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Banda norte-americana

Cheio de publicidade e perfumaria, novo festival MOA exibe amadorismo

Em 1990, foi criado em uma cidadezinha do interior da Alemanha o Wacken Open Air, que anos depois se tornou o maior evento do Heavy Metal. Muitos brasileiros viajam todo ano para acompanhar o festival ficando em acampamentos e vivendo de Metal. Dentro do evento há um campeonato de bandas chamado Metal Battle, que tem etapas seletivas no mundo inteiro, inclusive no Brasil.

Há alguns anos surgiram boatos de que o Wacken teria uma edição no Brasil. A revista Rodie Crew tomou a dianteira do evento e depois de muita demora por informações, o próprio veículo revelou que não aconteceria mais o festival. No ano passado novamente surgiram os boatos do Wacken no Brasil e os promotores fizeram um belo uso indevido do nome para criar um festival brasileiro.

Depois de tantos boatos e a negativa por parte do Wacken a ceder o nome, nasceu o Metal Open Air, ou M.O.A., um pouco parecido com W.O.A., não? O local escolhido foi longe de onde sempre ocorrem os grandes shows: São Luís, no Maranhão, marcado para os dias 20, 21 e 22 de abril.

Passado o período de polêmica em relação ao nome do evento, vieram as confirmações e nomes interessantes entraram no cast como Anthrax, Megadeth, Grave Digger, U.D.O., Symphony X, Exodus, e Destruction. Para quem não conhece Heavy Metal, estamos falando de nomes de muito peso!

Mas um ponto interessante foi o valor inicialmente dado às bandas brasileiras. Nomes como Baranga, Torture Squad, Ratos de Porão, Matanza, Carro Bomba, Andre Matos, Korzus, Almah, Shaman, Hangar, Shadowside e o Stress, primeira banda de Heavy Metal formada no Brasil em 1975, em Belém do Pará!.

Na divulgação, vídeos de Charlie Sheen, músicos declarando que as bandas brasileiras serão respeitadas, um cenário totalmente favorável ao Heavy Metal em um dos países onde o gênero tem o maior número de fãs ao mesmo tempo em que não é levado a sério pela mídia, afinal, o termo “metaleiros” adotado por muitos foi criado de forma pejorativa pela maior rede de TV do Brasil.

O problema é que mesmo quando se tenta trabalhar em prol do Heavy Metal no Brasil, os organizadores demonstram que não são competentes o suficiente ou são, pelo menos, desleixados com as bandas brasileiras, um problema de vários outros festivais feitos aqui.

Primeiro foi a banda Shadowside que cancelou sua participação devido ao atraso na divulgação da programação com os horários para as bandas que vão realizar os shows.

“Lamento profundamente anunciar, mas não será possível a participação da banda Shadowside na primeira edição do METAL OPEN AIR, pois fica logisticamente inviável eles chegarem a tempo no evento para se apresentarem no horário que só nos foi confirmado há dois dias. O fato de que alguns membros da banda ter outros compromissos profissionais que os impediriam de ficar disponível todo o final de semana já eram do conhecimento da produção. A produção, por conta da demora, acabou inviabilizando nossa ida a São Luís. Pedimos sinceras desculpas a todos os fãs que esperavam tanto pela apresentação da Shadowside no evento”, declarou Flavio Garrido, manager da banda Shadowside.

Não bastasse perder o Shadowside, uma das boas bandas brasileiras do cenário atual, nesta quarta-feira, faltando dois dias para o início do festival, a banda Hangar já colocou sua participação em xeque. Pelas redes sociais, o baterista Aquiles Priester e o baixista Nando Mello avisaram que a banda não recebeu nenhum comunicado com a confirmação do horário de seu show e como está em Fortaleza, no Ceará, viajando em um ônibus, não haveria tempo suficiente para a ida até São Luis se a banda saísse após as 6h da manhã desta quinta-feira.

“É muito legal ver como o metal nacional é tratado… Uma pena, mas não temos mais tempo hábil para chegar ao Festival. Estamos de ônibus em Fortaleza e deveríamos sair amanhã de manhã, às 6h00 da manhã para chegar antes da meia noite ainda na quinta-feira, dia 19/04…. Infelizmente não temos como seguir sem uma confirmação da organização… Lamentável!”,  escreveu Aquiles Priester pelo Facebook.

