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Van Halen e Megadeth acertam com ‘reciclagem’ musical

Em um mundo à beira da escassez, a reciclagem é algo que felizmente está em crescimento quando falamos sobre o lixo. Encartes de discos, packs dos CDs, muita coisa já é mais sustentável na música, mas agora está virando moda “reciclar” as próprias sobras de estúdio, aquelas pelas quais apenas as gravadoras se importavam antigamente na tentativa de arrancar uma grana após a morte de um artista ou o fim de sua carreira.

O curioso é que a “reciclagem” tem dado muito mais certo do que a simples criatividade de muitos músicos. Com o automático funcionando em quase tudo, ferramentas como o Pró Tools sendo essenciais, a verdade é que a música atual chega a ficar chata de tão certinha e tão parecida.

Quando vem alguém e trabalha em cima de algo criado há mais de dez anos, a sensação é a de que “voltamos a fazer boa música”. Foi isso o que fez o Van Halen em seu retorno com um álbum de estúdio após 14 anos no lançamento de A Different Kind of Truth, na primeira semana de fevereiro de 2012.

É claro que muitos fãs devem ter torcido o nariz ao saberem que o novo álbum não é tão inédito assim, contando com sobras de estúdio e músicas refeitas, mas não dá para negar a qualidade do disco. Fica aquela sensação de que o fã é chato, pois ele claramente quer o Van Halen de 20 anos atrás e não uma banda toda moderninha que tenha o nome de Van Halen, basta usar o pouco empolgante Guns N’ Roses atual como exemplo.

Se não conta com Michael Anthony no baixo, como muitos também desejavam, Wolfgang Van Halen, o filho do guitarrista, líder e dono Eddie Van Halen, não se sai ruim. O garoto não deixa a desejar ao lado de Eddie, do tio Alex e do vocalista David Lee Roth, um intruso na atual “banda de família”. E é melhor deixar Michael Anthony ao lado do outro ex-Van Halen Sammy Hagar, do guitarrista Joe Satriani e o baterista Chad Smith no Chickenfoot, outra banda que vem trabalhando bem, como prova o álbum III, o segundo do quarteto (sim, o nome é uma brincadeira).

“Ripley”, de 1984…

…virou “Blood and Fire” em 2012

Em A Different Kind of Truth, o Van Halen coloca velocidade em “As Is”, tem a balada chiclete “Tattoo”, primeiro single do álbum. “She’s the Woman” é uma música com a cara de Lee Roth, “You And Your Blues” traz a guitarra com assinatura de Eddie e o refrão bem característico de 20 anos atrás. “China Town” também tem velocidade de Heavy Metal e conta com um “quê” de moderna, “Blood and Fire” seria facilmente colocada no álbum “Van Halen II”.

Agora, o Van Halen não é o único a se dar bem com a reciclagem musical. Já ouviu o mais recente álbum do Megadeth, o tal de Th1rt3en? Pois o disco também conta com sucata de outros tempos e o resultado sai melhor que os carros repaginados do “Caldeirão do Huck”.

Dave Mustaine não sabia se conseguiria fazer um novo álbum devido aos seus problemas no pescoço que fizeram o vocalista, guitarrista, líder e dono da porra toda no Megadeth passar por uma cirurgia. Baixista que estava afastado desde The World Needs A Hero (2001), Dave Ellefson voltou para a banda, que não abusou tanto da velocidade e apertou o dedo no botão do peso.

Sendo o 13º disco do Megadeth, com o líder Dave Mustaine tendo nascido em um dia 13, eles juram que não contam com a mesma superstição de Zagallo em Th1rt3en, que conta com treze músicas de diversas fases da banda, mas que ficaram pelo caminho e foram lançadas apenas em compilações para fã-clubes, etc.

O resultado da empreitada do Megadeth é ótimo, com destaque para “Public Enemy Nº 1” e “Sudden Death”, que pôde ser ouvida anteriormente no game Guitar Hero. “New World Order” deveria ter saído no álbum Countown to Extinction, de 1992. “Black Swan” era uma faixa bônus para o fã-clube da banda antes do álbum United Abominations (2007). O disco é finalizado com a faixa de número e nome 13, que mostra o lado acústico da banda norte-americana.

