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O que não mata (de rir), assusta. Sim, é Halloween!

Ironicamente, o calendário do cristianismo também engloba várias datas pagãs e é por isso que temos dia de tudo o que é santo do pau oco. E graças ao paganismo temos três dias de celebração aos defuntos: 31 de outubro é Halloween (Dia das Bruxas por aqui), 1º de novembro é o Dia de Todos Os Santos e finalmente 2 de novembro é o Dia de Finados.

E tudo isso ocorre curiosamente no semestre oposto do dia 13 de maio (lembra da tal sexta-feira 13?). Atualmente tudo o que se refere ao Halloween virou puro comércio e fanfarra, com poucas tradições restantes. Mas o mais legal é que a data inspirou e ainda é objeto de ideias para filmes de terror e músicas.

Como estamos em um blog musical, nada mais justo do que falarmos apenas sobre música e, em especial, dos vídeos toscos inspirados em músicas com a temática “Halloween” e outras loucuras de gente como Ozzy Osbourne, King Diamond, dentre vários. Sim, o culto do Rock ao terror geralmente é feito com bom humor, apesar de muitos sentirem medinho e atacarem a “barulheira assustadora” que se faz por aí.

Ok, então se o problema é o Rock, é justo lembrar do que inspirou o grupo de axé Asa de Águia a criar a “Dança do Vampiro”, por exemplo. E mais, o melhor videoclipe da história da música pop tem a temática de terror. Ou você não se lembra de “Thriller”?

Mas se você prefere ser assustado (ou rir da bizarrice) no Rock, bebê, então temos um vasto material que começa com uma banda que escolheu a celebração aos mortos como sua nomenclatura, que ficou apenas um pouco mais infernal. Sim, é Helloween!

Os alemães viveram o ápice com o então vocalista Michael Kiske e gravaram um dos videoclipes mais toscos/engraçados da história do Heavy Metal cantando a música “Halloween”, fazendo um culto à festa e usando os monstros mais ridículos que poderiam.

Já o cara-pintada dinamarquês Kim Bendix Petersen, também conhecido como King Diamond, resolveu homenagear o Dia das Bruxas em seu primeiro álbum-solo, intitulado Fatal Portrait (1986). Ele não apenas batizou a faixa número 7 com o nome da data, mas também fez questão de lembrar que todo dia para ele é Halloween com frases como “Você é meu orgulho” e “Não apenas um sonho”. Tocante, não?

Puxando um pouco para o Punk Horror Show, os mestres do gênero Misfits não poderiam ficar de fora da fanfarra com a música lançada em 1985 sob o título de “Halloween” e que depois ganhou uma segunda versão. Desta vez a bizarrice fica por conta da letra, das qual você pode retirar os belos trechos “Cabeças de abóbora na noite”, “Gatos mortos pendurados em postes”.

Outras bandas como Dead Kennedys, Mudhoney, Samhain, Marilyn Manson, Cradle of Filth, Sonic Youth e Ministry exploraram o Halloween em músicas (covers em alguns casos, como o de Marilyn Manson), mas o único que chegou a uivar para a lua foi o Madman, senhor Ozzy Osbourne.

Em mais um dos clipes mais fanfarras já vistos no Heavy Metal, o cara que ajudou a criar o Black Sabbath estava em seu terceiro álbum da carreira solo e emplacou o disco Bark At The Moon com a música homônima em 1983 no primeiro registro após a morte do guitarrista Randy Rhoads em acidente aéreo.

Ozzy Osbourne teve participação mínima na composição da música que foi escrita pelo guitarrista estreante Jake E. Lee e o baixista Bob Daisley. Mas o senhor bizarrice consegue ficar bisonho no videoclipe ao interpretar um cientista louco que se transforma em uma besta. Como sempre, o que deveria ser horripilante, se torna risonho com Ozzy.

Imortais

Música e velocidade muitas vezes estão interligados. Quando não é a música que dá a você aquela vontade de acelerar contra o vento, é própria corrida que causa o momento de ouvir um som agradável, de preferência, veloz.

O barulho de uma guitarra vez ou outra se assemelha ao de um motor de carro, uma moto, ou qualquer coisa que se mova ferozmente. Como pode ser comprovado no vídeo abaixo em que pude ver e ouvir ao vivo no ano passado durante o prêmio Capacete de Ouro o guitarrista Kiko Loureiro fazendo na guitarra uma volta de Rubens Barrichello no circuito de Spa-Francorchamps da Fórmula 1.

