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banda paulistana de heavy metal criada em 1991

‘Deselegância’ de Edu Falaschi e a UTI do Metal brasileiro

No último domingo foi realizado pela primeira vez um show para celebrar o Dia do Heavy Metal Brasileiro. Idealizada por Thiago Bianchi, produtor musical e vocalista da banda Shaman, a data não teve muita divulgação, exceto por anúncios discretos em veículos especializados.

Logo, um evento que reunia bandas importantes no cenário atual como Almah, Hangar e Shaman foi um verdadeiro fracasso de público, o que causa preocupação para quem acompanha e valoriza o cenário musical.

Marcado por fazer declarações fortes recentemente quando fala sobre o Angra, o Almah e o público atual do Metal, o vocalista Edu Falaschi não segurou a frustração e soltou o verbo em um desabafo no qual apelou em alguns termos um tanto quanto impróprios, tendo razão em muita coisa, principalmente em relação ao fato de o Heavy Metal brasileiro respirar por aparelhos.

A oferta de shows internacionais no Brasil cresceu nos últimos anos e bandas como o Iron Maiden batem cartão em terras tupiniquins. Os shows são sempre lotados. A concorrência ficou desleal para as bandas nacionais, que já não faturam nada com vendas de discos, já que seus produtos não estão nas grandes lojas e o público atual é mais preguiçoso e mão de vaca: Faz download de tudo e não vai atrás para comprar nenhum disco e quando o gasta seu dinheiro é com uma banda estrangeira.

Os problemas não são exclusividade do Heavy Metal, mas de vários outros gêneros. Edu Falaschi não é o primeiro e nem será o último a chiar. Aliás, já ouvi os caras do Dr. Sin reclamarem há uns três ou quatro anos, assim como li os manifestos de Thiago Bianchi.

Por outro lado, lembro de ter lido há uns cinco ou seis anos o cantor Andre Matos dizer que a pirataria não assustava tanto, já que o público do Heavy Metal era fiel e comprava os discos, além de comparecer aos shows. Que mesmo baixando os arquivos de MP3, comprava o CD e o DVD para guardá-los como item de coleção. Sim, a coisa mudou. Aquele público que se dizia fiel, não tem mais fidelidade alguma, exceto com bandas com o Iron Maiden, que conseguiu disco de ouro no Brasil com o esquisito álbum Final Frontier, por exemplo.

A mídia especializada também piorou muito. Tente ler as entrevistas repetitivas e as resenhas chatas e manjadas nas páginas da revista Roadie Crew. A tarefa é dura. E aguentar então aquele perfil de programa infantil incorporado pela galera do Stay Heavy, programa especializado de TV. O Whiplash, que é o maior site de Metal do país, passou a apelar em suas manchetes, além de abrir espaço a outros gêneros. Enfim, é tudo pela vendagem, pela grana, como qualquer veículo de imprensa que necessita de margem de lucro.

O problema que vejo é simples: os meios do Heavy Metal estão seguindo um padrão pop para atrair a outros públicos. Enquanto isso, não se consegue emplacar o material feito no Brasil em eventos grandes realizados por aqui, e não são poucos. No Rock in Rio o espaço para o Metal brasileiro foi bem pequeno e amador, no festival SWU não há Heavy Metal nacional e o espaço na mídia em geral inexiste para quem não é Metallica, Iron Maiden e etc.

O que existe hoje na mídia em geral é o culto à celebridade e o Heavy Metal brasileiro passa longe de ser celebridade, exceto por um Andreas Kisser aqui, um Kiko Loureiro ali. Claro que a preguiça de um público “acostumado a leite com pêra” (“mimado”, para quem não entendeu o termo anterior) atrapalha e aí faz todo sentido a frase mais interessante de Edu Falaschi no final da entrevista que virou pronunciamento: “Fiquem aí com o Restart”.

Para quem não quer lembrar no futuro que o Rock bem feito no Brasil morreu para dar espaço a Restarts e NXZeros da vida, deixo abaixo uma lista com coisa muito boa que é ou foi feita por aqui.

Akashic, Almah, Angra, Astafix, Carro Bomba, Dr. Sin, Hangar, Harppia, Korzus, Krisiun, Mindflow, Musica Diablo, Nando Fernandes, Scelerata, Sepultura, Shadowside, Shaman, Stormental, Symbols, Torture Squad, Tribuzy, Tuatha de Danann, Viper e Vulcano.

