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Ex-baterista da banda Nirvana, vocalista, guitarrista e líder da banda Foo Fighters

Rock vivo e com muita raça: o show que eu não vi

Muitos não devem se lembrar, mas no dia 24 de fevereiro de 2000, o Foo Fighters realizaria seu primeiro show em solo brasileiro e seria na cidade de São Paulo, no então recém-aberto Credicard Hall.

A banda havia acabado de deixar de ser um trio com a entrada do guitarrista Chris Shiflett, mas devido à morte do pai do estreante da banda houve o adiamento do show, que depois virou oficialmente o cancelamento, em caso que rendeu até uma certa polêmica em relação à casa, que demorou a admitir o cancelamento e a devolução do valor pago pelos ingressos.

O Foo Fighters vivia um grande momento com o lançamento de “There Is Nothing Left to Lose” e o sucesso dos videoclipes de “Learn to Fly”, “Breakout”, “Generator” e “Next Year”. Logo no ano seguinte houve o Rock in Rio 3 e a banda visitou o Brasil pela primeira vez, mas nada de tocar em São Paulo.

A espera foi grande. Como o próprio Dave Grohl declarou durante o show de sábado no Lollapalooza, 17 anos se passaram desde o início da banda. Fãs ansiosos, venda de ingressos a todo vapor e um momento em que o Foo Fighters é a grande banda de Rock. Tinha tudo para dar certo.

De repente um cisto ameaça a voz de Dave Grohl, shows são cancelados, mas em São Paulo a banda se esforça e o que era a preocupação de muitos se transformou em um grande show. Eu não assisti. Acabei tendo de vender meu ingresso por não haver percebido antes que a data coincidia com a do confronto entre Brasil e Colômbia na Copa Davis e o assessor de imprensa da CBT não poderia dar o cano no nosso principal evento de tênis.

Eis que o show foi transmitido pelo Multishow e algum fã me fez o favor de postar no YouTube. Não vou entrar no mérito de quesitos técnicos, pois seria injusto por não ter ouvido o som original e pela qualidade discutível da gravação. É perceptível que a voz do líder do Foo Fighters sai para passear em alguns momentos, mas a banda não se afeta e mantém a garra até o final.

A apresentação passou por todas as fases na carreira da banda, teve grandes momentos com “The Pretender” somada de alguns trechos de “Custard Pie”, do Led Zeppelin, e sucessos da banda como “Breakout”, “Learn to Fly”, “Long Road to Ruin”, “Best of You”, a dobradinha “Bad Reputation” e “I Love Rock and Roll”, ambas com Joan Jett, e a finalização com “Everlong”. Não poderia ser melhor.

O show do Foo Fighters me faz lembrar daquele time que tem vários problemas e ainda assim dá o sangue para sair de campo vencedor, me lembra daquele tenista que na sexta-feira se viu à beira da decepção e se elevou ao status de herói. É óbvio que qualquer comparação pode soar indevida, mas é sempre bom saber que aqueles que te tiraram de casa para ver algo mostram que valeu a pena.

Li relatos de Thays Almendra sobre problemas de segurança, transporte e outros pontos de desorganização do Lollapalooza, o que infelizmente é uma tradição nos festivais de música que são organizados por aqui. É curioso que uma cidade como São Paulo, que tem tudo aberto 24h, não tem transporte público a partir de 0h30, por exemplo, assim como é lamentável saber que milhares de policiais são deslocados para proteger torcidas organizadas de futebol, mas nem metade disso faz a segurança de um evento com milhares de pessoas que vão para se divertir e se tornam vítimas da insegurança paulistana.

Para quem não viu o show, acredito que não vai levar muito tempo para ter uma reprise no Multishow. Caso a qualidade de som e imagem não seja um problema para você, o YouTube oferece algumas opções. Em todo caso, veja a set list da banda que dá tapa na cara de quem adora dizer que “o Rock está morto” ou que “os Arctic Monkeys da vida são a salvação do Rock”.

