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Espírito de equipe

No domingo passado o Angra voltou a fazer um show em São Paulo no HSBC Brasil e, ainda sem a definição de um novo vocalista, gravou o seu segundo DVD comemorando os 20 anos da turnê de Angels Cry, o primeiro álbum da banda paulistana. Este blogueiro foi acompanhar e só conseguiu escrever o texto agora, ainda meio atrapalhado devido ao US Open e outras demandas do trabalho de assessor de imprensa. Enfim, vamos ao show.

A abertura foi com “Gate XIII” e fotos nos telões todos os momentos da história da banda desde as primeiras fotos oficiais, passando por todas as formações, com o público gritando os nomes do ex-vocalista Edu Falaschi e o ex-batetista Aquiles Priester, antes de chegar ao vocalista convidado italiano Fabio Lione, da banda Rhapsody of Fire, aquele que certa vez Edu Falaschi brincou com o sotaque, se referindo ao “tio da pizzaria” (sem imaginar que ele poderia cantar em seu lugar um dia).

Com um início digno de uma banda grande, cheia de luzes, casa cheia e o público agitando, o Angra mostrou-se mais uma vez renascido pelas mãos de Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro, Felipe Andreoli e Ricardo Confessori, sem esquecer a voz de Fabio Lione, que pode ser efetivado como o vocalista e isso tende a ser um grande acerto da banda, em nova direção, com agenciamento da Top Link e o empresariamento por Paulo Baron.

O Angra apresentou um grande show começando com “Angels Cry”, do álbum homônimo, e passando por todos os álbuns da banda: Holy Land, Fireworks, Rebirth, The Temple of Shadows, Aurora Consurgens e Aqua.

Tentando se comunicar um pouco em português no começo, que logo virou portunhol, Fabio Lione se mostrou um vocalista carismático e ganhou facilmente a simpatia do público, mas não encarou as notas altas das músicas da fase do Andre Matos no mesmo tom, o que atualmente nem mesmo o próprio Andre tem conseguido.

Mas Lione canta com maestria todas as músicas da fase Edu Falaschi e logo no primeiro momento em que começaram os gritos de “Lione, Lione” pelo público, ele corrigiu e avisou que eles deveriam gritar “Angra, Angra”, pois aquele era um show da banda. Um grande passo na ideia que a banda está trabalhando, de tirar um pouco da importância que foi dada ao frontman em todos esses anos.

Esta nova fase do Angra é bem diferente das anteriores, com os integrantes assumindo mais funções, jogando mais como um time. Rafael Bittencourt agora canta mais, Kiko Loureiro agora também é tecladista e Felipe Andreoli também canta um pouco, em “Winds of Destination”. Rafael também aparece mais como líder, se comunica com o público e Kiko tenta, dentro do possível, colaborar na comunicação.

Crédito: Divulgação/Top Link Music
Crédito: Divulgação/Top Link Music

Assim como no Rock in Rio, último show da formação com Falaschi, Kiko Loureiro usou uma câmera Go Pro em sua guitarra, o que deve dar mais um ponto de visão do palco no DVD. Em alguns momentos, Rafael Bittencourt também utilizou a câmera.

Uma das músicas de destaque na primeira parte foi Late Redemption, que anos atrás era tocada apenas em uma versão acústica e desta vez teve Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro e Fabio Lione dividindo os vocais, além de Gentle Change, que ficou muito bem na voz do italiano.

Antes de cantar “The Voice Commanding You”, Rafael destacou a frase “Separados não somos nada”, contida na música, e emendou com o aviso: “Para aqueles que acham que o Angra deveria acabar, nós estamos apenas começando”. Uma grande resposta a Andre Matos, que há alguns meses declarou que a banda deveria acabar e se recusou a voltar e a participar do show comemorativo.

O set acústico tocado apenas por Rafael e Kiko no velho estilo “um banquinho e um violão” teve os dois integrantes que nunca saíram da banda fazendo dueto de voz e cordas, começando por Reaching Horizons. Foi legal, mas um pouco cansativo. No momento do acústico, os guitarristas lembraram todos os integrantes que passaram pela banda, ressaltando a importância deles, com Kiko Loureiro dizendo que eles todos fazem parte “desta família”, antes de emendar que “as portas estão sempre abertas”. Que ironia! Ok, bacana, mas o pessoal sabe que não se trata assim de uma família…vide a resposta a Andre Matos, sendo que ambos os lados admitem publicamente a relação inexistente.

