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Waters: ‘Você não tem ouvido todos esses anos?’

Roger Waters completou recentemente 75 anos e está desde 1964 em atividade como músico contando a partir do Pink Floyd, banda na qual foi o responsável por criar obras atemporais, que seguem relevantes em 2018. The Dark Side of The Moon, Animals e The Wall são obras obrigatórias para uma boa formação cultural do cidadão.

Embora a carreira toda de Waters seja marcada por atos políticos, inclusive dentro das letras de suas músicas, percebe-se que muitos fãs não conhecem muito sobre o ídolo deles.

Foto: Rubens Lisboa

A turnê mundial “Us + Them” é possivelmente uma das últimas ou mesmo a derradeira na carreira do baixista inglês, ou seja, pode ser que o público brasileiro tenha até o fim deste mês, em uma perna surpreendentemente grande pelo país entre 9 e 30 de outubro.

Começou com os shows desta terça (9) e quarta (10) no Allianz Parque, em São Paulo, e segue para o estádio Mané Garrincha, em Brasília (13), Arena Fonte Nova, em Salvador (17), Mineirão, em Belo Horizonte (21), Maracanã, no Rio de Janeiro (24), estádio Couto Pereira, em Curitiba (27), e no Beira-Rio, em Porto Alegre (30).

Foto: Rubens Lisboa

As apresentações coincidem com o segundo turno da corrida presidencial no Brasil, que se encerra no dia 28. E foi ingênuo quem imaginou que Waters passaria pelo país sem deixar clara a sua posição, como fez durante toda a turnê que tem o presidente americano Donald Trump como principal alvo, mesmo nos 49 shows realizados em solo norte-americano.

O álbum mais recente do músico, lançado em 2017 sob o título Is This the Life We Really Want? também é marcado por forte crítica política, especialmente voltada a Donald Trump.

Capa do disco mais recente de Waters: Essa é a vida que realmente queremos?

Em São Paulo, o nome do candidato Jair Bolsonaro (fã declarado de Trump, entre outras qualidades dúbias), conseguiu ser agraciado e incluído em uma lista de neofascistas citada no telão logo após a execução de “Another Brick In The Wall” e a Resistência exaltada por Waters. Parte do público puxou os gritos de “Ele Não”, outros vaiaram, gritaram “mito” e “Ele Sim”.

Mais tarde, a hashtag usada nos protestos contra Bolsonaro antes do primeiro turno das eleições, foi parar no telão, para o desespero dos fãs do político do PSL, que reforçaram as vaias, partiram para a briga com outros fãs de Waters segundo relatos e alguns deixaram o estádio antes do fim do show.

Foto: Kate Izor

Uma entrevista dada pelo músico em setembro do ano passado ao ABC News, da Austrália, ele deu sua resposta a quem não gosta de suas manifestações políticas no show e se ele teria medo de perder fãs por isso:

“É algo que eu não posso me preocupar, porque eu nunca poderia dizer nada sobre nada do que eu acredito, pois qualquer coisa que você dissesse sempre poderia ofender alguém”


“Eu gosto de pensar que eu nunca cedi. Eu nunca me curvei à máquina ou o resto. Há pessoas por aqui que continuam dizendo: ‘Por que você está falando sobre política?  Apenas cante suas músicas e blá blá’. E você responde: ‘Você não tem ouvido todos esses anos?’.”

“De qualquer forma, não é da sua conta o que eu faço. Se não gosta, vá ver a Katy Perry”

A entrevista é interessante e cita também a questão de Waters com Israel por ser um defensor da Palestina. Ele já pediu a artistas como o brasileiro Caetano Veloso e ao Radiohead para não se apresentarem em Israel. O vídeo está aqui embaixo:

Ironicamente, no segundo show da passagem do músico britânico pelo Brasil, novamente em São Paulo, ele substituiu o nome de Jair Bolsonaro pela frase “Ponto de vista político censurado”. Não apareceu desta vez a hashtag #Elenão no telão do Allianz Parque, mas ele deu seu recado.

O autor deste blog alerta: tome cuidado se você também é fã de músicos como Bruce Springsteen e Eddie Vedder, pois você pode em algum momento ter de escolher se idolatra os músicos ou o político.

