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Dave Grohl e o Foo Fighters têm muito a ensinar…

O Foo Fighters é hoje a banda mais agradável do mundo quando se fala em Rock, aquele Rock puro, sem sufixos ou prefixos que tanto embolam o gênero musical e deixam o ouvinte cada vez mais perdido e sem saber se aquilo que ele gosta é Rock, Pop, ou qualquer outra coisa.

Há 20 anos muito se falava sobre o Nirvana e toda aquela febre criada pela banda que tinha Dave Grohl na bateria. Mas ao saltar do banquinho com baquetas nas mãos para a linha de frente com o microfone e uma guitarra, Dave Grohl construiu uma banda muito melhor tecnicamente que o Nirvana e que faz bons álbuns e clipes sem todo aquele ‘esforço’ que a banda de Kurt Cobain muitas vezes passava como artificial.

O grupo que desembarca no Brasil em abril para realizar show na versão brasileira do festival Lollapalooza se supera a cada nova ação que faz. Em 2011 lançaram um álbum gravado na garagem com Butch Vigh, baterista do Garbage e produtor do Nevermind, do Nirvana, e o Wasting Light foi um puta disco!

Muita gente não gosta de admitir que o Foo Fighters é bom e que gostou do novo disco justamente por ainda ser uma das poucas bandas de Rock com espaço nas emissoras musicais da TV e nas que tocam Pop/Rock no rádio. Mas a pegada que os caras demonstram no palco e no estúdio são louváveis.

Em Wasting Light você encontra peso, melodia, ótimas composições, um som sem nenhuma frescura. Em certos momentos a coisa chega até a se aproximar de um Metal com os urros de Dave Grohl em “White Limo”, que tem em seu vídeo a aparição de Lemmy Kilmister, o líder/dono do Motörhead.

A banda traz a participação de Krist Novoselic em “I Should Have Known” e a melhor faixa do álbum na opinião do blogueiro é a já popularizada “Walk”, que além da qualidade musical conta com um vídeo muito bem feito, que explora o bom humor, marca registrada da banda em seus clipes.

Enquanto tem alguns Nickelbacks e outras porcarias por aí se passando por Rock e sendo ‘homenageados’ por roqueiros devido a isso, o Foo Fighters sim faz um verdadeiro Rock e quando seu líder é questionado pela revista Billboard dos Estados Unidos sobre ser a melhor banda do mundo, o cara vem com essa:

“Eu acho que somos uma merda e nós tentamos fazer bons discos e ensaiamos. Não nos sentimos como a maior e melhor banda do mundo. Nós apenas nos sentimos como os mesmos cinco palhaços que estavam excursionando em uma van há 17 anos, isso não mudou”.

Tem muita banda por aí precisando aprender com o Foo Fighters. Aliás, não apenas as bandas, mas as pessoas em geral também têm muito a aprender!

Rock agradável com saias, decotes, brincos e batons

Imagine as bandas de Rock mais clássicas, as que você mais gosta de escutar. Ok, provavelmente você já se imaginou em um show de um estilo no qual só há marmanjos em volta, na teoria, certo? Algumas garotas podem convencê-lo de que você está errado e comprovar que o gênero também é bem feminino.

Muitas bandas surgem ganhando a vida com covers de ídolos do Rock, mas poucas delas têm mulheres na formação. Mas algumas meninas mais espertas trataram de reinventar usando certa ironia no nome de suas bandas e viajando o mundo como a “versão feminina” do Ac/Dc, do Iron Maiden, do Kiss ou do Led Zeppelin.

Os nomes são excelentes. O australiano AC/DC formado apenas com mulheres é rebatizado como AC/DShe. Já as meninas fãs de Iron Maiden se aproveitam do nome da banda virando The Iron Maidens. Ainda há as mascaradas do KISSexy e as veteranas do Lez Zeppelin.

Outras bandas surgiram fazendo covers do AC/DC tendo apenas mulheres, mas o AC/DShe garante ser a primeira a fazer isso. O grupo foi formado em 1997 em São Francisco, na Califórnia (EUA).

Elas já dividiram o palco com bandas grandes como Aerosmith e Ted Nugent, e cá para nós, têm um visual bem bonito, o oposto do AC/DC original formado pelos irmãos Angus e Malcolm Young.

O nome das meninas também é caracterizado. A vocalista é Bonny Scott, as guitarrista são Agnes Young e Mallory Young, Philomena Rudd assume as baquetas e o baixo é de Riff Williams.

