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Uma viagem histórica com o The Who em São Paulo

Em meio a um Rock in Rio com a primeira palavra do nome mais escassa em relação a edições anteriores, a Mercury Concerts aproveitou as principais bandas de rock do casting do principal festival brasileiro de música e criou o São Paulo Trip no Allianz Parque, em São Paulo.

Na noite de quinta-feira, o Alter Bridge foi a primeira banda a subir ao palco pelo festival (ou série de shows como alguns preferem definir – pouco importa). Com um público meio fraco, talvez pela data, pela concorrência do Rock in Rio, pela crise, ou vai saber.

Myles Kennedy (Alter Bridge)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Mas a banda liderada por Myles Kennedy e Mark Tremontti mostrou sua competência e o porquê de ser uma das mais crescentes no cenário atual de rock. Com um set curto, eles levaram o seu próprio público e ainda conseguiram satisfazer os que não estavam lá para vê-los, mas para conferir o The Cult e, principalmente, o The Who.

O show começou com “Come to Life”, do álbum Blackbird (2007) ainda com o estádio palmeirense bem vazio. Na sequência, emendaram a ótima “Addicted to Pain”, do Fortress (2013), já numa fase mais pesada da banda, e ‘garantiram o bicho’.

Como habitual, o carismático Myles Kennedy mandou um dedilhado de “Blackbird”, dos Beatles, para emendar a música homônima que é um dos principais sucessos do Alter Bridge. “Isolation”, “Open Your Eyes” e “Rise Today” foram outros pontos fortes, com esta última fechando a digna apresentação do quarteto formado por três quartos do Creed (quem diria que sairia coisa boa do Creed?).

E nesta sexta eles tocam no Rock in Rio logo depois do Jota Quest, em dia que tem Tears For Fears e Bon Jovi (quem escalou o Alter Bridge junto às três bandas é um gênio! Mas não surpreende no RiR).

Ian Astbury e Billy Duff (The Cult)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

E aí veio o The Cult com toda a marra de Billy Duff e o carisma de Ian Astbury, o som em volume mais aceitável e tacando fogo logo de cara apresentando a excelente “Wild Flower”.

Mais conhecido do público presente em geral, o quinteto britânico fez uma apresentação mais agitada, com um set irretocável, embora curto (não dava pra ser mais longo, assim como o AB), para quem tem um número razoável de clássicos.

O lado chato e já recorrente em vários shows, Ian Astbury precisou pedir pra galera dar uma segurada para usar os telefones celulares após o show. Que fase vivemos hein!

Destaque para os petardos apresentados em sequência “Rise”, “She Sells Sanctuary” e “Fire Woman”, que esquentaram a galera o suficiente para esperar pela chegada do momento histórico.

Roger Daltrey (The Who)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

53 anos depois de sua fundação, o The Who finalmente pisou em solo sul-americano pela primeira vez com Roger Daltrey e Pete Townshend, além de uma banda muito competente a eles somada a Zak Starkey, filho de Ringo Starr e que ganhou seu primeiro kit de bateria sabe de quem? Keith Moon, o lendário e inesquecível baterista da formação original do The Who.

A apresentação começou com “I Can’t Explain”, nome que dizia muito sobre a sensação de quem estava tendo o privilégio de ver pela primeira vez a banda de Daltrey e Townshend. Em seguida vieram “The Seeker”, “Who Are You” e “The Kids Are Alright”, três dos vários clássicos que não deixaram a casa esfriar em nenhum momento.

Zakk Starkey (The Who)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Nem mesmo a entrada completamente errada de Daltrey em “My Generation” atrapalhou alguma coisa na apresentação dos ingleses na capital paulista. “Behind Blue Eyes”, outra das mais repetidas pelos fãs da banda teve um dos momentos mais bonitos no estádio.

E ainda tinha “Pinball Wizard”, “See Me Feel Me”, “Baba o’Riley” e “Won’t Get Fooled Again”. Dava para não ficar satisfeito? Sim e não.

Ao mesmo tempo que o público ainda mostrava querer ficar ali dias ouvindo mais o The Who, a banda também mal deixou o palco e voltou rapidamente para o bis, fechando com “Substitute”.

Pete Townshend (The Who)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Ao fim, Pete Townshend mandou todos embora para suas casas. Depois de um show como este, ele poderia ter mandado todos para a puta que pariu e ninguém ousaria negar. Seu pedido é uma ordem.

