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Victor & Léo é escape de banda para mesmice em rock de bar

A era da internet dá poder para que muitas brincadeiras de estúdio feitas pelas bandas se tornem públicas. É daí que surge grande parte do arsenal que alimenta este blog. Mas também são aquelas bandas covers que tocam em bares que se aproveitam para a divulgação do trabalho.

O que uma banda que toca rock em bares pode ter de diferencial para se destacar? Tocar “Wish You Were Here”, do Pink Floyd, ou “Have You Ever Seen The Rain”, do Creedence Clearwater Revival, é a famosa carne de vaca, o mais do mesmo. E a molecada resolveu ousar.

Ao fazer uma pesquisa descobri a banda Cardios, formada por jovens gaúchos que decidiram apostar em sucessos de outros estilos musicais para ganhar destaque em sua nova versão.

Escolhi para este blog a versão de “Borboletas”, da dupla sertaneja Victor & Léo. A música original tem um instrumental interessante, com uma boa introdução no violão e uma levada que não fica batida. A letra, bem, é da famigerada nova geração sertaneja. E geralmente não se espera nada muito construtivo do estilo que não seja aquele romantismo piegas.

A versão em rock ficou interessante também no instrumental, com as guitarras soando bem na introdução, a levada é legal. O ritmo da música original também não é alterado, tem apenas uma cozinha mais encorpada.

Bom, mas é claro que tem o lado ruim. O vocal da versão roqueira é terrível. Soa como se o Restart tivesse um instrumental bom e tentasse tocar a música. E isso acaba sendo uma afronta, já que os vocais da dupla sertaneja fogem ao costumeiro do gênero e são bons.

Se você não é fã de Victor & Léo, tudo bem, eu também não sou. Mas a versão é curiosa e vale dar uma conferida. Apenas tente não prestar muita atenção ao vocal para não desistir logo no início.

Folk, forró, heavy metal, sertanejo…a canção mais eclética

Alguns sucessos da música acabam virando alvo fácil para covers, plágios e etc. Mas quando a obra criada ultrapassa os limites dos gêneros musicais, da letra e da velocidade em novas versões, é um caso para se prestar a devida atenção.

Neste caso se encaixa perfeitamente a música “The Sound of Silence”, escrita por Paul Simon e gravada pelo próprio em dupla com Arthur Garfunkel durante a década de 60. Estamos falando da música que talvez seja a mais eclética da história.

Ou você conhece alguma canção de folk rock que tenha recebido versões em heavy metal, em canto gregoriano, em pop, tecno, sertanejo, forró, etc?

“The Sound of Silence” recebeu todas essas versões. Em português ganhou outros nomes e letras, como “É por você que canto”,versão que foi gravada em 1984 por João Viola e virou alvo fácil de duplas sertanejas, como Leandro & Leonardo, e grupos de forró que tentaram usar a boa impressão que causa a melodia tão conhecida.

E o que dizer do que fizeram Warrel Dane e o seu Nevermore com uma versão que desfigurou todo o espírito da música. Som do silêncio? Com eles virou um barulho insano, com partes agressivas, uma levada veloz na bateria e um vocal oposto à calma de Paul Simon.

Você pode conferir no vídeo abaixo as várias facetas da música e recomendo que tente depois ouvir uma a uma em seu tamanho total.

E outra coisa que você talvez não saiba é que na música “The Spirit fo Radio”, um clássico da banda canadense Rush, há clara referência em seus últimos versos à canção de Paul Simon. A letra da canção do Rush diz: “For the words of the profits were written on the studio wall…/Concert hall/And echoes with the sounds of salesmen”. Já a de Simon diz: “the words of the prophets/Are written on the subway walls/And tenement halls/And whispered in the sounds of silence”.

Bom, como um bônus coloco aqui também uma das mais belas versões que já ouvi para a canção. Ela é apresentada no teatro na peça “A Mansão de Miss Jane”, da qual assisti recentemente no Teatro Dias Gomes para conferir a performance do ex-tenista Givaldo Barbosa como ator. Vale muito ouvir a interpretação abaixo.

Paula Fernandes vai além do sertanejo e do heavy metal (!?!)

A voz da mineira Paula Fernandes é uma das melhores coisas que há atualmente na capenga música brasileira. A cantora é uma legítima representante da música sertaneja verídica, diferente daquele “sertanejo de apartamento” encarnado por Luan Santana e outros. Mas demonstra habilidade também em outros estilos.

Ok, minha área de atuação não costuma incluir música sertaneja, mas a beleza e a voz de Paula Fernandes me impressionaram muito nesta febre que ela alcançou após cantar com Roberto Carlos e estourar o hit “Pássaro de Fogo”.

Meu irmão me indicou uma preciosidade, um disco (chamado Dust In The Wind) gravado em 2006  pela cantora contendo apenas covers de sucessos do pop, do folk, do country norte-americano, do rock progressivo brasileiro, do rock inglês e… do Heavy Metal!

Ouvi o álbum inteiro, me interessei e decidi escolher duas emblemáticas para postar no Espelho Mau. A primeira é uma releitura bem feita de “Behind Blue Eyes”, gravada originalmente pelo The Who em 1971.

Já tinha ouvido outras versões do clássico e garanto, a versão de Paula Fernandes é muito melhor da que o insuportável Limp Bizkit tentou emplacar em 2003. E cá para nós, a voz e o visual dela são bem melhores que os de Fred Durst.

Como se não bastasse, Paula Fernandes se arriscou em um degrau acima e regravou “Nothing Else Matters”, um dos sucessos do Metallica no aclamado álbum que se chama Metallica, mas todo mundo conhece como Black Album desde o seu lançamento em 1991.

É claro que se trata de uma versão acústica, sem as guitarras do Metallica e sem aquela voz mais agressiva de James Hetfield em uma das principais baladas já gravadas pela banda norte-americana. E isso é um grande mérito da cantora ao deixar a música mais ao seu estilo, sem estragar, sem deixar a desejar como muita banda cover faz.

Em um momento musical em que todo sucesso pode ser questionável, as versões gravadas antes de a cantora ter atingido o sucesso mostram que há sim músicos que chegam ao estrelato com méritos. E Paula Fernandes já demonstrou que sua voz é muito potente seja para suas canções sertanejas, seja para covers de estilos musicais bem diferentes.