Arquivo da tag: grunge

gênero musical

Pearl Jam confirma que primeiro show era um aperitivo

Não fui ao segundo show do Pearl Jam no Morumbi, então não seria honesto dizer se foi bom ou ruim. Mas soube por quem esteve lá que o clima foi bem melhor, o público maior, o som melhor e pelo set list que tenho em mãos, os quarentões de Seattle não ficaram devendo em nada, pelo contrário.

Foram mais músicas, mais clássicos, uma abertura com duas músicas mais velozes do que “Release”, que desta vez ficou de fora do repertório.

Olhando apenas para o set list e comparando com o show da noite anterior, posso dizer que trocaria facilmente se pudesse voltar no tempo tendo a possibilidade de escolher o dia para ir.

Para quem ainda não viu, ou foi e não lembra exatamente o que foi tocado no Morumbi, segue abaixo a lista que quem costuma seguir meu Twitter já sabe bem como ficou. Quem foi e quer falar como foi, fica aberto o espaço.

1. Go (Vs., 1992)
2. Do The Evolution (Yeld, 1998)
3. Severed Hand (Pearl Jam, 2006)
4. Hail Hail (No Code, 1996)
5. Got Some (Backspacer, 2009)
6. Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town (Vs., 1992)
7. Given to Fly (Yeld, 1998)
8. Gonna See My Friend (Backspacer, 2009)
9. Wishlist (Yeld, 1998)
10. Amongst the Waves (single Amongst the Waves, 2010)
11. Setting Forth (Into the Wild, 2007)
12. Not For You (Vitalogy, 1994)
13. Modern Girl (The Woods, 2005 – Sleater Kinney)
14. Even Flow (Ten, 1991) 
15. Unthougt Unknown
16. The Fixer (Backspacer, 2009)
17. Once (Ten, 1991)
18. Black (Ten, 1991)
Encore 1
19. Just Breathe (Backspacer, 2009)
20. Inside Job (Pearl Jam, 2006)
21. State of Love and Trust (Rearviewmirror, 2004)
22. Olé (novo single)
23. Why Go (Ten, 1991)
24. Jeremy (Ten, 1991)
Encore 2 
25. Last Kiss (Last Kiss, 1961 – Wayne Cochran)
26. Better Man (Vitalogy, 1994)
27. Spin The Black Circle (Vitalogy, 1994)
28. Alive (Ten, 1991)
29. Baba O’ Riley (Who’s Next, 1971 – The Who)
30. Yellow Ledbetter (Lost Dogs, 2003)

Carisma salva Pearl Jam em noite com ‘milagre da reencarnação’

Após seis anos de ausência, o Pearl Jam se apresentou em São Paulo pela terceira vez ainda seguro pelo carisma de Eddie Vedder e por alguns clássicos enquanto o som no Morumbi teimou em não colaborar (obra da produtora do show somada à acústica historicamente ruim do local) e a inserção de faixas dos dois últimos álbuns também. Ainda assim, o ponto alto foi o “milagre da reencarnação”.

O aviso de que o show do Pearl Jam começaria 15 minutos mais cedo, enganou. O atraso foi de 30 minutos em que os fãs tiveram de suportar sonolentas canções que rolavam nos PAs. O público também não contribuiu. Numa noite fria de quinta-feira e com sold out para o segundo show (que teve ingressos vendidos antes).

A abertura foi com “Release”, uma opção não muito explosiva para um início de show, ainda mais com os telões em preto e branco, assim como o fundo do palco que no início dava impressão de um retorno ao passado.

No palco Eddie Vedder esbanjou energia e carisma tentando ler palavras em português na comunicação com o público, o que foi bacana levando em consideração que o público geralmente se derrete por qualquer clichê “obrigado”, “eu amo o Brasil” e “boa noite” que os vocalistas geralmente usam. Vedder chegou até a pedir desculpas ao dizer que os americanos são estúpidos com outros idiomas.

O show foi crescendo, a banda cometeu alguns erros de tempo na execução de músicas e no primeiro deles Eddie Vedder contornou puxando um coro de “olê, olê, olê, olê…”, com o público respondendo “Pearl Jam…Pearl Jam”. Foi uma boa saída do vocalista.

Quando a banda fez sua primeira turnê pelo Brasil em 2005, ainda não havia lançado os álbuns “Pearl Jam” e “Backspacer”, e o público aparentemente parou no tempo. Com sete músicas dos dois álbuns, além da nova “Olé”, poucas tiveram bom retorno, enquanto vários fãs ficavam pedindo por “Jeremy”, “Once” e “Given to Fly”.

O ponto mais forte do show, quando o som teve uma melhora significativa, porém, ainda deixou um pouco a desejar. Eddie Vedder lembrou que sua primeira vez no Brasil foi com os Ramones e ofereceu “Come Back” (do álbum Pearl Jam) para o guitarrista Johnny Ramone, morto em 2004.

O Pearl Jam logo emendou “I Believe in Miracles”, dos Ramones, antes de executar o seu maior sucesso por aqui: “Alive”, do álbum Ten, que completou 20 anos em agosto deste ano.

