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Brigas, topless, Pai Mike Patton e música no SWU

O SWU durou quatro dias a menos que o Rock in Rio, mas se compararmos os causos por minuto, o evento em Paulínia superou o maior festival de música do mundo com muitos méritos. Tivemos assunto para todo tipo de (mau) gosto.

O evento teve início no sábado com Marcelo D2 fazendo campanha pela liberação da maconha poucos dias após toda aquela discussão distorcida de alunos da USP e Polícia Militar de São Paulo, apenas uma curiosidade. O ponto alto foi a apresentação do Black Eyed Peas, com sua temática futurista e um colírio para os marmanjos com as reboladas da vocalista Fergie.

Mas a coisa esquentou mesmo foi no domingo, logo o dia em que a chuva começou a prejudicar a organização, que ao que parece não convocou nenhuma entidade sobrenatural para evitar o castigo de São Pedro. O destaque ficou por conta do quebra-pau rolando atrás do palco enquanto o Ultraje A Rigor se apresentava.

A briga acabou deixando em segundo plano a apresentação da banda brasileira, assim como a do próprio Peter Gabriel, que teve seus funcionários desligando equipamentos e discutindo com o pessoal do Ultraje. E está aí o que poucos sabiam, o ex-líder do Genesis não é apenas chato por sua música. No dia seguinte houve pedido de desculpas a Roger Moreira pelo incidente que o cantor/ativista disse não saber que estava ocorrendo. Um pedido de desculpas aos fãs que tiveram de aguentar o porre que é o seu show também não seria ruim.

Agora, se a ideia no domingo era causar, a convidada para fechar o New Stage não poderia ser outra que não Courtney Love e o seu Hole. A viúva de Kurt Cobain desafinou, fez um show meia-boca, exibiu os seios, xingou Dave Grohl e o Foo Fighters e ainda trocou ofensas com os fãs que carregavam imagens do ex-líder do Nirvana. Depois saiu do palco e ficou do lado de fora louca para ser chamada de volta. Um belo tapa na cara de quem gosta daquela coisa e de quem esperava algo bom de Courtney Love.

Para salvar o domingo teve o Lynyrd Skynyrd. Se alguns ainda têm coragem de classificar os veteranos como uma banda cover daquela que nos anos 70 perdeu integrantes em um trágico acidente aéreo, ninguém pode negar que ao vivo os caras não deixam a desejar. Os norte-americanos despejaram uma série de clássicos e empolgaram os fãs até o desfecho com “Free Bird”, a música que equivale ao nosso “Toca Raul!”.

O último dia foi marcado por bandas que certamente estariam no primeiro escalão de um Rock in Rio caso ele tivesse ocorrido na década de 90 e o retrô agradou a muitos fãs de bandas como Alice in Chains, Faith No More e Megadeth.

Claro que o dia teve seu momento mais curiosou, com um arredondado Phil Anselmo dando microfonadas na própria cabeça durante o show de sua banda, o Down. Depois teve a voz de pato de Dave Mustaine dando umas variadas em um show bem executado pelo Megadeth na divulgação do ótimo novo álbum Th1rth3n.

Com a formação criada há cinco anos, mas que muitos ainda chamam de nova devido à ausência dos falecidos Layne Staley e Mike Starr, o Alice in Chains subiu ao palco Consciência tendo problemas com o som, que durante as primeiras músicas sumiu com o microfone do vocalista William DuVall. Com a melhora técnica deu para perceber que o vocal dele não empolga, mas Jerry Cantrell continua salvando a pátria liderando a banda.

Para encerrar, nenhum mestre de cerimônias poderia ser mais ideal que Mike Patton junto ao seu Faith No More. O cara é um showman nato, faz bem o seu marketing e carrega a apresentação com maestria. Destaque para o palco parecendo um terreiro de umbanda e a roupa do vocalista que estava um legítimo pai de santo, era o Pai Patton, com direito até ao cigarrinho.

O show foi aberto pelo poeta pernambucano Cacau Gomes, que depois ainda fez outra participação já próximo ao fim do show. Falando palavras em português para a plateia, Patton ainda chamou para o encerramento um coral de garotas de Heliópolis.

Com direito a reger o público a cantar “Porra, Caralho”, Mike Patton e o Faith No More fecharam o festival de forma bastante digna com clássicos de toda a carreira e no final um agradecimento curioso a São Paulo, Paulínia, Campinas e… ao Palmeiras! Sim, por influência dos irmãos Cavalera (ex-Sepultura), o vocalista parece ter adotado o clube paulista como o seu favorito e toda vez que se apresenta no Brasil faz questão de exaltar ou vestir uma camisa do clube.

Ainda teve Chris Cornell, Duff McKagan’s Loaded, Raimundos, Stone Temple Pilots e outros. O festival pode ter sido curto, problemático pela chuva e a lama, mas teve ótimos momentos seja para quem gosta de música ou quem está atento apenas a barracos mesmo.