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Victor & Léo é escape de banda para mesmice em rock de bar

A era da internet dá poder para que muitas brincadeiras de estúdio feitas pelas bandas se tornem públicas. É daí que surge grande parte do arsenal que alimenta este blog. Mas também são aquelas bandas covers que tocam em bares que se aproveitam para a divulgação do trabalho.

O que uma banda que toca rock em bares pode ter de diferencial para se destacar? Tocar “Wish You Were Here”, do Pink Floyd, ou “Have You Ever Seen The Rain”, do Creedence Clearwater Revival, é a famosa carne de vaca, o mais do mesmo. E a molecada resolveu ousar.

Ao fazer uma pesquisa descobri a banda Cardios, formada por jovens gaúchos que decidiram apostar em sucessos de outros estilos musicais para ganhar destaque em sua nova versão.

Escolhi para este blog a versão de “Borboletas”, da dupla sertaneja Victor & Léo. A música original tem um instrumental interessante, com uma boa introdução no violão e uma levada que não fica batida. A letra, bem, é da famigerada nova geração sertaneja. E geralmente não se espera nada muito construtivo do estilo que não seja aquele romantismo piegas.

A versão em rock ficou interessante também no instrumental, com as guitarras soando bem na introdução, a levada é legal. O ritmo da música original também não é alterado, tem apenas uma cozinha mais encorpada.

Bom, mas é claro que tem o lado ruim. O vocal da versão roqueira é terrível. Soa como se o Restart tivesse um instrumental bom e tentasse tocar a música. E isso acaba sendo uma afronta, já que os vocais da dupla sertaneja fogem ao costumeiro do gênero e são bons.

Se você não é fã de Victor & Léo, tudo bem, eu também não sou. Mas a versão é curiosa e vale dar uma conferida. Apenas tente não prestar muita atenção ao vocal para não desistir logo no início.

22 anos sem ‘evocar o capeta’…Toca Raul!

Muito se fala hoje me dia que o Rock está morto. Que as bandas atuais já não sabem mais o que é Rock, o que é Pop, etc. Ok, concordo em parte. Mas o que comprovaria tal tese?

Vejo de uma forma diferente e uso a minha singela homenagem ao gênio Raul Seixas, morto há exatos 22 anos. Sim, faz tempo que Raul Seixas morreu. Outras figuras importantes, seja no Brasil ou fora também partiram, e junto com eles se foi a “falta do medo de morrer”.

Enquanto Raul Seixas e outros desbocados mostravam que não tinham medo da morte, hoje este medo está mais estampado na cara dos supostos roqueiros. Ah, então quer dizer que todo ídolo do gênero deve encher a cara e cheirar até morrer? Não, não é exatamente isso!

Mas quem faz algum tipo de música que fuja de seu tempo hoje? Quem tem um comportamento politicamente incorreto? Quem escreve música preocupado com o próprio gosto e não com o que querem os fãs?

Uso Raulzito como exemplo por ver a cada música escrita por ele e perceber que não há a intenção de agradar. Não tem aquele solo a mais para fazer fita, nem aquele refrão bonitinho e grudento que faça o pessoal cantar fácil.

O principal de Raul Seixas é que as músicas são atemporais. Você pode ter ouvido há 20 ou 30 anos e ao escutar hoje a única diferença é que a produção antigamente era precária.

É chato ouvir uma música e saber que se trata de uma banda de gênero pré-definido, de determinada época e que pode ser salva por uma boa produção, boa ‘capa’ e aquela divulgação ‘jabá’ em emissora FM de rádio e Mtvs da vida.

Provavelmente você leu o título deste post, viu que o vídeo abaixo se trata da música “Rock do Diabo” e não tenha ficado muito disposto a conferir. Afinal, o Raulzito está falando do diabo, tá evocando o capeta e coisa e tal…

E aí está a graça. Raul Seixas, assim como sempre fizeram o Black Sabbath, o Iron Maiden e outras bandas “ligadas ao diabo”, jamais louvaram ao capeta. O que acontece na verdade é uma grande tiração de sarro, uma piada.

