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Cheio de publicidade e perfumaria, novo festival MOA exibe amadorismo

Em 1990, foi criado em uma cidadezinha do interior da Alemanha o Wacken Open Air, que anos depois se tornou o maior evento do Heavy Metal. Muitos brasileiros viajam todo ano para acompanhar o festival ficando em acampamentos e vivendo de Metal. Dentro do evento há um campeonato de bandas chamado Metal Battle, que tem etapas seletivas no mundo inteiro, inclusive no Brasil.

Há alguns anos surgiram boatos de que o Wacken teria uma edição no Brasil. A revista Rodie Crew tomou a dianteira do evento e depois de muita demora por informações, o próprio veículo revelou que não aconteceria mais o festival. No ano passado novamente surgiram os boatos do Wacken no Brasil e os promotores fizeram um belo uso indevido do nome para criar um festival brasileiro.

Depois de tantos boatos e a negativa por parte do Wacken a ceder o nome, nasceu o Metal Open Air, ou M.O.A., um pouco parecido com W.O.A., não? O local escolhido foi longe de onde sempre ocorrem os grandes shows: São Luís, no Maranhão, marcado para os dias 20, 21 e 22 de abril.

Passado o período de polêmica em relação ao nome do evento, vieram as confirmações e nomes interessantes entraram no cast como Anthrax, Megadeth, Grave Digger, U.D.O., Symphony X, Exodus, e Destruction. Para quem não conhece Heavy Metal, estamos falando de nomes de muito peso!

Mas um ponto interessante foi o valor inicialmente dado às bandas brasileiras. Nomes como Baranga, Torture Squad, Ratos de Porão, Matanza, Carro Bomba, Andre Matos, Korzus, Almah, Shaman, Hangar, Shadowside e o Stress, primeira banda de Heavy Metal formada no Brasil em 1975, em Belém do Pará!.

Na divulgação, vídeos de Charlie Sheen, músicos declarando que as bandas brasileiras serão respeitadas, um cenário totalmente favorável ao Heavy Metal em um dos países onde o gênero tem o maior número de fãs ao mesmo tempo em que não é levado a sério pela mídia, afinal, o termo “metaleiros” adotado por muitos foi criado de forma pejorativa pela maior rede de TV do Brasil.

O problema é que mesmo quando se tenta trabalhar em prol do Heavy Metal no Brasil, os organizadores demonstram que não são competentes o suficiente ou são, pelo menos, desleixados com as bandas brasileiras, um problema de vários outros festivais feitos aqui.

Primeiro foi a banda Shadowside que cancelou sua participação devido ao atraso na divulgação da programação com os horários para as bandas que vão realizar os shows.

“Lamento profundamente anunciar, mas não será possível a participação da banda Shadowside na primeira edição do METAL OPEN AIR, pois fica logisticamente inviável eles chegarem a tempo no evento para se apresentarem no horário que só nos foi confirmado há dois dias. O fato de que alguns membros da banda ter outros compromissos profissionais que os impediriam de ficar disponível todo o final de semana já eram do conhecimento da produção. A produção, por conta da demora, acabou inviabilizando nossa ida a São Luís. Pedimos sinceras desculpas a todos os fãs que esperavam tanto pela apresentação da Shadowside no evento”, declarou Flavio Garrido, manager da banda Shadowside.

Não bastasse perder o Shadowside, uma das boas bandas brasileiras do cenário atual, nesta quarta-feira, faltando dois dias para o início do festival, a banda Hangar já colocou sua participação em xeque. Pelas redes sociais, o baterista Aquiles Priester e o baixista Nando Mello avisaram que a banda não recebeu nenhum comunicado com a confirmação do horário de seu show e como está em Fortaleza, no Ceará, viajando em um ônibus, não haveria tempo suficiente para a ida até São Luis se a banda saísse após as 6h da manhã desta quinta-feira.