Também nos Estados Unidos e na Califórnia, mas em Los Angeles, foi formada a banda The Iron Maidens com uma ligação lógica ao Iron Maiden no ano de 2001. Mas foi em 2005 o ápice do grupo que lançou o álbum World’s Only Female Tribute to Iron Maiden contendo uma capa desenhada por ninguém menos que Derek Riggs, ex-desenhista oficial da banda, que fez as melhores capas da Donzela.

Curiosamente, Derek Riggs transformou o Eddie em Edwina, uma versão mulher do famoso mascote do Iron Maiden. Dois anos depois do álbum de estreia veio o Route 666, com produção do ex-guitarrista do Kiss, Bruce Kulick, além de participação especial de Phil Campbell (guitarrista do Motörhead) em “The Trooper”.

Elas ainda lançaram um EP intitulado The Root of All Evil em 2008 e em 2010 lançaram um DVD gravado ao vivo no Japão! E as meninas também passaram pelo Brasil em 2011.

Ah, os nomes delas também são alterados, com Kirsten Rosenberg rebatizada a Bruce Chickinson, Nina Strauss como Mega Murray, Courtney Cox como Adriana Smith (guitarrista em nível Miss Universo), Wanda Ortiz como Steph Harris e Linda McDonald como Nikki McBurrain.

Agora, e se por um dia o Gene Simmons tivesse uma aparência mais agradável? Não, isso não é possível exceto no KISSexy, banda formada em Milão, na Itália, em 1993.

Nesta banda a baixista Elena Scanabessi vira o personagem SexyDemon (o demônio de Gene Simmons), a baterista Barbara Caserta se transforma em SexyCat (do original CatMan de Peter Criss), a guitarrista e vocalista Sara Di Fonzo é a SexyStarChild (versão para o personagem de Paul Stanley), enquanto a única decepção no grupo fica com Sergio Leonarduzzi – Sim! É um homem! -, que interpreta o SpaceAce (personagem de Ace Frehley).

A banda tinha outra formação no início e se apresenta como a primeira versão feminina do Kiss. A baterista Barbara Caserta foi a criadora e é a única que continuou da formação original.

Para fechar o quarteto de tributos com belos atributos, tem o Lez Zeppelin. O nome deixa muito óbvio que se trata de uma banda feminina em homenagem ao Led Zeppelin e que é bem prestigiada entre músicos, tendo recebido elogios até de Joe Perry, guitarrista do Aerosmith.

Diferentemente da banda que é inglesa, o Lez Zeppelin foi formado em Nova York, nos Estados Unidos em 2005 já contando apenas com mulheres na formação. Diferentemente das outras versões aqui vistas, este tributo não tem os nomes das garotas trocados para fazer menção aos originais. A vocalista é Shannon Conley, a guitarrista é Steph Paynes, a baterista é Lessa Harrington-Squyres e a baixista é Megan Thomas.

O grupo já recebeu convites para tocar em grandes festivais como o Download Festival na Inglaterra e o Rock am Ring na Alemanha. Em 2007 gravou o eu primeiro álbum de tributo tendo como produtor Eddie Kramer, que trabalhou justamente com o Led Zeppelin e outras bandas grandiosas.

A vocalista Shannon Conley ainda tem um detalhe interessante. É conhecida como atriz e dubladora de filmes nos Estados Unidos. Ou seja, se você já assistiu a um desenho original do X-Men sem dublagem em português, procure pela personagem Abigail Brand. Antes dela a vocalista era a australiana Sarah McLellan, que se parece menos com Robert Plant, é mais bonita do que Conley e atualmente se dedica à culinária no blog The Aussie Who Ate The Big Apple.

A volta dos que não foram

Toda vez que um músico ou uma banda anuncia uma turnê de despedida, não consigo me convencer da honestidade deles para com os seus fãs. Afinal, se os caras não se suportam mais, qual o motivo para darem uma esticadinha?

Aí você vai ouvir sempre aqueles argumentos de fãs defendendo o grupo que admira dizendo que seu músico já ganhou muito dinheiro e não precisaria fazer uma turnê caça-níquel. Mas faz!