Tudo bonito, divulgação no G1 com uma matéria por dia, participação de grandes nomes do Heavy Metal e do Rock, figuras como Charlie Sheen e Gene Simmons em anúncios e a produção perde duas atrações por puro amadorismo? Assim fica difícil fazer o Metal ser levado a sério no Brasil! Uma pena.

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Van Halen e Megadeth acertam com ‘reciclagem’ musical

Em um mundo à beira da escassez, a reciclagem é algo que felizmente está em crescimento quando falamos sobre o lixo. Encartes de discos, packs dos CDs, muita coisa já é mais sustentável na música, mas agora está virando moda “reciclar” as próprias sobras de estúdio, aquelas pelas quais apenas as gravadoras se importavam antigamente na tentativa de arrancar uma grana após a morte de um artista ou o fim de sua carreira.

O curioso é que a “reciclagem” tem dado muito mais certo do que a simples criatividade de muitos músicos. Com o automático funcionando em quase tudo, ferramentas como o Pró Tools sendo essenciais, a verdade é que a música atual chega a ficar chata de tão certinha e tão parecida.

Quando vem alguém e trabalha em cima de algo criado há mais de dez anos, a sensação é a de que “voltamos a fazer boa música”. Foi isso o que fez o Van Halen em seu retorno com um álbum de estúdio após 14 anos no lançamento de A Different Kind of Truth, na primeira semana de fevereiro de 2012.

É claro que muitos fãs devem ter torcido o nariz ao saberem que o novo álbum não é tão inédito assim, contando com sobras de estúdio e músicas refeitas, mas não dá para negar a qualidade do disco. Fica aquela sensação de que o fã é chato, pois ele claramente quer o Van Halen de 20 anos atrás e não uma banda toda moderninha que tenha o nome de Van Halen, basta usar o pouco empolgante Guns N’ Roses atual como exemplo.

Se não conta com Michael Anthony no baixo, como muitos também desejavam, Wolfgang Van Halen, o filho do guitarrista, líder e dono Eddie Van Halen, não se sai ruim. O garoto não deixa a desejar ao lado de Eddie, do tio Alex e do vocalista David Lee Roth, um intruso na atual “banda de família”. E é melhor deixar Michael Anthony ao lado do outro ex-Van Halen Sammy Hagar, do guitarrista Joe Satriani e o baterista Chad Smith no Chickenfoot, outra banda que vem trabalhando bem, como prova o álbum III, o segundo do quarteto (sim, o nome é uma brincadeira).

“Ripley”, de 1984…

…virou “Blood and Fire” em 2012

Em A Different Kind of Truth, o Van Halen coloca velocidade em “As Is”, tem a balada chiclete “Tattoo”, primeiro single do álbum. “She’s the Woman” é uma música com a cara de Lee Roth, “You And Your Blues” traz a guitarra com assinatura de Eddie e o refrão bem característico de 20 anos atrás. “China Town” também tem velocidade de Heavy Metal e conta com um “quê” de moderna, “Blood and Fire” seria facilmente colocada no álbum “Van Halen II”.

Agora, o Van Halen não é o único a se dar bem com a reciclagem musical. Já ouviu o mais recente álbum do Megadeth, o tal de Th1rt3en? Pois o disco também conta com sucata de outros tempos e o resultado sai melhor que os carros repaginados do “Caldeirão do Huck”.

Dave Mustaine não sabia se conseguiria fazer um novo álbum devido aos seus problemas no pescoço que fizeram o vocalista, guitarrista, líder e dono da porra toda no Megadeth passar por uma cirurgia. Baixista que estava afastado desde The World Needs A Hero (2001), Dave Ellefson voltou para a banda, que não abusou tanto da velocidade e apertou o dedo no botão do peso.

Sendo o 13º disco do Megadeth, com o líder Dave Mustaine tendo nascido em um dia 13, eles juram que não contam com a mesma superstição de Zagallo em Th1rt3en, que conta com treze músicas de diversas fases da banda, mas que ficaram pelo caminho e foram lançadas apenas em compilações para fã-clubes, etc.

