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A volta dos que não foram

Toda vez que um músico ou uma banda anuncia uma turnê de despedida, não consigo me convencer da honestidade deles para com os seus fãs. Afinal, se os caras não se suportam mais, qual o motivo para darem uma esticadinha?

Aí você vai ouvir sempre aqueles argumentos de fãs defendendo o grupo que admira dizendo que seu músico já ganhou muito dinheiro e não precisaria fazer uma turnê caça-níquel. Mas faz!

O mais recente caso no Rock de entrar nesta barca furada é a banda alemã Scorpions, que há dois anos anunciou que faria uma turnê para se despedir dos fãs, além de um último álbum de estúdio intitulado Sting in the Tail (2010). Ok, o disco foi muito bom, os shows tiveram público razoável e então a banda deveria ter acabado, certo? Errado!

Após o lançamento de uma coletânea regravada neste ano, surgem agora rumores de que o Scorpions pode se apresentar novamente no Brasil em setembro de 2012. Ora, mas aquele show em São Paulo no ano passado não foi anunciado como o último no país? Foi e agora eles devem fazer o que seria o show derradeiro da carreira no ano que vem. E aí se render, quem sabe fazem outro disco, outra turnê, ou param por uns dois anos e depois fazem uma reunião…

E isso não é exclusividade das bandas de Rock. Para o público pagodeiro quem acaba de fazer uma turnê de despedida com shows lotados é o Exaltasamba. Ah, você confia neles? Então coloco cinquentinha na mesa e aposto que depois de gravarem trabalhos solo e encherem a burra, os caras decidem voltar daqui uns três ou quatro anos no máximo.

É desconfortável, os fãs podem acreditar nas boas intenções dos músicos, mas a realidade é que a arte também gira em torno do dinheiro e quanto mais o bolso estiver cheio, melhor. Condenável? Diria que não, desde que os músicos passem a deixar isso mais claro e parem com essa ladainha de que fazem tudo por amor ao público e não ligam para aquele chequinho gordo que pinga na conta.

Última chance para malhar o Judas

Eles já estão na estrada desde 1969, carregam histórias das mais valiosas no rock pesado, contam com um vocalista assumidamente homossexual, acabam de perder um dos fundadores, que se aposentou, e fecham neste sábado o histórico amoroso com a cidade de São Paulo.

Após um show de abertura de luxo de David Coverdale e o Whitesnake, será a vez de Rob Halford, Glenn Tipton, Ian Hill, Scott Travis e o novato Richie Faulker realizarem a apresentação na Arena Anhembi em São Paulo na turnê de despedida dos “Deuses do Metal”.

Sem o mesmo apelo de bandas como o Black Sabbath, o Iron Maiden e o Metallica, foi o próprio Judas Priest que se deu a alcunha de “Metal Gods” a partir de uma música que é um dos clássicos da banda.

O próprio Judas Priest tem em Rob Halford um defensor dos homossexuais, sendo que ele é assumido, logo em um estilo musical que geralmente é marcado pelo preconceito. Ao que parece, Halford e o Judas não perderam fãs após o cantor tornar o assunto público.

Com o Judas Priest você vê uma moto Harley Davidson no palco, com o motor ligado, como talvez os fãs de axé devem ter visto nos shows do Asa de Águia, que copiou um dos grandes momentos da banda britânica de metal.

“Malhar o Judas” virou algo muito fácil para os críticos musicais somados todos os fatores citados acima, além do fato de a banda se renovar a cada álbum, sendo os últimos muito atacados pelas mudanças no som. Sem contar que quando escolheram gravar covers, os britânicos ousaram nas escolhas (o que reforça a presença no Espelho Mau).

Só o Judas Priest teve a coragem para regravar “Diamonds and Rust”, de Joan Baez, e deixar a versão com a sua cara, a ponto de o filho da cantora dizer que prefere ouvir Halford cantando a música.

Outro cover marcante foi o de “The Green Manalishi”, do Fleetwood Mac, assim como o clássico rockabilly “Johnny B. Good”. Mas o caso da “Fera Verde” é mais curioso, já que a versão também é muito Judas Priest e ainda ocasionou cover do cover, com execuções como a da banda sueca de heavy metal Therion.

Para quem vai ter a oportunidade de ver o Judas Priest pela última vez na capital paulista, os velhinhos continuam mandando bem e o som é altamente recomendável. Agora, fica o alerta. Esse anúncio de turnê de despedida me soa meio estranho para quem acaba de avisar que vai lançar mais um álbum em 2012 e que contratou um novo guitarrista para o lugar de K.K. Downing quando este queria pendurar as guitarras. Isso me soa oportunismo barato e aí sim pode ser um motivo para malhar o Judas!