Os shows pré-pagos chegaram

As produtoras de shows no Brasil já perceberam que precisam tomar alguma iniciativa para não acabar levando cano de seu público alvo. E uma das inovações foi a criação de um sistema de cotas que são vendidas para ativar a realização de um show.

Não é novidade que o público já não é assim tão fiel por terras tupiniquins. Isso acontece devido à grande demanda de shows internacionais, graças ao mercado em baixa na Europa, além de sabermos que tem muito produtor espertinho que sabe que determinados shows lotam facilmente e então ele enfia a faca nos fãs para garantir a burra cheia de dólares.

Acontece que não apenas os gigantes estão vindo para o Brasil, mas as bandas que são menos populares para o público em geral e vivem de um público segmentado, também estão tentando aproveitar o momento econômico do lado de cá do Atlântico. No caso deles, os músicos acabam fazendo shows em muquifos, com um público digno de uma banda cover qualquer de um Aerosmith ou Guns N’ Roses, ou ainda menor.

Aí a ideia de fazer com que o show seja confirmado apenas quando uma cota mínima estiver garantida para pagar o cachê da banda, a locação da casa de shows e os gastos que uma apresentação ocasiona aos produtores e banda. O primeiro teste que vi foi com o show da banda Soulfly, de Max Cavalera, ex-vocalista do Sepultura.

E o resultado inicial não foi lá muito animador. O site “Ativa Aí”, que colocou à venda os ingressos para o Soulfly, já anunciou que não conseguiu chegar à meta mínima para o show que seria realizado no Rio de Janeiro. Em São Paulo falta ainda pouco mais de 1h quando estou escrevendo e está bem perto de esgotar também, mas em cima da hora.

A iniciativa não é ruim, acho bem criativa. O problema é que quando você lida com o público brasileiro deve lembrar que, salvo raras exceções (que são aquelas atrações amplamente divulgadas via publicidade ou imprensa), ele deixa para comprar seu ingresso na última hora. O Show do Soulfly ocorre daqui um mês em São Paulo (ou não!) e muita gente não sabe nem se terá tempo para ir. Aí complica tudo.

Parece bem mais complicado lidar com novas ideias para a venda de ingressos quando o público é o brasileiro, aquele que deixa para fazer tudo no último minuto do segundo tempo. O mesmo site usa o sistema para a venda de camarotes da rádio Kiss Fm para o show de Roger Waters em São Paulo com o preço de R$ 1 mil.

Eu só gostaria de saber mesmo é se estão sendo honestos nos valores ou vão colocar mais uma das grossas nos fundilhos dos fãs, o que muitas produtoras já fazem há tanto tempo.

Pearl Jam confirma que primeiro show era um aperitivo

Não fui ao segundo show do Pearl Jam no Morumbi, então não seria honesto dizer se foi bom ou ruim. Mas soube por quem esteve lá que o clima foi bem melhor, o público maior, o som melhor e pelo set list que tenho em mãos, os quarentões de Seattle não ficaram devendo em nada, pelo contrário.

Foram mais músicas, mais clássicos, uma abertura com duas músicas mais velozes do que “Release”, que desta vez ficou de fora do repertório.

Olhando apenas para o set list e comparando com o show da noite anterior, posso dizer que trocaria facilmente se pudesse voltar no tempo tendo a possibilidade de escolher o dia para ir.

Para quem ainda não viu, ou foi e não lembra exatamente o que foi tocado no Morumbi, segue abaixo a lista que quem costuma seguir meu Twitter já sabe bem como ficou. Quem foi e quer falar como foi, fica aberto o espaço.

1. Go (Vs., 1992)
2. Do The Evolution (Yeld, 1998)
3. Severed Hand (Pearl Jam, 2006)
4. Hail Hail (No Code, 1996)
5. Got Some (Backspacer, 2009)
6. Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town (Vs., 1992)
7. Given to Fly (Yeld, 1998)
8. Gonna See My Friend (Backspacer, 2009)
9. Wishlist (Yeld, 1998)
10. Amongst the Waves (single Amongst the Waves, 2010)
11. Setting Forth (Into the Wild, 2007)
12. Not For You (Vitalogy, 1994)
13. Modern Girl (The Woods, 2005 – Sleater Kinney)
14. Even Flow (Ten, 1991) 
15. Unthougt Unknown
16. The Fixer (Backspacer, 2009)
17. Once (Ten, 1991)
18. Black (Ten, 1991)
Encore 1
19. Just Breathe (Backspacer, 2009)
20. Inside Job (Pearl Jam, 2006)
21. State of Love and Trust (Rearviewmirror, 2004)
22. Olé (novo single)
23. Why Go (Ten, 1991)
24. Jeremy (Ten, 1991)
Encore 2 
25. Last Kiss (Last Kiss, 1961 – Wayne Cochran)
26. Better Man (Vitalogy, 1994)
27. Spin The Black Circle (Vitalogy, 1994)
28. Alive (Ten, 1991)
29. Baba O’ Riley (Who’s Next, 1971 – The Who)
30. Yellow Ledbetter (Lost Dogs, 2003)