A propósito, o jornalista Maurício Dehò,  com quem trabalhei no Lance! e UOL, explica a incoerência de quem vaiou Roger Waters. Leia aqui

Uma viagem histórica com o The Who em São Paulo

Em meio a um Rock in Rio com a primeira palavra do nome mais escassa em relação a edições anteriores, a Mercury Concerts aproveitou as principais bandas de rock do casting do principal festival brasileiro de música e criou o São Paulo Trip no Allianz Parque, em São Paulo.

Na noite de quinta-feira, o Alter Bridge foi a primeira banda a subir ao palco pelo festival (ou série de shows como alguns preferem definir – pouco importa). Com um público meio fraco, talvez pela data, pela concorrência do Rock in Rio, pela crise, ou vai saber.

Myles Kennedy (Alter Bridge)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Mas a banda liderada por Myles Kennedy e Mark Tremontti mostrou sua competência e o porquê de ser uma das mais crescentes no cenário atual de rock. Com um set curto, eles levaram o seu próprio público e ainda conseguiram satisfazer os que não estavam lá para vê-los, mas para conferir o The Cult e, principalmente, o The Who.

O show começou com “Come to Life”, do álbum Blackbird (2007) ainda com o estádio palmeirense bem vazio. Na sequência, emendaram a ótima “Addicted to Pain”, do Fortress (2013), já numa fase mais pesada da banda, e ‘garantiram o bicho’.

Como habitual, o carismático Myles Kennedy mandou um dedilhado de “Blackbird”, dos Beatles, para emendar a música homônima que é um dos principais sucessos do Alter Bridge. “Isolation”, “Open Your Eyes” e “Rise Today” foram outros pontos fortes, com esta última fechando a digna apresentação do quarteto formado por três quartos do Creed (quem diria que sairia coisa boa do Creed?).

E nesta sexta eles tocam no Rock in Rio logo depois do Jota Quest, em dia que tem Tears For Fears e Bon Jovi (quem escalou o Alter Bridge junto às três bandas é um gênio! Mas não surpreende no RiR).

Ian Astbury e Billy Duff (The Cult)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

E aí veio o The Cult com toda a marra de Billy Duff e o carisma de Ian Astbury, o som em volume mais aceitável e tacando fogo logo de cara apresentando a excelente “Wild Flower”.

Mais conhecido do público presente em geral, o quinteto britânico fez uma apresentação mais agitada, com um set irretocável, embora curto (não dava pra ser mais longo, assim como o AB), para quem tem um número razoável de clássicos.

O lado chato e já recorrente em vários shows, Ian Astbury precisou pedir pra galera dar uma segurada para usar os telefones celulares após o show. Que fase vivemos hein!

Destaque para os petardos apresentados em sequência “Rise”, “She Sells Sanctuary” e “Fire Woman”, que esquentaram a galera o suficiente para esperar pela chegada do momento histórico.

Roger Daltrey (The Who)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

53 anos depois de sua fundação, o The Who finalmente pisou em solo sul-americano pela primeira vez com Roger Daltrey e Pete Townshend, além de uma banda muito competente a eles somada a Zak Starkey, filho de Ringo Starr e que ganhou seu primeiro kit de bateria sabe de quem? Keith Moon, o lendário e inesquecível baterista da formação original do The Who.

A apresentação começou com “I Can’t Explain”, nome que dizia muito sobre a sensação de quem estava tendo o privilégio de ver pela primeira vez a banda de Daltrey e Townshend. Em seguida vieram “The Seeker”, “Who Are You” e “The Kids Are Alright”, três dos vários clássicos que não deixaram a casa esfriar em nenhum momento.

Zakk Starkey (The Who)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Nem mesmo a entrada completamente errada de Daltrey em “My Generation” atrapalhou alguma coisa na apresentação dos ingleses na capital paulista. “Behind Blue Eyes”, outra das mais repetidas pelos fãs da banda teve um dos momentos mais bonitos no estádio.

E ainda tinha “Pinball Wizard”, “See Me Feel Me”, “Baba o’Riley” e “Won’t Get Fooled Again”. Dava para não ficar satisfeito? Sim e não.

Ao mesmo tempo que o público ainda mostrava querer ficar ali dias ouvindo mais o The Who, a banda também mal deixou o palco e voltou rapidamente para o bis, fechando com “Substitute”.

