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Fãs do Foo Fighters não deixam a música parar

 

Era para ser apenas mais um show do Foo Fighters na série que a banda tem feito pelos Estados Unidos, mas Dave Grohl decidiu emendar um “Parabéns a você” na setlist para fazer aquela média com a patroa no BottleRock 2017, realizado no Napa Valley Exposition, em Napa, Califórnia, durante o último domingo.

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Cartaz do festival         Crédito: Divulgação

O problema é que o agrado à esposa ajudou a estourar o tempo previsto para o show durante a execução da música seguinte, um dos maiores sucessos da banda, “Everlong”.

O áudio foi desligado no meio da música, mas a banda seguiu tocando e a plateia assumiu o vocal para levar a música até o final. Pat Smear fez até uma graça enquanto a banda tocava e praticamente ninguém ouvia os instrumentos, exceto a bateria de Taylor Hawkins.

Veja abaixo o vídeo:

Cenas como a de domingo mostram que o Rock não morre, pois seu público não deixará.

Rock vivo e com muita raça: o show que eu não vi

Muitos não devem se lembrar, mas no dia 24 de fevereiro de 2000, o Foo Fighters realizaria seu primeiro show em solo brasileiro e seria na cidade de São Paulo, no então recém-aberto Credicard Hall.

A banda havia acabado de deixar de ser um trio com a entrada do guitarrista Chris Shiflett, mas devido à morte do pai do estreante da banda houve o adiamento do show, que depois virou oficialmente o cancelamento, em caso que rendeu até uma certa polêmica em relação à casa, que demorou a admitir o cancelamento e a devolução do valor pago pelos ingressos.

O Foo Fighters vivia um grande momento com o lançamento de “There Is Nothing Left to Lose” e o sucesso dos videoclipes de “Learn to Fly”, “Breakout”, “Generator” e “Next Year”. Logo no ano seguinte houve o Rock in Rio 3 e a banda visitou o Brasil pela primeira vez, mas nada de tocar em São Paulo.

A espera foi grande. Como o próprio Dave Grohl declarou durante o show de sábado no Lollapalooza, 17 anos se passaram desde o início da banda. Fãs ansiosos, venda de ingressos a todo vapor e um momento em que o Foo Fighters é a grande banda de Rock. Tinha tudo para dar certo.

De repente um cisto ameaça a voz de Dave Grohl, shows são cancelados, mas em São Paulo a banda se esforça e o que era a preocupação de muitos se transformou em um grande show. Eu não assisti. Acabei tendo de vender meu ingresso por não haver percebido antes que a data coincidia com a do confronto entre Brasil e Colômbia na Copa Davis e o assessor de imprensa da CBT não poderia dar o cano no nosso principal evento de tênis.

Eis que o show foi transmitido pelo Multishow e algum fã me fez o favor de postar no YouTube. Não vou entrar no mérito de quesitos técnicos, pois seria injusto por não ter ouvido o som original e pela qualidade discutível da gravação. É perceptível que a voz do líder do Foo Fighters sai para passear em alguns momentos, mas a banda não se afeta e mantém a garra até o final.

A apresentação passou por todas as fases na carreira da banda, teve grandes momentos com “The Pretender” somada de alguns trechos de “Custard Pie”, do Led Zeppelin, e sucessos da banda como “Breakout”, “Learn to Fly”, “Long Road to Ruin”, “Best of You”, a dobradinha “Bad Reputation” e “I Love Rock and Roll”, ambas com Joan Jett, e a finalização com “Everlong”. Não poderia ser melhor.

O show do Foo Fighters me faz lembrar daquele time que tem vários problemas e ainda assim dá o sangue para sair de campo vencedor, me lembra daquele tenista que na sexta-feira se viu à beira da decepção e se elevou ao status de herói. É óbvio que qualquer comparação pode soar indevida, mas é sempre bom saber que aqueles que te tiraram de casa para ver algo mostram que valeu a pena.

Li relatos de Thays Almendra sobre problemas de segurança, transporte e outros pontos de desorganização do Lollapalooza, o que infelizmente é uma tradição nos festivais de música que são organizados por aqui. É curioso que uma cidade como São Paulo, que tem tudo aberto 24h, não tem transporte público a partir de 0h30, por exemplo, assim como é lamentável saber que milhares de policiais são deslocados para proteger torcidas organizadas de futebol, mas nem metade disso faz a segurança de um evento com milhares de pessoas que vão para se divertir e se tornam vítimas da insegurança paulistana.