O resultado da empreitada do Megadeth é ótimo, com destaque para “Public Enemy Nº 1” e “Sudden Death”, que pôde ser ouvida anteriormente no game Guitar Hero. “New World Order” deveria ter saído no álbum Countown to Extinction, de 1992. “Black Swan” era uma faixa bônus para o fã-clube da banda antes do álbum United Abominations (2007). O disco é finalizado com a faixa de número e nome 13, que mostra o lado acústico da banda norte-americana.

“Sudden Death” no game Guitar Hero…

…e no álbum Th1rt3en

Ainda há muitos outros músicos que reciclam músicas que não serviram a outros álbuns e se saem bem assim. Isto é um bom exemplo para aqueles novatos que adoram entrar na onda de despejar material depois de gravarem 30 músicas para um disco onde só cabem dez faixas. A não ser que você seja Axl Rose, que gravou muita coisa durante dez anos para o Chinese Democracy e algumas faixas do álbum aparentemente servem apenas para ocupar espaço no disco.

Metallica se junta à lista de bandas que têm seus próprios festivais

O Metallica não cansa de comemorar seus  30 anos e agora a bola da vez é a criação de um festival da banda. Os quatro cavaleiros anunciaram para os dias 23 e 24 de junho o festival Orion + More para Atlantic City, em New Jersey, nos Estados Unidos.

A banda norte-americana já se apresentou em vários festivais pelo mundo. É um dos poucos grupos de Heavy Metal que pode dizer ter tocado nos maiores festivais de música do mundo. E a justificativa do Metallica para a criação do festival é justamente essa.

Festivais criados por bandas ou músicos não é assim uma coisa tão inovadora na música. Já houve a empreitada de vários nomes que lançaram seus eventos, alguns muito bem sucedidos, outros nem tanto. Por isso decidi lembrar aqui alguns momentos em que os músicos viram organizadores.

Ozzfest

Sharon Osbourne é ótima em marketing. E isso ficou comprovado quando a mulher e empresária de Ozzy Osbourne decidiu criar um festival para o ex-vocalista do Black Sabbath. A primeira edição do Ozzfest foi em 1996 e desde então ele ocorre frequentemente nos Estados Unidos. Já participaram do Ozzfest bandas como Sepultura, Slayer, Soulfly, Pantera, Machine Head, Black Sabbath (em reunião com Ozzy Osbourne), Foo Fighters, System Of A Down, Slipknot, Linkin Park e até o Korn. Mas um momento curioso do festival foi na participação do Iron Maiden, em 2005. Conhecido por vez ou outra cornetar Ozzy Osbourne, Bruce Dickinson não foi bem compreendido antes do festival e acabou virando alvo de uma chuva de ovos do público, orquestrado por dona Sharon Osbourne.

Lollapallooza

Vocalista da banda de Rock Alternativo Janes Addiction, Perry Farrell idealizou o festival Lollapallooza e realizou a primeira edição em 1991. Com atrações como Metallica, Red Hot Chilli Peppers, Pearl Jam, Rage Against the Machine, Alice In Chains e Nine Inch Nails, entre outros, o festival teve duração até 1997 e depois acabou. A volta ocorreu de forma modesta em 2003 e desde 2005 o evento passou novamente a ser anual. No ano passado, Perry Farrell anunciou a expansão de seu festival antes realizado apenas nos Estados Unidos. Neste ano as cidades de Santiago, no Chile, e São Paulo, no Brasil, recebem o festival com um lineup bem variado. Em São Paulo, o grande nome é o do Foo Fighters.

Sepulfest

O Sepultura foi o representante brasileiro entre os aventureiros a festivais organizados pela própria banda, mas o evento acabou não tendo o retorno esperado. A primeira edição ocorreu em 2004, com algumas apostas bem variadas em São Paulo, misturando o grupo comediante Massacration com a Nação Zumbi os Ratos de Porão e o Claustrofobia. Dois anos depois, o Sepultura levou seu festival para Curitiba contando novamente com o Massacration em sua programação junto ao Korzus. O festival acabou não decolando.