1. All My Life [One by One – 2002]
2. Times Like These [One by One – 2002]
3. Rope [Wasting Light – 2011]
4. The Pretender (com interlúdio de “Custard Pie”, do Led Zeppelin)  [Echoes, Silence, Patience & Grace – 2007]
5. My Hero [The Colour and the Shape – 1997]
6. Learn to Fly [There Is Nothing Left to Lose – 1999]
7. White Limo [Wasting Light – 2011]
8. Arlandria [Wasting Light – 2011]
9. Breakout [There Is Nothing Left to Lose – 1999]
10. Cold Day in the Sun (com Dave Grohl na bateria e Taylor Hawkins nos vocais)  [In Your Honor – 2005]
11. Long Road to Ruin [Echoes, Silence, Patience & Grace – 2007]
12. Big Me [Foo Fighters – 1995]
13. Stacked Actors [There Is Nothing Left to Lose – 1999]
14. Walk [Wasting Light – 2011]
15. Generator [There Is Nothing Left to Lose – 1999]
16. Monkey Wrench [The Colour and the Shape – 1997]
17. Hey, Johnny Park! [The Colour and the Shape – 1997]
18. This is a Call [Foo Fighters – 1995]
19. In The Flesh (Cover do Pink Floyd)
20. Best of You [In Your Honor – 2005]
Bis
21. Enough Space [The Colour and the Shape – 1997]
22. For All the Cows [Foo Fighters – 1995]
23. Dear Rosemary [Wasting Light – 2011]
24. Bad Reputation (Cover de Joan Jett and the Blackhearts, com Joan Jett)
25. I Love Rock ‘n’ Roll (Cover de The Arrows, com Joan Jett)
26. Everlong [The Colour and the Shape – 1997]

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Dave Grohl e o Foo Fighters têm muito a ensinar…

O Foo Fighters é hoje a banda mais agradável do mundo quando se fala em Rock, aquele Rock puro, sem sufixos ou prefixos que tanto embolam o gênero musical e deixam o ouvinte cada vez mais perdido e sem saber se aquilo que ele gosta é Rock, Pop, ou qualquer outra coisa.

Há 20 anos muito se falava sobre o Nirvana e toda aquela febre criada pela banda que tinha Dave Grohl na bateria. Mas ao saltar do banquinho com baquetas nas mãos para a linha de frente com o microfone e uma guitarra, Dave Grohl construiu uma banda muito melhor tecnicamente que o Nirvana e que faz bons álbuns e clipes sem todo aquele ‘esforço’ que a banda de Kurt Cobain muitas vezes passava como artificial.

O grupo que desembarca no Brasil em abril para realizar show na versão brasileira do festival Lollapalooza se supera a cada nova ação que faz. Em 2011 lançaram um álbum gravado na garagem com Butch Vigh, baterista do Garbage e produtor do Nevermind, do Nirvana, e o Wasting Light foi um puta disco!

Muita gente não gosta de admitir que o Foo Fighters é bom e que gostou do novo disco justamente por ainda ser uma das poucas bandas de Rock com espaço nas emissoras musicais da TV e nas que tocam Pop/Rock no rádio. Mas a pegada que os caras demonstram no palco e no estúdio são louváveis.

Em Wasting Light você encontra peso, melodia, ótimas composições, um som sem nenhuma frescura. Em certos momentos a coisa chega até a se aproximar de um Metal com os urros de Dave Grohl em “White Limo”, que tem em seu vídeo a aparição de Lemmy Kilmister, o líder/dono do Motörhead.

A banda traz a participação de Krist Novoselic em “I Should Have Known” e a melhor faixa do álbum na opinião do blogueiro é a já popularizada “Walk”, que além da qualidade musical conta com um vídeo muito bem feito, que explora o bom humor, marca registrada da banda em seus clipes.