Pete Townshend (The Who)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Ao fim, Pete Townshend mandou todos embora para suas casas. Depois de um show como este, ele poderia ter mandado todos para a puta que pariu e ninguém ousaria negar. Seu pedido é uma ordem.

Fãs do Foo Fighters não deixam a música parar

 

Era para ser apenas mais um show do Foo Fighters na série que a banda tem feito pelos Estados Unidos, mas Dave Grohl decidiu emendar um “Parabéns a você” na setlist para fazer aquela média com a patroa no BottleRock 2017, realizado no Napa Valley Exposition, em Napa, Califórnia, durante o último domingo.

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Cartaz do festival         Crédito: Divulgação

O problema é que o agrado à esposa ajudou a estourar o tempo previsto para o show durante a execução da música seguinte, um dos maiores sucessos da banda, “Everlong”.

O áudio foi desligado no meio da música, mas a banda seguiu tocando e a plateia assumiu o vocal para levar a música até o final. Pat Smear fez até uma graça enquanto a banda tocava e praticamente ninguém ouvia os instrumentos, exceto a bateria de Taylor Hawkins.

Veja abaixo o vídeo:

Cenas como a de domingo mostram que o Rock não morre, pois seu público não deixará.

O choro de uma geração

Acordei nesta quarta-feira com a notícia da morte do Chorão no Twitter. Eu não acompanhei nem um pouco dos últimos anos da banda, mas lembrei bem do que o Charlie Brown Jr fez na música desde que começou a tocar desenfreadamente nas FMs “O coro vai comê”.

É muito fácil falar ou escrever bem de alguém depois que morre, chamar de gênio, de poeta, de ídolo etc. Hoje em dia com a forma como as redes sociais espalham e promovem assuntos, ficou ainda mais fácil.

Chorão não foi um gênio, mas foi criativo, foi divertido, tinha um grande carisma e tocava um show com sabedoria. Tive a oportunidade de conferir de perto alguns shows do Charlie Brown Jr, comprei discos da banda e sei que a energia que a banda colocava no palco era ótima.

Nos últimos anos as trocas de formações fizeram com que a banda perdesse um pouco o rumo, o fim das rádios que tocavam rock nacional piorou a situação e o Charlie Brown Jr se misturou em um balaio com bandas novas que não conseguiram fazer nada perto do que a banda santista fez no final dos anos 90 e no começo dos anos 2000.

Charlie Brown Jr foi sim uma banda de rock, que soube misturar estilos e seguiu a linha do Red Hot Chili Peppers, do Suicidal Tendencies e do próprio Faith no More.

Em uma época em que as bandas de rock passavam a perder espaço, o Charlie Brown Jr chegou com o pé no peito. Gravou muita coisa boa e também teve seus momentos pouco inspirados.

Chorão conseguiu ser o ídolo de uma geração, a minha geração. Quantos não brincaram ao dizer meu nome cantarolando a música “Rubão”, do Charlie Brown Jr? Foram várias, uma na semana passada, aliás.

Se Chorão se encaixa em uma lista de Cazuza, Renato Russo e sabe lá quem mais queiram listar, isso é totalmente descartável, mas ele está para o pessoal que tem entre seus 20 a 30 e poucos anos como foi Renato Russo há 20 anos. Alguns idolatram, outros odeiam e muitos respeitam o trabalho que fez pela música.

No meu gosto pessoal o Charlie Brown Jr agradou muito mais que a Legião Urbana, mas aí é mais uma comparação indevida e inútil.

O rock nacional perde um líder e uma banda que foram importantes. Descanse em paz, Chorão!

Rock vivo e com muita raça: o show que eu não vi

Muitos não devem se lembrar, mas no dia 24 de fevereiro de 2000, o Foo Fighters realizaria seu primeiro show em solo brasileiro e seria na cidade de São Paulo, no então recém-aberto Credicard Hall.

A banda havia acabado de deixar de ser um trio com a entrada do guitarrista Chris Shiflett, mas devido à morte do pai do estreante da banda houve o adiamento do show, que depois virou oficialmente o cancelamento, em caso que rendeu até uma certa polêmica em relação à casa, que demorou a admitir o cancelamento e a devolução do valor pago pelos ingressos.