Sim, um dia depois do Dia de Finados, Eddie Vedder gritou “volte”, “eu acredito em milagres” e “eu ainda estou vivo na sequência”. Os mais humorados, como este blog, diria que houve uma reencarnação na noite de quinta-feira no Morumbi.

Após a segunda pausa do show, a banda retornou para um encore respondendo aos que pediam clássicos. Depois de tocarem “Comatose”, os quarentões de Seattle empolgaram com “Black”, “Better Man” e “Rearviewmirror”, fechando com “Rockin’ in the Free World”, cover de Neil Young.

É, foi legal. Mas quando Eddie Vedder pegou sua garrafa de vinho do palco e levou embora dando um tchauzinho para o público, muitos ficaram com aquela cara de “faltou algo”. Faltou sim. Mas pelo que conhecemos do Pearl Jam, o complemento é nesta quinta-feira, novamente no Morumbi.

Set list
1. Release (Ten, 1991)
2.  Corduroy (Vitalogy, 1994)
3.  Why Go (Ten, 1991)
4. Animal (Vs., 1992)
5. World Wide Suicide (Pearl Jam, 2006)
6. Got Some (Backspacer, 2009)
7. Even Flow (Ten, 1991)
8. Unthought Know (Backspacer, 2009)
9. Whipping (Vitalogy, 1994)
10. Daughter (Vs., 1992)
11. Olé (novo single)
12. Down (Lost Dogs, 2003)
13. Save You (Riot Act, 2002)
14. The Fixer (Backspacer, 2009)
15. Do The Evolution (Yeld, 1998)
16. Porch (Ten, 1991)
Encore 1
17. Elderly Woman Behind The Counter in The Small Town (Vs., 1992)
18. Just Breathe (Backspacer, 2009)
19. Come Back (Pearl Jam, 2006)
20. I Believe in Miracles (Brain Drain, 1989 – Ramones)
21. Alive (Ten, 1991)
Encore 2
22. Comatose (Pearl Jam, 2006)
23. Black (Ten, 1991)
24. Better Man (Vitalogy, 1994)
25. Rearviewmirror (Vs., 1992)
26. Rockin’ in the Free World (Freedom, 1989 – Neil Young)

Amado e odiado, Nevermind completa 20 anos

O dia 24 de setembro de 1991 foi um marco para o Rock mundial. Você pode não gostar, pode achar Kurt Cobain um tremendo idiota que fez bem ao mundo ao atirar contra o próprio maxilar. Mas é difícil negar que o álbum Nevermind foi um dos feitos mais marcantes do Rock moderno e disso já se vão 20 anos.

Nevermind é marcante por contar com uma capa genial (o então bebê Spencer Elden nadando atrás de uma nota de dólar presa em um anzol), por ter uma sonoridade suja e diferente do que se fazia até então e pelas músicas no melhor estilo “fodam-se todos” que Kurt Cobain adorava passar.

Outro fator curioso é que o trio Nirvana da época era uma banda bem balanceada. O baterista Dave Grohl sempre mostrou talento com as baquetas (hoje é indiscutível à frente do Foo Fighters), Krist Novoselic era o músico ruim que contava com o fato de ser amigo de Kurt Cobain, que alternava momentos de gênio e débil.

Kurt Cobain nunca foi um guitarrista dos mais talentosos, seu vocal também deixou a desejar em muitos momentos com mais gritos do que qualquer outra coisa. Mas há coisas boas a se notar em Nevermind.

Graças ao Nirvana muitos garotos da época aprenderam a tocar guitarra, já que as músicas eram bem fáceis. Outra coisa que a banda conseguiu marcar são os riffs simples, que podem ser notados por qualquer ser que tenha vivido e ouvido música de 1991 para cá.

“Smells Like Teen Spirit”, “Lithium”, “Come As You Are”, “In Bloom” e a aparentemente inocente “Polly” são todos hits radiofônicos mesmo hoje depois de 20 anos. Mas ainda há músicas interessantes no álbum como “Breed”, “Drain You”, “On A Plain” e a melancólica “Something In The Way”, quando Kurt Cobain declara ser legal comer peixes por ‘eles não terem sentimentos’…

No Brasil o álbum sofreu com a Sony, que lançou a versão nacional do álbum decepada, com a ausência de Endless Nameless.

Já fui bem fã do Nirvana na adolescência, mas hoje vejo que eles são bem culpados pela péssima geração atual do Rock. O que era Grunge partiu para o oba oba que muita banda de moleques toca por aí.

A música mudou muito nos últimos 20 anos e o próprio Cobain se rebelava contra o próprio sucesso quando morreu. O Nirvana era o mainstream que queria ser alternativo. Mas acho que ele não esperava que a coisa ficasse tão pior.

Em tempos de Rock In Rio, confira a versão da música “Smells Like Teen Spirit”, o grande chiclete do Nirvana que foi tocado no Hollywood Rock em 1993 com participação inusitada de Flea, baixista do Red Hot Chili Peppers.