Ah, então o público tem que ignorar as bandas estrangeiras? Claro que não! Mas abandonar o material produzido no Brasil é lamentável! Acha que não, então confira abaixo o que temos:

Hangar

Torture Squad

Krisiun

Stormental

Almah

Shadowside

Carro Bomba

Korzus

Quando o playback dá errado e a TV vira circo…

O playback é um artifício muito utilizado na TV e atualmente são poucos os programas que contam com música ao vivo, seja por falta de uma aparelhagem decente para levar o som ao telespectador ou pela falta de disposição do músico em ter de fazer o esforço em um horário que geralmente seria o seu descanso.

O velho Chacrinha foi um dos pais do playback no Brasil e consagrou muitos artistas do cenário atual desta forma, enquanto alguns que se recusavam a prestar tal papelão ficaram no ostracismo por um longo período.

O Espelho Mau não gosta de playback e recursos que possam ser utilizados para mascarar o que o sujeito está tocando ao vivo, mas admite que muitas vezes o artifício da farsa se torna engraçado.

Tem músico que cai do palco, ou tem o microfone roubado pela plateia, ou então o baterista tem que fingir fazer uma puta virada em um kit infantil de bateria, sem contar quando a música entra antes ou dá um problema no meio da execução.

O caso deste post ocorreu em 1994 e a banda responsável por um dos playbacks mais hilários foi o Angra, ainda em seus primórdios com André Matos como vocalista. O programa foi o TV Mulher, um daqueles programas de variedades que só servem para você saber que a pior coisa a fazer quando não tem o que fazer é ver TV.

Com um playback combinado, o Angra foi ao estúdio sem o baterista Ricardo Confessori e sua bateria. O guitarrista Kiko Loureiro se passou por baixista ao trocar seu instrumento com Luis Mariutti e Rafael Bittencourt fingiu freneticamente fazer solos de guitarra em um violão desplugado.

E cada vez que você acha que já viu bizarrices o bastante, surge uma nova. O Angra “tocou” no programa a música “Wuthering Heights”, cover de Kate Bush, e depois Andre Matos anunciou que a radiofônica “Time” seria a próxima música.

Enquanto o vocalista ainda conversava com a apresentadora do programa, eis que surge o verso “Time to believe in the dream that you’ve seen…”. Era a entrada da música “Evil Warning” e não a “Time”.

As músicas não são parecidas e dificilmente a canção que fala do “aviso do mau” seria apresentada em um programa de TV no lugar de outra que fala no “tempo que faz viver”, ainda mais por ser muito mais pesada do que a que o Angra pretendia fingir tocar. O mais engraçado é notar o riso dos integrantes (principalmente Kiko Loureiro) com o circo armado e a apresentadora achando tudo aquilo normal.

Para quem quiser conferir a “pequena diferença” entre a “Time” e a “Evil Warning” para constatar a confusão do programa televisivo, segue aqui o clipe oficial da música que a banda paulistana pretendia fingir tocar.

Raios!

A criatividade na classificação que é dada a cada nova banda de Heavy Metal me espanta. Nunca fui muito fã de termos “Rock Melódico”, “Black Thrash Death Melodic Metal” e “Viking Power True Fodão Metal”. Afinal, não é tudo Heavy Metal? E o Rock melódico, não seria na verdade um Pop menos polido?

A verdade é que há termos úteis para a diferenciação de bandas. O Thrash Metal do Metallica nunca vai ser o Power Metal do Helloween, que também passa longe do Progressive Metal do Dream Theater.

Mas aí em um jornalista especializado ou músico de alguma banda para me falar que uma banda é Doom e não Death Metal, ou então Viking. Ou então dizem que o Megadeth não é Thrash como o Metallica, mas Speed Metal.

O que acho mais insuportável mesmo é quando surge uma nova banda e os integrantes misturam uma série de nomes para definir o som que fazem, e aí fica fácil saber que a música do tal grupo é chata pra cacete.

Como já criaram tantos nomes, decidi trazer aqui uma versão (sim, eu gosto mesmo é de covers) da música “O Pastor”, do Madredeus, grupo português que mistura Fado com Folk e New Wave.

O responsável pela versão é Rafael Bittencourt, guitarrista do Angra, no seu Bittencourt Project. Aliás, é impressionante como tudo o que os integrantes da banda fazem ultimamente em paralelo é legal, exceto o que fazem no próprio Angra.

Rafael Bittencourt lançou seu disco solo há uns 4 anos, se apresentando como um bom cantor e nesta versão em especial, colocou um peso que se encaixou adequadamente à música “O Pastor”. E aí eu tenho de perguntar: Seria a criação de um novo sub-gênero, o Fado Metal? Vale conferir!

Ah, quer conferir como é a versão original do Madredeus? Então toma!