Gigantour

Dave Mustaine foi mais rápido que o Metallica na criação de seu festival, no caso, uma turnê com grandes bandas de Heavy Metal. O vocalista e guitarrista do Megadeth (ex-integrante do Metallica) fundou seu evento em 2005, passando por várias cidades dos Estados Unidos ao lado de bandas como Anthrax, Dream Theater, Arch Enemy, Soulfly, Lacuna Coil e Children of Bodom. O Gigantour está confirmado para este ano, tendo como atração o Motörhead. Um momento legal do evento foi em 2005 com o tributo ao guitarrista Dimebag Darrell, assassinado durante show. Ao lado de Burton C. Bell (Fear Factory), Russell Allen (Symphony X) e do Dream Theater, Dave Mustaine tocou no palco a música “Cemetery Gates”, do Pantera.

Outras bandas também tentaram a empreitada com seus próprios eventos, casos de Blind Guardian e Mayhem, mas não foram tantos assim os que conseguiram sucesso com a aposta.

Brigas, topless, Pai Mike Patton e música no SWU

O SWU durou quatro dias a menos que o Rock in Rio, mas se compararmos os causos por minuto, o evento em Paulínia superou o maior festival de música do mundo com muitos méritos. Tivemos assunto para todo tipo de (mau) gosto.

O evento teve início no sábado com Marcelo D2 fazendo campanha pela liberação da maconha poucos dias após toda aquela discussão distorcida de alunos da USP e Polícia Militar de São Paulo, apenas uma curiosidade. O ponto alto foi a apresentação do Black Eyed Peas, com sua temática futurista e um colírio para os marmanjos com as reboladas da vocalista Fergie.

Mas a coisa esquentou mesmo foi no domingo, logo o dia em que a chuva começou a prejudicar a organização, que ao que parece não convocou nenhuma entidade sobrenatural para evitar o castigo de São Pedro. O destaque ficou por conta do quebra-pau rolando atrás do palco enquanto o Ultraje A Rigor se apresentava.

A briga acabou deixando em segundo plano a apresentação da banda brasileira, assim como a do próprio Peter Gabriel, que teve seus funcionários desligando equipamentos e discutindo com o pessoal do Ultraje. E está aí o que poucos sabiam, o ex-líder do Genesis não é apenas chato por sua música. No dia seguinte houve pedido de desculpas a Roger Moreira pelo incidente que o cantor/ativista disse não saber que estava ocorrendo. Um pedido de desculpas aos fãs que tiveram de aguentar o porre que é o seu show também não seria ruim.

Agora, se a ideia no domingo era causar, a convidada para fechar o New Stage não poderia ser outra que não Courtney Love e o seu Hole. A viúva de Kurt Cobain desafinou, fez um show meia-boca, exibiu os seios, xingou Dave Grohl e o Foo Fighters e ainda trocou ofensas com os fãs que carregavam imagens do ex-líder do Nirvana. Depois saiu do palco e ficou do lado de fora louca para ser chamada de volta. Um belo tapa na cara de quem gosta daquela coisa e de quem esperava algo bom de Courtney Love.

Para salvar o domingo teve o Lynyrd Skynyrd. Se alguns ainda têm coragem de classificar os veteranos como uma banda cover daquela que nos anos 70 perdeu integrantes em um trágico acidente aéreo, ninguém pode negar que ao vivo os caras não deixam a desejar. Os norte-americanos despejaram uma série de clássicos e empolgaram os fãs até o desfecho com “Free Bird”, a música que equivale ao nosso “Toca Raul!”.

O último dia foi marcado por bandas que certamente estariam no primeiro escalão de um Rock in Rio caso ele tivesse ocorrido na década de 90 e o retrô agradou a muitos fãs de bandas como Alice in Chains, Faith No More e Megadeth.

Claro que o dia teve seu momento mais curiosou, com um arredondado Phil Anselmo dando microfonadas na própria cabeça durante o show de sua banda, o Down. Depois teve a voz de pato de Dave Mustaine dando umas variadas em um show bem executado pelo Megadeth na divulgação do ótimo novo álbum Th1rth3n.

Com a formação criada há cinco anos, mas que muitos ainda chamam de nova devido à ausência dos falecidos Layne Staley e Mike Starr, o Alice in Chains subiu ao palco Consciência tendo problemas com o som, que durante as primeiras músicas sumiu com o microfone do vocalista William DuVall. Com a melhora técnica deu para perceber que o vocal dele não empolga, mas Jerry Cantrell continua salvando a pátria liderando a banda.

