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Compositor alemão

O México além de Chaves e Tequila

Ainda faltam alguns dias para o final dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, mas se você não aguenta mais ouvir falar no México, é preciso lembrar que muitas coisas boas saíram de lá além da Tequila, do Chaves e dos mariachis.

Ok, os mariachis não são a melhor referência para falar de coisas boas da terra do Chili. Mas não se pode dizer que musicalmente o México é um país com muitas qualidades. Pois é, você não precisa se limitar a ouvir o Maná querendo saber “como que seria poder viver sem ar”.

Também não estou falando do guitarrista Carlos Santana, que é ótimo no instrumento, chato para cacete cantando e irritante quando faz aquele amontoado de parcerias para caçar um níquel nos Estados Unidos.

A grata surpresa que conheci recentemente da música mexicana é uma dupla chamada Rodrigo y Gabriela, também conhecida como El Rodri y La Gabri. Mas não se engane pensando que é como as duplas da música tupiniquim (nada de Tico & Teco, Teodoro & Sampaio ou Faria & Lima).

O casal mexicano forma um duo e toca versões instrumentais de músicas bem mais pesadas do que geralmente um duo toca. E o segredo para isso é o fato de Rodrigo Sánchez e Gabriela Quintero terem se conhecido tocando em uma banda mexicana de Thrash Metal chamada Tierra Ácida para iniciarem uma parceria de sucesso pelos bares de Dublin, na Irlanda.

Embora o estilo não seja muito popular no Brasil, o duo mexicano faz sucesso em vários países europeus e já gravou álbuns ao vivo na França, na Inglaterra, na Irlanda e também no Japão. E se você é fã do filme “Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides” (conhecido no Brasil como “Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas”), certamente ouviu a trilha sonora que foi criada pelo gênio Hans Zimmer (confira no post anterior outra obra dele) e executada por Rodrigo y Gabriela.

Eles foram atrações do festival de Glastonbury na Inglaterra no ano passado e já chegaram até a ter a participação do baixista Robert Trujillo, do Metallica, em uma de suas apresentações.

Como as raízes desses mexicanos são o Heavy Metal, obviamente as versões mais legais deles não poderiam sair da linha. Os covers são de Metallica, Led Zeppelin, Megadeth e Slayer. A versão gravada para “Orion”, do Metallica é o meu cover preferido do duo e o motivo você pode conferir abaixo. A obra-prima deixada por Cliff Burton surpreende na nova roupagem.

Gostou? ficou curioso pelo trabalho composto pelo duo mexicano? Então confira o que eles aprontam na faixa “Viking Man”, lançada em 2006 no álbum homônimo do duo. Ah, o México!

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Imortais

Música e velocidade muitas vezes estão interligados. Quando não é a música que dá a você aquela vontade de acelerar contra o vento, é própria corrida que causa o momento de ouvir um som agradável, de preferência, veloz.

O barulho de uma guitarra vez ou outra se assemelha ao de um motor de carro, uma moto, ou qualquer coisa que se mova ferozmente. Como pode ser comprovado no vídeo abaixo em que pude ver e ouvir ao vivo no ano passado durante o prêmio Capacete de Ouro o guitarrista Kiko Loureiro fazendo na guitarra uma volta de Rubens Barrichello no circuito de Spa-Francorchamps da Fórmula 1.

Criei este blog para escrever sobre música e acho que as homenagens após mortes geralmente soam piegas. Mas quando uma sequência de fatalidades marca algo que gosto, fica difícil não encarar a pieguice.

Nos últimos dois domingos morreram dois pilotos notáveis. Primeiro o inglês Dan Wheldon em Las Vegas pela Indy e depois o italiano Marco Simoncelli pela MotoGP. Sim, muitos outros pilotos já morreram e isso fascina no esporte a motor: encarar o medo e se arriscar em uma atividade em que você sabe que um erro pode ser fatal, embora muitos se esqueçam quando há um longo período sem fatalidades.

Morrer fazendo o que mais gosta é muito digno e comove. Não há como ser diferente. É claro que ninguém quer morrer, mas todos morrem seja nas pistas, em casa, na padaria, no avião, no hospital ou qualquer outro lugar e hora determinada.

Lembrando disso e ouvindo pela enésima vez uma canção de David Coverdale chamada “The Last Note of Freedom” no caminho para casa senti vontade de escrever e relembrar a origem da música.

Em 1990 um filme chamado “Days of Thunder” (em português, “Dias de Trovão”) ganhou as telas pelo mundo tendo no elenco Tom Cruise, Nicole Kidman e Robert Duvall. A história era sobre um piloto da Nascar que era abusado, arrojado se arriscava e depois de muita encrenca chegava ao título da categoria recheada de acidentes nos ovais.

A trilha sonora para o filme também foi especial. Composta por David Coverdale em parceria com Billy Idol e Hans Zimmer. A interpretação de Coverdale é poderosa e única. O tema da música é simples: amor pela velocidade. Bom, eu era criança quando ouvi pela primeira vez o tema e ainda hoje não me canso de escutar.

Medo de morrer todos temos, mas quando ignoramos e encaramos este “inimigo” nos tornamos mais dignos. Como Wheldon, Simoncelli, Ayton Senna, Greg Moore, Dale Earnhardt, Gilles Villeneuve, Roland Ratzenberger, Henry Surtees, Gustavo Sondermann, Rafael Sperafico e tantos outros heróis das pistas.