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22 anos sem ‘evocar o capeta’…Toca Raul!

Muito se fala hoje me dia que o Rock está morto. Que as bandas atuais já não sabem mais o que é Rock, o que é Pop, etc. Ok, concordo em parte. Mas o que comprovaria tal tese?

Vejo de uma forma diferente e uso a minha singela homenagem ao gênio Raul Seixas, morto há exatos 22 anos. Sim, faz tempo que Raul Seixas morreu. Outras figuras importantes, seja no Brasil ou fora também partiram, e junto com eles se foi a “falta do medo de morrer”.

Enquanto Raul Seixas e outros desbocados mostravam que não tinham medo da morte, hoje este medo está mais estampado na cara dos supostos roqueiros. Ah, então quer dizer que todo ídolo do gênero deve encher a cara e cheirar até morrer? Não, não é exatamente isso!

Mas quem faz algum tipo de música que fuja de seu tempo hoje? Quem tem um comportamento politicamente incorreto? Quem escreve música preocupado com o próprio gosto e não com o que querem os fãs?

Uso Raulzito como exemplo por ver a cada música escrita por ele e perceber que não há a intenção de agradar. Não tem aquele solo a mais para fazer fita, nem aquele refrão bonitinho e grudento que faça o pessoal cantar fácil.

O principal de Raul Seixas é que as músicas são atemporais. Você pode ter ouvido há 20 ou 30 anos e ao escutar hoje a única diferença é que a produção antigamente era precária.

É chato ouvir uma música e saber que se trata de uma banda de gênero pré-definido, de determinada época e que pode ser salva por uma boa produção, boa ‘capa’ e aquela divulgação ‘jabá’ em emissora FM de rádio e Mtvs da vida.

Provavelmente você leu o título deste post, viu que o vídeo abaixo se trata da música “Rock do Diabo” e não tenha ficado muito disposto a conferir. Afinal, o Raulzito está falando do diabo, tá evocando o capeta e coisa e tal…

E aí está a graça. Raul Seixas, assim como sempre fizeram o Black Sabbath, o Iron Maiden e outras bandas “ligadas ao diabo”, jamais louvaram ao capeta. O que acontece na verdade é uma grande tiração de sarro, uma piada.

Ou você acha que trechos como “Existem dois diabos/Só que um parou na pista/Um deles é do toque/O outro é aquele do exorcista…” e “Me dê um porco vivo/Para eu encher minha pança/Três quilos de alcatra/Com muqueca de esperança…” são ofensivos? Francamente!

Toca Raul!