O Foo Fighters vivia um grande momento com o lançamento de “There Is Nothing Left to Lose” e o sucesso dos videoclipes de “Learn to Fly”, “Breakout”, “Generator” e “Next Year”. Logo no ano seguinte houve o Rock in Rio 3 e a banda visitou o Brasil pela primeira vez, mas nada de tocar em São Paulo.

A espera foi grande. Como o próprio Dave Grohl declarou durante o show de sábado no Lollapalooza, 17 anos se passaram desde o início da banda. Fãs ansiosos, venda de ingressos a todo vapor e um momento em que o Foo Fighters é a grande banda de Rock. Tinha tudo para dar certo.

De repente um cisto ameaça a voz de Dave Grohl, shows são cancelados, mas em São Paulo a banda se esforça e o que era a preocupação de muitos se transformou em um grande show. Eu não assisti. Acabei tendo de vender meu ingresso por não haver percebido antes que a data coincidia com a do confronto entre Brasil e Colômbia na Copa Davis e o assessor de imprensa da CBT não poderia dar o cano no nosso principal evento de tênis.

Eis que o show foi transmitido pelo Multishow e algum fã me fez o favor de postar no YouTube. Não vou entrar no mérito de quesitos técnicos, pois seria injusto por não ter ouvido o som original e pela qualidade discutível da gravação. É perceptível que a voz do líder do Foo Fighters sai para passear em alguns momentos, mas a banda não se afeta e mantém a garra até o final.

A apresentação passou por todas as fases na carreira da banda, teve grandes momentos com “The Pretender” somada de alguns trechos de “Custard Pie”, do Led Zeppelin, e sucessos da banda como “Breakout”, “Learn to Fly”, “Long Road to Ruin”, “Best of You”, a dobradinha “Bad Reputation” e “I Love Rock and Roll”, ambas com Joan Jett, e a finalização com “Everlong”. Não poderia ser melhor.

O show do Foo Fighters me faz lembrar daquele time que tem vários problemas e ainda assim dá o sangue para sair de campo vencedor, me lembra daquele tenista que na sexta-feira se viu à beira da decepção e se elevou ao status de herói. É óbvio que qualquer comparação pode soar indevida, mas é sempre bom saber que aqueles que te tiraram de casa para ver algo mostram que valeu a pena.

Li relatos de Thays Almendra sobre problemas de segurança, transporte e outros pontos de desorganização do Lollapalooza, o que infelizmente é uma tradição nos festivais de música que são organizados por aqui. É curioso que uma cidade como São Paulo, que tem tudo aberto 24h, não tem transporte público a partir de 0h30, por exemplo, assim como é lamentável saber que milhares de policiais são deslocados para proteger torcidas organizadas de futebol, mas nem metade disso faz a segurança de um evento com milhares de pessoas que vão para se divertir e se tornam vítimas da insegurança paulistana.

Para quem não viu o show, acredito que não vai levar muito tempo para ter uma reprise no Multishow. Caso a qualidade de som e imagem não seja um problema para você, o YouTube oferece algumas opções. Em todo caso, veja a set list da banda que dá tapa na cara de quem adora dizer que “o Rock está morto” ou que “os Arctic Monkeys da vida são a salvação do Rock”.

1. All My Life [One by One – 2002]
2. Times Like These [One by One – 2002]
3. Rope [Wasting Light – 2011]
4. The Pretender (com interlúdio de “Custard Pie”, do Led Zeppelin)  [Echoes, Silence, Patience & Grace – 2007]
5. My Hero [The Colour and the Shape – 1997]
6. Learn to Fly [There Is Nothing Left to Lose – 1999]
7. White Limo [Wasting Light – 2011]
8. Arlandria [Wasting Light – 2011]
9. Breakout [There Is Nothing Left to Lose – 1999]
10. Cold Day in the Sun (com Dave Grohl na bateria e Taylor Hawkins nos vocais)  [In Your Honor – 2005]
11. Long Road to Ruin [Echoes, Silence, Patience & Grace – 2007]
12. Big Me [Foo Fighters – 1995]
13. Stacked Actors [There Is Nothing Left to Lose – 1999]
14. Walk [Wasting Light – 2011]
15. Generator [There Is Nothing Left to Lose – 1999]
16. Monkey Wrench [The Colour and the Shape – 1997]
17. Hey, Johnny Park! [The Colour and the Shape – 1997]
18. This is a Call [Foo Fighters – 1995]
19. In The Flesh (Cover do Pink Floyd)
20. Best of You [In Your Honor – 2005]
Bis
21. Enough Space [The Colour and the Shape – 1997]
22. For All the Cows [Foo Fighters – 1995]
23. Dear Rosemary [Wasting Light – 2011]
24. Bad Reputation (Cover de Joan Jett and the Blackhearts, com Joan Jett)
25. I Love Rock ‘n’ Roll (Cover de The Arrows, com Joan Jett)
26. Everlong [The Colour and the Shape – 1997]

