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Ouviu falar do Rock in Rio Lisboa? Pois já acabou…

 

Sepultura e Tambours du Bronx no Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa 2012. Foto: Agencia Zero

No último domingo se encerrou mais uma edição do Rock in Rio Lisboa e pouco se falou sobre o festival aqui no Brasil, provavelmente devido à volta da edição brasileira do evento no ano passado e a confirmação de que teremos novamente o Rio de Janeiro como sede do Rock in Rio em 2013.

A principal novidade que foi noticiada em relação ao festival foi a confirmação das datas da estreante edição em Buenos Aires, na Argentina, que vai ter o evento nos dias 27, 28 e 29 de setembro, além de 4, 5 e 6 de outubro, enquanto o Rio fica com as datas de 13, 14, 15, 19, 20 e 21 de setembro.

Este blog não perdeu mais que dois minutos com qualquer um dos shows do Rock in Rio Lisboa 2012 e reparou apenas em alguns detalhes em relação à escolha das atrações para o Palco Mundo em comparação ao Rio de Janeiro no ano passado.

No primeiro dia do festival a atração principal do Palco Mundo foi o Metallica. O que foi o “dia do Metal” em Lisboa teve ainda os shows de Evanescence, Mastodon e Sepultura com Tambours du Bronx no palco principal, enquanto o Kreator (com Andreas Kisser) tocou no Palco Sunset.

Para quem não se lembra, a banda Glória foi a primeira atração do Palco Mundo no “dia do Metal” no Rio de Janeiro, enquanto o Sepultura tocou no Palco Sunset junto ao Tambours du Bronx. Aliás, não apenas o Sepultura, mas o Korzus e o parado Angra tocaram no palco secundário e a justificativa usada foram as parcerias.

Será que o Sepultura goza de mais prestígio em Portugal do que no Brasil?

Outra mudança em relação ao palco foi de Joss Stone, que subiu para o Palco Mundo no dia 2 de junho depois de ter tocado no entardecer do Rio de Janeiro no ano passado. No mais, em termos de atrações, o Rock in Rio brasileiro me parece ter sido bem melhor que o português, mesmo que os patrícios não tenham tido que aturar o show da Claudia Leitte…

No mais, tivemos algumas atrações interessantes como o Offspring, o Smashing Pumpkins e o Kaiser Chiefs, que se juntaram aos repetidos Stevie Wonder, Ivete Sangalo, Maroon 5 e Lenny Kravitz.

Metallica se junta à lista de bandas que têm seus próprios festivais

O Metallica não cansa de comemorar seus  30 anos e agora a bola da vez é a criação de um festival da banda. Os quatro cavaleiros anunciaram para os dias 23 e 24 de junho o festival Orion + More para Atlantic City, em New Jersey, nos Estados Unidos.

A banda norte-americana já se apresentou em vários festivais pelo mundo. É um dos poucos grupos de Heavy Metal que pode dizer ter tocado nos maiores festivais de música do mundo. E a justificativa do Metallica para a criação do festival é justamente essa.

Festivais criados por bandas ou músicos não é assim uma coisa tão inovadora na música. Já houve a empreitada de vários nomes que lançaram seus eventos, alguns muito bem sucedidos, outros nem tanto. Por isso decidi lembrar aqui alguns momentos em que os músicos viram organizadores.

Ozzfest

Sharon Osbourne é ótima em marketing. E isso ficou comprovado quando a mulher e empresária de Ozzy Osbourne decidiu criar um festival para o ex-vocalista do Black Sabbath. A primeira edição do Ozzfest foi em 1996 e desde então ele ocorre frequentemente nos Estados Unidos. Já participaram do Ozzfest bandas como Sepultura, Slayer, Soulfly, Pantera, Machine Head, Black Sabbath (em reunião com Ozzy Osbourne), Foo Fighters, System Of A Down, Slipknot, Linkin Park e até o Korn. Mas um momento curioso do festival foi na participação do Iron Maiden, em 2005. Conhecido por vez ou outra cornetar Ozzy Osbourne, Bruce Dickinson não foi bem compreendido antes do festival e acabou virando alvo de uma chuva de ovos do público, orquestrado por dona Sharon Osbourne.