“É muito legal ver como o metal nacional é tratado… Uma pena, mas não temos mais tempo hábil para chegar ao Festival. Estamos de ônibus em Fortaleza e deveríamos sair amanhã de manhã, às 6h00 da manhã para chegar antes da meia noite ainda na quinta-feira, dia 19/04…. Infelizmente não temos como seguir sem uma confirmação da organização… Lamentável!”,  escreveu Aquiles Priester pelo Facebook.

Tudo bonito, divulgação no G1 com uma matéria por dia, participação de grandes nomes do Heavy Metal e do Rock, figuras como Charlie Sheen e Gene Simmons em anúncios e a produção perde duas atrações por puro amadorismo? Assim fica difícil fazer o Metal ser levado a sério no Brasil! Uma pena.

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Uma aula brasileira para as mulheres que cantam Metal

Divulgação

O número de mulheres cantando Heavy Metal hoje em dia está em crescimento, mas na maioria das bandas já está muito repetitiva a forma como as mulheres entram na música. Aquele estilo “beauty and beast” que consagrou bandas como o Nightwish, já cansou. O vocal lírico também não é tão chamativo quanto há cinco anos.

Eis que uma banda brasileira chamada Shadowside reforça a sua identidade tendo Dani Nolden nos vocais em mais um álbum, Inner Monster Out, lançado em 2011.

Dani Nolden e o Shadowside chamam a atenção por não ‘tirarem o pé’ em nenhum momento do álbum, que soa pesado e direto, em uma forma que geralmente as bandas com mulheres na linha de frente esquecem de fazer.

O que acontece é que a música em geral se repete muito e então é possível tentar sair do gesso. O Shadowside já saiu em álbuns anteriores e atingiu um ótimo nível em Inner Monster Out, com uma variação vocal de se tirar o chapéu para Dani Nolden e sem precisar colocar uma baladinha aqui, uma musiquinha pop ali.

A música que leva o nome do disco é para mim a mais legal, mas há vários outros destaques como “Waste of Life”, “In the Name of Love” e “Habitchual”. Sem contar a abertura moderna com a faixa “Gag Order”, além de “Angel With Horns”, que rendeu o primeiro videoclipe do álbum.

Para fechar a brincadeira em alto nível ainda tem na versão brasileira um cover muito bem feito para “Inútil”, do Ultraje a Rigor, com a participação do próprio Roger Moreira. Como sabemos, o Espelho Mau valoriza os covers, mas quando ele é abusado, é ainda melhor recebido. Ficou pesado, rápido, direto, e falando grosso! Ótima versão!

Como não posso ficar só falando dos pontos positivos, ainda vejo um ponto na banda que não agrada muito. Gosto dos vocais de Dani Nolden, mas em quase toda música tem aquela subida no tom que soa repetitiva e que não me parece casar bem com a voz dela. Pode ser frescura de blogueiro que canta (mal!), mas acho que isso poderia ser alterado futuramente.

No mais, soa preconceituoso dizer que Dani Nolden deixa muito marmanjo no chinelo, pois seria diminuir a capacidade de uma grande vocalista de forma machista. Agora, que ela está dando banho em muita gente grande por aqui e lá fora também, ah isso está!

‘Deselegância’ de Edu Falaschi e a UTI do Metal brasileiro

No último domingo foi realizado pela primeira vez um show para celebrar o Dia do Heavy Metal Brasileiro. Idealizada por Thiago Bianchi, produtor musical e vocalista da banda Shaman, a data não teve muita divulgação, exceto por anúncios discretos em veículos especializados.

Logo, um evento que reunia bandas importantes no cenário atual como Almah, Hangar e Shaman foi um verdadeiro fracasso de público, o que causa preocupação para quem acompanha e valoriza o cenário musical.

Marcado por fazer declarações fortes recentemente quando fala sobre o Angra, o Almah e o público atual do Metal, o vocalista Edu Falaschi não segurou a frustração e soltou o verbo em um desabafo no qual apelou em alguns termos um tanto quanto impróprios, tendo razão em muita coisa, principalmente em relação ao fato de o Heavy Metal brasileiro respirar por aparelhos.

