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Doutores na arte de homenagear ídolos

O Dr. Sin é uma banda que por muitas vezes cai no esquecimento do público em geral e sobrevive arduamenta pela garra dos integrantes, com os talentosos Eduardo Ardanuy (guitarrista), Andria Busic (baixo e vocais), Ivan Busic (bateria e vocais) e Rodrigo Simão (teclados), em um momento no qual as bandas nacionais estão apanhando até de bandas cover gringas na disputa por público.

Para quem não se lembra, eles gravaram uma música que virou até tema para o programa de rádio do locutor Silvio Luiz, chamada “Futebol, Mulher e Rock n’ Roll” (contando com a voz do próprio Silvio). Há alguns anos lançaram um álbum chamado Listen to the Doctors, com uma ótima lista de covers com “Doctor” no nome.

Mais recentemente veio a música chamada “Número 1”, em homenagem ao goleiro Rogério Ceni, uma vez que os três integrantes da banda são torcedores do São Paulo.

E o álbum mais recente da banda, conta com uma série de homenagens. O filme “Star Wars” e o Corpo de Bombeiros são alguns dos lembrados pelo trio em suas músicas. Mas a principal lembrança fica por conta de Ronnie James Dio, cantor morto em 2010, que ganhou uma música chamada “The King”.

Muitos músicos prestaram tributo ao Dio, então não seria nada demais se fosse apenas mais uma lembrança ao ídolo. Não é o caso com o Dr. Sin. A homenagem foi tão forte que alguns mais maldosos poderiam até dizer que eles fizeram plágio do ex-vocalista.

Começa com a introdução que lembra muito a de “Rainbow in the Dark”, do Dio. Depois vem o timbre vocal de Andria Busic e o “look out” tantas vezes cantado pelo ex-frontman do Black Sabbath e do Rainbow, entre outros.

Logo em seguida vem um riff bem característico de “Caught in the Middle”, os trechos na letra com “Every time there’s a rainbow” (referência clara á ex-banda e a um dos maiores sucessos de Dio), “Long Live Rock and Roll” (nome de outro clássico cantado por Dio), “Sacred Heart” (álbum de Dio lançado em 1985), além de nome e refrão com The King (“King of Rock and Roll” é mais um nome de clássico gravado pelo cantor).

O solo é bem fiel aos que foram executados em músicas cantadas por Dio, além do riff em seguida que é uma clara referência a “Heaven and Hell”, maior sucesso de Ronnie James Dio no Black Sabbath. Do começo ao fim, não dá para negar que se trata de uma homenagem ao cantor norte-americano, uma justa homenagem, aliás.

É curioso como o Dr. Sin consegue encaixar tantas referências ao homenageado na música, da mesma forma que impressiona a capacidade da banda em acumular tributos na carreira, o que é só para quem sabe fazer, pois já ouvi muita homenagem por aí que mais parecia uma afronta ao agraciado.

‘Deselegância’ de Edu Falaschi e a UTI do Metal brasileiro

No último domingo foi realizado pela primeira vez um show para celebrar o Dia do Heavy Metal Brasileiro. Idealizada por Thiago Bianchi, produtor musical e vocalista da banda Shaman, a data não teve muita divulgação, exceto por anúncios discretos em veículos especializados.

Logo, um evento que reunia bandas importantes no cenário atual como Almah, Hangar e Shaman foi um verdadeiro fracasso de público, o que causa preocupação para quem acompanha e valoriza o cenário musical.

Marcado por fazer declarações fortes recentemente quando fala sobre o Angra, o Almah e o público atual do Metal, o vocalista Edu Falaschi não segurou a frustração e soltou o verbo em um desabafo no qual apelou em alguns termos um tanto quanto impróprios, tendo razão em muita coisa, principalmente em relação ao fato de o Heavy Metal brasileiro respirar por aparelhos.

A oferta de shows internacionais no Brasil cresceu nos últimos anos e bandas como o Iron Maiden batem cartão em terras tupiniquins. Os shows são sempre lotados. A concorrência ficou desleal para as bandas nacionais, que já não faturam nada com vendas de discos, já que seus produtos não estão nas grandes lojas e o público atual é mais preguiçoso e mão de vaca: Faz download de tudo e não vai atrás para comprar nenhum disco e quando o gasta seu dinheiro é com uma banda estrangeira.

Os problemas não são exclusividade do Heavy Metal, mas de vários outros gêneros. Edu Falaschi não é o primeiro e nem será o último a chiar. Aliás, já ouvi os caras do Dr. Sin reclamarem há uns três ou quatro anos, assim como li os manifestos de Thiago Bianchi.

Por outro lado, lembro de ter lido há uns cinco ou seis anos o cantor Andre Matos dizer que a pirataria não assustava tanto, já que o público do Heavy Metal era fiel e comprava os discos, além de comparecer aos shows. Que mesmo baixando os arquivos de MP3, comprava o CD e o DVD para guardá-los como item de coleção. Sim, a coisa mudou. Aquele público que se dizia fiel, não tem mais fidelidade alguma, exceto com bandas com o Iron Maiden, que conseguiu disco de ouro no Brasil com o esquisito álbum Final Frontier, por exemplo.

A mídia especializada também piorou muito. Tente ler as entrevistas repetitivas e as resenhas chatas e manjadas nas páginas da revista Roadie Crew. A tarefa é dura. E aguentar então aquele perfil de programa infantil incorporado pela galera do Stay Heavy, programa especializado de TV. O Whiplash, que é o maior site de Metal do país, passou a apelar em suas manchetes, além de abrir espaço a outros gêneros. Enfim, é tudo pela vendagem, pela grana, como qualquer veículo de imprensa que necessita de margem de lucro.

O problema que vejo é simples: os meios do Heavy Metal estão seguindo um padrão pop para atrair a outros públicos. Enquanto isso, não se consegue emplacar o material feito no Brasil em eventos grandes realizados por aqui, e não são poucos. No Rock in Rio o espaço para o Metal brasileiro foi bem pequeno e amador, no festival SWU não há Heavy Metal nacional e o espaço na mídia em geral inexiste para quem não é Metallica, Iron Maiden e etc.

O que existe hoje na mídia em geral é o culto à celebridade e o Heavy Metal brasileiro passa longe de ser celebridade, exceto por um Andreas Kisser aqui, um Kiko Loureiro ali. Claro que a preguiça de um público “acostumado a leite com pêra” (“mimado”, para quem não entendeu o termo anterior) atrapalha e aí faz todo sentido a frase mais interessante de Edu Falaschi no final da entrevista que virou pronunciamento: “Fiquem aí com o Restart”.

Para quem não quer lembrar no futuro que o Rock bem feito no Brasil morreu para dar espaço a Restarts e NXZeros da vida, deixo abaixo uma lista com coisa muito boa que é ou foi feita por aqui.

Akashic, Almah, Angra, Astafix, Carro Bomba, Dr. Sin, Hangar, Harppia, Korzus, Krisiun, Mindflow, Musica Diablo, Nando Fernandes, Scelerata, Sepultura, Shadowside, Shaman, Stormental, Symbols, Torture Squad, Tribuzy, Tuatha de Danann, Viper e Vulcano.

Ah, então o público tem que ignorar as bandas estrangeiras? Claro que não! Mas abandonar o material produzido no Brasil é lamentável! Acha que não, então confira abaixo o que temos:

Hangar

Torture Squad

Krisiun

Stormental

Almah

Shadowside

Carro Bomba

Korzus