Além de Fabio Lione, que é o vocalista da turnê, foram convidados para este show o guitarrista Uli John Roth, a vocalista Tarja Turunen e o vocalista Russell Allen (Symphony X/Adrenaline Mob), que acabou não comparecendo devido a um acidente. O baterista Amílcar Cristófaro (Torture Squad) e o grupo Família Lima, que deu uma cara bem bacana com os violinos e violoncelo tocados ao vivo. Sim, graças a Lucas Lima ecoaram os gritos em homenagem à esposa do rapaz, a Sandy!

Crédito: Divulgação/Top Link Music
Crédito: Divulgação/Top Link Music

O grande momento da apresentação foi “Stand Away”, cantada por Tarja Turunen e Fabio Lione, que fez as vezes de tenor, além do acompanhamento da Família Lima. A versão ficou bonita, mas precisou ser tocada novamente assim como “Sails of Charon”, de Uli John Roth, que teve Rafael Bittencourt nos vocais (seria cantada por Allen) e a aula de guitarra do autor da música. “Evil Warning”, com Amilcar na bateria, também não ficou boa na primeira versão e precisou ser refeita. Na segunda tentativa ficou bem legal.

O lado ruim de precisar gravar novamente é que o show começou às 20h30 de um domingo e como muita gente que ali estava trabalharia ou estudaria no dia seguinte, a casa deu uma esvaziada no momento das regravações. Por isso que eu sempre acho melhor quando um DVD é gravado com material de dois shows seguidos ou em um sábado. Assim fica melhor escolher o melhor material.

No geral, foi um grande show do Angra. Mais animado e alegre do que na parte final da fase anterior, com Edu Falaschi se arrastando nos vocais. Uma demonstração de que a banda ainda tem sim fôlego para seguir sua caminhada e sem precisar da carona de um vocalista. Seria legal poder reunir em um mesmo show Andre Matos, Edu Falaschi, Aquiles Priester e Luis Mariutti? Certamente. Mas me parece muito mais agradável fazer de uma forma mais sincera, sem forçar uma amizade de Andre Matos com a banda, que já não existe há mais da metade da existência da banda. Infelizmente.

Ps: Não coloquei vídeos aqui, diferentemente do que costumo fazer, pois foi a gravação de um DVD e as imagens de internet têm qualidade muito ruim. Principalmente de som.

Set list:

Abertura: Gate XIII
1. Angels Cry
2. Nothing to Say
3. Waiting Silence
4. Lisbon
5. Time
6. Millennium Sun (Kiko Loureiro nos teclados, com Família Lima)
7. Winds of Destination (com Família Lima)
8. Gentle Change
9. The Voice Commanding You (Rafael Bittencourt nos vocais)
10. Late Redemption
11. Silence and Distance (Kiko Loureiro nos teclados)

Set acústico – Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro
12. Reaching Horizons (Rafael Bittencourt nos vocais)
13. Unholy Wars/ Caça e Caçador (Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt nos vocais)
14. A Monster In Her Eyes (Rafael Bittencourt nos vocais)
15. Make Believe (Kiko Loureiro nos vocais)

Encore
16. No Pain for the Dead (com Família Lima)
17. Stand Away (com Tarja Turunen e Família Lima)
18. Wuthering Heights (com Tarja Turunen e Uli John Roth)
19. Evil Warning (com Amilcar Cristofaro)

Encore 2
20. Unfinished Allegro (com Família Lima)
21. Carry On
22. Rebirth
23. The Sails of Charon (com Uli John Roth/Rafael Bittencourt nos vocais)
24. In Excelsis/ Nova Era

O que não escrevi em 2012…

O ano de 2012 acabou, o de 2013 começou e a falta de tempo útil me tirou posts inspirados nos últimos meses. Sim, não foi por falta de ideias. Cheguei a pensar em todo o texto em alguns casos, mas faltou escrever. Dizem que dá azar voltar ao passado, mas para mim é impossível dar um passo à frente sem saber como foi dado o passo anterior.

Não publiquei o texto “Chupa, Teló”, onde falaria do maior hit do mundo, o “Gangnam Style”. O gordinho coreano Psy jogou para debaixo do tapete os nossos representantes do pop mundial e alcançou uma popularidade incrível com uma música esquisita e uma dança bizarra. O cantor virou pop star, deu bandeirada no GP da Coreia do Sul de Fórmula 1 e hoje é difícil alguém que acesse a internet, veja TV ou ouça rádio jamais tenha conhecido qualquer referência dele. E a gente achando que o Michel Teló era o máximo…

Como consequência, também não postei o texto “O homem que copiava (e ainda copia)”. Neste post a grande estrela seria Latino, o sujeito que mais faz versões bizarras de músicas internacionais. Depois de “Festa no Apê” e “Vem Dança Kuduro”, veio “Despedida de Solteiro”, pegando carona no sucesso do Gangnam Style. Sim, Latino é um gênio! Pelo menos enquanto tiver quem consuma sua arte.