O mais recente caso no Rock de entrar nesta barca furada é a banda alemã Scorpions, que há dois anos anunciou que faria uma turnê para se despedir dos fãs, além de um último álbum de estúdio intitulado Sting in the Tail (2010). Ok, o disco foi muito bom, os shows tiveram público razoável e então a banda deveria ter acabado, certo? Errado!

Após o lançamento de uma coletânea regravada neste ano, surgem agora rumores de que o Scorpions pode se apresentar novamente no Brasil em setembro de 2012. Ora, mas aquele show em São Paulo no ano passado não foi anunciado como o último no país? Foi e agora eles devem fazer o que seria o show derradeiro da carreira no ano que vem. E aí se render, quem sabe fazem outro disco, outra turnê, ou param por uns dois anos e depois fazem uma reunião…

E isso não é exclusividade das bandas de Rock. Para o público pagodeiro quem acaba de fazer uma turnê de despedida com shows lotados é o Exaltasamba. Ah, você confia neles? Então coloco cinquentinha na mesa e aposto que depois de gravarem trabalhos solo e encherem a burra, os caras decidem voltar daqui uns três ou quatro anos no máximo.

É desconfortável, os fãs podem acreditar nas boas intenções dos músicos, mas a realidade é que a arte também gira em torno do dinheiro e quanto mais o bolso estiver cheio, melhor. Condenável? Diria que não, desde que os músicos passem a deixar isso mais claro e parem com essa ladainha de que fazem tudo por amor ao público e não ligam para aquele chequinho gordo que pinga na conta.

Brigas, topless, Pai Mike Patton e música no SWU

O SWU durou quatro dias a menos que o Rock in Rio, mas se compararmos os causos por minuto, o evento em Paulínia superou o maior festival de música do mundo com muitos méritos. Tivemos assunto para todo tipo de (mau) gosto.

O evento teve início no sábado com Marcelo D2 fazendo campanha pela liberação da maconha poucos dias após toda aquela discussão distorcida de alunos da USP e Polícia Militar de São Paulo, apenas uma curiosidade. O ponto alto foi a apresentação do Black Eyed Peas, com sua temática futurista e um colírio para os marmanjos com as reboladas da vocalista Fergie.

Mas a coisa esquentou mesmo foi no domingo, logo o dia em que a chuva começou a prejudicar a organização, que ao que parece não convocou nenhuma entidade sobrenatural para evitar o castigo de São Pedro. O destaque ficou por conta do quebra-pau rolando atrás do palco enquanto o Ultraje A Rigor se apresentava.

A briga acabou deixando em segundo plano a apresentação da banda brasileira, assim como a do próprio Peter Gabriel, que teve seus funcionários desligando equipamentos e discutindo com o pessoal do Ultraje. E está aí o que poucos sabiam, o ex-líder do Genesis não é apenas chato por sua música. No dia seguinte houve pedido de desculpas a Roger Moreira pelo incidente que o cantor/ativista disse não saber que estava ocorrendo. Um pedido de desculpas aos fãs que tiveram de aguentar o porre que é o seu show também não seria ruim.

Agora, se a ideia no domingo era causar, a convidada para fechar o New Stage não poderia ser outra que não Courtney Love e o seu Hole. A viúva de Kurt Cobain desafinou, fez um show meia-boca, exibiu os seios, xingou Dave Grohl e o Foo Fighters e ainda trocou ofensas com os fãs que carregavam imagens do ex-líder do Nirvana. Depois saiu do palco e ficou do lado de fora louca para ser chamada de volta. Um belo tapa na cara de quem gosta daquela coisa e de quem esperava algo bom de Courtney Love.

Para salvar o domingo teve o Lynyrd Skynyrd. Se alguns ainda têm coragem de classificar os veteranos como uma banda cover daquela que nos anos 70 perdeu integrantes em um trágico acidente aéreo, ninguém pode negar que ao vivo os caras não deixam a desejar. Os norte-americanos despejaram uma série de clássicos e empolgaram os fãs até o desfecho com “Free Bird”, a música que equivale ao nosso “Toca Raul!”.

O último dia foi marcado por bandas que certamente estariam no primeiro escalão de um Rock in Rio caso ele tivesse ocorrido na década de 90 e o retrô agradou a muitos fãs de bandas como Alice in Chains, Faith No More e Megadeth.

Claro que o dia teve seu momento mais curiosou, com um arredondado Phil Anselmo dando microfonadas na própria cabeça durante o show de sua banda, o Down. Depois teve a voz de pato de Dave Mustaine dando umas variadas em um show bem executado pelo Megadeth na divulgação do ótimo novo álbum Th1rth3n.

