações de cada dia:

No sábado (12), o palco Energia conta Marcelo D2, Snoop Dog e o Black Eyed Peas, enquanto Emicida, Damian Marley e Kanye West se apresentam no palco Consciência.

O domingo é o dia mais pop, contando com Zé Ramalho, Duran Duran e os rebeldes do Lynyrd Skynyrd, uma das maiores bandas de Rock de todos os tempos, no palco Energia. Pelo palco Consciência passam Ultraje A Rigor, Chris Cornell e Peter Gabriel, ex-Genesis. No mesmo dia, pelo New Stage tem a apresentação da viúva de Kurt Cobain, a louca Courtney Love com a banda Hole.

Em um dia um pouco ingrato para o final de um festival, chega a hora da música um pouco mais pesada na segunda-feira, quando os Raimundos se apresentam no palco Energia, seguidos por nomes como Black Rebel Motorcycle Club, Stone Temple Pilots e o Faith No More, do genial e louco Mike Patton. No palco Consciência tem a coisa mais legal feita por um integrante (ou ex) do Guns N’ Roses, o Duff McKagan’s Loaded, e depois uma sequência interessante com Down (do ex-vocalista do Pantera, Phil Anselmo), Sonic Youth, Megadeth e o repaginado Alice In Chains. Para quem gosta de algo mais pop ainda tem o Simple Plan no New Stage.

Assim como no ano passado, a organização caprichou na lista de atrações, sem inventar tanto na lista de artistas estrangeiros e dando espaço para grupos nacionais pouco conhecidos, o que o Rock in Rio abriu mão faz tempo.

Sim, você pode discutir o fato de o evento criado para promover a sustentabilidade não ter fãs que façam jus à causa, que vão ao interior paulista apenas pelas bandas e quando chegam em casa deixam todas as luzes acesas e a TV ligada enquanto dormem. Mas aí a culpa é do tico e teco que cada um tem na cabeça e não precisaria de um evento para criar consciência.

Fusquinha, o legado de Itamar Franco

Nos últimos dias a morte do ex-presidente Itamar Franco foi um dos assuntos mais comentados nas mídias, obviamente devido à importância da personalidade política, que recebeu muitas homenagens.

Mas para quem gosta de carros, como este blogueiro que vos escreve, houve uma certa decepção por ninguém ter lembrado de um personagem importante ligado ao governo de Itamar Franco, o bom, velho e querido Fusca.

O carro gordinho lançado após a II Guerra Mundial, virou prêmio de Paulo Maluf aos campeões mundiais de futebol em 1970 e que ainda pode ser visto diariamente pelas ruas esbanjando seu charme deixou de ser fabricado no Brasil em 1986, mas graças a Itamar Franco ganhou vida novamente em 1993 e só parou de ser fabricado em 1996, já no governo de FHC. Depois criaram um tal de New Beetle, que não tem nada do Fusquinha.

E aí você pergunta: Mas o que Itamar Franco e o Fusquinha têm a ver com um blog sobre música? E sobre covers então? É aí que vem a grande homenagem ao ex-presidente, ao carro e, forçando a barra, a Roberto Carlos.

Pois em 1963, o “Rei” ainda em sua fase Rock decidiu homenagear o velho Calhambeque com música e letra divertidas e despojadas em “O Calhambeque”, faixa do EP É Proibido Fumar. E é justamente aproveitando um pouco os acordes iniciais da música e fazendo certa paródia que entra na história o Ultraje a Rigor.

A banda liderada por Roger Moreira sempre foi famosa pelo bom humor e a falta de papas na língua. Claro que não poderia ser diferente ao fazer uma música para o então presidente Itamar Franco. Que o ex-presida  perdoe a todos, mas o riso é inevitável!