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Falta de sacanagem!

No dia 19 de setembro de 1970 nascia o Glastonbury Festival, um dos mais reconhecidos e respeitados festivais de Pop e Rock do mundo. Na época não era bem um festival grandioso, mas evento menor criado pelo fazendeiro Michael Eavis, que havia ficado entusiasmado após ver o Led Zeppelin se apresentar em um festival numa época em que os hippies estavam em alta e no ano seguinte ao histórico Woodstock.

Curiosamente, sua primeira edição aconteceu exatamente um dia após a morte de Jimi Hendrix. A atração principal era a banda T.Rex, que substituiu The Kinks em um dia no qual o valor para se assistir um show de rock foi de 1 libra! No ano seguinte o festival teve entrada gratuita e David Bowie como headliner e o público foi de 12 mil pessoas em cinco dias de shows.

Depois de alguns anos de inexistência o festival foi retomado no final dos anos 70 e desde então grandes músicos do cenário mundial foram as atrações do evento. Artistas como Peter Gabriel, New Order, Van Morrison, The Smiths, Echo and the Bunnymen, Joe Cocker, The Cure, Elvis Costello, Simply Red, Pixies e Suzanne Vega foram marcados como atrações nas décadas de 70 e 80.

Outros como Blur, Lou Reed, The Black Crowes, Lenny Kravitz, Velvet Underground, Primal Screen, Peter Gabriel, Johnny Cash, Rage Against the Machine, Bjork, Radiohead, Oasis, Smashing Pumpkins, Sting, Bob Dylan, Foo Fighters, Robbie Williams, R.E.M., Coldplay, Muse e Blondie engrandeceram o festival nos anos 90, quando o evento atingiu um público total de mais de 100 mil pessoas.

O Glastonbury Festival abriu levemente suas portas para novos estilos nos anos 2000 e recebeu grupos como Cypress Hill, Chemical Brothers, Rod Stewart e até Beyonce, Lady Gaga e Black Eyed Peas. Mas grandes nomes como U2, Paul McCartney, B.B. King, Neil Young, James Brown e Roger Waters não deixaram a lista de atrações.

Eis que nesta terça-feira o Glastonbury Festival distribuiu uma mensagem a seus seguidores no Twitter avisando aos fãs do Restart (sim, aquele Restart que você não aguenta mais ouvir falar).

“Recebemos muitas centenas de tweets de fãs da banda brasileira Restart que gostariam que eles tocassem em 2013. Anotado. (Vocês podem parar agora.)

“(Vocês são sempre muito bem-vindos a nos dizerem quem vocês gostariam que tocasse no festival. Não podemos garantir que vai acontecer, entretanto.)”

Sim, o festival que já teve todas as atrações citadas acima recebeu sugestões para contratar o Restart para a edição de 2013! E isso aconteceu na véspera do aniversário de 42 anos do Glastonbury Festival!

Vocês acham que transformarão o tradicional Glastonbury Festival nisso???

É, está faltando sacanagem para essa garotada!

Fantoches e a música padronizada

Padronização. Até que ponto isso é algo legal na música? Você já percebeu que o Sertanejo que você ouve se parece com o Pagode, que se parece com o Forró, que se parece com o novo Rock?

Não acho que as pessoas devam se limitar a ouvir apenas um gênero musical, pois o sujeito acaba ficando bitolado. Não abre a cabeça para outras vertentes. Mas me parece muito mais grave quando não é você que procura escolher diferentes estilos e sim os estilos que se moldam ao mercado. As bandas deixam tudo parecido para agradar a um público padrão: o jovem que quer ir para a balada pegar umas menininhas ou uns menininhos.

Você já percebeu que os temas de músicas do Restart, do Exaltasamba e do Luan Santana são parecidos? Em alguns momentos os grupos chegam até a gravar as músicas dos outros, afinal é tudo parecido.

Mas há uma coisa rolando por trás dos artistas que é o que realmente me preocupa em relação à qualidade do que hoje é colocado no mercado e a moçada engole sem mastigar. Muitos dos artistas que estão fazendo mais de dez shows por semana pelo país são apenas empregados de empresários que detém o nome do músico e os direitos das músicas e dos shows.

O cara simplesmente escolhe se quer colocar seu fantoche para tocar em lugar A ou B, na hora X ou Y, de quem é a composição que ele vai gravar etc. Onde está a criatividade nisso tudo? Pois se você pegar um disco físico (hoje muitos não percebem por apenas baixarem músicas na internet e nem pensarem em comprar discos) e olhar no encarte, vai perceber que quem está compondo aquilo não é aquele sujeito por quem você se rasga e grita freneticamente. Quem escreve é um compositor contratado pelo chefe e o artista tem que tocar aquilo, ou fica sem o contrato que garante a grana, o carrão e todas as mordomias possíveis.

Com isso você vê surgir por aí muita coisa pré-fabricada. É legal, o pessoal curte, mas quem está morrendo de rir é o empresário que está por trás do músico, este sim tira uma grana fácil enquanto seu empregado faz o serviço com o dever de ser carismático e a coragem para gravar qualquer coisa que pinta como “sucesso do próximo verão”.

Afinal, no fundo é disso que você gosta, não é mesmo Paulo Vadjayna?