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Cantora baiana

O que não escrevi em 2012…

O ano de 2012 acabou, o de 2013 começou e a falta de tempo útil me tirou posts inspirados nos últimos meses. Sim, não foi por falta de ideias. Cheguei a pensar em todo o texto em alguns casos, mas faltou escrever. Dizem que dá azar voltar ao passado, mas para mim é impossível dar um passo à frente sem saber como foi dado o passo anterior.

Não publiquei o texto “Chupa, Teló”, onde falaria do maior hit do mundo, o “Gangnam Style”. O gordinho coreano Psy jogou para debaixo do tapete os nossos representantes do pop mundial e alcançou uma popularidade incrível com uma música esquisita e uma dança bizarra. O cantor virou pop star, deu bandeirada no GP da Coreia do Sul de Fórmula 1 e hoje é difícil alguém que acesse a internet, veja TV ou ouça rádio jamais tenha conhecido qualquer referência dele. E a gente achando que o Michel Teló era o máximo…

Como consequência, também não postei o texto “O homem que copiava (e ainda copia)”. Neste post a grande estrela seria Latino, o sujeito que mais faz versões bizarras de músicas internacionais. Depois de “Festa no Apê” e “Vem Dança Kuduro”, veio “Despedida de Solteiro”, pegando carona no sucesso do Gangnam Style. Sim, Latino é um gênio! Pelo menos enquanto tiver quem consuma sua arte.

Não falei sobre “O cantor da pizzaria”! Sim, o italiano Fabio Lione será o vocalista convidado do Angra no cruzeiro 70000 Tons of Metal. Fabio Lione é a voz do Rhapsody of Fire, banda italiana que já se chamou apenas Rhapsody e toca aquele estilo defasado de Heavy Metal, o Melódico, ou Power Metal. Admito que fiquei curioso para ouvir a voz de Lione no Angra, ainda mais sabendo que meses atrás, ainda como vocalista do Angra, Edu Falaschi resolveu falar sobre o sotaque dos vocalistas cantando inglês e soltou a pérola: “Fabio Lione cantando parece o cara da pizzaria”, antes de mostrar como seria o italiano cantando “Arising Thunder”, do Angra.

Não comentei sobre “Ivetão Thrash Metal”. Sim, pois em plena TV aberta em rede nacional a melhor cantora baiana da Bahia pegou um violão e soltou uma versão de “Dead Skin Mask”, do Slayer. E a Cláudia Leitte querendo fazer média com roqueiros tocando uma versãozinha de “Dy’er Mak’er”, a música menos rock que o Led Zeppelin já gravou.

Voltando ao Falaschi, também não falei do post “Ano dos Revivals”, lembrando que Edu e Tito fizeram um show com Rodrigo Arjonas e Demian Tiguez marcando a comemoração de 15 anos da extinta banda Symbols, uma das bandas legais do final dos anos 90 que ficaram no tempo. O show foi no dia 23 de dezembro no Manifesto, que teve um público bem bacana na ocasião ao que consta. É o legado do Viper!

Também não escrevi o texto “Roger Federer e seus 12 apóstolos”. Sim, em um texto ironicamente natalino eu falaria sobre o evento da Koch Tavares no qual trabalhei para a assessoria de imprensa. Além do tenista que esbanjou carisma, esteve em vários lugares e serviu como embaixador do esporte no país, outros 12 jogadores atuaram no Ginásio do Ibirapuera: Jo-Wilfried Tsonga, Tommy Robredo, Thomaz Bellucci, Marcelo Melo, Bruno Soares, Bob Bryan, Mike Bryan, Maria Sharapova, Caroline Wozniacki, Serena Williams e Victoria Azarenka. (Ah, vale lembrar que apesar de breve encontro com Federer ao lado de Maria Esther Bueno, Gustavo Kuerten não organizou o torneio e não pagou o suíço como empresário do evento. Diferentemente do que escrevem uns blogs ‘jornalísticos’ por aí…). Sim, este post não sairia da regra deste blog, pois teríamos relatos da idolatria ao suíço lembrando um pouco os ídolos musicais e as músicas pedidas pelos tenistas, um oferecimento do DJ Edu Tomiatti. Aliás, já que eu toquei no assunto. Confira abaixo as músicas pedidas pelos tenistas:

Victoria Azarenka: “Ai Se Eu Te Pego (Remix)” – Michel Teló feat. Pitbull
Thomaz Bellucci: “Charlie Brown” – Coldplay
Bruno Soares: “One (Your Name)” – Swedish House Mafia
Marcelo Melo: “Tche Thererê (Remix)” – Gusttavo Lima
Roger Federer: “Mas que Nada”- Sergio Mendes feat. Black Eyed Peas
Roger Federer: “Mr. Saxobeat” – Alexandra Stan
Bob e Mike Bryan: “Hall Of Fame” – Will.I.Am
Tommy Robredo: “This is Love” – Will.I.Am feat. Eva Simon
Serena Williams: “All Of The Lights” – Kanye West
Maria Sharapova: “Sexy Back” -Justin Timberlake
Tommy Haas: “Gangnam Style” – PSY
Jo-Wilfried Tsonga: “Ai Se Eu Te Pego (Remix)” – Michel Teló feat. Pitbull
Caroline Wozniacki: “Man I Feel Like A Woman” – Shania Twain

Enfim, o que me resta dizer é: Feliz 2013
…e que eu consiga escrever aqui mais vezes!

Senta lá, Cláudia!

O baixo número de atrações de Rock na quarta edição brasileira do festival Rock in Rio fez da cantora carioca Cláudia Leitte a vítima de reclamações de roqueiros contra o evento. Virou febre nas redes sociais a piadinha de que “se a Cláudia Leitte pode tocar no Rock in Rio, o Metallica tem que tocar no Carnaval da Bahia”.

São piadas, o público pega no pé contra o evento que tem Rock no nome, coisa normal e que poderia ser relevada por uma artista do tamanho que tem atualmente a cantora de axé, que leva multidões em seus shows e tem seus discos entre os mais vendidos. Mas a resposta de Cláudia Leitte beirou o infantil.

A cantora publicou em seu blog uma comparação do tratamento dos roqueiros que só querem Rock no Rock in Rio com o nazismo de Hitler, um dos acontecimentos que mais marcaram a humanidade e que nem deveriam ser citados em uma coisa banal como essa discussão de o Rock in Rio ter ou não Rock. Ela ainda criticou as atrações internacionais que se apresentaram no mesmo dia no Rock in Rio, as cantoras pop Kate Perry e Rihanna.

“Artistas internacionais vêm pra cá, mostram a bunda, atrasam-se por 2 horas pq estão dando uma festinha no camarim, não conseguem conciliar a respiração com o canto, não preparam espetáculos para o nosso povo, desafinam, enfim, pouco se importam conosco, querem beijar na boca, ir à praia e tomar nossa cachaça, e nós, que pagamos caro para assistir aos seus “espetáculos” em nossa terra, aplaudimos a tudo isso. Ah! É Rock! É Pop! É bom!”, escreveu a cantora.

Depois de escrever o post descobri fui informado que a cantora foi vaiada no Rock in Rio e não pelos roqueiros, mas pelo próprio público que estava lá para ver seu show. Em um vídeo divulgado no YouTube, Cláudia Leitte é vaiada após iniciar a música “Corda do Caranguejo”, quando o público que estava sendo esmagado à frente do palco gritava “Não!”. A reação da cantora foi: “A pergunta que não quer calar é a seguinte: Você aguenta o curso? Foi por isso que você se matriculou”, e aí deu no que deu. O pessoal não aprovou.

Não vi outras atrações do evento choramingando por isso, pelo contrário. Também me parece uma coisa muito desagradável um artista criticar o profissionalismo ou a falta dele por parte de outro cantor ou cantora que se apresentou no mesmo dia, no mesmo palco.

Ainda mais lembrando que no Brasil adoramos exaltar a quem exibe a bunda, não dispensamos a caipirinha, a cachaça, beijar na boca e etc. E os estrangeiros sempre ‘roubam’ o público de artistas brasileiros no Rock, em que as bandas nacionais estão cada vez contando com um público menor devido ao aumento de shows internacionais. Algum artista roqueiro protestou contra isso? Da mesma forma? Não.