Lollapallooza

Vocalista da banda de Rock Alternativo Janes Addiction, Perry Farrell idealizou o festival Lollapallooza e realizou a primeira edição em 1991. Com atrações como Metallica, Red Hot Chilli Peppers, Pearl Jam, Rage Against the Machine, Alice In Chains e Nine Inch Nails, entre outros, o festival teve duração até 1997 e depois acabou. A volta ocorreu de forma modesta em 2003 e desde 2005 o evento passou novamente a ser anual. No ano passado, Perry Farrell anunciou a expansão de seu festival antes realizado apenas nos Estados Unidos. Neste ano as cidades de Santiago, no Chile, e São Paulo, no Brasil, recebem o festival com um lineup bem variado. Em São Paulo, o grande nome é o do Foo Fighters.

Sepulfest

O Sepultura foi o representante brasileiro entre os aventureiros a festivais organizados pela própria banda, mas o evento acabou não tendo o retorno esperado. A primeira edição ocorreu em 2004, com algumas apostas bem variadas em São Paulo, misturando o grupo comediante Massacration com a Nação Zumbi os Ratos de Porão e o Claustrofobia. Dois anos depois, o Sepultura levou seu festival para Curitiba contando novamente com o Massacration em sua programação junto ao Korzus. O festival acabou não decolando.

Gigantour

Dave Mustaine foi mais rápido que o Metallica na criação de seu festival, no caso, uma turnê com grandes bandas de Heavy Metal. O vocalista e guitarrista do Megadeth (ex-integrante do Metallica) fundou seu evento em 2005, passando por várias cidades dos Estados Unidos ao lado de bandas como Anthrax, Dream Theater, Arch Enemy, Soulfly, Lacuna Coil e Children of Bodom. O Gigantour está confirmado para este ano, tendo como atração o Motörhead. Um momento legal do evento foi em 2005 com o tributo ao guitarrista Dimebag Darrell, assassinado durante show. Ao lado de Burton C. Bell (Fear Factory), Russell Allen (Symphony X) e do Dream Theater, Dave Mustaine tocou no palco a música “Cemetery Gates”, do Pantera.

Outras bandas também tentaram a empreitada com seus próprios eventos, casos de Blind Guardian e Mayhem, mas não foram tantos assim os que conseguiram sucesso com a aposta.

Heavy Metal Universitário?!

Você já deve ter ouvido falar em Forró Universitário, Sertanejo Universitário, Pagode Universitário, Axé Universitário e tudo que é tipo de música utilizando o complemento “universitário”. E provavelmente engoliu facilmente todos os subgêneros.

Agora, e se eu te empurrasse goela abaixo o Heavy Metal Universitário? Ok, isso não vai acontecer. O gênero não usa o nome complementar, não é popular para isso e nem pagador de jabá.

Só que a ótima banda gaúcha Hangar gravou um álbum de Heavy Metal no formato acústico e ouvi a expressão em uma brincadeira durante o programa Heavy Nation, da Rádio UOL.

E o que tem demais? Basta conferir os diferentes arranjos utilizados, a sonoridade suave e você tem uma música que seria facilmente radiofônica. Você poderia ouvir em emissoras de Rock e Pop em seu rádio ou ver o videoclipe na MTV, mas não vai. E sabe o motivo: é Heavy Metal, o gênero musical proibido para o povão.

É um tema que me instiga ainda o fato de nem mesmo as baladas e as versões acústicas serem tocadas nas emissoras de rádio sem a presença do bom e velho jabá. Acho que o último Metal a tocar em uma rádio rock por aqui foi do Angra com “Wishing Well” ou o Shaman com “Innocence”, ambos na extinta rádio rock paulistana 89 FM.

Ok, eu posso ouvir o Heavy Metal que gosto em meu MP3, aliás, é o que faço diariamente. E tudo bem, nem precisa tocar o som mais pesado do Slayer, do Sepultura ou do Korzus. Mas será que nem quando a música é mais leve e melhor tocada que muita coisa popular por aí é possível colocar para rodar?