Criei este blog para escrever sobre música e acho que as homenagens após mortes geralmente soam piegas. Mas quando uma sequência de fatalidades marca algo que gosto, fica difícil não encarar a pieguice.

Nos últimos dois domingos morreram dois pilotos notáveis. Primeiro o inglês Dan Wheldon em Las Vegas pela Indy e depois o italiano Marco Simoncelli pela MotoGP. Sim, muitos outros pilotos já morreram e isso fascina no esporte a motor: encarar o medo e se arriscar em uma atividade em que você sabe que um erro pode ser fatal, embora muitos se esqueçam quando há um longo período sem fatalidades.

Morrer fazendo o que mais gosta é muito digno e comove. Não há como ser diferente. É claro que ninguém quer morrer, mas todos morrem seja nas pistas, em casa, na padaria, no avião, no hospital ou qualquer outro lugar e hora determinada.

Lembrando disso e ouvindo pela enésima vez uma canção de David Coverdale chamada “The Last Note of Freedom” no caminho para casa senti vontade de escrever e relembrar a origem da música.

Em 1990 um filme chamado “Days of Thunder” (em português, “Dias de Trovão”) ganhou as telas pelo mundo tendo no elenco Tom Cruise, Nicole Kidman e Robert Duvall. A história era sobre um piloto da Nascar que era abusado, arrojado se arriscava e depois de muita encrenca chegava ao título da categoria recheada de acidentes nos ovais.

A trilha sonora para o filme também foi especial. Composta por David Coverdale em parceria com Billy Idol e Hans Zimmer. A interpretação de Coverdale é poderosa e única. O tema da música é simples: amor pela velocidade. Bom, eu era criança quando ouvi pela primeira vez o tema e ainda hoje não me canso de escutar.

Medo de morrer todos temos, mas quando ignoramos e encaramos este “inimigo” nos tornamos mais dignos. Como Wheldon, Simoncelli, Ayton Senna, Greg Moore, Dale Earnhardt, Gilles Villeneuve, Roland Ratzenberger, Henry Surtees, Gustavo Sondermann, Rafael Sperafico e tantos outros heróis das pistas.

Rock and Roll com pandeiro e tamborim, pode?

Quando uma banda grava algo que pode ser classificado como clássico, certamente ela vai receber diversos covers e versões da obra-prima. E em muitos dos casos as regravações atingem o máximo do inusitado.

Pois a “vítima” de hoje é o Led Zeppelin, a lendária banda inglesa que ajudou a fincar raízes do Rock no mundo e até hoje é cultuada pelo talento e o trabalho de Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham.

Sim, você provavelmente vai argumentar que o máximo do inusitado que cometeram ao Led Zeppelin foi a Cláudia Leitte cantando “Dy’er Mak’er”. Mas no caso a banda deu motivos ao gravar um Reggae e abriu brechas para que vários aproveitassem para repetir aquela “batidinha à jamaicana”.

Eis que estamos acompanhando na redação do UOL os benditos Jogos Pan-Americanos e me surge uma propaganda na emissora oficial do evento divulgando um álbum de uma banda chamada Sambô. Rafael Krieger e eu chegamos à conclusão de que se tratava de uma versão de Led Zeppelin com pandeiro, tamborim e cavaquinho em rede nacional.

O problema é que a música em questão não era uma “Dy’er Mak’er” da vida, mas sim “Rock And Roll”! Quando você ou eu, ou qualquer um imaginou que haveria uma versão de samba para um clássico nomeado Rock And Roll?

Seria uma afronta? Cadê as guitarras? Cadê o Robert Plant rasgando a voz? Ah, esses pagodeiros… Sim, muitos podem pensar isso à primeira impressão, mas eu sou fã de covers e guardo até os mais bizarros. E podem acreditar que o blog Espelho Mau achou bem interessante a versão.

Não, o blogueiro não enlouqueceu pelas mais de 10h diárias de trabalho insano! A versão ficou interessante e é muito bem executada pelo Sambô, grupo que define seu estilo musical como Samba Rock, que obviamente é um estilo muito mais Samba do que Rock (ainda me questiono o motivo de terem incluído o Rock no nome, mas como o Rock in Rio também fez isso…).

O mais legal de tudo isso é pensar que a versão remete a um bar e você pode (deve!) acompanhar a versão saboreando uma boa cerveja!

Quer discordar do blogueiro? Xingar a mãe, dizer que quer que Rubens Lisboa vá visitar Omar Kadafi? Ok, pode ser. Mas primeiro confira abaixo o vídeo e avalie o nível da minha sanidade.

