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Banda paulista de hardcore/metal

Rock in Rio foi a glória do Glória. Com Eloy Casagrande e covers do Pantera, banda virou o jogo e abafou as vaias

Você pode ter lido neste blog ou em qualquer site musical que a banda Glória corria grande risco de ser o fiasco do Rock in Rio pela recepção do público e ao ser escalado para o Palco Mundo no festival enquanto Sepultura, Korzus e Angra iriam para o secundário Sunset no dia do Heavy Metal no evento de Roberto Medina. E todos erraram.

Quando questionei via Heavy Nation ao pessoal do Korzus o que achavam de o Glória tocar no Palco Mundo enquanto nossas principais bandas iriam para um palco secundário. O vocal Marcello Pompeu respondeu: “Vai ser a glória do Glória!”. E foi.

Se teve uma banda que peitou exemplarmente a reação negativa do público, esta foi o Glória, que vive uma transição do hardcore melódico para o metalcore, um estilo que vem crescendo no mundo todo, mas por aqui ainda sofre resistência.

Enquanto o público vaiou desde o início do show, a banda entrou cantando um refrão com “É tudo meu, vai se foder!” e deixou aquela impressão de que estava “defecando montão” (parafraseando o cartola Ricardo Teixeira) para a reação do público.

Depois disso ainda conseguiu abafar as vaias e ganhar a ‘torcida’ com uma sequência de covers do Pantera, com as clássicas “Domination” e “Walk”, além de um solo matador do garoto Eloy Casagrande, uma escolha acertada da banda para a bateria. E o repertório a seguir privilegia as músicas mais pesadas do grupo, que acabou com aquele chiado que vinha da plateia.

O que era constrangedor no início, enquanto o público vaiava e gritava pelo Sepultura – que estava pagando seus pecados no palco Sunset com um som amador (Korzus tambem sofreu e o show do Angra virou uma catástrofe graças aos problemas técnicos), e tinha o seu show atrasado -, virou um grande momento de uma banda que dava a cara a tapa.

Acompanhei pela TV e a curiosidade de como acabaria o Glória no Palco Mundo me fez ligar o stream no computador quando o Multishow cortou para mostrar o Sepultura. Sim, segui os dois shows simultaneamente e no final fiquei de queixo caído com o que o Sepultura fez, além de surpreso com a coragem e a competência do Glória.

Não sou fã do Glória, inclusive já fiz um post aqui mostrando que havia certa “influência” de um riff do Megadeth em uma música deles. Mas deixar de reconhecer os méritos pelo show do Rock in Rio seria um grande erro.

O que acho na banda? O instrumental mostrado pelo Glória no Rock in Rio foi absurdo, com muita qualidade e peso brutal. Não gosto daquela voz ridícula do guitarrista Elliot, que faz os backing vocals, que tenho certeza ser o motivo por ter lido em alguns lugares que a banda era um “metal emo” ou um “Restart mau educado”. E os berros do vocalista Mi soam um tanto exagerados em alguns momentos, mas antes um berro do que uma gemida como a outra voz.

Mas o grande nome da banda é, sem dúvida, o baterista Eloy Casagrande, que tem apenas 20 anos e é mestre em tocar com dois bumbos. Ele começou em uma banda grande de metal quando foi recrutado por Andre Matos para o seu grupo solo e está no Glória há pouco tempo. Na época em que começou a tocar com Andre Matos, o prodígio das baquetas precisava da autorização dos pais para viajar com a banda e já causava espanto ao tocar tanto com tão pouca idade.

Após a entrada de Eloy, o Glória promete lançar um disco mais pesado e assim esperamos para que não restem referências a “emo metal”, lembrando que o vocalista e fundador da banda Maurício Vieira (o Mi) tocava anteriormente na banda de emocore Dance of Days antes de criar em 2002 a sua nova empreitada.