O xará

Crédito: Furtada do Twitter do Rubinho

Quando eu tinha 4 anos chorei para ter um carrinho de Fórmula 1 para brincar. Eu era fanático pelas corridas e por Ayrton Senna, aquele que quando não completava uma corrida eu via meu irmão mais velho ter o humor alterado e fazer ”homenagens’ aos Nakajimas da vida.

Enfim, aos 6 anos eu sabia ler perfeitamente e guardava as revistas de Fórmula 1 que meu pai trazia, além de ouvir seus relatos das corridas em Jacarepaguá e Interlagos. E lembro perfeitamente de quando peguei um anuário com vários nomes que já nem lembro e lá naquelas páginas tinha o perfil de um brasileiro que tinha o meu nome.

E talvez tenha sido por compartilhar o nome Rubens com um tal de Barrichello que eu jamais deixei de acompanhar as corridas mesmo depois da morte de Ayrton Senna, diferentemente do meu irmão e do meu pai, que continuaram gostando da F-1, mas sem ficar acordando na madrugada ou deixar o que tinha a fazer para ver uma corrida.

Com todo o público, também aprendi a me decepcionar quando esperava aquele pódio do Rubinho e via a nuvem de fumaça sobre o motor da Jordan ou da Stewart. O dia da primeira vitória dele está na minha memória, intacto. Foi uma corrida monstruosa, daquelas de se contar  nos dedos, de se contar aos netos.

Mas eu cresci, quis o destino (e quis mesmo, pois quem me conhece sabe que eu cheguei muito perto de desistir) que eu virasse jornalista esportivo. Em 2007 tive o contato com a Fórmula 1, aquele mundo dos sonhos da infância, conheci os carros, pisei o asfalto de Interlagos e entrevistei pilotos. Um dos pilotos era Rubens Barrichello, aquele…

Ainda iniciando a carreira, não sabia como era a personalidade do piloto e achei que ele aceitaria na boa uma brincadeira. Como ele não havia somado nenhum ponto com aquele lixo móvel da Honda e o Corinthians, seu time de coração, estava à beira da queda para a Série B, me arrisquei a uma brincadeira na última pergunta da entrevista feita quase toda por Rafael Valesi, enquanto eu filmava e fazia uma ou outra pergunta. “Comparando o seu momento sem somar nenhum ponto na temporada pela primeira vez e o time do Corinthians, dá pra comemorar que na F-1 não tem rebaixamento?”, perguntei. Óbvio que ele não gostou da brincadeira, mas respondeu do jeito dele, sem responder.

Enquanto eu ainda guardava câmera e tripé (estagiário do Lance! era um faz tudo na época – aliás, acho que ainda deve ser assim), Rubinho chamou seu assessor Anderson Marsili e reclamou, não gostou daquelas piadinhas e eu, mesmo sem querer, ouvi tudo aquilo enquanto estava abaixado guardando tudo. Minutos depois, o próprio Rubinho começou a fazer piadas na entrevista coletiva, inclusive se comparando ao Corinthians.

Depois disso vi o seu quase fim de carreira em 2008, o acompanhei empunhando um gravador naquela que poderia ter sido sua última entrevista com o macacão de uma equipe após deixar o carro da Honda e caminhar pelo paddock sem nenhuma garantia da escuderia japonesa. Ainda tenho a gravação, com ele lamentando por não ter conseguido ajudar Felipe Massa a conquistar o título mundial por não ter um carro decente.