Para encerrar, nenhum mestre de cerimônias poderia ser mais ideal que Mike Patton junto ao seu Faith No More. O cara é um showman nato, faz bem o seu marketing e carrega a apresentação com maestria. Destaque para o palco parecendo um terreiro de umbanda e a roupa do vocalista que estava um legítimo pai de santo, era o Pai Patton, com direito até ao cigarrinho.

O show foi aberto pelo poeta pernambucano Cacau Gomes, que depois ainda fez outra participação já próximo ao fim do show. Falando palavras em português para a plateia, Patton ainda chamou para o encerramento um coral de garotas de Heliópolis.

Com direito a reger o público a cantar “Porra, Caralho”, Mike Patton e o Faith No More fecharam o festival de forma bastante digna com clássicos de toda a carreira e no final um agradecimento curioso a São Paulo, Paulínia, Campinas e… ao Palmeiras! Sim, por influência dos irmãos Cavalera (ex-Sepultura), o vocalista parece ter adotado o clube paulista como o seu favorito e toda vez que se apresenta no Brasil faz questão de exaltar ou vestir uma camisa do clube.

Ainda teve Chris Cornell, Duff McKagan’s Loaded, Raimundos, Stone Temple Pilots e outros. O festival pode ter sido curto, problemático pela chuva e a lama, mas teve ótimos momentos seja para quem gosta de música ou quem está atento apenas a barracos mesmo.

SWU: Começa com inteligência

A questão de haver ou não bandas de estilos musicais diferentes do Rock no festival Rock in Rio foi um tema polêmico há pouco mais de um mês. Faltando poucos dias para o início do SWU (Starts With You), decidi fazer uma comparação entre os dois eventos.

Em primeiro lugar, o SWU não usa um gênero musical em seu nome e poderia ser aberto a qualquer tipo de música, diferentemente do evento carioca. Mas curiosamente, o evento acaba sendo muito mais Rock do que o Rock in Rio.

E o ponto que considero mais inteligente do SWU é a criação de quatro palcos capazes de atender a diferentes públicos, além de separar bem as atrações de cada dia. Não me espantaria se, com a programação na edição deste ano do evento em Paulínia, os Medinas do Rock in Rio colocassem Black Eyed Peas, Duran Duran, Zé Ramalho e Megadeth no mesmo dia e no mesmo palco.

Já que falamos de algumas atrações, achei bacana a programação de cada dia e lamento apenas o fato de Neil Young ter sua presença garantida apenas em palestras sobre sustentabilidade. No mais, há atrações para todos os gostos dentro do que podemos considerar um público de festivais de música internacional – a galera de Hip Hop, Música Eletrônica, Pop e Rock.

Se você estava muito ocupado ou em outro mundo e não faz ideia do que poderá ver no festival. Faço aqui um resumo das atrações de cada dia:

No sábado (12), o palco Energia conta Marcelo D2, Snoop Dog e o Black Eyed Peas, enquanto Emicida, Damian Marley e Kanye West se apresentam no palco Consciência.

O domingo é o dia mais pop, contando com Zé Ramalho, Duran Duran e os rebeldes do Lynyrd Skynyrd, uma das maiores bandas de Rock de todos os tempos, no palco Energia. Pelo palco Consciência passam Ultraje A Rigor, Chris Cornell e Peter Gabriel, ex-Genesis. No mesmo dia, pelo New Stage tem a apresentação da viúva de Kurt Cobain, a louca Courtney Love com a banda Hole.

Em um dia um pouco ingrato para o final de um festival, chega a hora da música um pouco mais pesada na segunda-feira, quando os Raimundos se apresentam no palco Energia, seguidos por nomes como Black Rebel Motorcycle Club, Stone Temple Pilots e o Faith No More, do genial e louco Mike Patton. No palco Consciência tem a coisa mais legal feita por um integrante (ou ex) do Guns N’ Roses, o Duff McKagan’s Loaded, e depois uma sequência interessante com Down (do ex-vocalista do Pantera, Phil Anselmo), Sonic Youth, Megadeth e o repaginado Alice In Chains. Para quem gosta de algo mais pop ainda tem o Simple Plan no New Stage.