Com a formação criada há cinco anos, mas que muitos ainda chamam de nova devido à ausência dos falecidos Layne Staley e Mike Starr, o Alice in Chains subiu ao palco Consciência tendo problemas com o som, que durante as primeiras músicas sumiu com o microfone do vocalista William DuVall. Com a melhora técnica deu para perceber que o vocal dele não empolga, mas Jerry Cantrell continua salvando a pátria liderando a banda.

Para encerrar, nenhum mestre de cerimônias poderia ser mais ideal que Mike Patton junto ao seu Faith No More. O cara é um showman nato, faz bem o seu marketing e carrega a apresentação com maestria. Destaque para o palco parecendo um terreiro de umbanda e a roupa do vocalista que estava um legítimo pai de santo, era o Pai Patton, com direito até ao cigarrinho.

O show foi aberto pelo poeta pernambucano Cacau Gomes, que depois ainda fez outra participação já próximo ao fim do show. Falando palavras em português para a plateia, Patton ainda chamou para o encerramento um coral de garotas de Heliópolis.

Com direito a reger o público a cantar “Porra, Caralho”, Mike Patton e o Faith No More fecharam o festival de forma bastante digna com clássicos de toda a carreira e no final um agradecimento curioso a São Paulo, Paulínia, Campinas e… ao Palmeiras! Sim, por influência dos irmãos Cavalera (ex-Sepultura), o vocalista parece ter adotado o clube paulista como o seu favorito e toda vez que se apresenta no Brasil faz questão de exaltar ou vestir uma camisa do clube.

Ainda teve Chris Cornell, Duff McKagan’s Loaded, Raimundos, Stone Temple Pilots e outros. O festival pode ter sido curto, problemático pela chuva e a lama, mas teve ótimos momentos seja para quem gosta de música ou quem está atento apenas a barracos mesmo.

Pearl Jam confirma que primeiro show era um aperitivo

Não fui ao segundo show do Pearl Jam no Morumbi, então não seria honesto dizer se foi bom ou ruim. Mas soube por quem esteve lá que o clima foi bem melhor, o público maior, o som melhor e pelo set list que tenho em mãos, os quarentões de Seattle não ficaram devendo em nada, pelo contrário.

Foram mais músicas, mais clássicos, uma abertura com duas músicas mais velozes do que “Release”, que desta vez ficou de fora do repertório.

Olhando apenas para o set list e comparando com o show da noite anterior, posso dizer que trocaria facilmente se pudesse voltar no tempo tendo a possibilidade de escolher o dia para ir.

Para quem ainda não viu, ou foi e não lembra exatamente o que foi tocado no Morumbi, segue abaixo a lista que quem costuma seguir meu Twitter já sabe bem como ficou. Quem foi e quer falar como foi, fica aberto o espaço.

1. Go (Vs., 1992)
2. Do The Evolution (Yeld, 1998)
3. Severed Hand (Pearl Jam, 2006)
4. Hail Hail (No Code, 1996)
5. Got Some (Backspacer, 2009)
6. Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town (Vs., 1992)
7. Given to Fly (Yeld, 1998)
8. Gonna See My Friend (Backspacer, 2009)
9. Wishlist (Yeld, 1998)
10. Amongst the Waves (single Amongst the Waves, 2010)
11. Setting Forth (Into the Wild, 2007)
12. Not For You (Vitalogy, 1994)
13. Modern Girl (The Woods, 2005 – Sleater Kinney)
14. Even Flow (Ten, 1991) 
15. Unthougt Unknown
16. The Fixer (Backspacer, 2009)
17. Once (Ten, 1991)
18. Black (Ten, 1991)
Encore 1
19. Just Breathe (Backspacer, 2009)
20. Inside Job (Pearl Jam, 2006)
21. State of Love and Trust (Rearviewmirror, 2004)
22. Olé (novo single)
23. Why Go (Ten, 1991)
24. Jeremy (Ten, 1991)
Encore 2 
25. Last Kiss (Last Kiss, 1961 – Wayne Cochran)
26. Better Man (Vitalogy, 1994)
27. Spin The Black Circle (Vitalogy, 1994)
28. Alive (Ten, 1991)
29. Baba O’ Riley (Who’s Next, 1971 – The Who)
30. Yellow Ledbetter (Lost Dogs, 2003)

Carisma salva Pearl Jam em noite com ‘milagre da reencarnação’

Após seis anos de ausência, o Pearl Jam se apresentou em São Paulo pela terceira vez ainda seguro pelo carisma de Eddie Vedder e por alguns clássicos enquanto o som no Morumbi teimou em não colaborar (obra da produtora do show somada à acústica historicamente ruim do local) e a inserção de faixas dos dois últimos álbuns também. Ainda assim, o ponto alto foi o “milagre da reencarnação”.

