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Em terra de Gusttavo Lima, Michel Teló é Mozart!

Hoje em dia você reluta em ligar o rádio nas FMs para evitar ouvir aquele alto nível que faz sucesso no mercado atual, mas não adianta. Pela TV, em carros de som na rua ou algum vizinho que insiste em querer compartilhar seu gosto musical, você acaba conhecendo algumas coisas toscas da música, seja brasileira ou internacional.

Mas digamos que a música produzida no Brasil está extrapolando os limites da criatividade. Já li muita gente criticando o Michel Teló por sua música de nove versos que está fazendo sucesso em todo o mundo, mas eu diria que o Michel Teló é Mozart perto de um outro sucesso que ouvi acidentalmente e fui procurar saber (autoflagelo, a gente vê por aqui) para poder analisar e criticar embasado.

Por acaso alguém já ouviu falar em Gusttavo Lima? Provavelmente sim. Pois o sujeito é uma versão do Luan Santana, faz música babinha e tem um refrão super construtivo: “Tche tcherererere tcherererere…Gusttavo Lima e você”. Antes de mais nada, ele não é gaúcho, é mineiro, o que dificulta saber de onde veio tamanha criatividade para a música “Balada Boa” (aliás, colocar a palavra balada na música hoje é garantia de sucesso).

Nessas horas eu fico pensando a cabeça de um músico profissional, que passa anos estudando oito horas diárias de música, se forma em composição, regência e canto, mas se tentar viver de música passa fome, pois a coisa é bem mais fácil aparecer um sujeito cantando uma vocalização.

Como se não bastasse, já tem atletas curtindo comemorações com a música, o lateral colombiano Pablo Armero já comemorou gol com ela na Itália e logo logo isto será mais uma mercadoria Made in Brazil exportada ao mundo.

Se eu não gosto do Gusttavo Lima? Até alguns dias eu não sabia de quem se tratava, então não tenho nada contra o sujeito e acho mais é que ele está certo de faturar sua grana com o que canta por aí enquanto dança como quem estivesse se masturbando. A culpa pela proliferação disso aí é minha, sua, de todos nós consumidores de música ruim.

Tudo isso remete ao meu post anterior sobre a padronização musical, em que a coisa vai se nivelando por baixo. http://espelhomau.com/2012/01/24/fantoches-e-a-musica-padronizada

Corra que o Michel Teló vem aí!

Não é muito comum repetir tema por aqui, mas terminou 2011, começou 2012 e minhas timelines nas redes sociais vão acumulando coisas sobre o sucesso de “Ai se eu te pego” no mundo. Alguns aproveitam para exaltar e mostrar que a música que curtem está bombando no mundo todo e outros fazem a caveira de Michel Teló.

Para começo de conversa, quem deve estar se rindo é o próprio Michel Teló, que pegou uma música de um grupo de forró, regravou e poderia estar em vias de construir uma piscina do Tio Patinhas (lembra?) com o que vai acumulando de moedinhas douradas na conta.

A renomada revista Época, que eu gosto, botou o cara na capa dizendo que “o cantor paranaense traduz os valores da cultura popular para os brasileiros de todas as classes”. Menos, menos. Acabaram endeusando o cidadão ao tentar explicar o fenômeno. Aí vêm os cavaleiros do apocalipse querendo discutir se a música é boa ou não, aquelas discussões de boteco que chutam o saco na internet.

Lembro que quando fiz o post anterior brincando com o fato de a música não sair mais da cabeça sem que eu pouco soubesse de quem se tratava, parecia apenas uma ondinha do verão brasileiro daquelas várias que surgem e somem. Não duvido que isso aconteça, mas o status que o cara alcançou foi monstruoso e digno de nota.

Costumo colocar aqui aquelas versões toscas que músicos brasileiros e pseudo-músicos brasileiros fazem em português dos sucessos do exterior, mas no caso de Michel Teló está acontecendo ao contrário e vi uma chamada do site do Estadão dizendo que ele já está tocando nas emissoras europeias de rádio mais do que Adele e Coldplay.

Eis que agora vem a versão “If I catch you” para tentar pegar o público dos Estados Unidos também.

Como se não bastasse, ainda tem uma versão em polonês chamada “Aj Chce Cie zlapac” de um tal de Drossel Slodka.

Ok, você acha que a repetitiva música irrita? Então você precisa conhecer a versão em espanhol “Ay si te agarro”, de um tal de Hernan Nicolas.

Por terras tupiniquins ainda teve quem tentasse embarcar no sucesso da música. Além de covers como um do Parangolé, o “Ai se eu te pego” ganhou uma resposta da sertaneja Kenyo e Gaby, intitulada “Você não me pega”

Não, eu não sou fã do Michel Teló. Também acho que não se trata de nenhum gênio. Sucesso no exterior o Brasil já teve com outras músicas, inclusive o Cansei de Ser Sexy, que acho bem chato, teve seu momento de Glória, da mesma forma que as bandas brasileiras de Rock pesado vendem mais na Europa e no Japão do que por aqui.

A música é bem batida, tem várias repetições e a classificação como “sertanejo” me soa como piada, pois mistura vários ritmos. Não dá para chamar de Sertanejo uma música com batida de Reggae. Mas o sujeito tem seus méritos ao vender, e bem, o seu peixe lá na gringa.

Nossa, assim você me irrita!

Ouvi muito falarem de um tal de Michel Teló, decidi tentar saber de quem se trata e descobri que é o cara que gravou um dos maiores chicletes recentes da música nacional.

E aí ficou a dúvida: mas que porra de estilo musical é isso? Me responderam que é o tal Sertanejo Universitário, mais uma daquelas malditas subdivisões que só a música é capaz de proporcionar só para encher o saco.

Pois a música começa com uma batida reggae, depois parte para o forró, baião e a única coisa que não consigo identificar ali é o Sertanejo. Alguém me explica em que parte que está?

Mas outra curiosidade é que a música de Michel Teló é apenas uma versão (covers, a gente vê e ouve por aqui seja bom ou ruim). Pois a original do “Ai se eu te pego” é originalmente tocada por um grupo forrozeiro baiano chamado Cangaia de Jegue.

Também já houve versões em forró dos grupos Aviões do Forró e Garota Safada, além de uma versão pagode/axé do Parangolé (lembra aquele grupo que plagiou o Angra? então…). É aquela boa e velha tese de que nada é tão ruim que não possa piorar.

O que me impressiona um pouco na versão de Michel Teló é a mauricinhotização da música. “Sábado, no forró” da versão original se transforma em “sábado, na balada”, por exemplo, sem contar que a utilização daquele monte de gêneros musicais em um também tem como alvo buscar a garotada das baladas sertanejas.

Resposta para essa febre do “Ai se eu te pego”? Vai que é tua, Lemmy!