Assim como no ano passado, a organização caprichou na lista de atrações, sem inventar tanto na lista de artistas estrangeiros e dando espaço para grupos nacionais pouco conhecidos, o que o Rock in Rio abriu mão faz tempo.

Sim, você pode discutir o fato de o evento criado para promover a sustentabilidade não ter fãs que façam jus à causa, que vão ao interior paulista apenas pelas bandas e quando chegam em casa deixam todas as luzes acesas e a TV ligada enquanto dormem. Mas aí a culpa é do tico e teco que cada um tem na cabeça e não precisaria de um evento para criar consciência.

11 de setembro de 2001: censura nas estações de rádio

Há dez anos os Estados Unidos acordavam com medo e chorando a morte das vítimas dos ataques terroristas organizados pelo grupo Al-Qaeda. Neste domingo muita coisa deve ser lembrada sobre o ocasião, como o aumento da segurança nos aeroportos, o legado dos escombros das torres gêmeas do World Trade Center, entre outros.

Mas talvez um dos fatos mais absurdos decorrentes do 11 de setembro de 2001 passe em branco: a lista de músicas que foram proibidas em 1.200 (MIL e DUZENTAS!!) emissoras de rádio controladas pelo grupo Clear Channel Communications. Sim, a censura chegou às emissoras de rádio dos Estados Unidos após a tragédia e as explicações disso até hoje seguem fajutas baseadas no termo “letras questionáveis”.

O vice-campeão em censuras foi o AC/DC, com “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”, Hell’s Bells (a preferida do goleiro Rogério Ceni), “Highway to Hell”, “Safe in New York City”, “Shoot to Thrill”, “Shot Down in Flames” e a clássica “TNT”.

Claro, ao falar de inferno, tiros, morte, trabalhos sujos feitos de forma barata e a segurança de Nova York, o AC/DC daria motivos suficientes para que a assustada população não quisessem ouvir suas canções, já que tudo é motivo de piada para a banda australiana.

Mas teve coisa muito mais esquisita entre as proibições. Os senhores do grupo de mídia tiveram a coragem de banir a música “What A Wonderful World”, de Louis Armstrong, “Ob-la-di Ob-la-da”, dos Beatles, “New York, New York”, de Frank Sinatra, e aí vem outra curiosidade: proibiram “Live and Let Die” cantada por Paul McCartney, mas a versão do Guns N’ Roses para a música foi liberada.

O mesmo aconteceu com a música “Last Kiss”, proibida na versão de J. Frank Wilson, mas liberada quando executada pelo Pearl Jam. Bandas como Iron Maiden e Deep Purple não constam na lista, assim como o Megadeth marca presença, mas não com “Symphony of Destruction”, por exemplo.

O total de músicas proibidas chegou a 165, e o maior destaque foi o Rage Against The Machine, que conseguiu ter todas as suas músicas na lista e é claro que quando isso acontece a venda de discos aumenta e isso ajuda muito mais a banda, que recentemente retomou as atividades.

Bom, eu gostaria de colocar aqui o vídeo de cada uma das músicas proibidas, mas ficaria impossível navegar pelo blog e conferir. Assim sendo, vou colocar vídeos do campeão da censura Rage Against the Machine e do vice AC/DC.

Para quem quiser conferir as “proibidonas”, abaixo dos vídeos há a lista completa. Talvez fosse para chorar naquele momento, mas não dá para deixar de rir ao ver o quão patéticos os censores conseguiram ser nas rádios norte-americanas.

