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Senta lá, Cláudia!

O baixo número de atrações de Rock na quarta edição brasileira do festival Rock in Rio fez da cantora carioca Cláudia Leitte a vítima de reclamações de roqueiros contra o evento. Virou febre nas redes sociais a piadinha de que “se a Cláudia Leitte pode tocar no Rock in Rio, o Metallica tem que tocar no Carnaval da Bahia”.

São piadas, o público pega no pé contra o evento que tem Rock no nome, coisa normal e que poderia ser relevada por uma artista do tamanho que tem atualmente a cantora de axé, que leva multidões em seus shows e tem seus discos entre os mais vendidos. Mas a resposta de Cláudia Leitte beirou o infantil.

A cantora publicou em seu blog uma comparação do tratamento dos roqueiros que só querem Rock no Rock in Rio com o nazismo de Hitler, um dos acontecimentos que mais marcaram a humanidade e que nem deveriam ser citados em uma coisa banal como essa discussão de o Rock in Rio ter ou não Rock. Ela ainda criticou as atrações internacionais que se apresentaram no mesmo dia no Rock in Rio, as cantoras pop Kate Perry e Rihanna.

“Artistas internacionais vêm pra cá, mostram a bunda, atrasam-se por 2 horas pq estão dando uma festinha no camarim, não conseguem conciliar a respiração com o canto, não preparam espetáculos para o nosso povo, desafinam, enfim, pouco se importam conosco, querem beijar na boca, ir à praia e tomar nossa cachaça, e nós, que pagamos caro para assistir aos seus “espetáculos” em nossa terra, aplaudimos a tudo isso. Ah! É Rock! É Pop! É bom!”, escreveu a cantora.

Depois de escrever o post descobri fui informado que a cantora foi vaiada no Rock in Rio e não pelos roqueiros, mas pelo próprio público que estava lá para ver seu show. Em um vídeo divulgado no YouTube, Cláudia Leitte é vaiada após iniciar a música “Corda do Caranguejo”, quando o público que estava sendo esmagado à frente do palco gritava “Não!”. A reação da cantora foi: “A pergunta que não quer calar é a seguinte: Você aguenta o curso? Foi por isso que você se matriculou”, e aí deu no que deu. O pessoal não aprovou.

Não vi outras atrações do evento choramingando por isso, pelo contrário. Também me parece uma coisa muito desagradável um artista criticar o profissionalismo ou a falta dele por parte de outro cantor ou cantora que se apresentou no mesmo dia, no mesmo palco.

Ainda mais lembrando que no Brasil adoramos exaltar a quem exibe a bunda, não dispensamos a caipirinha, a cachaça, beijar na boca e etc. E os estrangeiros sempre ‘roubam’ o público de artistas brasileiros no Rock, em que as bandas nacionais estão cada vez contando com um público menor devido ao aumento de shows internacionais. Algum artista roqueiro protestou contra isso? Da mesma forma? Não.

E o set list apresentado pela cantora até que foi o “mais Rock” comparado com as cantoras que se apresentaram na última sexta-feira no dia de abertura do festival. Cláudia Leitte tocou “Manguetown” de Chico Science & Nação Zumbi, além de mandar o reggae do Led Zeppelin “Dy’er Mak’er” e um trecho de “(I Can’t Get No) Satisfaction”, dos Rolling Stones, durante “Beijar na Boca”, um dos sucessos da cantora.

Enquanto Claudia Leitte ainda está preocupada com os comentários após o seu show, a cantora baiana Ivete Sangalo, que se apresenta nesta sexta-feira no Rock in Rio, responde com bom humor e uma dose de ironia quando questionada se está preocupada por tocar axé no evento.

“Não vou fazer malabarismos, virar cambalhota, nem cantar uma música da Alanis Morissette para conquistar o público. Eu sou uma cantora de axé e por isso fui contratada no festival”, disse a cantora ao jornal O Globo.

Ivete Sangalo ainda lembra que o seu axé também tem guitarras e brinca ao lembrar que tem músicas com riffs pesados como heavy metal. “‘Dalila’ é a minha música mais Heavy Metal e vai estar no repertório também. Gosto muito de som pesado. Aliás, o axé tem uns riffs de guitarra, que, se apertar um pouco mais, vira Heavy Metal. Nada é mais Rock N’ Roll do que o axé”.

Com declarações deste tipo, duvido muito que a companheira ou rival de gênero musical de Cláudia Leitte tenha o mesmo tipo de reação para as reclamações do público roqueiro. Até porque o dia do Rock puro no festival foi no último domingo e já acabou.

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Criador de Tieta, Pai do Axé dá uma aula de Rock!

Luiz Caldas é conhecido como o pai do axé, se consagrou com sucessos como “Tieta” e “Haja amor”, além de ter criado os singelos versos “pega ela aí para passar batom, de cor de violeta na boca e na bochecha” e “batom azul na boca e na porta do céu” em “Fricote”, também conhecida como “Nega do Cabelo Duro”. (obs.: os versos deixam no ar possíveis rimas que são de uma malícia digna do AC/DC)

Lembro que no início da década de 90 ainda era bem comum ver Luiz Caldas em programas de TV e ouvir suas músicas por aí. E aí o axé se consolidou. Vieram o Asa de Águia, o Chiclete com Banana, a Banda Eva (de onde saiu Ivete Sangalo) e mais um monte de gente.