A oferta de shows internacionais no Brasil cresceu nos últimos anos e bandas como o Iron Maiden batem cartão em terras tupiniquins. Os shows são sempre lotados. A concorrência ficou desleal para as bandas nacionais, que já não faturam nada com vendas de discos, já que seus produtos não estão nas grandes lojas e o público atual é mais preguiçoso e mão de vaca: Faz download de tudo e não vai atrás para comprar nenhum disco e quando o gasta seu dinheiro é com uma banda estrangeira.

Os problemas não são exclusividade do Heavy Metal, mas de vários outros gêneros. Edu Falaschi não é o primeiro e nem será o último a chiar. Aliás, já ouvi os caras do Dr. Sin reclamarem há uns três ou quatro anos, assim como li os manifestos de Thiago Bianchi.

Por outro lado, lembro de ter lido há uns cinco ou seis anos o cantor Andre Matos dizer que a pirataria não assustava tanto, já que o público do Heavy Metal era fiel e comprava os discos, além de comparecer aos shows. Que mesmo baixando os arquivos de MP3, comprava o CD e o DVD para guardá-los como item de coleção. Sim, a coisa mudou. Aquele público que se dizia fiel, não tem mais fidelidade alguma, exceto com bandas com o Iron Maiden, que conseguiu disco de ouro no Brasil com o esquisito álbum Final Frontier, por exemplo.

A mídia especializada também piorou muito. Tente ler as entrevistas repetitivas e as resenhas chatas e manjadas nas páginas da revista Roadie Crew. A tarefa é dura. E aguentar então aquele perfil de programa infantil incorporado pela galera do Stay Heavy, programa especializado de TV. O Whiplash, que é o maior site de Metal do país, passou a apelar em suas manchetes, além de abrir espaço a outros gêneros. Enfim, é tudo pela vendagem, pela grana, como qualquer veículo de imprensa que necessita de margem de lucro.

O problema que vejo é simples: os meios do Heavy Metal estão seguindo um padrão pop para atrair a outros públicos. Enquanto isso, não se consegue emplacar o material feito no Brasil em eventos grandes realizados por aqui, e não são poucos. No Rock in Rio o espaço para o Metal brasileiro foi bem pequeno e amador, no festival SWU não há Heavy Metal nacional e o espaço na mídia em geral inexiste para quem não é Metallica, Iron Maiden e etc.

O que existe hoje na mídia em geral é o culto à celebridade e o Heavy Metal brasileiro passa longe de ser celebridade, exceto por um Andreas Kisser aqui, um Kiko Loureiro ali. Claro que a preguiça de um público “acostumado a leite com pêra” (“mimado”, para quem não entendeu o termo anterior) atrapalha e aí faz todo sentido a frase mais interessante de Edu Falaschi no final da entrevista que virou pronunciamento: “Fiquem aí com o Restart”.

Para quem não quer lembrar no futuro que o Rock bem feito no Brasil morreu para dar espaço a Restarts e NXZeros da vida, deixo abaixo uma lista com coisa muito boa que é ou foi feita por aqui.

Akashic, Almah, Angra, Astafix, Carro Bomba, Dr. Sin, Hangar, Harppia, Korzus, Krisiun, Mindflow, Musica Diablo, Nando Fernandes, Scelerata, Sepultura, Shadowside, Shaman, Stormental, Symbols, Torture Squad, Tribuzy, Tuatha de Danann, Viper e Vulcano.

Ah, então o público tem que ignorar as bandas estrangeiras? Claro que não! Mas abandonar o material produzido no Brasil é lamentável! Acha que não, então confira abaixo o que temos:

Hangar

Torture Squad

Krisiun

Stormental

Almah

Shadowside

Carro Bomba

Korzus