A diferença do Metal para outros gêneros fica muito clara quando você tem um álbum ou apenas uma música gravada no formato acústico. Os arranjos são mais poderosos, a velocidade reduzida não tira a essência e a levada na percussão é incomparável. E o Hangar mostra isso perfeitamente no álbum Acoustic but Plugged In!, lançado neste ano com mais uma mudança de vocalista (ainda prefiro o Nando Fernandes, mas o André Leite é muito bom!) e que me pareceu uma grande sacada.

Muita gente vai condenar o fato de os caras terem gravado um álbum acústico. ‘Ah, não pode! Não é true!’. A típica coisa de gente chata que faz o Heavy Metal parecer chato. Pois já teve aquele pessoal que reclamou quando o Metallica gravou com orquestra sinfônica um puta álbum, assim como tem adoráveis seres que chamariam o Sepultura de ‘vendido’ por isso aqui.

É uma pena que para que o público em geral goste deste tipo de coisa talvez tenhamos de incluir o nome “Universitário” no meio…

7 anos mais novo que o Sepultura, Eloy é mais que prodígio

Foto: Divulgação

Após encontrar um cache do site oficial do Sepultura em pesquisa no Google e entrar em contato com fontes próximas à banda, o Espelho Mau anunciou em primeira mão no sábado às 15h que Eloy Casagrande foi escolhido como novo baterista para o lugar de Jean Dolabella. O que horas depois foi confirmado oficialmente.

Como já havia sido informado aqui, Jean Dolabella teve problemas durante a última turnê, chegou a ser substituído e se despediu da banda em uma apresentação na cidade de Bebedouro no sábado. Agora o Sepultura aposta em um prodígio que se destacou em todo lugar que tocou, inclusive fazendo participação no “Domingão do Faustão”, da TV Globo, no “Domingo Legal”, do SBT, no “É Show!”, da Record, e no “Superpop”, da RedeTV.

Eloy Casagrande tinha apenas 16 anos quando foi a grande aposta de Andre Matos após gravar o primeiro disco de sua banda solo, quando o baterista Rafael Rosa decidiu sair para se dedicar a outros projetos. No início precisava da autorização dos pais para poder sair em turnê e deixava dúvidas se aguentaria o tranco, mas logo mostrou que estava muito apto para o posto.

Após a ida de Andre Matos para morar na Suécia, Eloy Casagrande foi integrado à banda Glória, que tomou um direcionamento diferente com um Metalcore e aí o garoto se mostrou ao mundo ao se apresentar no palco principal do Rock in Rio e fazer um solo matador em um show no qual o público era desfavorável à banda. Ele saiu elogiado e com status para buscar voos maiores.

Com os problemas de Jean Dolabella e o Sepultura prestes a partir para uma turnê europeia, a escolha foi certeira. Eloy Casagrande foi chamado para ensaiar com a maior banda da história do Heavy Metal brasileiro e mostrou o óbvio: está pronto para assumir o cargo.

“Fizemos um ensaio com ele e a casa caiu, foi fantástico, tocou o material antigo e o novo como se estivesse na banda há muito tempo. O Sepultura mostra ao mundo mais um monstro brasileiro da bateria”, afirma Andreas Kisser em comunicado oficial.

Eloy já participou de turnês internacionais com a banda de Andre Matos, já soube o que é tocar para um público enorme de um festival como o Rock in Rio, já participou dos maiores eventos de bateria do mundo e ganhou como revelação o prêmio da Modern Drummer.

Claro que ele não é o Igor Cavalera, não é Jean Dolabella, é um jovem dedicado e que a cada jornada mostra que está mais maduro para ser um dos grandes bateristas do mundo.

Nascido em Santo André, no ABC paulista como Andreas Kisser (que é de São Bernardo do Campo), Eloy Casagrande é sete anos mais novo que o Sepultura, que lançou seu quarto álbum (Arise) apenas dois meses após o baterista nascer em 1991. Quando Derrick Green assumiu os vocais no lugar de Max Cavalera, o baterista tinha seis anos.