Crianças invadem a música. Para ouvir em alto e bom som

Sim, é clichê e ninguém espera nada de diferente no Dia das Crianças como qualquer coisa falando de crianças, não é mesmo?

Já que todo mundo entra na onda com nossa fidelidade ao calendário e suas datas especiais, resolvi lembrar aqui algumas músicas com as palavras “Child”, “Children”, “Kids” e “Criança” em seus títulos para homenagear os nossos pequenos gigantes.

Claro, o meu arsenal para pesquisar músicas com os pirralhos invadindo o nome acaba tendo em sua maior parte uma homenagem para a aquele ou aquela pestinha que você tem em casa. Não é nada muito amável.

Decidi montar o meu top 10 com canções da criançada. Ah, e é verdade, eu vetei o Children of Bodom da lista…

1 – Voodoo Child (Jimi Hendrix Experience)

2 – Child in Time (Deep Purple)

3 – Children of the Sea (Black Sabbath)

4 – Children of the Grave (Black Sabbath)

5 – Children of the Damned (Iron Maiden)

6 – Sweet Child O’ Mine (Guns N’ Roses)

7 – Child of the Moon (Rolling Stones)

8 – Child of Nature (The Beatles)

9 – Children of the Revolution (T-Rex)

10 – Child of Burning Time (Slipknot)

Confira outras na lista abaixo.

Moonchild (Iron Maiden)
Devil’s Child (Judas Priest)
Wild Child (W.A.S.P.)
Bless The Child (Nightwish)
Beautiful Kids (Tarja Turunen)
Children of Lies (Almah)
Problem Child (AC/DC)
Last Child (Aerosmith)
Lasting Child (Angra)
Children of the Sea (Black Sabbath)
War Child (Blondie)
Rock N’ Roll Children (Dio)
Childhood’s End (Iron Maiden)
Child of Fire (Queensryche)
Sun Child (Stormental)
Little Child (The Beatles)
Kids of Century (Michael Kiske)
Knock’ Em Dead Kid (Motley Crue)
Greasy Kid’s Stuff (Steve Vai)
The Kids Aren’t Alright (Offspring)
Choro de Criança (Kiko Loureiro)
Não Perca as Crianças de Vista (O Rappa)

Nova Era chegou ao fim para o Angra?

O Angra chegou ao Rock in Rio com boatos de que aquele poderia ser o último show da atual formação da banda ou até o encerramento definitivo de um dos grupos mais importantes do Rock/Metal do Brasil e o momento foi histórico, para jamais ser esquecido, como disseram os músicos após a apresentação. Mas os motivos do show marcante não foram dos melhores.

Os problemas técnicos no Palco Sunset, onde se apresentou a banda, foram bisonhos. Houve problemas nos PAs, a banda ficou sem retorno nenhum no palco e na transmissão pela TV o som ficou embolado, sumindo as guitarras, ou o baixo, ou as vozes mesmo.

O vocalista Edu Falaschi também esteve longe de suas boas apresentações cantando e quando Tarja Turunen foi cantar o cover de Kate Bush “Wuthering Heights”, gravado pelo Angra no álbum Angels Cry e não executado desde antes da saída de Andre Matos em 1999, eis que a cantora finlandesa ficou sem retorno nenhum no palco e não entrou junto com a música.

A situação que se vê é bizarra, com os músicos deixando o palco e Tarja sozinha tentando interagir com o público e de certa forma se mostrando envergonhada pelo ocorrido.

Enfim, o repertório escolhido pelo Angra foi interessante, teve “Angels Cry”, “Lisbon”, “Carry On/Nova Era”, a nova “Arising Thunder”, além de “Spread Your Fire”, “Wuthering Heights” e “Phantom Of The Opera”, as três últimas com Tarja Turunen. O problema é que o show foi uma catástrofe que acabou mostrando que a fase não é boa para a banda e vai ser difícil a recuperação desta vez.

Depois de Rafael Bittencourt negar o fim da banda, eis que o vocalista Edu Falaschi solta um comunicado dizendo que vai parar no final do ano para recuperar a voz e avisa que não vai cantar músicas que não são adequadas para o seu estilo vocal, leia-se, os clássicos do Angra.

Sabendo que a banda já estava fragmentada com Kiko Loureiro se dividindo entre o Brasil e a Finlândia, Edu Falaschi e Felipe Andreoli tocando com o Almah, Rafael Bittencourt viajando com o Bittencourt Project e Ricardo Confessori tendo também o Shaman como banda, não se sabe o que pode acontecer, mas eu arrisco que a formação atual não volta a se apresentar junta. Alguém sai.

