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gênero musical brasileiro

Chorando se foi da Bolívia para o resto do mundo

Alguns sucessos grudentos como chiclete insistem em voltar à tona mesmo depois de parecerem mortos e enterrados há um bom tempo. E aí quando se procura mais sobre a música você percebe que ela ganhou sobrevida inúmeras vezes em seus 30 anos de existência.

A canção aqui citada é a famosa “Llorando se Fue”, composta e gravada em 1981 pelo grupo típico boliviano Los Kjarkas. Sim, se você já era nascido entre o final dos anos 80 e o início dos 90 também deve ter ouvido o grupo brasileiro Kaoma fazer uma versão em português e espalhar a lambada por tudo o que é canto.

O que alguns talvez não saibam é que a versão brasileira foi “parangoleada”, ou seja, não teve a autorização do grupo made in Bolívia e isso acabou causando uma briga judicial e o acerto de um acordo em valores não divulgados. Isso pode não ter incomodado muito o Kaoma, já que a sua versão fez sucesso internacional com algo em torno de 5 milhões de cópias vendidas de seu disco, obtendo destaque na Áustria, na França e nos países escandinavos (!?!?).

Ainda teve no mesmo ano um cover da Fafá de Belém para a música. Ok, mas isso foi em 1989 e algum tempo depois a música já estava esquecida, certo? Errado! Os anos 90 se passaram, vieram os anos 2000 e quem é que apareceu junto? “Llorando se Fue”! ou “Chorando se foi” mesmo, como queira.

Em 2008 a cantora baiana Ivete Sangalo passou a cantar “Chorando se foi” em seus shows em um medley que ainda tinha um trecho de “Preta”, do mito Beto Barbosa. No ano seguinte, o DJ francês Bob Sinclar aproveitou um sampler da música para lançar sua faixa “Give Me Some More”. E então veio Nando Reis, que se juntou ao Calypso para castigar a todos os ouvidos no ano passado com versão do clássico brega no álbum Bailão do Ruivão.

Parecia que tudo tinha acabado, que a música de origem boliviana havia atingido o máximo possível de sucesso. Mas quis o destino, também apelidado de J-Lo, que não. É verdade, a cantora pop norte-americana Jennifer Lopez, muito famosa pelos atributos físicos e jurada do American Idol, usou sampler de “Llorando se fue” para versões cantadas em espanhol e inglês na música “On The Floor”, um dos grandes hits de 2011 no álbum intitulado Love?. E a moça já atingiu a terceira colocação no Billboard Hot 100 com a brincadeira.

Se você ficou curioso, pode conferir algumas das versões no vídeo abaixo. E não se preocupe, logo alguém aparece fazendo uma nova versão ou usando um sampler em uma nova música e a trintona “Llorando se fue” não vai sair da sua cabeça.

David Coverdale: uma versão maliciosa de Roberto Carlos

O inglês David Coverdale está próximo de completar 60 anos e carrega consigo um histórico de sucesso nas composições com uma espécie de “default” em que as palavras “Love”, “Heart”, “Darling” e “Baby” têm presença certa.

E toda a fama de sedutor do cantor que estourou no Deep Purple e seguiu em carreira solo levando o seu ‘rock-para-não-diabéticos’ ao Whitesnake, uma das melhores bandas do estilo, fazem do homem de poderosa voz um alvo de não tão absurda uma comparação com o “rei” Roberto Carlos.

Afinal, ele também foi pioneiro no rock (nacional) com a Jovem Guarda, também acumulou seus milhões de fãs e de verdinhas escrevendo canções melosas, também gravou um acústico

Coverdale teve um grande parceiro nos tempos de Deep Purple chamado Glenn Hughes, com quem cantava e compunha… Já o parceiro de Roberto Carlos era Erasmo Carlos e nos dois casos o companheiro ficou “sentado à beira do caminho” e não fez tanto sucesso sozinho quanto RC ou DC.

E se alguém resolver julgar que o “rei” se vendeu por fazer raros shows e ficar à espreita de um contrato com a TV Globo, lembremos que Coverdale gravou comercial de cigarros Hollywood junto ao Roupa Nova.

Mas o mais curioso e que instiga a criação deste post é o fato de os dois terem tantas características do chamado “brega” (romantismo, forma de se vestir, histórico…), mas escapam do rótulo. Afinal, um é rei e o outro canta em inglês.

Ainda gosto mais do brega britânico por ser mais rock, por ser mais malicioso e por ter mais pegada (estou falando do lado musical), enquanto o “rei” resolveu gastar sua majestade ultimamente gravando com grupos de funk, forró axé e por aí vai… uma típica marionete da qual Coverdale ao menos não é.

Ok, a comparação parece ser absurda, certo? Então ouça e opine!