Para quem gostou, vale procurar outras versões surpreendentes da banda Sambô. Tem U2, Rolling Stones, Raul Seixas…

Justin Bieber no Slipknot?

Há duas semanas o Slipknot assustou a muitos que não conheciam a banda e também ganhou novos fãs devido ao ótimo show apresentado no Rock in Rio na única noite do Heavy Metal no festival brasileiro.

Nesta semana o nome da vez é muito mais popular. Trata-se de Justin Bieber, o cantor canadense que aos 17 anos é um dos maiores sucessos da música mundial com o seu pop-dançante e que é tão metralhado pelas emissoras de rádio e TV em nossas cabeças.

Sim, acho muito chata a música de Justin Bieber. Por outro lado, todo o apelo comercial que tem a seu favor faz parecer que o garoto não tem talento, o que não é bem assim. A questão é que o fato de ele ser mais assumidamente pop do que sua compatriota Avril Lavigne (que estourou há dez anos se passando por roqueira) acaba lhe tornando com facilidade um alvo de críticas.

Enfim, começamos falando sobre o Slipknot e chegamos ao Justin Bieber e aí o leitor pergunta se o autor do Espelho Mau enlouqueceu. Aparentemente não foi o caso. Mas tem muitos “loucos” espalhados pela internet que têm aproveitado a tecnologia para criar versões interessantes de músicas e no caso aqui o chamado “mashup” mistura a banda norte-americana e o cantor juvenil.

Como imaginar aquelas máscaras de filme de terror e os urros do vocalista Corey Taylor junto à dança e a voz de criança de Justin Bieber? Pois algum sujeito bem ocupado juntou perfeitamente a música “Psychosocial”, do Slipknot, com “Baby”, o grande sucesso de Bieber e a versão chega a ser engraçada.

Os cortes e a mistura estão tão perfeitos que o próprio Corey Taylor aprovou a versão, achou curiosa e defendeu Justin Bieber dos críticos, dizendo que acha o garoto talentoso por saber realmente cantar, dançar e compôr, além de revelar que seus sobrinhos ouvem o garoto.

Se você gosta de bizarrices está curioso para saber como ficou a versão, segue abaixo o vídeo de “Psychosocial Baby”.

Axl Rose transformou Guns N’ Roses em banda cover de luxo

O Guns N’ Roses pode ser considerado como uma das últimas grandes bandas do Rock And Roll legítimo, mas o Rock in Rio mostrou mais uma vez que Axl Rose e sua trupe estão piorando com o passar do tempo e a culpa é justamente do líder.

Axl Rose perdeu o voo que trouxe a banda ao Brasil, chegou ao Rock in Rio apenas na tarde do dia em que faria o show de encerramento do evento e subiu ao palco parecendo uma mistura do Leôncio (leão marinho do desenho Pica-Pau) e o Máscara (aquele interpretado por Jim Carey), devido ao chamativo casaco amarelo usado como uma capa contra a torrencial chuva na Cidade do Rock.

A promessa era um set list com mais de 30 músicas, o que foi anunciado posteriormente em programas de TV como se tivesse ocorrido, mas a lista foi bem reduzida. Ficaram de fora músicas como “My Michelle”, “Out ta Get Me”, “Madagascar”, “Whole Lotta Rosie” (do AC/DC), “Nice Boys”, “Used to Love Her”, “Oh My God” e “Think About You”, além de várias do famigerado álbum Chinese Democracy.

Ok, o Guns N’ Roses executou sucessos necessários para um bom show. Mas em alguns momentos foi possível ver Axl Rose fazendo uma mini-reunião para anunciar para a própria banda a próxima música do show. Isso fica nítido em “Nightrain”, em que o som vaza no microfone do vocalista e dono da banda.

Muitos fãs da fase clássica do grupo norte-americano criticam os músicos da fase atual, querem uma reunião com Slash, Duff McKagan e cia limitada, mas me parece que o problema atual do Guns N’ Roses não é em torno dos músicos, que tocam de forma competente, mas do próprio Axl Rose.

Pois é difícil admitir que muito cantor de banda cover cantaria algumas músicas melhor do que o atual Axl Rose, que consegue errar durante os próprios clássicos, como em “November Rain”, em que ele até improvisou um “it’s hard to hold a candle in the cold brazilian rain” no começo (já que o palco estava cheio d’água), mas depois de se atrapalhou todo na parte final da música enquanto cantava e tocava piano.