Ao final do show do Rock in Rio, Mi postou no Twitter que agora o Glória pode se considerar uma banda de Metal. E é bom que a banda assim o faça. Quanto às críticas pela escalação do festival, a culpa não é do Glória e sim do evento. O equívoco não foi apenas por escalar o grupo paulistano, mas por desrespeitar o Heavy Metal nacional ao deixar três de suas maiores bandas na história fora do palco principal.

O Sepultura foi monstruoso na história da música brasileira, é o maior nome do Metal brasileiro, apresentou um dos melhores shows de toda a programação do Rock in Rio 2011 e não poderia estar jamais escalado de forma secundária em um palco “mambembe”, como bem disse João Gordo em entrevista ao vivo para o Multishow. Faltou respeito ao Heavy Metal nacional.

Empresária responsável pelo gerenciamento da carreira do Sepultura e atualmente também do Angra, Monika Cavalera postou no Facebook um texto de esclarecimento sobre a escalação do Sepultura para o palco Sunset.

“Só pra deixar bem claro.
O SEPULTURA quem quis tocar no SUNSET,porque seria o encontro das duas bandas.O resultado pra gente foi o melhor possível..Somos muito gratos ao Rock in Rio,independente dos problemas que tivemos lá.Mas eu tbm sabia o que ia acontecer com o Gloria quando começou a embolar o horário e avisei a eles.Enfim… que venha o próximo!!!!”.

Quem será o Carlinhos Brown no Rock In Rio 2011?

Uma das tradições do Rock In Rio é ter artistas escorraçados do palco por não estar na hora certa, no momento certo e tocando a música certa. Desde 1985 sempre tem gente recebendo pedradas, garrafadas e levando outros objetos sólidos na cabeça além do barulho das vaias e xingamentos.

E a culpa nem é dos coitados dos artistas que estão no palco, mas do público que carrega a expectativa de ser agradado pela programação do Rock In Rio e da organização do festival, que capricha na hora de misturar estilos de uma forma que parece querer ver o circo pegar fogo mesmo.

As encrencas aumentam a atenção ao festival e também aos artistas. Depois de encarar uma chuva de objetos voadores no palco e seguir encarando o público em 2001, Carlinhos Brown se vangloriava. “Está todo mundo falando de mim e não do Guns N’ Roses”.

E no caso do batuqueiro baiano, houve sorte por a coisa não acabar mal. O temor pelas vaias ao Pato Fu não se confirmou com a escolha acertada da banda no repertório, enquanto Brown não sabia o que fazer quando o público pedia Rock. E então ele mandou “enfiarem o dedo no…”, disse que o público não tinha “mente aberta”, tudo isso no palco. Deu no que deu.

Uma curiosidade também marcou o último dia do Rock In Rio de 2001, quando a banda O Surto conseguiu entrar na lista do palco Mundo sabe-se lá como (ajudado pelo boicote de bandas como Raimundos, O Rappa e Charlie Brown Jr. ao festival), e inventou de fazer uma versão tosca de “Californication”, do Red Hot Chili Peppers, que fecharia o evento. Óbvio, o grupo cearense foi vaiado e meses depois ninguém sabia mais nada sobre os caras que tocaram seu hit radiofônico “A Cera” duas vezes no mesmo show.

Quem levou cartão vermelho do público em 1991 foi o cantor Lobão, que resolveu se apresentar com a bateria da Mangueira entre o show do Sepultura e o do Megadeth em um dia que ainda teria Queensryche, Judas Priest e Guns N’ Roses.

Ok, o público estava feroz. Mas quem foi o gênio que colocou o Lobão depois do show pesado do Sepultura e antes do também pesado Megadeth? Não deu outra, o show durou duas músicas.

Por falar em Guns N’ Roses, é interessante notar os comentários de Pedro Bial durante o show da banda norte-americana. O apresentador de Big Brother Brasil e criador daquelas crônicas de Copa do Mundo que também já foi jornalista se diverte de uma forma meio preconceituosa.