E o set list apresentado pela cantora até que foi o “mais Rock” comparado com as cantoras que se apresentaram na última sexta-feira no dia de abertura do festival. Cláudia Leitte tocou “Manguetown” de Chico Science & Nação Zumbi, além de mandar o reggae do Led Zeppelin “Dy’er Mak’er” e um trecho de “(I Can’t Get No) Satisfaction”, dos Rolling Stones, durante “Beijar na Boca”, um dos sucessos da cantora.

Enquanto Claudia Leitte ainda está preocupada com os comentários após o seu show, a cantora baiana Ivete Sangalo, que se apresenta nesta sexta-feira no Rock in Rio, responde com bom humor e uma dose de ironia quando questionada se está preocupada por tocar axé no evento.

“Não vou fazer malabarismos, virar cambalhota, nem cantar uma música da Alanis Morissette para conquistar o público. Eu sou uma cantora de axé e por isso fui contratada no festival”, disse a cantora ao jornal O Globo.

Ivete Sangalo ainda lembra que o seu axé também tem guitarras e brinca ao lembrar que tem músicas com riffs pesados como heavy metal. “‘Dalila’ é a minha música mais Heavy Metal e vai estar no repertório também. Gosto muito de som pesado. Aliás, o axé tem uns riffs de guitarra, que, se apertar um pouco mais, vira Heavy Metal. Nada é mais Rock N’ Roll do que o axé”.

Com declarações deste tipo, duvido muito que a companheira ou rival de gênero musical de Cláudia Leitte tenha o mesmo tipo de reação para as reclamações do público roqueiro. Até porque o dia do Rock puro no festival foi no último domingo e já acabou.

Chorando se foi da Bolívia para o resto do mundo

Alguns sucessos grudentos como chiclete insistem em voltar à tona mesmo depois de parecerem mortos e enterrados há um bom tempo. E aí quando se procura mais sobre a música você percebe que ela ganhou sobrevida inúmeras vezes em seus 30 anos de existência.

A canção aqui citada é a famosa “Llorando se Fue”, composta e gravada em 1981 pelo grupo típico boliviano Los Kjarkas. Sim, se você já era nascido entre o final dos anos 80 e o início dos 90 também deve ter ouvido o grupo brasileiro Kaoma fazer uma versão em português e espalhar a lambada por tudo o que é canto.

O que alguns talvez não saibam é que a versão brasileira foi “parangoleada”, ou seja, não teve a autorização do grupo made in Bolívia e isso acabou causando uma briga judicial e o acerto de um acordo em valores não divulgados. Isso pode não ter incomodado muito o Kaoma, já que a sua versão fez sucesso internacional com algo em torno de 5 milhões de cópias vendidas de seu disco, obtendo destaque na Áustria, na França e nos países escandinavos (!?!?).

Ainda teve no mesmo ano um cover da Fafá de Belém para a música. Ok, mas isso foi em 1989 e algum tempo depois a música já estava esquecida, certo? Errado! Os anos 90 se passaram, vieram os anos 2000 e quem é que apareceu junto? “Llorando se Fue”! ou “Chorando se foi” mesmo, como queira.

Em 2008 a cantora baiana Ivete Sangalo passou a cantar “Chorando se foi” em seus shows em um medley que ainda tinha um trecho de “Preta”, do mito Beto Barbosa. No ano seguinte, o DJ francês Bob Sinclar aproveitou um sampler da música para lançar sua faixa “Give Me Some More”. E então veio Nando Reis, que se juntou ao Calypso para castigar a todos os ouvidos no ano passado com versão do clássico brega no álbum Bailão do Ruivão.

Parecia que tudo tinha acabado, que a música de origem boliviana havia atingido o máximo possível de sucesso. Mas quis o destino, também apelidado de J-Lo, que não. É verdade, a cantora pop norte-americana Jennifer Lopez, muito famosa pelos atributos físicos e jurada do American Idol, usou sampler de “Llorando se fue” para versões cantadas em espanhol e inglês na música “On The Floor”, um dos grandes hits de 2011 no álbum intitulado Love?. E a moça já atingiu a terceira colocação no Billboard Hot 100 com a brincadeira.

Se você ficou curioso, pode conferir algumas das versões no vídeo abaixo. E não se preocupe, logo alguém aparece fazendo uma nova versão ou usando um sampler em uma nova música e a trintona “Llorando se fue” não vai sair da sua cabeça.