Ficou meio óbvio após o comunicado de Edu Falaschi que ele é a baixa mais provável da banda, mas como as coisas não vão bem, ele pode não ser o único a abandonar o barco, o que acabaria com a “nova era” criada depois que Andre Matos, Luis Mariutti e Ricardo Confessori pularam fora.

A fase é tão ruim que ao olhar a situação dos outros integrantes que passaram pelo Angra, ninguém está tão bem assim. Luis Mariutti se afastou da banda solo de Andre Matos, enquanto o vocalista embarcou no Symfonia, um projeto de Metal Melódico com estrelas do gênero como Timo Tolkki, o que também não deu muito certo, a ponto de a banda ter tocado em uma casa minúscula de shows em São Paulo depois de reservar um espaço maior e não ter procura.

Com uma bela história contada ao longo dos sete álbuns de estúdio (Angels Cry, Holy Land, Fireworks, Rebirth, Temple of Shadows, Aurora Consurgens e Aqua), a pior coisa para o Angra neste momento seria encerrar as atividades em baixa, após ter levado o estilo musical do Brasil para o mundo ao lado de Sepultura e Krisiun.

Enquanto todo mundo aguarda as respostas do Angra, se Edu Falaschi vai sair, se vai entrar alguém no lugar, se vai voltar o Andre Matos (Não acredito na alternativa, mas sei que muitos fãs querem isso faz tempo) etc., deixo aqui uma versão ao vivo de Wuthering Heights cantada por Andre Matos com o Angra e curiosamente ele canta mais alto que Tarja Turunen!

Haja sofrimento, amigo!

Para finalizar a série de outras bandas tocando trechos de músicas do Angra, nos casos anteriores sem os devidos créditos, coloco abaixo duas versões de músicas do grupo paulistano que foram gravadas por bandas de forró em uma overdose de sofrimento.

Apesar de não agradar muito aos fãs de heavy metal, as versões de Calcinha Preta e Malla 100 Alça (sim, esse é o nome do grupo) são creditadas às originais, no caso “Bleeding Heart” e “Stand Away”. É bem recorrente, aliás, os grupos de forró fazerem isso com músicas de rock.

As duas músicas exibem todo o romantismo brega e a temática usada é o sofrimento. Os nomes deixam claro, separados apenas por uma questão de tempo: “Vou Sofrer” e “Agora Estou Sofrendo”.

Começando pela mais velha, a original “Stand Away” foi lançada no primeiro álbum oficial do Angra, Angels Cry (1993), e não foi tão popular quanto “Carry On”, “Angels Cry” e “Time”, mas ainda é executada algumas (raras) vezes nos shows da formação atual. A composição é de Rafael Bittencourt e abre espaço para o “sofrimento” do forró.

A versão abaixo é apenas uma de várias feitas por grupos de forró para “Stand Away”. O próprio grupo Malla 100 Alça já gravou outra versão, assim como outro grupo chamado Moleca 100 Vergonha. Se os nomes parecem engraçados, então confira a versão comparada à original.

Já o Calcinha Preta pegou a música mais melosa que o Angra já gravou na carreira e que até pouco tempo nem sequer a tocava nos shows. “Bleeding Heart” foi composta por Edu Falaschi e Rafael Bittencourt e ficou de fora do disco Rebirth, entrando apenas no EP Hunters And Prey.

Angra também é plagiado por bandas estrangeiras de metal

Nesta semana a acusação do Angra de plágio contra o grupo Parangolé tomou grandes proporções e chamou a atenção para o uso de trechos em composições sem os devidos créditos.

Mas no caso o curioso era o fato de se tratar de um grupo de pagode/axé plagiando um de heavy metal. Mas o Angra também tem “inspirado” bandas de heavy metal nos últimos anos. As bandas Dragonforce e Unicorn utilizaram trechos bem parecidos com os de músicas do álbum Rebirth (2001), da banda brasileira.

No caso do Dragonforce, banda britânica de metal melódico, a música “Through the Fire & Flames”, faixa de abertura do disco Inhuman Rampage (2006) tem um trecho parecido com a abertura de “Acid Rain”, que curiosamente é a primeira faixa do disco do Angra lançado cinco anos antes.

Já a banda italiana Unicorn não teve muito pudor em repetir na música “Elysian Fields” a melodia do refrão de “Heroes Of Sand”. O interessante é que há uma frase idêntica em que até a palavra “Dreaming Somehow” é reutilizada. A música da banda italiana faz parte do álbum The 13th Sign, lançado em 2005, quatro anos depois do lançamento da original.

Os integrantes do Angra têm conhecimento do caso de plágio da banda italiana e deverão buscar um acordo ou processo, da mesma forma como estão tentando resolver com a banda Parangolé.