O aviso de que o show do Pearl Jam começaria 15 minutos mais cedo, enganou. O atraso foi de 30 minutos em que os fãs tiveram de suportar sonolentas canções que rolavam nos PAs. O público também não contribuiu. Numa noite fria de quinta-feira e com sold out para o segundo show (que teve ingressos vendidos antes).

A abertura foi com “Release”, uma opção não muito explosiva para um início de show, ainda mais com os telões em preto e branco, assim como o fundo do palco que no início dava impressão de um retorno ao passado.

No palco Eddie Vedder esbanjou energia e carisma tentando ler palavras em português na comunicação com o público, o que foi bacana levando em consideração que o público geralmente se derrete por qualquer clichê “obrigado”, “eu amo o Brasil” e “boa noite” que os vocalistas geralmente usam. Vedder chegou até a pedir desculpas ao dizer que os americanos são estúpidos com outros idiomas.

O show foi crescendo, a banda cometeu alguns erros de tempo na execução de músicas e no primeiro deles Eddie Vedder contornou puxando um coro de “olê, olê, olê, olê…”, com o público respondendo “Pearl Jam…Pearl Jam”. Foi uma boa saída do vocalista.

Quando a banda fez sua primeira turnê pelo Brasil em 2005, ainda não havia lançado os álbuns “Pearl Jam” e “Backspacer”, e o público aparentemente parou no tempo. Com sete músicas dos dois álbuns, além da nova “Olé”, poucas tiveram bom retorno, enquanto vários fãs ficavam pedindo por “Jeremy”, “Once” e “Given to Fly”.

O ponto mais forte do show, quando o som teve uma melhora significativa, porém, ainda deixou um pouco a desejar. Eddie Vedder lembrou que sua primeira vez no Brasil foi com os Ramones e ofereceu “Come Back” (do álbum Pearl Jam) para o guitarrista Johnny Ramone, morto em 2004.

O Pearl Jam logo emendou “I Believe in Miracles”, dos Ramones, antes de executar o seu maior sucesso por aqui: “Alive”, do álbum Ten, que completou 20 anos em agosto deste ano.

Sim, um dia depois do Dia de Finados, Eddie Vedder gritou “volte”, “eu acredito em milagres” e “eu ainda estou vivo na sequência”. Os mais humorados, como este blog, diria que houve uma reencarnação na noite de quinta-feira no Morumbi.

Após a segunda pausa do show, a banda retornou para um encore respondendo aos que pediam clássicos. Depois de tocarem “Comatose”, os quarentões de Seattle empolgaram com “Black”, “Better Man” e “Rearviewmirror”, fechando com “Rockin’ in the Free World”, cover de Neil Young.

É, foi legal. Mas quando Eddie Vedder pegou sua garrafa de vinho do palco e levou embora dando um tchauzinho para o público, muitos ficaram com aquela cara de “faltou algo”. Faltou sim. Mas pelo que conhecemos do Pearl Jam, o complemento é nesta quinta-feira, novamente no Morumbi.

Set list
1. Release (Ten, 1991)
2.  Corduroy (Vitalogy, 1994)
3.  Why Go (Ten, 1991)
4. Animal (Vs., 1992)
5. World Wide Suicide (Pearl Jam, 2006)
6. Got Some (Backspacer, 2009)
7. Even Flow (Ten, 1991)
8. Unthought Know (Backspacer, 2009)
9. Whipping (Vitalogy, 1994)
10. Daughter (Vs., 1992)
11. Olé (novo single)
12. Down (Lost Dogs, 2003)
13. Save You (Riot Act, 2002)
14. The Fixer (Backspacer, 2009)
15. Do The Evolution (Yeld, 1998)
16. Porch (Ten, 1991)
Encore 1
17. Elderly Woman Behind The Counter in The Small Town (Vs., 1992)
18. Just Breathe (Backspacer, 2009)
19. Come Back (Pearl Jam, 2006)
20. I Believe in Miracles (Brain Drain, 1989 – Ramones)
21. Alive (Ten, 1991)
Encore 2
22. Comatose (Pearl Jam, 2006)
23. Black (Ten, 1991)
24. Better Man (Vitalogy, 1994)
25. Rearviewmirror (Vs., 1992)
26. Rockin’ in the Free World (Freedom, 1989 – Neil Young)