Dj Ashba, Ron “Bumblefoot” Thal e Richard Fortus fazem um bom trabalho nas guitarras. Dizzy Reed dá o ar da graça ao tocar no piano o clássico “Baba O’ Riley”, do The Who, além de Bumblefoot tocar o tema da Pantera Cor-de-Rosa em seu solo.

Até mesmo no solo de “Sweet Child O’ Mine” dá para deixar passar em branco o fato de não ter Slash, já que a execução de Bumblefoot é bem honesta. Mas em “Knockin’ On Heaven’s Door” bate a saudade da banda antiga. Se antes o Guns N’ Roses “tornou sua” a música composta por Bob Dylan, o novo formato apresentado não empolga.

Outro ponto ruim é que em alguns momentos do vídeo em que assisti do show na noite desta segunda-feira, Axl Rose parece contar com uma “ajuda” em seu vocal durante algumas músicas e não estou falando de backing vocals.

É ruim saber que você fez bem em dormir para cumprir corretamente suas tarefas no trabalho, ignorando o show de uma grande banda. É péssimo ver que o Guns N’ Roses de hoje está mais para uma banda cover e pior ainda é perceber que o maior defeito da banda atualmente é o próprio Axl Rose.

Talvez nem uma reunião com os membros da formação clássica (o que não deve acontecer, já que Axl não se mostra muito humilde para chamar de volta os ex-companheiros) seja capaz de salvar o que um dia esteve entre as maiores bandas do mundo.

Set list
Chinese Democracy
Welcome To The Jungle
It’s So Easy
Mr. Brownstone
Sorry
Solo Richard Fortus
Live and Let Die
Rocket Queen
This I Love
Solo DJ Ashba
Sweet Child O’ Mine
Estranged
Better
Solo de Dizzy Reed/”Baba O’Riley” (The Who)
Street Of Dreams
You Could Be Mine
“Sunday Bloody Sunday” (U2)
“November Rain”
Solo de Ron “Bumblefoot” Thal/tema de Pantera Cor-de-Rosa
Knockin’ On Heaven’s Door
Night Train

Bis
Patience
Paradise City

Senta lá, Cláudia!

O baixo número de atrações de Rock na quarta edição brasileira do festival Rock in Rio fez da cantora carioca Cláudia Leitte a vítima de reclamações de roqueiros contra o evento. Virou febre nas redes sociais a piadinha de que “se a Cláudia Leitte pode tocar no Rock in Rio, o Metallica tem que tocar no Carnaval da Bahia”.

São piadas, o público pega no pé contra o evento que tem Rock no nome, coisa normal e que poderia ser relevada por uma artista do tamanho que tem atualmente a cantora de axé, que leva multidões em seus shows e tem seus discos entre os mais vendidos. Mas a resposta de Cláudia Leitte beirou o infantil.

A cantora publicou em seu blog uma comparação do tratamento dos roqueiros que só querem Rock no Rock in Rio com o nazismo de Hitler, um dos acontecimentos que mais marcaram a humanidade e que nem deveriam ser citados em uma coisa banal como essa discussão de o Rock in Rio ter ou não Rock. Ela ainda criticou as atrações internacionais que se apresentaram no mesmo dia no Rock in Rio, as cantoras pop Kate Perry e Rihanna.

“Artistas internacionais vêm pra cá, mostram a bunda, atrasam-se por 2 horas pq estão dando uma festinha no camarim, não conseguem conciliar a respiração com o canto, não preparam espetáculos para o nosso povo, desafinam, enfim, pouco se importam conosco, querem beijar na boca, ir à praia e tomar nossa cachaça, e nós, que pagamos caro para assistir aos seus “espetáculos” em nossa terra, aplaudimos a tudo isso. Ah! É Rock! É Pop! É bom!”, escreveu a cantora.

Depois de escrever o post descobri fui informado que a cantora foi vaiada no Rock in Rio e não pelos roqueiros, mas pelo próprio público que estava lá para ver seu show. Em um vídeo divulgado no YouTube, Cláudia Leitte é vaiada após iniciar a música “Corda do Caranguejo”, quando o público que estava sendo esmagado à frente do palco gritava “Não!”. A reação da cantora foi: “A pergunta que não quer calar é a seguinte: Você aguenta o curso? Foi por isso que você se matriculou”, e aí deu no que deu. O pessoal não aprovou.

Não vi outras atrações do evento choramingando por isso, pelo contrário. Também me parece uma coisa muito desagradável um artista criticar o profissionalismo ou a falta dele por parte de outro cantor ou cantora que se apresentou no mesmo dia, no mesmo palco.

