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cantor inglês com passagens pelas bandas Deep Purple e Whitesnake

Imortais

Música e velocidade muitas vezes estão interligados. Quando não é a música que dá a você aquela vontade de acelerar contra o vento, é própria corrida que causa o momento de ouvir um som agradável, de preferência, veloz.

O barulho de uma guitarra vez ou outra se assemelha ao de um motor de carro, uma moto, ou qualquer coisa que se mova ferozmente. Como pode ser comprovado no vídeo abaixo em que pude ver e ouvir ao vivo no ano passado durante o prêmio Capacete de Ouro o guitarrista Kiko Loureiro fazendo na guitarra uma volta de Rubens Barrichello no circuito de Spa-Francorchamps da Fórmula 1.

Criei este blog para escrever sobre música e acho que as homenagens após mortes geralmente soam piegas. Mas quando uma sequência de fatalidades marca algo que gosto, fica difícil não encarar a pieguice.

Nos últimos dois domingos morreram dois pilotos notáveis. Primeiro o inglês Dan Wheldon em Las Vegas pela Indy e depois o italiano Marco Simoncelli pela MotoGP. Sim, muitos outros pilotos já morreram e isso fascina no esporte a motor: encarar o medo e se arriscar em uma atividade em que você sabe que um erro pode ser fatal, embora muitos se esqueçam quando há um longo período sem fatalidades.

Morrer fazendo o que mais gosta é muito digno e comove. Não há como ser diferente. É claro que ninguém quer morrer, mas todos morrem seja nas pistas, em casa, na padaria, no avião, no hospital ou qualquer outro lugar e hora determinada.

Lembrando disso e ouvindo pela enésima vez uma canção de David Coverdale chamada “The Last Note of Freedom” no caminho para casa senti vontade de escrever e relembrar a origem da música.

Em 1990 um filme chamado “Days of Thunder” (em português, “Dias de Trovão”) ganhou as telas pelo mundo tendo no elenco Tom Cruise, Nicole Kidman e Robert Duvall. A história era sobre um piloto da Nascar que era abusado, arrojado se arriscava e depois de muita encrenca chegava ao título da categoria recheada de acidentes nos ovais.

A trilha sonora para o filme também foi especial. Composta por David Coverdale em parceria com Billy Idol e Hans Zimmer. A interpretação de Coverdale é poderosa e única. O tema da música é simples: amor pela velocidade. Bom, eu era criança quando ouvi pela primeira vez o tema e ainda hoje não me canso de escutar.

Medo de morrer todos temos, mas quando ignoramos e encaramos este “inimigo” nos tornamos mais dignos. Como Wheldon, Simoncelli, Ayton Senna, Greg Moore, Dale Earnhardt, Gilles Villeneuve, Roland Ratzenberger, Henry Surtees, Gustavo Sondermann, Rafael Sperafico e tantos outros heróis das pistas.

David Coverdale: uma versão maliciosa de Roberto Carlos

O inglês David Coverdale está próximo de completar 60 anos e carrega consigo um histórico de sucesso nas composições com uma espécie de “default” em que as palavras “Love”, “Heart”, “Darling” e “Baby” têm presença certa.

E toda a fama de sedutor do cantor que estourou no Deep Purple e seguiu em carreira solo levando o seu ‘rock-para-não-diabéticos’ ao Whitesnake, uma das melhores bandas do estilo, fazem do homem de poderosa voz um alvo de não tão absurda uma comparação com o “rei” Roberto Carlos.

Afinal, ele também foi pioneiro no rock (nacional) com a Jovem Guarda, também acumulou seus milhões de fãs e de verdinhas escrevendo canções melosas, também gravou um acústico

Coverdale teve um grande parceiro nos tempos de Deep Purple chamado Glenn Hughes, com quem cantava e compunha… Já o parceiro de Roberto Carlos era Erasmo Carlos e nos dois casos o companheiro ficou “sentado à beira do caminho” e não fez tanto sucesso sozinho quanto RC ou DC.

E se alguém resolver julgar que o “rei” se vendeu por fazer raros shows e ficar à espreita de um contrato com a TV Globo, lembremos que Coverdale gravou comercial de cigarros Hollywood junto ao Roupa Nova.

Mas o mais curioso e que instiga a criação deste post é o fato de os dois terem tantas características do chamado “brega” (romantismo, forma de se vestir, histórico…), mas escapam do rótulo. Afinal, um é rei e o outro canta em inglês.

Ainda gosto mais do brega britânico por ser mais rock, por ser mais malicioso e por ter mais pegada (estou falando do lado musical), enquanto o “rei” resolveu gastar sua majestade ultimamente gravando com grupos de funk, forró axé e por aí vai… uma típica marionete da qual Coverdale ao menos não é.

Ok, a comparação parece ser absurda, certo? Então ouça e opine!