3 Doors Down: “Duck and Run”;
311: “Down”;
AC/DC: “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”, Hell’s Bells, “Highway to Hell”, “Safe in New York City”, “Shoot to Thrill”, “Shot Down in Flames” e “TNT”;
The AD Libs: “The Boy from New York City”;
Alanis Morissette: “Ironic”;
Alice in Chains: “Down in a Hole”, “Rooster”, “Sea of Sorrow” e “Them Bones”;
Alien Ant Farm: “Smooth Criminal”;
The Animals: “We Gotta Get Out of This Place”;
The Bangles: “Walk Like An Egyptian”;
Barenaked Ladies:“Falling for the First Time”;
Barry McGuire: “Eve of Destruction”;
Beastie Boys:“Sabotage” e “Sure Shot”;
The Beatles: “A Day in the Life”, “Lucy in the Sky with Diamonds”, “Ob-La-Di Ob-La-Da” e  “Ticket to Ride”;
Billy Joel: “Only The Good Die Young”;
Black Sabbath:“Sabbath Bloody Sabbath” e “War Pigs”; 
Blood, Sweat and Tears: 
“And When I Die”;
Blue Öyster Cult:“Burnin’ for You”;
Bob Dylan: “Knockin’ On Heaven’s Door”;
Bobby Darin: “Mack the Knife”;
Boston: “Smokin'”;
Bruce Springsteen: “I’m Goin’ Down”, “I’m On Fire” e “War”;
Buddy Holly and the Crickets: “That’ll Be the Day”;
Bush: “Speed Kills”;
Carole King:“I Feel the Earth Move”;
Cat Stevens: “Morning Has Broken” e “Peace Train”;
The Chi-Lites:“Have You Seen Her”;
The Clash: “Rock the Casbah”;
The Crazy World of Arthur Brown: “Fire”;
Creedence Clearwater Revival: “Travelin’ Band”;
The Cult: “Fire Woman”;
The Dave  Clark Five: “Bits and Pieces”;
Dave Matthews Band: “Crash into Me”;
Dio: “Holy Diver”;
Don McLean: “American Pie”;
The Doors: “The End”;
The Drifters: “On Broadway”;
Drowning Pool:“Bodies”;
Edwin Starr: “War”;
Elton John:“Bennie and the Jets”, “Daniel” e “Rocket Man”;
Elvis Presley: “(You’re the) Devil in Disguise”;
Everclear: “Santa Monica”;
Filter: “Hey Man, Nice Shot”;
Foo Fighters: “Learn to Fly”;
Frank Sinatra: New York, New York”;
Fuel: “Bad Day”;
Fontella Bass:
 
“Rescue Me”;
The Gap Band: “You Dropped a Bomb on Me”;
Godsmack: “Bad Religion”;
Green Day: “Brain Stew”;
Guns N’ Roses:“Knockin’ On Heaven’s Door”;
The Happenings:“See You in September”;
Herman’s Hermits: “Wonderful World”;
The Hollies: “He Ain’t Heavy, He’s My Brother”;
J. Frank Wilson and the Cavaliers:“Last Kiss”;
Jackson Browne:“Doctor My Eyes”;
James Taylor: “Fire and Rain”;
Jan and Dean:“Dead Man’s Curve”;
Jerry Lee Lewis: “Great Balls of Fire”;
The Jimi Hendrix Experience: “Hey Joe”;
John Lennon: “Imagine”;
John Mellencamp: “Crumblin’ Down” e “Paper in Fire”;
John Parr: “St. Elmo’s Fire (Man in Motion)”;
Johnny Maestro & The Brooklyn Bridge: “The Worst That Could Happen”;
Judas Priest:“Some Heads Are Gonna Roll”;
Kansas: “Dust in the Wind”;
Korn: “Falling Away from Me”;
Led Zeppelin: “Stairway to Heaven”; 
Lenny Kravitz:
 “Fly Away”;
Limp Bizkit: “Break Stuff”;
Local H:“Bound for the Floor”;
Los Bravos: “Black is Black”;
Louis Armstrong: “What A Wonderful World”;
Lynyrd Skynyrd: “Tueday’s Gone”;
Martha and The Vandellas: “Dancing in the Street” e “Nowhere to Run”;
Megadeth: “Dread and the Fugitive Mind” e “Sweating Bullets”;
Metallica: “Enter Sandman”, Fade to Black”, Harvester of Sorrow” e “Seek & Destroy”;
Mitch Ryder & the Detroit Wheels: “Devil with a Blue Dress On”;
Mudvayne: “Dead Blooms”;
Neil Diamond:“America”;
Nena:“99 Luftballons” e “99 Red Ballons”;
Nine Inch Nails: “Head Like a Hole”;
Norman Greenbaum: “Spirit in the Sky”;
Oingo Boingo: “Dead Man’s Party”;
Ozzy Osbourne: “Suicide Solution”;
P.O.D.:“Boom”;
Paper Lace: “The Night Chicago Died”;
Pat Benatar: “Hit Me with Your Best Shot” e “Love is a Battlefield”;
Paul McCartney and The Wings: “Live and Let Die”;
Peter and Gordon: “I Go to Pieces” e “A World Without Love”;
Peter Gabriel: “When You’re Falling”;
Peter, Paul and Mary: “Blowin’ in The Wind” e “Leaving on a Jet Plane”;
Petula Clark: “A Sign of The Times”;
Phil Collins: “In the Air Tonight”;
Pink Floyd:“Mother” e “Run Like Hell”;
The Pretenders: “My City Was Gone”;
Queen:“Another One Bites the Dust” e “Killer Queen”;
R.E.M.:“It’s the End of the World As We Know It (And I Feel Fine);
Rage Against The Machine: Todas as músicas;
Red Hot Chili Peppers: “Aeroplane” e “Under The Bridge”;
Ricky Nelson: “Travelin’ Man”;
The Rolling Stones: “Ruby Tuesday”;
Saliva:“Click Click Boom”;
Sam Cooke: “Wonderful World”;
Santana: “Evil Ways”;
Savage Garden: “Crash and Burn”;
Shelley Fabares:“Johnny Angel”;
Simon & Garfunkel: “Bridge over Troubled Water”;
Skeeter Davis: “The End of the World”;
Slipknot: “Left Behind” e “Wait and Bleed”;
The Smashing Pumpkins: “Bullet with Butterfly Wings”;
Soundgarden: “Black Hole Sun”, “Blow Up the Outside World” e “Fell on Black Days”;
Steam: “Na Na Hey Hey Kiss Him Goodbye”;
Steve Miller Band: “Jet Airliner”;
Stone Temple Pilots: “Big Bang Baby” e “Dead and Bloated”;
Sugar Ray: “Fly”;
The Surfaris: “Wipe Out”;
System Of A Down: “Chop Suey!”;
Talking Heads: “Burning Down the House”;
Temple of the Dog:“Say Hello 2 Heaven”;
Third Eye Blind:“Jumper”;
The Three Degrees: “When Will I See You Again”;
Tom Petty and The Heartbreakers: “Free Fallen”;
Tool: “Intolerance”;
The Trammps:“Disco Inferno”;
U2: “Sunday Bloody Sunday”;
Van Halen: “Jump” e “Dancing in the Street”;
The Youngbloods: “Get Together”;
Zager and Evans: “In The Year 2525”;
The Zombies: “She’s Not There”.