Finados em 2011 formariam uma banda respeitável

O dia 2 de novembro, feriado para muitos (não para o jornalista que escreve este blog), é conhecido como o Dia de Finados, um dia para homenagear os mortos. Como já se comentou há algumas semanas, uma reunião de músicos mortos certamente superaria de longe festivais como Rock in Rio e SWU.

Nomes como Janis Joplin, Jimi Hendrix, Ronnie James Dio, Cliff Burton, Bon Scott, Joey Ramone, Brian Jones, John Bonham e Randy Rhoads são apenas alguns dos alvos de homenagens a cada dia 2 de novembro.

E neste ano o time celeste ou infernal foi pesadamente reforçado com figuras relevantes do Pop, do Rock e do Heavy Metal. Provavelmente a perda mais repercutida foi a da inglesa Amy Winehouse, vítima de uma intoxicação alcoólica aos 27 anos.

Já fiz minha homenagem a Amy Winehouse no dia de sua morte, então decidi reservar este post para lembrar de outras figuras importantes que partiram para outra e formariam uma banda de altíssima qualidade.

Para começar, eu estava na Costa do Sauipe, na Bahia, quando soube da morte do guitarrista Gary Moore, vítima de uma parada cardíaca quando passava férias na Espanha aos 58 anos. Moore iniciou sua carreira como guitarrista de rock/blues e foi membro das bandas irlandesas Skid Row (que não é aquele de “In A Darkened Room”) e Thin Lizzy, antes de sossegar com sua volta ao Blues.

Já o baixista Mike Starr fez jus ao primeiro disco lançado na carreira, o EP We Die Young (1990) e morreu aos 44 anos após uma mistura do remédio Xanax com bebidas alcoólicas. Starr era o baixista original da banda Alice in Chains e participou da fase áurea da banda gravando os álbuns Facelift (1990) e Dirt (1992). Acabou não retornando na reunião da banda sem o vocalista Layne Staley.

Ex-vocalista do Warrant, uma das figuras mais marcantes da fase farofa do Rock, também conhecida como Glam Rock, Jani Lane alcançou o sucesso cedo com o single “Heaven” em 1989. O vocalista abandonou a banda em 2004, participou de uma reunião em 2008, mas seu temperamento e as drogas prejudicaram a sequência da banda e de sua carreira, vindo a vitimar o vocalista no dia 10 de agosto deste ano.

Scott Columbus foi o responsável pela marcação de tempo e as baquetas do Manowar entre os anos de 1983 e 2007 e participou de álbuns clássicos da banda a partir de Into Glory Ride, passando por Fighting For The World (1987), Louder Than Hell (1996) e Warriors of the World (2002). Sua morte por causas desconhecidas foi anunciada no dia 5 de abril deste ano pelo site oficial da banda. Columbus tinha 54 anos.

Para completar o clássico quinteto, outro guitarrista que não resistiu ao ano 2011 foi Michael Burston, conhecido pelo apelido Würzel. O músico britânico teve sua carreira marcada por ter ingressado no Motörhead em 1984 e gravado álbuns de sucesso como Orgasmatron (1986), de onde saíram faixas como “Doctor Rock” e a própria “Orgasmatron” (anos depois regravada com esmero pelo Sepultura).

No álbum 1916 participou de homenagens da banda, com “Going to Brazil”, música dedicada ao público brasileiro, e “R.A.M.O.N.E.S.”, obviamente um tributo ao quarteto de Punk Rock. Deixou a banda após gravar o álbum Sacrifice (1996), fazendo o Motörhead voltar a ser um “power trio”. Uma parada cardíaca matou o músico no momento em que ele pegava uma cerveja Guinness, segundo a banda.

Com Jani Lane nos vocais, Würzel e Gary Moore nas guitarras, Mike Starr no baixo e Scott Columbus na bateria, forma-se uma banda respeitável. Uma pena não podermos mais contar com apresentações destes músicos talentosos por aqui.