Para quem não viu o show, acredito que não vai levar muito tempo para ter uma reprise no Multishow. Caso a qualidade de som e imagem não seja um problema para você, o YouTube oferece algumas opções. Em todo caso, veja a set list da banda que dá tapa na cara de quem adora dizer que “o Rock está morto” ou que “os Arctic Monkeys da vida são a salvação do Rock”.

1. All My Life [One by One – 2002]
2. Times Like These [One by One – 2002]
3. Rope [Wasting Light – 2011]
4. The Pretender (com interlúdio de “Custard Pie”, do Led Zeppelin)  [Echoes, Silence, Patience & Grace – 2007]
5. My Hero [The Colour and the Shape – 1997]
6. Learn to Fly [There Is Nothing Left to Lose – 1999]
7. White Limo [Wasting Light – 2011]
8. Arlandria [Wasting Light – 2011]
9. Breakout [There Is Nothing Left to Lose – 1999]
10. Cold Day in the Sun (com Dave Grohl na bateria e Taylor Hawkins nos vocais)  [In Your Honor – 2005]
11. Long Road to Ruin [Echoes, Silence, Patience & Grace – 2007]
12. Big Me [Foo Fighters – 1995]
13. Stacked Actors [There Is Nothing Left to Lose – 1999]
14. Walk [Wasting Light – 2011]
15. Generator [There Is Nothing Left to Lose – 1999]
16. Monkey Wrench [The Colour and the Shape – 1997]
17. Hey, Johnny Park! [The Colour and the Shape – 1997]
18. This is a Call [Foo Fighters – 1995]
19. In The Flesh (Cover do Pink Floyd)
20. Best of You [In Your Honor – 2005]
Bis
21. Enough Space [The Colour and the Shape – 1997]
22. For All the Cows [Foo Fighters – 1995]
23. Dear Rosemary [Wasting Light – 2011]
24. Bad Reputation (Cover de Joan Jett and the Blackhearts, com Joan Jett)
25. I Love Rock ‘n’ Roll (Cover de The Arrows, com Joan Jett)
26. Everlong [The Colour and the Shape – 1997]

Metallica se junta à lista de bandas que têm seus próprios festivais

O Metallica não cansa de comemorar seus  30 anos e agora a bola da vez é a criação de um festival da banda. Os quatro cavaleiros anunciaram para os dias 23 e 24 de junho o festival Orion + More para Atlantic City, em New Jersey, nos Estados Unidos.

A banda norte-americana já se apresentou em vários festivais pelo mundo. É um dos poucos grupos de Heavy Metal que pode dizer ter tocado nos maiores festivais de música do mundo. E a justificativa do Metallica para a criação do festival é justamente essa.

Festivais criados por bandas ou músicos não é assim uma coisa tão inovadora na música. Já houve a empreitada de vários nomes que lançaram seus eventos, alguns muito bem sucedidos, outros nem tanto. Por isso decidi lembrar aqui alguns momentos em que os músicos viram organizadores.

Ozzfest

Sharon Osbourne é ótima em marketing. E isso ficou comprovado quando a mulher e empresária de Ozzy Osbourne decidiu criar um festival para o ex-vocalista do Black Sabbath. A primeira edição do Ozzfest foi em 1996 e desde então ele ocorre frequentemente nos Estados Unidos. Já participaram do Ozzfest bandas como Sepultura, Slayer, Soulfly, Pantera, Machine Head, Black Sabbath (em reunião com Ozzy Osbourne), Foo Fighters, System Of A Down, Slipknot, Linkin Park e até o Korn. Mas um momento curioso do festival foi na participação do Iron Maiden, em 2005. Conhecido por vez ou outra cornetar Ozzy Osbourne, Bruce Dickinson não foi bem compreendido antes do festival e acabou virando alvo de uma chuva de ovos do público, orquestrado por dona Sharon Osbourne.

Lollapallooza

Vocalista da banda de Rock Alternativo Janes Addiction, Perry Farrell idealizou o festival Lollapallooza e realizou a primeira edição em 1991. Com atrações como Metallica, Red Hot Chilli Peppers, Pearl Jam, Rage Against the Machine, Alice In Chains e Nine Inch Nails, entre outros, o festival teve duração até 1997 e depois acabou. A volta ocorreu de forma modesta em 2003 e desde 2005 o evento passou novamente a ser anual. No ano passado, Perry Farrell anunciou a expansão de seu festival antes realizado apenas nos Estados Unidos. Neste ano as cidades de Santiago, no Chile, e São Paulo, no Brasil, recebem o festival com um lineup bem variado. Em São Paulo, o grande nome é o do Foo Fighters.