Carisma salva Pearl Jam em noite com ‘milagre da reencarnação’

Após seis anos de ausência, o Pearl Jam se apresentou em São Paulo pela terceira vez ainda seguro pelo carisma de Eddie Vedder e por alguns clássicos enquanto o som no Morumbi teimou em não colaborar (obra da produtora do show somada à acústica historicamente ruim do local) e a inserção de faixas dos dois últimos álbuns também. Ainda assim, o ponto alto foi o “milagre da reencarnação”.

O aviso de que o show do Pearl Jam começaria 15 minutos mais cedo, enganou. O atraso foi de 30 minutos em que os fãs tiveram de suportar sonolentas canções que rolavam nos PAs. O público também não contribuiu. Numa noite fria de quinta-feira e com sold out para o segundo show (que teve ingressos vendidos antes).

A abertura foi com “Release”, uma opção não muito explosiva para um início de show, ainda mais com os telões em preto e branco, assim como o fundo do palco que no início dava impressão de um retorno ao passado.

No palco Eddie Vedder esbanjou energia e carisma tentando ler palavras em português na comunicação com o público, o que foi bacana levando em consideração que o público geralmente se derrete por qualquer clichê “obrigado”, “eu amo o Brasil” e “boa noite” que os vocalistas geralmente usam. Vedder chegou até a pedir desculpas ao dizer que os americanos são estúpidos com outros idiomas.

O show foi crescendo, a banda cometeu alguns erros de tempo na execução de músicas e no primeiro deles Eddie Vedder contornou puxando um coro de “olê, olê, olê, olê…”, com o público respondendo “Pearl Jam…Pearl Jam”. Foi uma boa saída do vocalista.

Quando a banda fez sua primeira turnê pelo Brasil em 2005, ainda não havia lançado os álbuns “Pearl Jam” e “Backspacer”, e o público aparentemente parou no tempo. Com sete músicas dos dois álbuns, além da nova “Olé”, poucas tiveram bom retorno, enquanto vários fãs ficavam pedindo por “Jeremy”, “Once” e “Given to Fly”.

O ponto mais forte do show, quando o som teve uma melhora significativa, porém, ainda deixou um pouco a desejar. Eddie Vedder lembrou que sua primeira vez no Brasil foi com os Ramones e ofereceu “Come Back” (do álbum Pearl Jam) para o guitarrista Johnny Ramone, morto em 2004.

O Pearl Jam logo emendou “I Believe in Miracles”, dos Ramones, antes de executar o seu maior sucesso por aqui: “Alive”, do álbum Ten, que completou 20 anos em agosto deste ano.

Sim, um dia depois do Dia de Finados, Eddie Vedder gritou “volte”, “eu acredito em milagres” e “eu ainda estou vivo na sequência”. Os mais humorados, como este blog, diria que houve uma reencarnação na noite de quinta-feira no Morumbi.

Após a segunda pausa do show, a banda retornou para um encore respondendo aos que pediam clássicos. Depois de tocarem “Comatose”, os quarentões de Seattle empolgaram com “Black”, “Better Man” e “Rearviewmirror”, fechando com “Rockin’ in the Free World”, cover de Neil Young.

É, foi legal. Mas quando Eddie Vedder pegou sua garrafa de vinho do palco e levou embora dando um tchauzinho para o público, muitos ficaram com aquela cara de “faltou algo”. Faltou sim. Mas pelo que conhecemos do Pearl Jam, o complemento é nesta quinta-feira, novamente no Morumbi.

