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Bom humor e inteligência. Precisa de mais para ouvir o ‘joker’ Edguy?

Tobias Sammet não é um cara sério, nunca foi. E é exatamente com o bom humor e as fanfarronices do vocalista e compositor alemão que o Edguy segue vivo como uma banda que tem origem no Heavy Metal Melódico.

Muitos críticos do músico e de sua banda principal – ele ainda tem o projeto paralelo Avantasia – argumentam que o Edguy faz hoje um estilo mais puxado para o Hard Rock do que para o Heavy Metal Melódico. Ora, não é o Metal Melódico que já deu no saco? Pois o Edguy inventa e segue como uma das pouquíssimas bandas do gênero a fazer isso e se dar bem.

Como isso aqui se trata de uma lembrança dos bons discos de 2011, o álbum Age of the Joker não poderia ficar de fora. Em meus quesitos particulares avaliados, o álbum da banda alemã pontua bem em todos. É direto, é engraçado, é pegajoso, é bem produzido e tem uma boa dosagem de peso quando necessário.

A abertura com a faixa “Robin Hood” é precisa. A música ainda foi escolhida também para o primeiro videoclipe de Age of the Joker, que ficou bastante engraçado e irônico. A sequência com “Nobody’s Hero” mantém a pegada com aquele refrão pegajoso.

É a partir daí que surge o principal motivo para críticas, já que o Hard Rock começa a ser predominante, novas sonoridades são testadas, há aquele espaço para as baladas e então começo a questionar o motivo de não serem músicas radiofônicas por aqui, já que o estilo casa bem com outras que rolam vez ou outra em FMs de Rock.

Nos charts da Alemanha, Age of the Joker atingiu o posto de terceiro álbum mais vendido, algo que nenhum outro álbum da banda havia chegado perto. Vale lembrar que os toques de Hard Rock já vieram no álbum anterior, Trinnitus Sanctus, lançado em 2008, mas o alcance havia sido menor.

Só não gostei de uma coisa no álbum. A forma como ele termina. Pois a sequência com “Behind the Gates to Midnight World” e a bonjoviana “Every Night Without You” chega a dar um pouco de sono depois de um disco que começou tão aceso. Mas para o público mais “romântico”, a última música pode cair bem. Aí vai de gosto mesmo.

Não deixe de conferir o ótimo vídeo de “Robin Hood” abaixo, em uma das melhores paródias já feitas pelo Edguy (e olha que eles gostam disso!). Claro que as coelhinhas do clipe de “Superheroes” ainda chamam mais a minha atenção. Questão de gosto!

Rodas e lágrimas no indefinível System Of A Down

A imprensa geralmente se incumbe do papel de escolher qual é o estilo de cada banda e cada vez tem nomes mais esquisitos que formam um monte de bobagem. Quem gosta da banda é pela música e não pela classificação a ela dada, pelo menos deveria ser assim.

E o System Of A Down é uma grande afronta a toda essa mania que nós jornalistas temos de querer dar nomes aos bois. Quem pode definir o que é a banda norte-americana formada por integrantes de origem armênia e libanesa?

Nu-Metal (lê-se New Metal)? Experimental Metal? Progressive Metal? Já ouvi de tudo na definição, mas é impossível encaixar em qualquer uma das alternativas e a única coisa certa: é uma banda bem interessante e com isso mistura um público bem oposto.

Fui ao primeiro show do System Of A Down no Brasil, no sábado, em São Paulo, e acho muito curioso quando você vê um público com fãs de Heavy Metal, de Hard Rock, de Rock Farofa Radiofônico, de Pop, de Emo e por aí vai.

A reação do público também é interessante. O som do System Of A Down é pesado, propício a várias rodas que são abertas no meio do público, onde o couro come. Mas ao mesmo tempo tem aqueles grupos de amigos que formam uma ‘mini-roda’ e dão ombradas comedidas entre eles, só para poderem dizer ‘eu participei’.

Sim, em boa parte isso se deve ao público da Farofa Radiofônica. Mas a última coisa que eu espero ver em um show pesado são meninas aos prantos, berrando com os olhos cheios de lágrimas. Chega a dar pena e causa a dúvida: “Estou no show do Restart?”.

Sobre a apresentação da banda, acho interessante o fato de haver pouquíssima interação com o público. É tudo direto e sem frescuras. Não há longos solos de guitarra, nem de bateria, nem divisão de plateia em coros, muito menos conversa. É uma música atrás da outra e quando você nem percebe que já se foram 28 músicas (o mesmo set list do Rock in Rio), a banda deixa o palco sem bis, pois nem precisava.

O engraçado é ver o vocalista Serj Tankian em algumas músicas se movimentar em uma dança como se estivesse em uma festa típica armênia, usando um sorriso sarcástico e alternando tons de voz ao cantar. Enquanto isso, Daron Malakian faz um trabalho honesto na guitarra e nos vocais, Shavo Odadjian cumpre seu papel no baixo e John Dolmayan vai muito bem na bateria, demonstrando um semblante bem sério a todo momento. É um curioso e bom show.

A apresentação foi na Chácara do Jockey, um lugar interessante para receber shows e até festivais. O espaço é grande, a entrada é rápida e as opções para tendas vendendo comes e bebes são interessantes. Mas…sobe uma poeira terrível para um show de Rock, de deixar os pulmões cheios…de terra. A organização para a saída também foi triste, o que tem sido bem comum por aqui. Está difícil para os organizadores conseguirem acertar isso.