O jovem de 20 anos é o quinto a assumir as baquetas do Sepultura se contarmos todos os que tocaram, inclusive como substitutos durante turnês. Além de Igor Cavalera e Jean Dolabella, passaram pela banda interinamente Roy Mayorga (Soulfly, Stone Sour) e Amílcar Christófaro (Torture Squad).

No mais, o Sepultura ainda vai ouvir reclamações por ter contratado o baterista do Glória, por ele ser jovem, e outras alegações inúteis, assim como muitos fãs que vivem sonhando com uma reunião da formação original. Mas a banda acerta em cheio em sua escolha, da mesma forma como se mantém firme contra uma reunião quando tem uma formação de qualidade e com um dos melhores álbuns da carreira, o Kairos.

Eloy Casagrande é o novo baterista do Sepultura!

O Sepultura deve ter uma novidade a partir deste domingo com o anúncio do baterista Eloy Casagrande para o lugar de Jean Dolabella, que estava no cargo desde a saída de Igor Cavalera em 2006.

Durante a turnê de divulgação do álbum Kairos, o baterista Jean Dolabella teve problemas com tendinite e acabou substituído em alguns shows por Amilcar Christóforo, do Torture Squad.

Eloy Casagrande já havia passado pela banda solo do vocalista Andre Matos, além de tocar com o Glória, inclusive tendo se apresentado no palco Mundo na edição deste ano do Rock in Rio.

O novo baterista já até ensaiou com os outros integrantes do Sepultura, com quem curiosamente tocou ao mesmo tempo no Rock in Rio, mas em palcos diferentes após um atraso na programação do Sepultura por problemas técnicos.

A banda ainda agradeceu a Jean Dolabella pela dedicação no período em que gravou os álbuns A-Lex e Kairos, além de participar das turnês dos dois álbuns e de Dante XXI, originalmente gravado por Igor Cavalera.

Eloy Casagrande fará sua estreia na banda no dia 25 de novembro na turnê europeia que será na cidade de Lichtenfels, na Alemanha. Neste sábado tem o último show de Jean Dolabella na cidade de Bededouro.

‘Deselegância’ de Edu Falaschi e a UTI do Metal brasileiro

No último domingo foi realizado pela primeira vez um show para celebrar o Dia do Heavy Metal Brasileiro. Idealizada por Thiago Bianchi, produtor musical e vocalista da banda Shaman, a data não teve muita divulgação, exceto por anúncios discretos em veículos especializados.

Logo, um evento que reunia bandas importantes no cenário atual como Almah, Hangar e Shaman foi um verdadeiro fracasso de público, o que causa preocupação para quem acompanha e valoriza o cenário musical.

Marcado por fazer declarações fortes recentemente quando fala sobre o Angra, o Almah e o público atual do Metal, o vocalista Edu Falaschi não segurou a frustração e soltou o verbo em um desabafo no qual apelou em alguns termos um tanto quanto impróprios, tendo razão em muita coisa, principalmente em relação ao fato de o Heavy Metal brasileiro respirar por aparelhos.

A oferta de shows internacionais no Brasil cresceu nos últimos anos e bandas como o Iron Maiden batem cartão em terras tupiniquins. Os shows são sempre lotados. A concorrência ficou desleal para as bandas nacionais, que já não faturam nada com vendas de discos, já que seus produtos não estão nas grandes lojas e o público atual é mais preguiçoso e mão de vaca: Faz download de tudo e não vai atrás para comprar nenhum disco e quando o gasta seu dinheiro é com uma banda estrangeira.

Os problemas não são exclusividade do Heavy Metal, mas de vários outros gêneros. Edu Falaschi não é o primeiro e nem será o último a chiar. Aliás, já ouvi os caras do Dr. Sin reclamarem há uns três ou quatro anos, assim como li os manifestos de Thiago Bianchi.