“Sudden Death” no game Guitar Hero…

…e no álbum Th1rt3en

Ainda há muitos outros músicos que reciclam músicas que não serviram a outros álbuns e se saem bem assim. Isto é um bom exemplo para aqueles novatos que adoram entrar na onda de despejar material depois de gravarem 30 músicas para um disco onde só cabem dez faixas. A não ser que você seja Axl Rose, que gravou muita coisa durante dez anos para o Chinese Democracy e algumas faixas do álbum aparentemente servem apenas para ocupar espaço no disco.

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Metallica revisita passado em show histórico para fãs selecionados

Em suas comemorações pelos 30 anos de carreira o Metallica conseguiu no sábado superar o que havia feito durante a última semana em um show fechado para seu fã-clube em São Francisco, na Califórnia, contando até com o primeiro baixista Ron McGovney e o guitarrista Dave Mustaine, o líder do Megadeth, para ter todos os membros e ex-membros ainda vivos no mesmo palco pela primeira vez, algo que muitos não imaginariam ver.

Para o fã do Metallica, um show que começa com a música “Orion”, em homenagem a Cliff Burton, é algo para ser imortalizado. E aí começam a vir o cover de “Sabbra Cadabra”, do Black Sabbath, com o baixista original da música Geezer Butler, com a sequência tocando “Iron Man” e “Paranoid” tendo não apenas Butler, mas também um tal de Ozzy Osbourne no palco.

E aí você percebe que a banda norte-americana não está para brincadeira em suas comemorações em um show que muitos pagariam uma fortuna para ver, mas apenas aquele público de fiéis da banda é que tem a oportunidade de registrar e contar para os netos um dia.

O Metallica conseguiu reunir os ex-baixistas Jason Newsted e Ron McGovney (anterior a Cliff Burton), o ex-guitarrista Lloyd Grant, o guitarrista precursor Hugh Tanner, além de Dave Mustaine. Enfim, o Metallica reuniu toda a sua história e só não teve Cliff Burton na abertura tocando “Orion” devido à tragédia que vitimou o baixista em 1986.

No fim, ficou uma lição para várias outras bandas que se recusam a fazer uma reunião. O Metallica não precisou se desfazer de sua atual formação, bastou fazer shows para seus verdadeiros fãs incluindo a participação dos ex-membros. E isso deve deixar bastante incomodados aqueles que esperam ver isso do Guns N’ Roses, por exemplo, ou dos brasileiros de Sepultura e Angra.

Veja abaixo a set list do Metallica na noite de sábado:

1. Orion
2. Through the Never
3. Ride the Lightning
4. The God That Failed
5. Welcome Home (Sanitarium)
6. Rebel of Babylon
7. Blackened (com os membros do fã-clube Dennis e Annette Diaz
8. Dirty Window (com Bob Rock)
9. Frantic (com Bob Rock)
10. Sabbra Cadabra (com Geezer Butler)
11. Iron Man (com Ozzy Osbourne e Geezer Butler)
12. Paranoid (com Ozzy Osbourne e Geezer Butler)
13. King Nothing (com Jason Newsted)
14. Whiplash (com Jason Newsted)
15. Motorbreath (com Hugh Tanner)
16. Phantom Lord (com Dave Mustaine)
17. Jump in the Fire (com Dave Mustaine)
18. Metal Militia (com Dave Mustaine)
19. Hit the Lights (com Dave Mustaine, Lloyd Grant e Ron McGovney)
20. Seek & Destroy (com Jason Newsted, Dave Mustaine, Lloyd Grant, Ron McGovney, Hugh Tanner, Mark Osegueda e o Soul Rebels)

Brigas, topless, Pai Mike Patton e música no SWU

O SWU durou quatro dias a menos que o Rock in Rio, mas se compararmos os causos por minuto, o evento em Paulínia superou o maior festival de música do mundo com muitos méritos. Tivemos assunto para todo tipo de (mau) gosto.

O evento teve início no sábado com Marcelo D2 fazendo campanha pela liberação da maconha poucos dias após toda aquela discussão distorcida de alunos da USP e Polícia Militar de São Paulo, apenas uma curiosidade. O ponto alto foi a apresentação do Black Eyed Peas, com sua temática futurista e um colírio para os marmanjos com as reboladas da vocalista Fergie.