O primeiro dia do festival em 1985 também não foi dos mais tranquilos, com Erasmo Carlos não conseguindo agradar ao público que aguardava por Whitesnake, Iron Maiden e Queen. O “Tremendão” acabou vaiado e foi um dos destaques negativos do festival.

Alguns dias depois, lançaram o Kid Abelha e Eduardo Dusek no dia em que Scorpions e AC/DC se apresentariam no palco. E aí não foram garrafinhas d’água como as que recebeu Carlinhos Brown, mas pedras foram arremessadas contra as atrações nacionais.

Enfim, com tantos casos de gente que não conseguiu agradar, poderíamos ter candidatos ao troféu Carlinhos Brown-2011 do Rock In Rio? A diminuição do Rock na programação reduz as chances, mas não a zero.

O NX Zero é o primeiro candidato a vaias o festival se considerarmos que o Stone Sour, que toca logo em seguida é mais pesado e no mesmo dia tem Red Hot Chili Peppers. Mas ainda acho que Capital Inicial e Snow Patrol ameniza a situação da banda paulista.

No domingo sim surge um favorito, a banda Glória, que abre a programação do dia que terá Motorhead, Slipknot e Metallica no Palco Mundo enquanto o Sunseth recebe Sepultura, Korzus, Matanza e Angra com Tarja Turunen. O palco secundário tem seus shows mais cedo e deve deixar o público um pouco agitado para ver Glória e o também emo-metal Coheed And Cambria.

O Detonautas não seria candidato a vaias, mas sabemos que o vocalista Tico Santa Cruz costuma ser imprevisível. E se o cara resolver mandar ver naquela versão tosca em português de “Back in Black”, do AC/DC, por exemplo, vai ser alvejado facilmente por objetos voadores identificados, já que o público de System Of A Down e Guns N’ Roses pode não ser muito amistoso embora se misture aos caça-adolescentes Pitty e Evanescence.

Sim, o Rock in Rio já teve uma programação mais digna de encrencas, mas é sempre possível ter algum deslize que o público não vá perdoar.

Peso pasteurizado e riff de clássico do Megadeth… Você pode pagar caro por conhecer o Glória!

Entre as bandas que mais fazem sucesso com a garotada atualmente está o Glória, grupo que tem um estilo musical assumidamente Emocore e nos últimos tempos tem incluído um pouco de peso à là Heavy Metal, embarcando na onda do sucesso do Avenged Sevenfold.

A autenticidade de todo esse peso é um pouco questionado. Usam aquelas guitarras dobradas, com um vocalista mais melódico que não é muito afinado e um outro vocalista que serve para ficar berrando.

A qualidade dos músicos? Bem, isso não é assim um problema. Eles inclusive contrataram recentemente o virtuoso e novato baterista Eloy Casagrande, da banda de Andre Matos. Agora, sabem quem produz o som deles? Rick Bonadio! O dono do selo Arsenal Music e que propaga boa parte do que mais tem música radiofônica.

E ao procurar algo mais sobre a banda, me deparo com um riff que me lembra uma banda genuinamente de Metal, o Megadeth de Dave Mustaine. Música de maior sucesso do grupo norte-americano “Symphony of Destruction” tem um dos riffs mais marcantes da história do Metal.

O Glória muito provavelmente conhece o riff, Rick Bonadio também. E os fãs do Glória agora passam a saber que há um bem semelhante lançado 18 anos depois do original. Plágio? Bom, um trecho bem menor do Angra que foi reutilizado pelo Parangolé foi parar na Justiça…

Enfim, se você teve a coragem de comprar ingressos para o “Dia Metal” do Rock In Rio, saiba que a banda tocará no mesmo palco de Metallica e Motörhead, embora não tenha tantas semelhanças, enquanto Angra, Korzus e Sepultura vão tocar em um palco secundário.

E o título “Vai Pagar Caro Por Me Conhecer” pode realmente fazer todo sentido a você, caro leitor que vai ao Rock in Rio.