Enquanto tem alguns Nickelbacks e outras porcarias por aí se passando por Rock e sendo ‘homenageados’ por roqueiros devido a isso, o Foo Fighters sim faz um verdadeiro Rock e quando seu líder é questionado pela revista Billboard dos Estados Unidos sobre ser a melhor banda do mundo, o cara vem com essa:

“Eu acho que somos uma merda e nós tentamos fazer bons discos e ensaiamos. Não nos sentimos como a maior e melhor banda do mundo. Nós apenas nos sentimos como os mesmos cinco palhaços que estavam excursionando em uma van há 17 anos, isso não mudou”.

Tem muita banda por aí precisando aprender com o Foo Fighters. Aliás, não apenas as bandas, mas as pessoas em geral também têm muito a aprender!

Então é Natal? Um 2012 menos bundão e mais Rock a todos!

E então? É Natal? É, talvez seja, ou não. Tudo depende de quando você está lendo este texto enquanto poderia estar comendo, bebendo, dormindo, entregando presentes ou tomando beliscões na bochecha da avó.

Enfim, este é o último post que escrevo em 2011. Claro, eu gostaria de ter feito muito mais. Inclusive programei outros discos que gostei no ano para resenhar como os do Coldplay, do Sepultura e do Foo Fighters. Mas não deu tempo, pois alguns devem saber que deixei o UOL Esporte na semana passada e então tive que cumprir uma série de burocracias para lá e também para a minha nova casa.

A partir do dia 3 de janeiro passo a fazer parte da assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Tênis. O blog continuará existindo, talvez ainda com esse material que deixei passar, mas com outras novidades também. O Espelho Mau é quase um filho para mim e como gosto de crianças, não pretendo abandoná-lo.

Enfim, voltando ao fato de cumprir ou deixar de cumprir coisas, eu deixei muitas a fazer neste ano não foi apenas no blog. Assim como cada um que perdeu um pouco do precioso tempo por aqui também deixou, ficou devendo e aquelas promessas de emagrecer, casar, adquirir uma propriedade e parar de beber (essa e a de emagrecer são meus clichês no fim de ano) novamente foram adiadas.

Não comemoro Natal. Desde cedo já soube que o Papai Noel não existia. Chamava até o sujeito que se vestia de vermelho naquele puta calor pelo nome verdadeiro enquanto as outras crianças ficavam ansiosas para que ele chegasse com os presentes. Mas ainda assim eu sou obrigado a admitir que acho esse “clima” bacana.

Se não for pedir muito (pedi algo até agora? Não? Ah, então aí vai), gostaria que essas pessoas que gostam de ficar com o coração mole no Natal, fizessem isso para a vida. Que tal dar bom dia para o porteiro sempre e não apenas no dia 25? Que tal tratar as outras pessoas como semelhantes sempre? Presentes? Sempre que posso presenteio as pessoas que gosto. Não preciso da desculpa do Natal e do “clima de paz” para isso. Uma das coisas que mais me irritam com o Natal é ver fulano aos abraços nos dias 24 e 25, mas quebrando o pau a partir do dia 26 de dezembro. Hipocrisia do cacete!

Enfim, desejo a todos os que acreditam e comemoram Natal, um Feliz Natal! E espero que 2012 seja um ano mais legal, mais progressivo, mais Rock e menos Emo, mais irresponsável e menos bunda mole para todos! Tenho novos planos, novos caminhos e novos desafios, espero conseguir cumprir até onde der, para depois voltar com novas promessas para 2013! É assim, muda o número, a gente fica mais velho, mas no fim, somos os mesmos.

Ah? Mas cadê a porra da música nesse blog? Ok, o texto ficou parecendo aqueles e-mails de fim de ano que você já marca automaticamente como Spam. Então, ficamos por aqui com um dos covers mais tocados nesta época do ano. Chega aí, Simonão!

Se preferirem, temos a versão original da música, Happy Xmas (War is Over) composta por John Lennon e a mardita Yoko Ono. A versão foi lançada oficialmente em 1971 e completa neste dezembro 40 anos.