Peso pasteurizado e riff de clássico do Megadeth… Você pode pagar caro por conhecer o Glória!

Entre as bandas que mais fazem sucesso com a garotada atualmente está o Glória, grupo que tem um estilo musical assumidamente Emocore e nos últimos tempos tem incluído um pouco de peso à là Heavy Metal, embarcando na onda do sucesso do Avenged Sevenfold.

A autenticidade de todo esse peso é um pouco questionado. Usam aquelas guitarras dobradas, com um vocalista mais melódico que não é muito afinado e um outro vocalista que serve para ficar berrando.

A qualidade dos músicos? Bem, isso não é assim um problema. Eles inclusive contrataram recentemente o virtuoso e novato baterista Eloy Casagrande, da banda de Andre Matos. Agora, sabem quem produz o som deles? Rick Bonadio! O dono do selo Arsenal Music e que propaga boa parte do que mais tem música radiofônica.

E ao procurar algo mais sobre a banda, me deparo com um riff que me lembra uma banda genuinamente de Metal, o Megadeth de Dave Mustaine. Música de maior sucesso do grupo norte-americano “Symphony of Destruction” tem um dos riffs mais marcantes da história do Metal.

O Glória muito provavelmente conhece o riff, Rick Bonadio também. E os fãs do Glória agora passam a saber que há um bem semelhante lançado 18 anos depois do original. Plágio? Bom, um trecho bem menor do Angra que foi reutilizado pelo Parangolé foi parar na Justiça…

Enfim, se você teve a coragem de comprar ingressos para o “Dia Metal” do Rock In Rio, saiba que a banda tocará no mesmo palco de Metallica e Motörhead, embora não tenha tantas semelhanças, enquanto Angra, Korzus e Sepultura vão tocar em um palco secundário.

E o título “Vai Pagar Caro Por Me Conhecer” pode realmente fazer todo sentido a você, caro leitor que vai ao Rock in Rio.