Set list
1. Release (Ten, 1991)
2.  Corduroy (Vitalogy, 1994)
3.  Why Go (Ten, 1991)
4. Animal (Vs., 1992)
5. World Wide Suicide (Pearl Jam, 2006)
6. Got Some (Backspacer, 2009)
7. Even Flow (Ten, 1991)
8. Unthought Know (Backspacer, 2009)
9. Whipping (Vitalogy, 1994)
10. Daughter (Vs., 1992)
11. Olé (novo single)
12. Down (Lost Dogs, 2003)
13. Save You (Riot Act, 2002)
14. The Fixer (Backspacer, 2009)
15. Do The Evolution (Yeld, 1998)
16. Porch (Ten, 1991)
Encore 1
17. Elderly Woman Behind The Counter in The Small Town (Vs., 1992)
18. Just Breathe (Backspacer, 2009)
19. Come Back (Pearl Jam, 2006)
20. I Believe in Miracles (Brain Drain, 1989 – Ramones)
21. Alive (Ten, 1991)
Encore 2
22. Comatose (Pearl Jam, 2006)
23. Black (Ten, 1991)
24. Better Man (Vitalogy, 1994)
25. Rearviewmirror (Vs., 1992)
26. Rockin’ in the Free World (Freedom, 1989 – Neil Young)

Rodas e lágrimas no indefinível System Of A Down

A imprensa geralmente se incumbe do papel de escolher qual é o estilo de cada banda e cada vez tem nomes mais esquisitos que formam um monte de bobagem. Quem gosta da banda é pela música e não pela classificação a ela dada, pelo menos deveria ser assim.

E o System Of A Down é uma grande afronta a toda essa mania que nós jornalistas temos de querer dar nomes aos bois. Quem pode definir o que é a banda norte-americana formada por integrantes de origem armênia e libanesa?

Nu-Metal (lê-se New Metal)? Experimental Metal? Progressive Metal? Já ouvi de tudo na definição, mas é impossível encaixar em qualquer uma das alternativas e a única coisa certa: é uma banda bem interessante e com isso mistura um público bem oposto.

Fui ao primeiro show do System Of A Down no Brasil, no sábado, em São Paulo, e acho muito curioso quando você vê um público com fãs de Heavy Metal, de Hard Rock, de Rock Farofa Radiofônico, de Pop, de Emo e por aí vai.

A reação do público também é interessante. O som do System Of A Down é pesado, propício a várias rodas que são abertas no meio do público, onde o couro come. Mas ao mesmo tempo tem aqueles grupos de amigos que formam uma ‘mini-roda’ e dão ombradas comedidas entre eles, só para poderem dizer ‘eu participei’.

Sim, em boa parte isso se deve ao público da Farofa Radiofônica. Mas a última coisa que eu espero ver em um show pesado são meninas aos prantos, berrando com os olhos cheios de lágrimas. Chega a dar pena e causa a dúvida: “Estou no show do Restart?”.

Sobre a apresentação da banda, acho interessante o fato de haver pouquíssima interação com o público. É tudo direto e sem frescuras. Não há longos solos de guitarra, nem de bateria, nem divisão de plateia em coros, muito menos conversa. É uma música atrás da outra e quando você nem percebe que já se foram 28 músicas (o mesmo set list do Rock in Rio), a banda deixa o palco sem bis, pois nem precisava.

O engraçado é ver o vocalista Serj Tankian em algumas músicas se movimentar em uma dança como se estivesse em uma festa típica armênia, usando um sorriso sarcástico e alternando tons de voz ao cantar. Enquanto isso, Daron Malakian faz um trabalho honesto na guitarra e nos vocais, Shavo Odadjian cumpre seu papel no baixo e John Dolmayan vai muito bem na bateria, demonstrando um semblante bem sério a todo momento. É um curioso e bom show.

A apresentação foi na Chácara do Jockey, um lugar interessante para receber shows e até festivais. O espaço é grande, a entrada é rápida e as opções para tendas vendendo comes e bebes são interessantes. Mas…sobe uma poeira terrível para um show de Rock, de deixar os pulmões cheios…de terra. A organização para a saída também foi triste, o que tem sido bem comum por aqui. Está difícil para os organizadores conseguirem acertar isso.

Rock in Rio foi a glória do Glória. Com Eloy Casagrande e covers do Pantera, banda virou o jogo e abafou as vaias

Você pode ter lido neste blog ou em qualquer site musical que a banda Glória corria grande risco de ser o fiasco do Rock in Rio pela recepção do público e ao ser escalado para o Palco Mundo no festival enquanto Sepultura, Korzus e Angra iriam para o secundário Sunset no dia do Heavy Metal no evento de Roberto Medina. E todos erraram.

Quando questionei via Heavy Nation ao pessoal do Korzus o que achavam de o Glória tocar no Palco Mundo enquanto nossas principais bandas iriam para um palco secundário. O vocal Marcello Pompeu respondeu: “Vai ser a glória do Glória!”. E foi.