Mas a coisa esquentou mesmo foi no domingo, logo o dia em que a chuva começou a prejudicar a organização, que ao que parece não convocou nenhuma entidade sobrenatural para evitar o castigo de São Pedro. O destaque ficou por conta do quebra-pau rolando atrás do palco enquanto o Ultraje A Rigor se apresentava.

A briga acabou deixando em segundo plano a apresentação da banda brasileira, assim como a do próprio Peter Gabriel, que teve seus funcionários desligando equipamentos e discutindo com o pessoal do Ultraje. E está aí o que poucos sabiam, o ex-líder do Genesis não é apenas chato por sua música. No dia seguinte houve pedido de desculpas a Roger Moreira pelo incidente que o cantor/ativista disse não saber que estava ocorrendo. Um pedido de desculpas aos fãs que tiveram de aguentar o porre que é o seu show também não seria ruim.

Agora, se a ideia no domingo era causar, a convidada para fechar o New Stage não poderia ser outra que não Courtney Love e o seu Hole. A viúva de Kurt Cobain desafinou, fez um show meia-boca, exibiu os seios, xingou Dave Grohl e o Foo Fighters e ainda trocou ofensas com os fãs que carregavam imagens do ex-líder do Nirvana. Depois saiu do palco e ficou do lado de fora louca para ser chamada de volta. Um belo tapa na cara de quem gosta daquela coisa e de quem esperava algo bom de Courtney Love.

Para salvar o domingo teve o Lynyrd Skynyrd. Se alguns ainda têm coragem de classificar os veteranos como uma banda cover daquela que nos anos 70 perdeu integrantes em um trágico acidente aéreo, ninguém pode negar que ao vivo os caras não deixam a desejar. Os norte-americanos despejaram uma série de clássicos e empolgaram os fãs até o desfecho com “Free Bird”, a música que equivale ao nosso “Toca Raul!”.

O último dia foi marcado por bandas que certamente estariam no primeiro escalão de um Rock in Rio caso ele tivesse ocorrido na década de 90 e o retrô agradou a muitos fãs de bandas como Alice in Chains, Faith No More e Megadeth.

Claro que o dia teve seu momento mais curiosou, com um arredondado Phil Anselmo dando microfonadas na própria cabeça durante o show de sua banda, o Down. Depois teve a voz de pato de Dave Mustaine dando umas variadas em um show bem executado pelo Megadeth na divulgação do ótimo novo álbum Th1rth3n.

Com a formação criada há cinco anos, mas que muitos ainda chamam de nova devido à ausência dos falecidos Layne Staley e Mike Starr, o Alice in Chains subiu ao palco Consciência tendo problemas com o som, que durante as primeiras músicas sumiu com o microfone do vocalista William DuVall. Com a melhora técnica deu para perceber que o vocal dele não empolga, mas Jerry Cantrell continua salvando a pátria liderando a banda.

Para encerrar, nenhum mestre de cerimônias poderia ser mais ideal que Mike Patton junto ao seu Faith No More. O cara é um showman nato, faz bem o seu marketing e carrega a apresentação com maestria. Destaque para o palco parecendo um terreiro de umbanda e a roupa do vocalista que estava um legítimo pai de santo, era o Pai Patton, com direito até ao cigarrinho.

O show foi aberto pelo poeta pernambucano Cacau Gomes, que depois ainda fez outra participação já próximo ao fim do show. Falando palavras em português para a plateia, Patton ainda chamou para o encerramento um coral de garotas de Heliópolis.

Com direito a reger o público a cantar “Porra, Caralho”, Mike Patton e o Faith No More fecharam o festival de forma bastante digna com clássicos de toda a carreira e no final um agradecimento curioso a São Paulo, Paulínia, Campinas e… ao Palmeiras! Sim, por influência dos irmãos Cavalera (ex-Sepultura), o vocalista parece ter adotado o clube paulista como o seu favorito e toda vez que se apresenta no Brasil faz questão de exaltar ou vestir uma camisa do clube.

Ainda teve Chris Cornell, Duff McKagan’s Loaded, Raimundos, Stone Temple Pilots e outros. O festival pode ter sido curto, problemático pela chuva e a lama, mas teve ótimos momentos seja para quem gosta de música ou quem está atento apenas a barracos mesmo.