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A arte venceu

Passar o Dia das Mães com minha mãe me fez demorar um pouco para escrever este texto aqui, mas achei que seria legal contar uma história bonita envolvendo um filho, uma mãe e uma promessa paga após a superação e a vitória na difícil batalha contra uma doença.

O personagem principal aqui é Thiago Bianchi, filho da cantora da MPB Maria Odette Bianchi. Ele foi vocalistas das bandas Karma, Shaman e atualmente lidera o Noturnall. Dois anos atrás se meteu em roubadas como o festival do Dia do Heavy Metal e colocou  cara a tapa no Metal Open Air, o pior festival de Heavy Metal da história do Brasil.

Enfim, vamos ao que interessa…

Thiago vivia um bom momento com a banda Karma em maio de 2001, quando foi diagnosticado com câncer em estado terminal e teria apenas seis meses de vida. Mas a persistência, a fé, a luta ou alguma coisa não deixou que a previsão se confirmasse e o músico se recuperou e hoje vive normalmente com a sua carreira intacta.

Naquele momento em que foi diagnosticado com a doença, Thiago prometeu à mãe que tudo aquilo passaria e 13 anos depois ele cumpriria duas “promessas”:

1 – A produção de um show com a renda toda revertida a uma instituição de apoio à criança com câncer.

2 – A gravação de uma música junto à mãe Maria Odette.

A primeira promessa foi cumprida na gravação do DVD de sua atual banda Noturnall, que aconteceu em março deste ano e teve arrecadação de alimentos, fraldas e brinquedos para a Casa Hope.

E a segunda foi cumprida com maestria e emociona por toda a história, por todo o contexto, pelo momento e pela forma como cada músico da banda encarou (o guitarrista Leo Mancini, o baixista Fernando Quesada, o tecladista Juninho Carelli e o baterista Aquiles Priester). Eles gravaram um cover da bela música “Woman In Chains”, do Tears For Fears, com Thiago cantando ao lado da mãe Maria Odette em homenagem ao Dia das Mães.

O videoclipe, que teve parte de sua gravação feita no heliponto do prédio do UOL (portal onde tive o prazer de trabalhar entre 2009 e 2011) foi publicado neste domingo. Desafio você a ler, entender a história, assistir ao vídeo, ouvir a música inteira e não se emocionar. Eu não consegui. Por isso fiz questão de escrever aqui neste espaço e divulgar uma história bonita, uma obra linda que foi a gravação desta música.

E já que eu tenho esta mania de atrasar (deve ser um mal do nome Rubens), desejo aqui o meu Feliz Dia das Mães atrasado. Não deveria ter apenas um dia para elas, mas já que existe este, espero que ele nos inspire para termos todos os dias o mesmo carinho com elas.

‘Deselegância’ de Edu Falaschi e a UTI do Metal brasileiro

No último domingo foi realizado pela primeira vez um show para celebrar o Dia do Heavy Metal Brasileiro. Idealizada por Thiago Bianchi, produtor musical e vocalista da banda Shaman, a data não teve muita divulgação, exceto por anúncios discretos em veículos especializados.

Logo, um evento que reunia bandas importantes no cenário atual como Almah, Hangar e Shaman foi um verdadeiro fracasso de público, o que causa preocupação para quem acompanha e valoriza o cenário musical.

Marcado por fazer declarações fortes recentemente quando fala sobre o Angra, o Almah e o público atual do Metal, o vocalista Edu Falaschi não segurou a frustração e soltou o verbo em um desabafo no qual apelou em alguns termos um tanto quanto impróprios, tendo razão em muita coisa, principalmente em relação ao fato de o Heavy Metal brasileiro respirar por aparelhos.

A oferta de shows internacionais no Brasil cresceu nos últimos anos e bandas como o Iron Maiden batem cartão em terras tupiniquins. Os shows são sempre lotados. A concorrência ficou desleal para as bandas nacionais, que já não faturam nada com vendas de discos, já que seus produtos não estão nas grandes lojas e o público atual é mais preguiçoso e mão de vaca: Faz download de tudo e não vai atrás para comprar nenhum disco e quando o gasta seu dinheiro é com uma banda estrangeira.

Os problemas não são exclusividade do Heavy Metal, mas de vários outros gêneros. Edu Falaschi não é o primeiro e nem será o último a chiar. Aliás, já ouvi os caras do Dr. Sin reclamarem há uns três ou quatro anos, assim como li os manifestos de Thiago Bianchi.

Por outro lado, lembro de ter lido há uns cinco ou seis anos o cantor Andre Matos dizer que a pirataria não assustava tanto, já que o público do Heavy Metal era fiel e comprava os discos, além de comparecer aos shows. Que mesmo baixando os arquivos de MP3, comprava o CD e o DVD para guardá-los como item de coleção. Sim, a coisa mudou. Aquele público que se dizia fiel, não tem mais fidelidade alguma, exceto com bandas com o Iron Maiden, que conseguiu disco de ouro no Brasil com o esquisito álbum Final Frontier, por exemplo.

A mídia especializada também piorou muito. Tente ler as entrevistas repetitivas e as resenhas chatas e manjadas nas páginas da revista Roadie Crew. A tarefa é dura. E aguentar então aquele perfil de programa infantil incorporado pela galera do Stay Heavy, programa especializado de TV. O Whiplash, que é o maior site de Metal do país, passou a apelar em suas manchetes, além de abrir espaço a outros gêneros. Enfim, é tudo pela vendagem, pela grana, como qualquer veículo de imprensa que necessita de margem de lucro.

O problema que vejo é simples: os meios do Heavy Metal estão seguindo um padrão pop para atrair a outros públicos. Enquanto isso, não se consegue emplacar o material feito no Brasil em eventos grandes realizados por aqui, e não são poucos. No Rock in Rio o espaço para o Metal brasileiro foi bem pequeno e amador, no festival SWU não há Heavy Metal nacional e o espaço na mídia em geral inexiste para quem não é Metallica, Iron Maiden e etc.

O que existe hoje na mídia em geral é o culto à celebridade e o Heavy Metal brasileiro passa longe de ser celebridade, exceto por um Andreas Kisser aqui, um Kiko Loureiro ali. Claro que a preguiça de um público “acostumado a leite com pêra” (“mimado”, para quem não entendeu o termo anterior) atrapalha e aí faz todo sentido a frase mais interessante de Edu Falaschi no final da entrevista que virou pronunciamento: “Fiquem aí com o Restart”.

Para quem não quer lembrar no futuro que o Rock bem feito no Brasil morreu para dar espaço a Restarts e NXZeros da vida, deixo abaixo uma lista com coisa muito boa que é ou foi feita por aqui.

Akashic, Almah, Angra, Astafix, Carro Bomba, Dr. Sin, Hangar, Harppia, Korzus, Krisiun, Mindflow, Musica Diablo, Nando Fernandes, Scelerata, Sepultura, Shadowside, Shaman, Stormental, Symbols, Torture Squad, Tribuzy, Tuatha de Danann, Viper e Vulcano.

Ah, então o público tem que ignorar as bandas estrangeiras? Claro que não! Mas abandonar o material produzido no Brasil é lamentável! Acha que não, então confira abaixo o que temos:

Hangar

Torture Squad

Krisiun

Stormental

Almah

Shadowside

Carro Bomba

Korzus