Se teve uma banda que peitou exemplarmente a reação negativa do público, esta foi o Glória, que vive uma transição do hardcore melódico para o metalcore, um estilo que vem crescendo no mundo todo, mas por aqui ainda sofre resistência.

Enquanto o público vaiou desde o início do show, a banda entrou cantando um refrão com “É tudo meu, vai se foder!” e deixou aquela impressão de que estava “defecando montão” (parafraseando o cartola Ricardo Teixeira) para a reação do público.

Depois disso ainda conseguiu abafar as vaias e ganhar a ‘torcida’ com uma sequência de covers do Pantera, com as clássicas “Domination” e “Walk”, além de um solo matador do garoto Eloy Casagrande, uma escolha acertada da banda para a bateria. E o repertório a seguir privilegia as músicas mais pesadas do grupo, que acabou com aquele chiado que vinha da plateia.

O que era constrangedor no início, enquanto o público vaiava e gritava pelo Sepultura – que estava pagando seus pecados no palco Sunset com um som amador (Korzus tambem sofreu e o show do Angra virou uma catástrofe graças aos problemas técnicos), e tinha o seu show atrasado -, virou um grande momento de uma banda que dava a cara a tapa.

Acompanhei pela TV e a curiosidade de como acabaria o Glória no Palco Mundo me fez ligar o stream no computador quando o Multishow cortou para mostrar o Sepultura. Sim, segui os dois shows simultaneamente e no final fiquei de queixo caído com o que o Sepultura fez, além de surpreso com a coragem e a competência do Glória.

Não sou fã do Glória, inclusive já fiz um post aqui mostrando que havia certa “influência” de um riff do Megadeth em uma música deles. Mas deixar de reconhecer os méritos pelo show do Rock in Rio seria um grande erro.

O que acho na banda? O instrumental mostrado pelo Glória no Rock in Rio foi absurdo, com muita qualidade e peso brutal. Não gosto daquela voz ridícula do guitarrista Elliot, que faz os backing vocals, que tenho certeza ser o motivo por ter lido em alguns lugares que a banda era um “metal emo” ou um “Restart mau educado”. E os berros do vocalista Mi soam um tanto exagerados em alguns momentos, mas antes um berro do que uma gemida como a outra voz.

Mas o grande nome da banda é, sem dúvida, o baterista Eloy Casagrande, que tem apenas 20 anos e é mestre em tocar com dois bumbos. Ele começou em uma banda grande de metal quando foi recrutado por Andre Matos para o seu grupo solo e está no Glória há pouco tempo. Na época em que começou a tocar com Andre Matos, o prodígio das baquetas precisava da autorização dos pais para viajar com a banda e já causava espanto ao tocar tanto com tão pouca idade.

Após a entrada de Eloy, o Glória promete lançar um disco mais pesado e assim esperamos para que não restem referências a “emo metal”, lembrando que o vocalista e fundador da banda Maurício Vieira (o Mi) tocava anteriormente na banda de emocore Dance of Days antes de criar em 2002 a sua nova empreitada.

Ao final do show do Rock in Rio, Mi postou no Twitter que agora o Glória pode se considerar uma banda de Metal. E é bom que a banda assim o faça. Quanto às críticas pela escalação do festival, a culpa não é do Glória e sim do evento. O equívoco não foi apenas por escalar o grupo paulistano, mas por desrespeitar o Heavy Metal nacional ao deixar três de suas maiores bandas na história fora do palco principal.

O Sepultura foi monstruoso na história da música brasileira, é o maior nome do Metal brasileiro, apresentou um dos melhores shows de toda a programação do Rock in Rio 2011 e não poderia estar jamais escalado de forma secundária em um palco “mambembe”, como bem disse João Gordo em entrevista ao vivo para o Multishow. Faltou respeito ao Heavy Metal nacional.

Empresária responsável pelo gerenciamento da carreira do Sepultura e atualmente também do Angra, Monika Cavalera postou no Facebook um texto de esclarecimento sobre a escalação do Sepultura para o palco Sunset.

“Só pra deixar bem claro.
O SEPULTURA quem quis tocar no SUNSET,porque seria o encontro das duas bandas.O resultado pra gente foi o melhor possível..Somos muito gratos ao Rock in Rio,independente dos problemas que tivemos lá.Mas eu tbm sabia o que ia acontecer com o Gloria quando começou a embolar o horário e avisei a eles.Enfim… que venha o próximo!!!!”.