Sepulfest

O Sepultura foi o representante brasileiro entre os aventureiros a festivais organizados pela própria banda, mas o evento acabou não tendo o retorno esperado. A primeira edição ocorreu em 2004, com algumas apostas bem variadas em São Paulo, misturando o grupo comediante Massacration com a Nação Zumbi os Ratos de Porão e o Claustrofobia. Dois anos depois, o Sepultura levou seu festival para Curitiba contando novamente com o Massacration em sua programação junto ao Korzus. O festival acabou não decolando.

Gigantour

Dave Mustaine foi mais rápido que o Metallica na criação de seu festival, no caso, uma turnê com grandes bandas de Heavy Metal. O vocalista e guitarrista do Megadeth (ex-integrante do Metallica) fundou seu evento em 2005, passando por várias cidades dos Estados Unidos ao lado de bandas como Anthrax, Dream Theater, Arch Enemy, Soulfly, Lacuna Coil e Children of Bodom. O Gigantour está confirmado para este ano, tendo como atração o Motörhead. Um momento legal do evento foi em 2005 com o tributo ao guitarrista Dimebag Darrell, assassinado durante show. Ao lado de Burton C. Bell (Fear Factory), Russell Allen (Symphony X) e do Dream Theater, Dave Mustaine tocou no palco a música “Cemetery Gates”, do Pantera.

Outras bandas também tentaram a empreitada com seus próprios eventos, casos de Blind Guardian e Mayhem, mas não foram tantos assim os que conseguiram sucesso com a aposta.

Dave Grohl e o Foo Fighters têm muito a ensinar…

O Foo Fighters é hoje a banda mais agradável do mundo quando se fala em Rock, aquele Rock puro, sem sufixos ou prefixos que tanto embolam o gênero musical e deixam o ouvinte cada vez mais perdido e sem saber se aquilo que ele gosta é Rock, Pop, ou qualquer outra coisa.

Há 20 anos muito se falava sobre o Nirvana e toda aquela febre criada pela banda que tinha Dave Grohl na bateria. Mas ao saltar do banquinho com baquetas nas mãos para a linha de frente com o microfone e uma guitarra, Dave Grohl construiu uma banda muito melhor tecnicamente que o Nirvana e que faz bons álbuns e clipes sem todo aquele ‘esforço’ que a banda de Kurt Cobain muitas vezes passava como artificial.

O grupo que desembarca no Brasil em abril para realizar show na versão brasileira do festival Lollapalooza se supera a cada nova ação que faz. Em 2011 lançaram um álbum gravado na garagem com Butch Vigh, baterista do Garbage e produtor do Nevermind, do Nirvana, e o Wasting Light foi um puta disco!

Muita gente não gosta de admitir que o Foo Fighters é bom e que gostou do novo disco justamente por ainda ser uma das poucas bandas de Rock com espaço nas emissoras musicais da TV e nas que tocam Pop/Rock no rádio. Mas a pegada que os caras demonstram no palco e no estúdio são louváveis.

Em Wasting Light você encontra peso, melodia, ótimas composições, um som sem nenhuma frescura. Em certos momentos a coisa chega até a se aproximar de um Metal com os urros de Dave Grohl em “White Limo”, que tem em seu vídeo a aparição de Lemmy Kilmister, o líder/dono do Motörhead.

A banda traz a participação de Krist Novoselic em “I Should Have Known” e a melhor faixa do álbum na opinião do blogueiro é a já popularizada “Walk”, que além da qualidade musical conta com um vídeo muito bem feito, que explora o bom humor, marca registrada da banda em seus clipes.

Enquanto tem alguns Nickelbacks e outras porcarias por aí se passando por Rock e sendo ‘homenageados’ por roqueiros devido a isso, o Foo Fighters sim faz um verdadeiro Rock e quando seu líder é questionado pela revista Billboard dos Estados Unidos sobre ser a melhor banda do mundo, o cara vem com essa:

“Eu acho que somos uma merda e nós tentamos fazer bons discos e ensaiamos. Não nos sentimos como a maior e melhor banda do mundo. Nós apenas nos sentimos como os mesmos cinco palhaços que estavam excursionando em uma van há 17 anos, isso não mudou”.

Tem muita banda por aí precisando aprender com o Foo Fighters. Aliás, não apenas as bandas, mas as pessoas em geral também têm muito a aprender!