Naquele momento recuperei o respeito pelo piloto que errou muito em atitudes e declarações na carreira e que muitas vezes foi injustiçado por um público que só gosta de esporte se tiver um brasileirinho ganhando (UFC que o diga). Torci por ele na disputa do título de 2009, quando Jenson Button ganhou merecidamente. E imaginei que na minha única corrida acompanhada profissionalmente de uma arquibancada (o que prefiro não explicar aqui), ele faria sua despedida. Mas ele não quis festa, preferiu acreditar na permanência e mais uma vez perdeu a chance de ser mais valorizado.

Nesta terça-feira foi dele o anúncio de que havia perdido a vaga na Williams para Bruno Senna. Claro que em termos de história no automobilismo, seus 19 anos na Fórmula 1 já renderam muitos capítulos, mas ele queria completar 20 e isso dá um certo ar de frustração. Aquela mesma que tocou muitos torcedores que achavam que ele seria “o novo Senna”, aqueles mesmos que esperam pelo “novo Pelé” e pelo “novo Guga”.

Ok, você pode ter sentido falta de música neste post de um blog em que prometi colocar sempre algo musical. Pois Rubens Barrichello tem sim algo musical para acrescentar, já que foi ator por alguns instantes no videoclipe da música “Adjustable”, do cantor John Kip, um brasileiro que canta músicas em inglês.

Dave Grohl e o Foo Fighters têm muito a ensinar…

O Foo Fighters é hoje a banda mais agradável do mundo quando se fala em Rock, aquele Rock puro, sem sufixos ou prefixos que tanto embolam o gênero musical e deixam o ouvinte cada vez mais perdido e sem saber se aquilo que ele gosta é Rock, Pop, ou qualquer outra coisa.

Há 20 anos muito se falava sobre o Nirvana e toda aquela febre criada pela banda que tinha Dave Grohl na bateria. Mas ao saltar do banquinho com baquetas nas mãos para a linha de frente com o microfone e uma guitarra, Dave Grohl construiu uma banda muito melhor tecnicamente que o Nirvana e que faz bons álbuns e clipes sem todo aquele ‘esforço’ que a banda de Kurt Cobain muitas vezes passava como artificial.

O grupo que desembarca no Brasil em abril para realizar show na versão brasileira do festival Lollapalooza se supera a cada nova ação que faz. Em 2011 lançaram um álbum gravado na garagem com Butch Vigh, baterista do Garbage e produtor do Nevermind, do Nirvana, e o Wasting Light foi um puta disco!

Muita gente não gosta de admitir que o Foo Fighters é bom e que gostou do novo disco justamente por ainda ser uma das poucas bandas de Rock com espaço nas emissoras musicais da TV e nas que tocam Pop/Rock no rádio. Mas a pegada que os caras demonstram no palco e no estúdio são louváveis.

Em Wasting Light você encontra peso, melodia, ótimas composições, um som sem nenhuma frescura. Em certos momentos a coisa chega até a se aproximar de um Metal com os urros de Dave Grohl em “White Limo”, que tem em seu vídeo a aparição de Lemmy Kilmister, o líder/dono do Motörhead.

A banda traz a participação de Krist Novoselic em “I Should Have Known” e a melhor faixa do álbum na opinião do blogueiro é a já popularizada “Walk”, que além da qualidade musical conta com um vídeo muito bem feito, que explora o bom humor, marca registrada da banda em seus clipes.

Enquanto tem alguns Nickelbacks e outras porcarias por aí se passando por Rock e sendo ‘homenageados’ por roqueiros devido a isso, o Foo Fighters sim faz um verdadeiro Rock e quando seu líder é questionado pela revista Billboard dos Estados Unidos sobre ser a melhor banda do mundo, o cara vem com essa:

“Eu acho que somos uma merda e nós tentamos fazer bons discos e ensaiamos. Não nos sentimos como a maior e melhor banda do mundo. Nós apenas nos sentimos como os mesmos cinco palhaços que estavam excursionando em uma van há 17 anos, isso não mudou”.

Tem muita banda por aí precisando aprender com o Foo Fighters. Aliás, não apenas as bandas, mas as pessoas em geral também têm muito a aprender!