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Quando o playback dá errado e a TV vira circo…

O playback é um artifício muito utilizado na TV e atualmente são poucos os programas que contam com música ao vivo, seja por falta de uma aparelhagem decente para levar o som ao telespectador ou pela falta de disposição do músico em ter de fazer o esforço em um horário que geralmente seria o seu descanso.

O velho Chacrinha foi um dos pais do playback no Brasil e consagrou muitos artistas do cenário atual desta forma, enquanto alguns que se recusavam a prestar tal papelão ficaram no ostracismo por um longo período.

O Espelho Mau não gosta de playback e recursos que possam ser utilizados para mascarar o que o sujeito está tocando ao vivo, mas admite que muitas vezes o artifício da farsa se torna engraçado.

Tem músico que cai do palco, ou tem o microfone roubado pela plateia, ou então o baterista tem que fingir fazer uma puta virada em um kit infantil de bateria, sem contar quando a música entra antes ou dá um problema no meio da execução.

O caso deste post ocorreu em 1994 e a banda responsável por um dos playbacks mais hilários foi o Angra, ainda em seus primórdios com André Matos como vocalista. O programa foi o TV Mulher, um daqueles programas de variedades que só servem para você saber que a pior coisa a fazer quando não tem o que fazer é ver TV.

Com um playback combinado, o Angra foi ao estúdio sem o baterista Ricardo Confessori e sua bateria. O guitarrista Kiko Loureiro se passou por baixista ao trocar seu instrumento com Luis Mariutti e Rafael Bittencourt fingiu freneticamente fazer solos de guitarra em um violão desplugado.

E cada vez que você acha que já viu bizarrices o bastante, surge uma nova. O Angra “tocou” no programa a música “Wuthering Heights”, cover de Kate Bush, e depois Andre Matos anunciou que a radiofônica “Time” seria a próxima música.

Enquanto o vocalista ainda conversava com a apresentadora do programa, eis que surge o verso “Time to believe in the dream that you’ve seen…”. Era a entrada da música “Evil Warning” e não a “Time”.

As músicas não são parecidas e dificilmente a canção que fala do “aviso do mau” seria apresentada em um programa de TV no lugar de outra que fala no “tempo que faz viver”, ainda mais por ser muito mais pesada do que a que o Angra pretendia fingir tocar. O mais engraçado é notar o riso dos integrantes (principalmente Kiko Loureiro) com o circo armado e a apresentadora achando tudo aquilo normal.

Para quem quiser conferir a “pequena diferença” entre a “Time” e a “Evil Warning” para constatar a confusão do programa televisivo, segue aqui o clipe oficial da música que a banda paulistana pretendia fingir tocar.