Por outro lado, lembro de ter lido há uns cinco ou seis anos o cantor Andre Matos dizer que a pirataria não assustava tanto, já que o público do Heavy Metal era fiel e comprava os discos, além de comparecer aos shows. Que mesmo baixando os arquivos de MP3, comprava o CD e o DVD para guardá-los como item de coleção. Sim, a coisa mudou. Aquele público que se dizia fiel, não tem mais fidelidade alguma, exceto com bandas com o Iron Maiden, que conseguiu disco de ouro no Brasil com o esquisito álbum Final Frontier, por exemplo.

A mídia especializada também piorou muito. Tente ler as entrevistas repetitivas e as resenhas chatas e manjadas nas páginas da revista Roadie Crew. A tarefa é dura. E aguentar então aquele perfil de programa infantil incorporado pela galera do Stay Heavy, programa especializado de TV. O Whiplash, que é o maior site de Metal do país, passou a apelar em suas manchetes, além de abrir espaço a outros gêneros. Enfim, é tudo pela vendagem, pela grana, como qualquer veículo de imprensa que necessita de margem de lucro.

O problema que vejo é simples: os meios do Heavy Metal estão seguindo um padrão pop para atrair a outros públicos. Enquanto isso, não se consegue emplacar o material feito no Brasil em eventos grandes realizados por aqui, e não são poucos. No Rock in Rio o espaço para o Metal brasileiro foi bem pequeno e amador, no festival SWU não há Heavy Metal nacional e o espaço na mídia em geral inexiste para quem não é Metallica, Iron Maiden e etc.

O que existe hoje na mídia em geral é o culto à celebridade e o Heavy Metal brasileiro passa longe de ser celebridade, exceto por um Andreas Kisser aqui, um Kiko Loureiro ali. Claro que a preguiça de um público “acostumado a leite com pêra” (“mimado”, para quem não entendeu o termo anterior) atrapalha e aí faz todo sentido a frase mais interessante de Edu Falaschi no final da entrevista que virou pronunciamento: “Fiquem aí com o Restart”.

Para quem não quer lembrar no futuro que o Rock bem feito no Brasil morreu para dar espaço a Restarts e NXZeros da vida, deixo abaixo uma lista com coisa muito boa que é ou foi feita por aqui.

Akashic, Almah, Angra, Astafix, Carro Bomba, Dr. Sin, Hangar, Harppia, Korzus, Krisiun, Mindflow, Musica Diablo, Nando Fernandes, Scelerata, Sepultura, Shadowside, Shaman, Stormental, Symbols, Torture Squad, Tribuzy, Tuatha de Danann, Viper e Vulcano.

Ah, então o público tem que ignorar as bandas estrangeiras? Claro que não! Mas abandonar o material produzido no Brasil é lamentável! Acha que não, então confira abaixo o que temos:

Hangar

Torture Squad

Krisiun

Stormental

Almah

Shadowside

Carro Bomba

Korzus

Rock in Rio foi a glória do Glória. Com Eloy Casagrande e covers do Pantera, banda virou o jogo e abafou as vaias

Você pode ter lido neste blog ou em qualquer site musical que a banda Glória corria grande risco de ser o fiasco do Rock in Rio pela recepção do público e ao ser escalado para o Palco Mundo no festival enquanto Sepultura, Korzus e Angra iriam para o secundário Sunset no dia do Heavy Metal no evento de Roberto Medina. E todos erraram.

Quando questionei via Heavy Nation ao pessoal do Korzus o que achavam de o Glória tocar no Palco Mundo enquanto nossas principais bandas iriam para um palco secundário. O vocal Marcello Pompeu respondeu: “Vai ser a glória do Glória!”. E foi.

Se teve uma banda que peitou exemplarmente a reação negativa do público, esta foi o Glória, que vive uma transição do hardcore melódico para o metalcore, um estilo que vem crescendo no mundo todo, mas por aqui ainda sofre resistência.

Enquanto o público vaiou desde o início do show, a banda entrou cantando um refrão com “É tudo meu, vai se foder!” e deixou aquela impressão de que estava “defecando montão” (parafraseando o cartola Ricardo Teixeira) para a reação do público.

