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System of a Down no axé? Guns N’ Roses no pagode?

Com o avanço da internet e o acesso cada vez mais fácil ao trabalho de edição em vídeos e áudio, muitas são as brincadeiras bobinhas na internet utilizando um vídeo de algum show ou videoclipe de uma banda sendo “dublada” por outra de estilo musical bem diferente.

Esse famoso “mashup” já foi utilizado com várias somas de músicas. Justin Bieber tocando com o Slipknot, Bob Marley com Iron Maiden, Green Day com Oasis e temos muitos outros exemplos bem ou mal sucedidos.

Mas depois de alguns grupos de Axé e Forró “tomarem para si” algumas músicas de Rock e Heavy Metal com belas versões em português, agora chegou a vez de os roqueiros “cantarem” Axé, Pagode, Sertanejo Universitário e demais gêneros.

Nos últimos dias encontrei a melhor de todas graças ao jornalista e amigo Ricardo Zanei (com menção honrosa a Thales Calipo, outro ex-parceiro de UOL que teria descoberto a pérola).  Os gênios de um tal perfil golpebaixovideos no Youtube trataram de editar o System Of A Down apresentando a “Dança do Vampiro”, do grupo de axé Asa de Águia.

Não tenho muito o que descrever sobre como casam bem a imagem e o áudio. Algum perdido certamente acreditaria que se tratava de uma banda tocando Axé em pleno Rock in Rio… oh wait! Preste atenção em Durval, digo, Serj Tankian e sua turma!

Agora, e o que falar de Axl Rose e seus garotos? O ex-galã das menininhas dos anos 80 envelheceu, engordou, ganhou um visual meio esquisito e mudou completamente o Guns N’ Roses desde a formação até o estilo musical, adotando elementos eletrônicos. Mas o que você diria se ouvisse este senhor cantando um pagode? E se seus passos fossem de um exímio pagodeiro de segunda? Então confira abaixo e diga o que quiser!

Não, o pessoal não deve ter mesmo o que fazer!

Rodas e lágrimas no indefinível System Of A Down

A imprensa geralmente se incumbe do papel de escolher qual é o estilo de cada banda e cada vez tem nomes mais esquisitos que formam um monte de bobagem. Quem gosta da banda é pela música e não pela classificação a ela dada, pelo menos deveria ser assim.

E o System Of A Down é uma grande afronta a toda essa mania que nós jornalistas temos de querer dar nomes aos bois. Quem pode definir o que é a banda norte-americana formada por integrantes de origem armênia e libanesa?

Nu-Metal (lê-se New Metal)? Experimental Metal? Progressive Metal? Já ouvi de tudo na definição, mas é impossível encaixar em qualquer uma das alternativas e a única coisa certa: é uma banda bem interessante e com isso mistura um público bem oposto.

Fui ao primeiro show do System Of A Down no Brasil, no sábado, em São Paulo, e acho muito curioso quando você vê um público com fãs de Heavy Metal, de Hard Rock, de Rock Farofa Radiofônico, de Pop, de Emo e por aí vai.

A reação do público também é interessante. O som do System Of A Down é pesado, propício a várias rodas que são abertas no meio do público, onde o couro come. Mas ao mesmo tempo tem aqueles grupos de amigos que formam uma ‘mini-roda’ e dão ombradas comedidas entre eles, só para poderem dizer ‘eu participei’.

Sim, em boa parte isso se deve ao público da Farofa Radiofônica. Mas a última coisa que eu espero ver em um show pesado são meninas aos prantos, berrando com os olhos cheios de lágrimas. Chega a dar pena e causa a dúvida: “Estou no show do Restart?”.

Sobre a apresentação da banda, acho interessante o fato de haver pouquíssima interação com o público. É tudo direto e sem frescuras. Não há longos solos de guitarra, nem de bateria, nem divisão de plateia em coros, muito menos conversa. É uma música atrás da outra e quando você nem percebe que já se foram 28 músicas (o mesmo set list do Rock in Rio), a banda deixa o palco sem bis, pois nem precisava.

O engraçado é ver o vocalista Serj Tankian em algumas músicas se movimentar em uma dança como se estivesse em uma festa típica armênia, usando um sorriso sarcástico e alternando tons de voz ao cantar. Enquanto isso, Daron Malakian faz um trabalho honesto na guitarra e nos vocais, Shavo Odadjian cumpre seu papel no baixo e John Dolmayan vai muito bem na bateria, demonstrando um semblante bem sério a todo momento. É um curioso e bom show.

A apresentação foi na Chácara do Jockey, um lugar interessante para receber shows e até festivais. O espaço é grande, a entrada é rápida e as opções para tendas vendendo comes e bebes são interessantes. Mas…sobe uma poeira terrível para um show de Rock, de deixar os pulmões cheios…de terra. A organização para a saída também foi triste, o que tem sido bem comum por aqui. Está difícil para os organizadores conseguirem acertar isso.