O axé leva cada vez mais público seja no carnaval ou nas micaretas, enquanto ultimamente Luiz Caldas vivia à sombra do sucesso dos outros músicos do gênero. E então o baiano resolveu mostrar o seu vasto conhecimento musical e lançou no ano passado uma série de discos de diferentes estilos, sendo o mais surpreendente o rock.

Assim como Durval Lélys, do Asa de Águia, Luiz Caldas se declara fã de vários grupos de rock como o Pink Floyd e o AC/DC, além de já ter aparecido em público vestindo uma camisa da banda alemã de heavy metal Kreator.

O gosto do músico pelo rock talvez não seja muito novo, assim como a gravação do disco, já que diversos veículos de imprensa noticiaram o fato e recentemente ele esteve no Programa do Jô, na TV Globo, para cantar a música “Maldição”.

Mas o que pode surpreender a muitos é a pegada do som tocado por Luiz Caldas. É muito curioso dizer que o disco que talvez seja um dos melhores do Brasil no rock atual foi feito pelo “Rei do Axé”.

No álbum Castelo de Gelo, se destacam o heavy metal “Maldição”, que tem vocal agressivo, riffs pesados e uma letra característica, além de “No Bar”, veloz e ‘na cara’, além da faixa-título, um hard rock com uma ótima levada e uma melodia bacana.

Luiz Caldas é o exemplo claro de que não adianta caprichar mais nas cores do que na música, e também mostra ser possível fazer música boa apostando nos riffs de guitarra, em letras despojadas, sem aquele apelo que boa parte da garotada tem hoje em dia com o rock, que atualmente é tão cafona quanto o sertanejo universitário.

Qual a semelhança entre Asa de Águia e Pink Floyd?

Uma das maiores bandas de todos os tempos, o Pink Floyd está inativo há 15 anos (com uma pequena apresentação no Live 8, em 2005), mas os frutos deixados pelo grupo inglês que mudou o rock nos anos 70 e 80 inspiraram vários músicos, entre eles Durval Lélys, líder do grupo de axé Asa de Águia.

Para os roqueiros de plantão que já preparam os xingamentos ao blogueiro que vos escreve, recomendo que conheçam a origem do Asa de Águia, que surgiu na Bahia no final dos anos 80 como um grupo de rock, mas se curvou ao axé para alcançar o sucesso que justifica a mudança.

Durval Lélys é fã de rock desde a adolescência, tem como seu maior ídolo o guitarrista David Gilmour, do Pink Floyd, e mesmo tendo um público completamente diferente do que costuma ouvir a banda britânica procura colocar em prática alguns de seus gostos.

Não sou fã do Asa de Águia, nem de axé, mas considero Durval como uma das grandes figuras da música brasileira. Quem mais teria a coragem de tocar uma música do Pink Floyd em um bloco de carnaval? O Asa de Águia fez uma versão abrasileirada para “Comfortably Numb” e a impressão não foi ruim. A versão é bem fiel musicalmente à original, o que comprova a qualidade dos músicos.

Outra curiosidade é o gosto de Durval Lélys por motos e um momento de seu show que é bem conhecido pelos fãs do Judas Priest. Sim, é verdade. Assim como Rob Halford, o líder do Asa de Águia adentra aos shows sobre uma Harley Davidson. Os roqueiros podem não gostar dos batuques, mas as atitudes deste grupo de axé fazem ele ser muito mais roqueiro do que muito grupo que se diz representante do gênero Rock por aí…

Parangolé repete trecho de música do Angra. Plágio?

Uma discussão entre músicos via Twitter ajudou na coleta de material para este post na tarde desta terça-feira, após a acusação de plágio por parte de integrantes da banda de heavy metal Angra contra o grupo de pagode/axé Parangolé.

Como este é um dos principais temas do blog Espelho Mau, resolvi dar uma conferida na música “Asevixe”, do Parangolé, e de primeira já percebi a cópia sem nenhum pudor de um riff de guitarra da música “Nova Era”, do Angra.

Com fãs do Angra inflados pelo baixista Felipe Andreoli e o guitarrista Kiko Loureiro, o cantor Léo Santana, do grupo de axé, se defendeu pelo Twitter afirmando não conhecer o Angra e lembrou que sua música já é tocada há pelo menos quatro anos… Mas a música do Angra foi registrada há dez anos.

“Nunca ouvir musicas desse Angra que você está falando. Só ouvir falar no nome da banda. Se levaram essa música lá, é problema dos compositores”, postou Léo Santana no Twitter. “Vou até falar com os parceiros pra ouvir mais Angra pra copiar mais ainda. gostei do plagio de tomba ê!rsr”, completou o cantor de axé, além de frases que o blog se recusa a escrever, já que o leitor não é obrigado a ler palavras baixas.

Pela lei as características para identificar um plágio são:

  • Compassos idênticos: A lei diz que duas músicas não podem ter mais de 4 compassos iguais. Vale lembrar que nem sempre ritmos parecidos são plagiados.
  • Letra da música: Duas músicas não podem ter letras idênticas, nem pode-se copiar as chamadas “palavras rítmicas” (exemplo: “Tê-tetere-teretetê”).
  • Ritmo e “batida”: Duas músicas diferentes podem ter ritmos e “batidas “muito semelhantes, para “desempatar” isto usam-se 3 conceitos : Análise da letra, análise das notas e consenso entre os autores.

Agora tire suas conclusões. Se é plágio ou não, é certo copiar frases musicais inteiras de uma obra em outra?