Ou você acha que trechos como “Existem dois diabos/Só que um parou na pista/Um deles é do toque/O outro é aquele do exorcista…” e “Me dê um porco vivo/Para eu encher minha pança/Três quilos de alcatra/Com muqueca de esperança…” são ofensivos? Francamente!

Toca Raul!

Um ano sem o mestre Ronnie James Dio

No dia 16 de maio de 2010, Ronald James Padavona, mais conhecido como Ronnie James Dio, perdia uma batalha contra um câncer no estômago e deixava o heavy metal, o rock e a música em geral orfãos de uma das melhores vozes de todos os tempos.

Dio representava não apenas um genial cantor, mas também um ser humano exemplar, com simpatia e autenticidade. Uma das maiores frustrações deste blogueiro foi ter perdido no ano anterior os shows que a banda Heaven & Hell (o Black Sabbath com outro nome) fez em São Paulo.

O norte-americano que assumiu o lugar de Ozzy Osbourne no Black Sabbath, uma banda inglesa, e ainda deixou suas marcas com o Elf, o Rainbow e a própria banda, DIO, foi responsável pela existência de ótimos vocalistas e, mesmo os ruins, como este que vos escreve, escutaram o baixinho antes de saírem cantando por aí. E mais, se você já fez o sinal dos ‘devil horns’ (chifres feito pelos fãs de metal), deve agradecer a ele, o inventor.

Poderia colocar uma das ótimas músicas compostas por Dio aqui neste blog, mas para não demorar muito na escolha (é difícil pegar uma só) decidi colocar um cover, símbolo deste blog. A versão abaixo é de uma música do Aerosmith chamada “Dream On”. lançada originalmente em 1973 no álbum Aerosmith, composta pelo carismático vocalista Steven Tyler.

Gosto do Aerosmith e da versão original, mas os fãs da banda terão de me desculpar, pois a versão gravada em 1999 por Ronnie James Dio ao lado do guitarrista virtuose sueco Yngwie Malmsteen é um daqueles raros casos em que o cover supera o original, a cópia supera a criação. Confira e tente discordar.

Qual a semelhança entre Asa de Águia e Pink Floyd?

Uma das maiores bandas de todos os tempos, o Pink Floyd está inativo há 15 anos (com uma pequena apresentação no Live 8, em 2005), mas os frutos deixados pelo grupo inglês que mudou o rock nos anos 70 e 80 inspiraram vários músicos, entre eles Durval Lélys, líder do grupo de axé Asa de Águia.

Para os roqueiros de plantão que já preparam os xingamentos ao blogueiro que vos escreve, recomendo que conheçam a origem do Asa de Águia, que surgiu na Bahia no final dos anos 80 como um grupo de rock, mas se curvou ao axé para alcançar o sucesso que justifica a mudança.

Durval Lélys é fã de rock desde a adolescência, tem como seu maior ídolo o guitarrista David Gilmour, do Pink Floyd, e mesmo tendo um público completamente diferente do que costuma ouvir a banda britânica procura colocar em prática alguns de seus gostos.

Não sou fã do Asa de Águia, nem de axé, mas considero Durval como uma das grandes figuras da música brasileira. Quem mais teria a coragem de tocar uma música do Pink Floyd em um bloco de carnaval? O Asa de Águia fez uma versão abrasileirada para “Comfortably Numb” e a impressão não foi ruim. A versão é bem fiel musicalmente à original, o que comprova a qualidade dos músicos.

Outra curiosidade é o gosto de Durval Lélys por motos e um momento de seu show que é bem conhecido pelos fãs do Judas Priest. Sim, é verdade. Assim como Rob Halford, o líder do Asa de Águia adentra aos shows sobre uma Harley Davidson. Os roqueiros podem não gostar dos batuques, mas as atitudes deste grupo de axé fazem ele ser muito mais roqueiro do que muito grupo que se diz representante do gênero Rock por aí…