Arquivo da tag: ricardo confessori

Acabou a Nova Era

Liana Nakao/Site oficial Edu Falaschi

O Angra recrutou Edu Falaschi como vocalista logo após a saída de Andre Matos em 2000 e com ele teve grandes momentos que talvez tenham sido os maiores da banda com os álbuns Rebirth e, principalmente, Temple of Shadows, o que na opinião deste blogueiro é o melhor disco da carreira da banda paulistana.

Mas desde o lançamento do Temple of Shadows e a segunda perna da turnê do álbum lançado em 2004, uma maldição parece ter perseguido o grupo. Edu Falaschi passou a ter problemas para cantar as músicas nos tons originais, o que fez a banda alterar sua apresentação ao vivo. Mas depois percebe-se que isso era o de menos.

Brigas internas (com direito a agressão física), disputa de nome da banda na justiça (até conseguir afastar o empresário Toninho Pirani, da Rock Brigade), a eterna espera por um DVD decente, álbuns que não atingiram a expectativa, a saída de Aquiles Priester, turnês esvaziadas, declarações polêmicas e falta de pudor em publicações nas redes sociais, acusação de plágio e briga na justiça com grupo de pagode, e o pior show da edição 2011 do Rock in Rio tornaram o Angra uma bomba.

Nos últimos anos a banda apareceu na mídia apenas de forma negativa, tanto na grande imprensa quanto na especializada e não criou nada que pudesse colocar de volta o nome Angra como grande.

É curioso notar que em todos os 20 anos de carreira e sete álbuns de estúdio, apenas um DVD foi lançado pelo Angra e isto ocorreu há mais de dez anos, com a gravação de um dos primeiros shows da turnê Rebirth, que precisou de overdubs devido à falha no microfone que captava o som do público. Desde então, promessas e expectativas na turnê do Temple of Shadows, um show em São Paulo contando com participações especiais de músicos convidados do disco, como Kai Hansen, e nada.

Em Aurora Consurgens o Angra expôs a ferida com um álbum que falava sobre distúrbios mentais. Na época tudo era pólvora no clima da banda, que esteve bem próxima de uma separação. No fim, apenas Aquiles Priester saiu. A volta de Ricardo Confessori à bateria da banda poderia soar como um bom momento novamente, revivendo o passado… Mas não foi isso o que aconteceu.

Depois de uma turnê ao lado do Sepultura o Angra mais uma vez começou a preparar um novo disco, filmou quase toda a produção e lançou Aqua, que não remeteu ao passado e nem soube ser moderno. Ficou um disco morno e não teve uma divulgação tão bem sucedida.

Aí vieram as polêmicas com a acusação de plágio ao Parangolé em trecho claramente surrupiado pelos baianos na música “Nova Era”. Edu Falaschi resolver se juntar a Thiago Bianchi, do Shaman, numa patética campanha pelo Heavy Metal brasileiro. E o que se viu no fim foi Bianchi organizar um evento vazio em São Paulo e depois escrever e cantar o hino    do mais patético de todos os festivais de música do Brasil, o Metal Open Air.

Neste meio-tempo, Edu Falaschi teve tempo de fazer talvez o pior show da carreira em pleno Rock in Rio com TV ao vivo, dar uma entrevista tocando em pontos corretos da forma errada ao falar sobre o cenário do Metal no país e agradecer no fim aos organizadores do M.O.A. depois de ter feito um show “pelo público” quando muitos cancelaram a participação.

Em pouco mais de 11 anos, podemos dizer que Edu Falaschi cresceu como músico, fez ótimas composições, criou uma banda excelente que é o Almah, gravou um dos grandes discos de Heavy Metal da década passada com o Angra e se tornou a cara e o para-raio da banda, o alvo das críticas e um político chato. Os discursos passaram a atrapalhar Edu, assim como sua voz foi embora pelo fato de ele ter passado anos cantando músicas fora de sua linha vocal natural.

O curioso da saída de Edu Falaschi do Angra é que ela veio recheada com o abandono do baixista Felipe Andreoli ao Almah, logo ele que parecia ser o braço direito do vocalista.