Não falei sobre “O cantor da pizzaria”! Sim, o italiano Fabio Lione será o vocalista convidado do Angra no cruzeiro 70000 Tons of Metal. Fabio Lione é a voz do Rhapsody of Fire, banda italiana que já se chamou apenas Rhapsody e toca aquele estilo defasado de Heavy Metal, o Melódico, ou Power Metal. Admito que fiquei curioso para ouvir a voz de Lione no Angra, ainda mais sabendo que meses atrás, ainda como vocalista do Angra, Edu Falaschi resolveu falar sobre o sotaque dos vocalistas cantando inglês e soltou a pérola: “Fabio Lione cantando parece o cara da pizzaria”, antes de mostrar como seria o italiano cantando “Arising Thunder”, do Angra.

Não comentei sobre “Ivetão Thrash Metal”. Sim, pois em plena TV aberta em rede nacional a melhor cantora baiana da Bahia pegou um violão e soltou uma versão de “Dead Skin Mask”, do Slayer. E a Cláudia Leitte querendo fazer média com roqueiros tocando uma versãozinha de “Dy’er Mak’er”, a música menos rock que o Led Zeppelin já gravou.

Voltando ao Falaschi, também não falei do post “Ano dos Revivals”, lembrando que Edu e Tito fizeram um show com Rodrigo Arjonas e Demian Tiguez marcando a comemoração de 15 anos da extinta banda Symbols, uma das bandas legais do final dos anos 90 que ficaram no tempo. O show foi no dia 23 de dezembro no Manifesto, que teve um público bem bacana na ocasião ao que consta. É o legado do Viper!

Também não escrevi o texto “Roger Federer e seus 12 apóstolos”. Sim, em um texto ironicamente natalino eu falaria sobre o evento da Koch Tavares no qual trabalhei para a assessoria de imprensa. Além do tenista que esbanjou carisma, esteve em vários lugares e serviu como embaixador do esporte no país, outros 12 jogadores atuaram no Ginásio do Ibirapuera: Jo-Wilfried Tsonga, Tommy Robredo, Thomaz Bellucci, Marcelo Melo, Bruno Soares, Bob Bryan, Mike Bryan, Maria Sharapova, Caroline Wozniacki, Serena Williams e Victoria Azarenka. (Ah, vale lembrar que apesar de breve encontro com Federer ao lado de Maria Esther Bueno, Gustavo Kuerten não organizou o torneio e não pagou o suíço como empresário do evento. Diferentemente do que escrevem uns blogs ‘jornalísticos’ por aí…). Sim, este post não sairia da regra deste blog, pois teríamos relatos da idolatria ao suíço lembrando um pouco os ídolos musicais e as músicas pedidas pelos tenistas, um oferecimento do DJ Edu Tomiatti. Aliás, já que eu toquei no assunto. Confira abaixo as músicas pedidas pelos tenistas:

Victoria Azarenka: “Ai Se Eu Te Pego (Remix)” – Michel Teló feat. Pitbull
Thomaz Bellucci: “Charlie Brown” – Coldplay
Bruno Soares: “One (Your Name)” – Swedish House Mafia
Marcelo Melo: “Tche Thererê (Remix)” – Gusttavo Lima
Roger Federer: “Mas que Nada”- Sergio Mendes feat. Black Eyed Peas
Roger Federer: “Mr. Saxobeat” – Alexandra Stan
Bob e Mike Bryan: “Hall Of Fame” – Will.I.Am
Tommy Robredo: “This is Love” – Will.I.Am feat. Eva Simon
Serena Williams: “All Of The Lights” – Kanye West
Maria Sharapova: “Sexy Back” -Justin Timberlake
Tommy Haas: “Gangnam Style” – PSY
Jo-Wilfried Tsonga: “Ai Se Eu Te Pego (Remix)” – Michel Teló feat. Pitbull
Caroline Wozniacki: “Man I Feel Like A Woman” – Shania Twain

Enfim, o que me resta dizer é: Feliz 2013
…e que eu consiga escrever aqui mais vezes!