Ainda mais lembrando que no Brasil adoramos exaltar a quem exibe a bunda, não dispensamos a caipirinha, a cachaça, beijar na boca e etc. E os estrangeiros sempre ‘roubam’ o público de artistas brasileiros no Rock, em que as bandas nacionais estão cada vez contando com um público menor devido ao aumento de shows internacionais. Algum artista roqueiro protestou contra isso? Da mesma forma? Não.

E o set list apresentado pela cantora até que foi o “mais Rock” comparado com as cantoras que se apresentaram na última sexta-feira no dia de abertura do festival. Cláudia Leitte tocou “Manguetown” de Chico Science & Nação Zumbi, além de mandar o reggae do Led Zeppelin “Dy’er Mak’er” e um trecho de “(I Can’t Get No) Satisfaction”, dos Rolling Stones, durante “Beijar na Boca”, um dos sucessos da cantora.

Enquanto Claudia Leitte ainda está preocupada com os comentários após o seu show, a cantora baiana Ivete Sangalo, que se apresenta nesta sexta-feira no Rock in Rio, responde com bom humor e uma dose de ironia quando questionada se está preocupada por tocar axé no evento.

“Não vou fazer malabarismos, virar cambalhota, nem cantar uma música da Alanis Morissette para conquistar o público. Eu sou uma cantora de axé e por isso fui contratada no festival”, disse a cantora ao jornal O Globo.

Ivete Sangalo ainda lembra que o seu axé também tem guitarras e brinca ao lembrar que tem músicas com riffs pesados como heavy metal. “‘Dalila’ é a minha música mais Heavy Metal e vai estar no repertório também. Gosto muito de som pesado. Aliás, o axé tem uns riffs de guitarra, que, se apertar um pouco mais, vira Heavy Metal. Nada é mais Rock N’ Roll do que o axé”.

Com declarações deste tipo, duvido muito que a companheira ou rival de gênero musical de Cláudia Leitte tenha o mesmo tipo de reação para as reclamações do público roqueiro. Até porque o dia do Rock puro no festival foi no último domingo e já acabou.

Criador de Tieta, Pai do Axé dá uma aula de Rock!

Luiz Caldas é conhecido como o pai do axé, se consagrou com sucessos como “Tieta” e “Haja amor”, além de ter criado os singelos versos “pega ela aí para passar batom, de cor de violeta na boca e na bochecha” e “batom azul na boca e na porta do céu” em “Fricote”, também conhecida como “Nega do Cabelo Duro”. (obs.: os versos deixam no ar possíveis rimas que são de uma malícia digna do AC/DC)

Lembro que no início da década de 90 ainda era bem comum ver Luiz Caldas em programas de TV e ouvir suas músicas por aí. E aí o axé se consolidou. Vieram o Asa de Águia, o Chiclete com Banana, a Banda Eva (de onde saiu Ivete Sangalo) e mais um monte de gente.

O axé leva cada vez mais público seja no carnaval ou nas micaretas, enquanto ultimamente Luiz Caldas vivia à sombra do sucesso dos outros músicos do gênero. E então o baiano resolveu mostrar o seu vasto conhecimento musical e lançou no ano passado uma série de discos de diferentes estilos, sendo o mais surpreendente o rock.

Assim como Durval Lélys, do Asa de Águia, Luiz Caldas se declara fã de vários grupos de rock como o Pink Floyd e o AC/DC, além de já ter aparecido em público vestindo uma camisa da banda alemã de heavy metal Kreator.

O gosto do músico pelo rock talvez não seja muito novo, assim como a gravação do disco, já que diversos veículos de imprensa noticiaram o fato e recentemente ele esteve no Programa do Jô, na TV Globo, para cantar a música “Maldição”.

Mas o que pode surpreender a muitos é a pegada do som tocado por Luiz Caldas. É muito curioso dizer que o disco que talvez seja um dos melhores do Brasil no rock atual foi feito pelo “Rei do Axé”.

No álbum Castelo de Gelo, se destacam o heavy metal “Maldição”, que tem vocal agressivo, riffs pesados e uma letra característica, além de “No Bar”, veloz e ‘na cara’, além da faixa-título, um hard rock com uma ótima levada e uma melodia bacana.

Luiz Caldas é o exemplo claro de que não adianta caprichar mais nas cores do que na música, e também mostra ser possível fazer música boa apostando nos riffs de guitarra, em letras despojadas, sem aquele apelo que boa parte da garotada tem hoje em dia com o rock, que atualmente é tão cafona quanto o sertanejo universitário.