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Quem será o Carlinhos Brown no Rock In Rio 2011?

Uma das tradições do Rock In Rio é ter artistas escorraçados do palco por não estar na hora certa, no momento certo e tocando a música certa. Desde 1985 sempre tem gente recebendo pedradas, garrafadas e levando outros objetos sólidos na cabeça além do barulho das vaias e xingamentos.

E a culpa nem é dos coitados dos artistas que estão no palco, mas do público que carrega a expectativa de ser agradado pela programação do Rock In Rio e da organização do festival, que capricha na hora de misturar estilos de uma forma que parece querer ver o circo pegar fogo mesmo.

As encrencas aumentam a atenção ao festival e também aos artistas. Depois de encarar uma chuva de objetos voadores no palco e seguir encarando o público em 2001, Carlinhos Brown se vangloriava. “Está todo mundo falando de mim e não do Guns N’ Roses”.

E no caso do batuqueiro baiano, houve sorte por a coisa não acabar mal. O temor pelas vaias ao Pato Fu não se confirmou com a escolha acertada da banda no repertório, enquanto Brown não sabia o que fazer quando o público pedia Rock. E então ele mandou “enfiarem o dedo no…”, disse que o público não tinha “mente aberta”, tudo isso no palco. Deu no que deu.

Uma curiosidade também marcou o último dia do Rock In Rio de 2001, quando a banda O Surto conseguiu entrar na lista do palco Mundo sabe-se lá como (ajudado pelo boicote de bandas como Raimundos, O Rappa e Charlie Brown Jr. ao festival), e inventou de fazer uma versão tosca de “Californication”, do Red Hot Chili Peppers, que fecharia o evento. Óbvio, o grupo cearense foi vaiado e meses depois ninguém sabia mais nada sobre os caras que tocaram seu hit radiofônico “A Cera” duas vezes no mesmo show.

Quem levou cartão vermelho do público em 1991 foi o cantor Lobão, que resolveu se apresentar com a bateria da Mangueira entre o show do Sepultura e o do Megadeth em um dia que ainda teria Queensryche, Judas Priest e Guns N’ Roses.

Ok, o público estava feroz. Mas quem foi o gênio que colocou o Lobão depois do show pesado do Sepultura e antes do também pesado Megadeth? Não deu outra, o show durou duas músicas.

Por falar em Guns N’ Roses, é interessante notar os comentários de Pedro Bial durante o show da banda norte-americana. O apresentador de Big Brother Brasil e criador daquelas crônicas de Copa do Mundo que também já foi jornalista se diverte de uma forma meio preconceituosa.

O primeiro dia do festival em 1985 também não foi dos mais tranquilos, com Erasmo Carlos não conseguindo agradar ao público que aguardava por Whitesnake, Iron Maiden e Queen. O “Tremendão” acabou vaiado e foi um dos destaques negativos do festival.

Alguns dias depois, lançaram o Kid Abelha e Eduardo Dusek no dia em que Scorpions e AC/DC se apresentariam no palco. E aí não foram garrafinhas d’água como as que recebeu Carlinhos Brown, mas pedras foram arremessadas contra as atrações nacionais.

Enfim, com tantos casos de gente que não conseguiu agradar, poderíamos ter candidatos ao troféu Carlinhos Brown-2011 do Rock In Rio? A diminuição do Rock na programação reduz as chances, mas não a zero.

O NX Zero é o primeiro candidato a vaias o festival se considerarmos que o Stone Sour, que toca logo em seguida é mais pesado e no mesmo dia tem Red Hot Chili Peppers. Mas ainda acho que Capital Inicial e Snow Patrol ameniza a situação da banda paulista.

No domingo sim surge um favorito, a banda Glória, que abre a programação do dia que terá Motorhead, Slipknot e Metallica no Palco Mundo enquanto o Sunseth recebe Sepultura, Korzus, Matanza e Angra com Tarja Turunen. O palco secundário tem seus shows mais cedo e deve deixar o público um pouco agitado para ver Glória e o também emo-metal Coheed And Cambria.

O Detonautas não seria candidato a vaias, mas sabemos que o vocalista Tico Santa Cruz costuma ser imprevisível. E se o cara resolver mandar ver naquela versão tosca em português de “Back in Black”, do AC/DC, por exemplo, vai ser alvejado facilmente por objetos voadores identificados, já que o público de System Of A Down e Guns N’ Roses pode não ser muito amistoso embora se misture aos caça-adolescentes Pitty e Evanescence.

Sim, o Rock in Rio já teve uma programação mais digna de encrencas, mas é sempre possível ter algum deslize que o público não vá perdoar.

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Rock é um detalhe secundário no Rock In Rio

O nome tem Rock. A cidade é do Rock. Na emissora de TV que transmite, só se fala dos esteriótipos e curiosidades do Rock. Mas se encararmos a realidade do programa de cada edição do Rock In Rio, fica fácil perceber que se trata de um festival de entretenimento e música, não de Rock.

O Rock In Rio começa nesta sexta-feira a sua quarta edição brasileira depois de ter deixado nos últimos anos o Rio de Janeiro em uma grande ironia. Não era Rock e nem era no Rio, mas em Lisboa e Madri.

A verdade é que o evento idealizado pelo empresário Roberto Medina tem desde 1985 a responsabilidade de ter trazido shows importantes da música mundial ao país.

O fã que hoje se rebela contra os shows de Ivete Sangalo e Claudia Leitte deve lembrar que em 1985 o evento levou ao palco Elba Ramalho. Erasmo Carlos abriu o show do Iron Maiden, recebeu vaias e a emissora de TV criou o termo “metaleiros” em alusão pejorativa ao público do heavy metal. E assim como o “porco” dos corintianos contra os palmeirenses, a brincadeira pegou e muita gente adotou o termo.

Em 1991 foi a vez de New Kids On The Block, Run DMC e A-Ha darem as caras. Aí quando colocaram o Lobão com a bateria da Mangueira no dia do Metal, pronto. O cara foi vaiado e Pedro Bial fez uma matéria dizendo que os “metaleiros” eram violentos, obscuros, macabros e blablablá… Com a frase “quanto pior, melhor”.

Em 2001 teve a inesquecível chuva de garrafas e copos plásticos em Carlinhos Brown horas antes de o Guns N’ Roses se apresentar. Mas a curiosidade da edição realizada há dez anos é que foi criado o “dia Pop”, com Sandy e Júnior, Britney Spears e o grupo N’Sync.

O que mudou de dez anos para cá é que se antes tinha um dia pop e vários dias de Rock sem Rock, agora criaram o “dia do Rock” no festival que tem Rock no nome!

Para se ter uma ideia, no dia em que o evento terá o heavy metal como o principal estilo musical, as bandas brasileiras Angra, Korzus e Sepultura, expoentes do gênero no exterior, estarão no palco Sunseth, que é secundário, para dar lugar no Palco Mundo ao Glória, que tem suas raízes fincadas no Emocore.

Também ficará fora do palco principal a cantora Joss Stone, em um dia em que as atrações são Ke$ha, Janelle Monáe, Jamiroquai, Stevie Wonder e um concerto sinfônico de homenagem ao Legião Urbana.

Recentemente foi lançado um livro que trata o Rock In Rio como maior festival de música do mundo. E provavelmente ele está entre os maiores de MÚSICA. Pois em termos de Rock há muitos festivais bons na Europa e nos Estados Unidos. Caso seu interesse seja apenas por “Rock”, o evento não é para você.