Agora fica a expectativa: O Angra vai trazer Andre Matos de volta mesmo tendo o Ricardo Confessori na bateria? (para quem não se lembra, eles se desentenderam no Shaman). Rafael Bittencourt passa a ser o vocalista da banda, dividindo com a guitarra? Vão contratar um novo vocalista que terá de conviver com as sombras de Andre Matos e também de Edu Falaschi? São muitas as perguntas. O problema é que nos últimos anos o Angra tem respondido a poucas ou quase nada delas.

Anúncios

Nova Era chegou ao fim para o Angra?

O Angra chegou ao Rock in Rio com boatos de que aquele poderia ser o último show da atual formação da banda ou até o encerramento definitivo de um dos grupos mais importantes do Rock/Metal do Brasil e o momento foi histórico, para jamais ser esquecido, como disseram os músicos após a apresentação. Mas os motivos do show marcante não foram dos melhores.

Os problemas técnicos no Palco Sunset, onde se apresentou a banda, foram bisonhos. Houve problemas nos PAs, a banda ficou sem retorno nenhum no palco e na transmissão pela TV o som ficou embolado, sumindo as guitarras, ou o baixo, ou as vozes mesmo.

O vocalista Edu Falaschi também esteve longe de suas boas apresentações cantando e quando Tarja Turunen foi cantar o cover de Kate Bush “Wuthering Heights”, gravado pelo Angra no álbum Angels Cry e não executado desde antes da saída de Andre Matos em 1999, eis que a cantora finlandesa ficou sem retorno nenhum no palco e não entrou junto com a música.

A situação que se vê é bizarra, com os músicos deixando o palco e Tarja sozinha tentando interagir com o público e de certa forma se mostrando envergonhada pelo ocorrido.

Enfim, o repertório escolhido pelo Angra foi interessante, teve “Angels Cry”, “Lisbon”, “Carry On/Nova Era”, a nova “Arising Thunder”, além de “Spread Your Fire”, “Wuthering Heights” e “Phantom Of The Opera”, as três últimas com Tarja Turunen. O problema é que o show foi uma catástrofe que acabou mostrando que a fase não é boa para a banda e vai ser difícil a recuperação desta vez.

Depois de Rafael Bittencourt negar o fim da banda, eis que o vocalista Edu Falaschi solta um comunicado dizendo que vai parar no final do ano para recuperar a voz e avisa que não vai cantar músicas que não são adequadas para o seu estilo vocal, leia-se, os clássicos do Angra.

Sabendo que a banda já estava fragmentada com Kiko Loureiro se dividindo entre o Brasil e a Finlândia, Edu Falaschi e Felipe Andreoli tocando com o Almah, Rafael Bittencourt viajando com o Bittencourt Project e Ricardo Confessori tendo também o Shaman como banda, não se sabe o que pode acontecer, mas eu arrisco que a formação atual não volta a se apresentar junta. Alguém sai.

Ficou meio óbvio após o comunicado de Edu Falaschi que ele é a baixa mais provável da banda, mas como as coisas não vão bem, ele pode não ser o único a abandonar o barco, o que acabaria com a “nova era” criada depois que Andre Matos, Luis Mariutti e Ricardo Confessori pularam fora.

A fase é tão ruim que ao olhar a situação dos outros integrantes que passaram pelo Angra, ninguém está tão bem assim. Luis Mariutti se afastou da banda solo de Andre Matos, enquanto o vocalista embarcou no Symfonia, um projeto de Metal Melódico com estrelas do gênero como Timo Tolkki, o que também não deu muito certo, a ponto de a banda ter tocado em uma casa minúscula de shows em São Paulo depois de reservar um espaço maior e não ter procura.

Com uma bela história contada ao longo dos sete álbuns de estúdio (Angels Cry, Holy Land, Fireworks, Rebirth, Temple of Shadows, Aurora Consurgens e Aqua), a pior coisa para o Angra neste momento seria encerrar as atividades em baixa, após ter levado o estilo musical do Brasil para o mundo ao lado de Sepultura e Krisiun.

Enquanto todo mundo aguarda as respostas do Angra, se Edu Falaschi vai sair, se vai entrar alguém no lugar, se vai voltar o Andre Matos (Não acredito na alternativa, mas sei que muitos fãs querem isso faz tempo) etc., deixo aqui uma versão ao vivo de Wuthering Heights cantada por Andre Matos com o Angra e curiosamente ele canta mais alto que Tarja Turunen!