E para quem gosta de algo um pouco mais pesado, seguem as melhores versões de todos os tempos para as músicas de Natal!

“We Wish You a Merry Xmas”, com Jeff Scott Soto, Bruce Kulick, Bob Kulick, Chris Wyse e Ray Luzier.

“Run Rudolph Run”, com Lemmy Kilmister, Billy Gibbons e Dave Grohl.

“God Rest Ye Merry Gentlemen”, com Ronnie James Dio, Tony Iommi, Rudy Sarzo e Simon Wright.

“Silent Night”, com Chuck Billy, Scott Ian, Jon Donais, Chris Wyse e John Tempesta.

Quer mais? Então compre o álbum We Wish You a Metal Xmas and a Headbanging New Year, que foi lançado em 2008 e tem ainda mais pérolas de Natal. Tem ainda o álbum A Twisted Christmas, do Twisted Sister, que é excelente.

Tem ainda o Skid Row tocando “Jingle Bells”

E fechamos a porta com o ex-vocal do Iron Maiden, Paul di Anno mandando “Another Rock and Roll Christmas”

See Ya!

Amado e odiado, Nevermind completa 20 anos

O dia 24 de setembro de 1991 foi um marco para o Rock mundial. Você pode não gostar, pode achar Kurt Cobain um tremendo idiota que fez bem ao mundo ao atirar contra o próprio maxilar. Mas é difícil negar que o álbum Nevermind foi um dos feitos mais marcantes do Rock moderno e disso já se vão 20 anos.

Nevermind é marcante por contar com uma capa genial (o então bebê Spencer Elden nadando atrás de uma nota de dólar presa em um anzol), por ter uma sonoridade suja e diferente do que se fazia até então e pelas músicas no melhor estilo “fodam-se todos” que Kurt Cobain adorava passar.

Outro fator curioso é que o trio Nirvana da época era uma banda bem balanceada. O baterista Dave Grohl sempre mostrou talento com as baquetas (hoje é indiscutível à frente do Foo Fighters), Krist Novoselic era o músico ruim que contava com o fato de ser amigo de Kurt Cobain, que alternava momentos de gênio e débil.

Kurt Cobain nunca foi um guitarrista dos mais talentosos, seu vocal também deixou a desejar em muitos momentos com mais gritos do que qualquer outra coisa. Mas há coisas boas a se notar em Nevermind.

Graças ao Nirvana muitos garotos da época aprenderam a tocar guitarra, já que as músicas eram bem fáceis. Outra coisa que a banda conseguiu marcar são os riffs simples, que podem ser notados por qualquer ser que tenha vivido e ouvido música de 1991 para cá.

“Smells Like Teen Spirit”, “Lithium”, “Come As You Are”, “In Bloom” e a aparentemente inocente “Polly” são todos hits radiofônicos mesmo hoje depois de 20 anos. Mas ainda há músicas interessantes no álbum como “Breed”, “Drain You”, “On A Plain” e a melancólica “Something In The Way”, quando Kurt Cobain declara ser legal comer peixes por ‘eles não terem sentimentos’…

No Brasil o álbum sofreu com a Sony, que lançou a versão nacional do álbum decepada, com a ausência de Endless Nameless.

Já fui bem fã do Nirvana na adolescência, mas hoje vejo que eles são bem culpados pela péssima geração atual do Rock. O que era Grunge partiu para o oba oba que muita banda de moleques toca por aí.

A música mudou muito nos últimos 20 anos e o próprio Cobain se rebelava contra o próprio sucesso quando morreu. O Nirvana era o mainstream que queria ser alternativo. Mas acho que ele não esperava que a coisa ficasse tão pior.

Em tempos de Rock In Rio, confira a versão da música “Smells Like Teen Spirit”, o grande chiclete do Nirvana que foi tocado no Hollywood Rock em 1993 com participação inusitada de Flea, baixista do Red Hot Chili Peppers.