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Folk, forró, heavy metal, sertanejo…a canção mais eclética

Alguns sucessos da música acabam virando alvo fácil para covers, plágios e etc. Mas quando a obra criada ultrapassa os limites dos gêneros musicais, da letra e da velocidade em novas versões, é um caso para se prestar a devida atenção.

Neste caso se encaixa perfeitamente a música “The Sound of Silence”, escrita por Paul Simon e gravada pelo próprio em dupla com Arthur Garfunkel durante a década de 60. Estamos falando da música que talvez seja a mais eclética da história.

Ou você conhece alguma canção de folk rock que tenha recebido versões em heavy metal, em canto gregoriano, em pop, tecno, sertanejo, forró, etc?

“The Sound of Silence” recebeu todas essas versões. Em português ganhou outros nomes e letras, como “É por você que canto”,versão que foi gravada em 1984 por João Viola e virou alvo fácil de duplas sertanejas, como Leandro & Leonardo, e grupos de forró que tentaram usar a boa impressão que causa a melodia tão conhecida.

E o que dizer do que fizeram Warrel Dane e o seu Nevermore com uma versão que desfigurou todo o espírito da música. Som do silêncio? Com eles virou um barulho insano, com partes agressivas, uma levada veloz na bateria e um vocal oposto à calma de Paul Simon.

Você pode conferir no vídeo abaixo as várias facetas da música e recomendo que tente depois ouvir uma a uma em seu tamanho total.

E outra coisa que você talvez não saiba é que na música “The Spirit fo Radio”, um clássico da banda canadense Rush, há clara referência em seus últimos versos à canção de Paul Simon. A letra da canção do Rush diz: “For the words of the profits were written on the studio wall…/Concert hall/And echoes with the sounds of salesmen”. Já a de Simon diz: “the words of the prophets/Are written on the subway walls/And tenement halls/And whispered in the sounds of silence”.

Bom, como um bônus coloco aqui também uma das mais belas versões que já ouvi para a canção. Ela é apresentada no teatro na peça “A Mansão de Miss Jane”, da qual assisti recentemente no Teatro Dias Gomes para conferir a performance do ex-tenista Givaldo Barbosa como ator. Vale muito ouvir a interpretação abaixo.

Um mundo selvagem com Cat Stevens, Mr. Big e a dupla Pepê e Neném

Embora qualquer gravação musical não possa ser simplesmente apagada, há algumas composições que vão além e ganham mais vida ao longo do tempo com novas versões do músico original ou dos covers (meu assunto favorito).

Neste quesito, o compositor e músico inglês Cat Stevens (que mudou seu nome para Yusuf Islam após se converter ao islamismo) conseguiu escrever uma obra-prima. Gravada por Stevens em 1970 no álbum Tea for the Tillerman, a música “Wild World” (traduzindo: Mundo Selvagem) foi um dos maiores sucessos do cantor e renasceu com o tempo.

“Wild World” virou reggae com Jimmy Cliff em 1971, no mesmo ano em que oito outros artistas regravaram e lançaram suas versões. Em 1993 foi a vez de a banda de hard rock Mr. Big dar vida nova ao clássico que conta aquela típica história do sujeito abandonado pela amada (que também pode ser encontrada em boa parte do Glam Rock, do Pagode, do Sertanejo, do Emo e dos Coloridos).

Outras várias gravações foram registradas por músicos como James Blunt, UB40 e Tesla. Mas uma que me chama a atenção é a versão da dupla Pepê e Neném! Sim, quem não se lembra das duas garotas Potiara e Potiguara, que estouraram no final dos anos 90? Pois é, eu também não me lembrava até decidir fazer este post.

As gêmeas cariocas que já chegaram aos 40 anos, saíram de uma infância pobre no Rio de Janeiro, fugiram de casa por apanharem do pai e fizeram sucesso em 1999, gravaram no segundo álbum uma versão para “Wild World”, com o nome “Nada me faz esquecer”.

A versão não era lá grande coisa e elas acabaram caindo no esquecimento. Recentemente a dupla reapareceu alegando ter sido roubada pelo empresário e lançou o álbum Imprevisível Demais. Pois é, nem você, nem eu, diria que quase ninguém ouviu falar do álbum e ninguém sabe novamente onde as irmãs foram parar.

E o Cat Stevens? Bem, depois de se converter ao islã o cantor acabou sumindo de vez e só apareceu depois de uma declaração polêmica após o fatídico 11 de setembro de 2001, quando suas músicas foram proibidas em rádios de Nova York. Anos depois também foi proibido de entrar nos Estados Unidos.

Ou seja, a única coisa que permaneceu foi a música, que seja por Cat Stevens, por Jimmy Cliff, por James Blunt, por Mr. Big ou por Pepê e Neném, vez ou outra é tocada nas FMs. E muita gente (mais jovem) ainda acha que a versão original é do Mr. Big.