Depois disso ainda conseguiu abafar as vaias e ganhar a ‘torcida’ com uma sequência de covers do Pantera, com as clássicas “Domination” e “Walk”, além de um solo matador do garoto Eloy Casagrande, uma escolha acertada da banda para a bateria. E o repertório a seguir privilegia as músicas mais pesadas do grupo, que acabou com aquele chiado que vinha da plateia.

O que era constrangedor no início, enquanto o público vaiava e gritava pelo Sepultura – que estava pagando seus pecados no palco Sunset com um som amador (Korzus tambem sofreu e o show do Angra virou uma catástrofe graças aos problemas técnicos), e tinha o seu show atrasado -, virou um grande momento de uma banda que dava a cara a tapa.

Acompanhei pela TV e a curiosidade de como acabaria o Glória no Palco Mundo me fez ligar o stream no computador quando o Multishow cortou para mostrar o Sepultura. Sim, segui os dois shows simultaneamente e no final fiquei de queixo caído com o que o Sepultura fez, além de surpreso com a coragem e a competência do Glória.

Não sou fã do Glória, inclusive já fiz um post aqui mostrando que havia certa “influência” de um riff do Megadeth em uma música deles. Mas deixar de reconhecer os méritos pelo show do Rock in Rio seria um grande erro.

O que acho na banda? O instrumental mostrado pelo Glória no Rock in Rio foi absurdo, com muita qualidade e peso brutal. Não gosto daquela voz ridícula do guitarrista Elliot, que faz os backing vocals, que tenho certeza ser o motivo por ter lido em alguns lugares que a banda era um “metal emo” ou um “Restart mau educado”. E os berros do vocalista Mi soam um tanto exagerados em alguns momentos, mas antes um berro do que uma gemida como a outra voz.

Mas o grande nome da banda é, sem dúvida, o baterista Eloy Casagrande, que tem apenas 20 anos e é mestre em tocar com dois bumbos. Ele começou em uma banda grande de metal quando foi recrutado por Andre Matos para o seu grupo solo e está no Glória há pouco tempo. Na época em que começou a tocar com Andre Matos, o prodígio das baquetas precisava da autorização dos pais para viajar com a banda e já causava espanto ao tocar tanto com tão pouca idade.

Após a entrada de Eloy, o Glória promete lançar um disco mais pesado e assim esperamos para que não restem referências a “emo metal”, lembrando que o vocalista e fundador da banda Maurício Vieira (o Mi) tocava anteriormente na banda de emocore Dance of Days antes de criar em 2002 a sua nova empreitada.

Ao final do show do Rock in Rio, Mi postou no Twitter que agora o Glória pode se considerar uma banda de Metal. E é bom que a banda assim o faça. Quanto às críticas pela escalação do festival, a culpa não é do Glória e sim do evento. O equívoco não foi apenas por escalar o grupo paulistano, mas por desrespeitar o Heavy Metal nacional ao deixar três de suas maiores bandas na história fora do palco principal.

O Sepultura foi monstruoso na história da música brasileira, é o maior nome do Metal brasileiro, apresentou um dos melhores shows de toda a programação do Rock in Rio 2011 e não poderia estar jamais escalado de forma secundária em um palco “mambembe”, como bem disse João Gordo em entrevista ao vivo para o Multishow. Faltou respeito ao Heavy Metal nacional.

Empresária responsável pelo gerenciamento da carreira do Sepultura e atualmente também do Angra, Monika Cavalera postou no Facebook um texto de esclarecimento sobre a escalação do Sepultura para o palco Sunset.

“Só pra deixar bem claro.
O SEPULTURA quem quis tocar no SUNSET,porque seria o encontro das duas bandas.O resultado pra gente foi o melhor possível..Somos muito gratos ao Rock in Rio,independente dos problemas que tivemos lá.Mas eu tbm sabia o que ia acontecer com o Gloria quando começou a embolar o horário e avisei a eles.Enfim… que venha o próximo!!!!”.