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banda paulistana de heavy metal criada em 1991

Adeus, Maestro!

Não é fácil perder um ídolo. Difícil de acreditar, mas Andre Matos morreu aos 47 anos neste sábado e nos fez querer imaginar que era apenas mais um daqueles boatos que não se concretizam. Desta vez, nada de fake news, de boato, o maior cantor de rock do Brasil e um dos maiores do mundo partiu mesmo deste mundo.

Looking Back

A obra deixada por Andre Matos é riquíssima, a ser apreciada de cada momento da carreira, cada disco, cada composição tem um valor inestimável e a sua voz era única, ninguém conseguiu e ninguém vai conseguir imitar ou chegar perto de seu nível.

Como brasileiro, é uma pena ver que o seu reconhecimento no país é muito de nicho e até mesmo sua morte repercute muito menos fora de nossa bolha do rock e metal do que a de artistas com história irrelevante e obras aquém da qualidade apresentada por Matos.

Don’t Let Me Go

Eu conheci o Angra logo após a saída de Matos, Ricardo Confessori e Luis Mariutti. Assim, não tive a oportunidade de ver a formação clássica no palco ao vivo, embora tenha ouvido de cabo a rabo os discos Angels Cry, Holy Land e Fireworks, além dos EPs e todos os bootlegs possíveis que vazaram por aí.

E aí fui conhecer o Viper e também o Virgo – projeto de Matos com Sascha Paeth. Veio então um momento complicado da minha vida durante a adolescência. Problemas, solidão, distância de amigos e tudo novo. Foi então que comecei tentar aprender música em um violão bem simples – e veio a música do Shaman, que foi parar numa novela, uma coisa impensável para uma banda brasileira de metal.

Here I Am

Posso dizer de coração hoje que foram as músicas de Angra e Shaman que me trouxeram até aqui, que me fizeram pensar, imaginar, sonhar. As melodias e as letras me traziam conforto quando eu precisava, me davam ideias, me faziam querer escrever.

A voz de Andre Matos me fez querer cantar, até então eu tinha vergonha da minha voz e não queria ser ouvido nem cantarolando.

Nightmares

Fracassei feio no sonho de ser músico. Devo ter muita coisa escrita ainda, guardada sei lá onde. Mas se aquilo não me tornou músico, me fez um cara melhor, me fez pensar, construir frases, construir textos, contar histórias e muitas coisas que hoje uso de outra forma.

Já escrevi sobre a perda de outros músicos que admirava, contei sua história, contei os discos, as bandas, mas desta vez a coisa é mais pessoal. Tenho aprendido muito com as perdas em minha vida e percebo que isso nos muda a cada momento.

Você vai ler bastante sobre a carreira do Andre Matos no Angra e no Shaman por aí. Mas lembre que a obra dele é muito maior, com o Viper, com seus discos solo que se ouvidos com cuidado serão muito bem apreciados. Daquelas ironias da vida, essa semana o algoritmo das minhas playlists me soltou a música “Don’t Let me Go”, do Symfonia, que muitos nem conhecem, mas era um dream team do metal melódico com Andre Matos e Timo Tolkki (ex-Stratovarius).

Silence and Distance

E como é a vida. Eu era muito novo para ver o Viper ao vivo com o Andre Matos no vocal, até que eles fizeram uma reunião em 2012 e eu pude ver. Eu tinha pego apenas um show do Shaman em seu auge e no ano passado fui ao show que marcou o retorno. Faltou o Angra, que o próprio Andre já não vinha mais descartando com a ênfase de outrora. E ficou faltando, infelizmente.

Mas se toda perda deixa alguma coisa boa, a partida do Andre mostrou a cena heavy metal brasileira unida no luto, mesmo quem não era amigo dele se manifestou, todos sentiram sua morte. Espero que a cena passe a se unir daqui pra frente sem que seja na dor.

Who Wants to Live Forever
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Espírito de equipe

No domingo passado o Angra voltou a fazer um show em São Paulo no HSBC Brasil e, ainda sem a definição de um novo vocalista, gravou o seu segundo DVD comemorando os 20 anos da turnê de Angels Cry, o primeiro álbum da banda paulistana. Este blogueiro foi acompanhar e só conseguiu escrever o texto agora, ainda meio atrapalhado devido ao US Open e outras demandas do trabalho de assessor de imprensa. Enfim, vamos ao show.

A abertura foi com “Gate XIII” e fotos nos telões todos os momentos da história da banda desde as primeiras fotos oficiais, passando por todas as formações, com o público gritando os nomes do ex-vocalista Edu Falaschi e o ex-batetista Aquiles Priester, antes de chegar ao vocalista convidado italiano Fabio Lione, da banda Rhapsody of Fire, aquele que certa vez Edu Falaschi brincou com o sotaque, se referindo ao “tio da pizzaria” (sem imaginar que ele poderia cantar em seu lugar um dia).

Com um início digno de uma banda grande, cheia de luzes, casa cheia e o público agitando, o Angra mostrou-se mais uma vez renascido pelas mãos de Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro, Felipe Andreoli e Ricardo Confessori, sem esquecer a voz de Fabio Lione, que pode ser efetivado como o vocalista e isso tende a ser um grande acerto da banda, em nova direção, com agenciamento da Top Link e o empresariamento por Paulo Baron.

O Angra apresentou um grande show começando com “Angels Cry”, do álbum homônimo, e passando por todos os álbuns da banda: Holy Land, Fireworks, Rebirth, The Temple of Shadows, Aurora Consurgens e Aqua.

Tentando se comunicar um pouco em português no começo, que logo virou portunhol, Fabio Lione se mostrou um vocalista carismático e ganhou facilmente a simpatia do público, mas não encarou as notas altas das músicas da fase do Andre Matos no mesmo tom, o que atualmente nem mesmo o próprio Andre tem conseguido.

Mas Lione canta com maestria todas as músicas da fase Edu Falaschi e logo no primeiro momento em que começaram os gritos de “Lione, Lione” pelo público, ele corrigiu e avisou que eles deveriam gritar “Angra, Angra”, pois aquele era um show da banda. Um grande passo na ideia que a banda está trabalhando, de tirar um pouco da importância que foi dada ao frontman em todos esses anos.

Esta nova fase do Angra é bem diferente das anteriores, com os integrantes assumindo mais funções, jogando mais como um time. Rafael Bittencourt agora canta mais, Kiko Loureiro agora também é tecladista e Felipe Andreoli também canta um pouco, em “Winds of Destination”. Rafael também aparece mais como líder, se comunica com o público e Kiko tenta, dentro do possível, colaborar na comunicação.

Crédito: Divulgação/Top Link Music
Crédito: Divulgação/Top Link Music

Assim como no Rock in Rio, último show da formação com Falaschi, Kiko Loureiro usou uma câmera Go Pro em sua guitarra, o que deve dar mais um ponto de visão do palco no DVD. Em alguns momentos, Rafael Bittencourt também utilizou a câmera.

Uma das músicas de destaque na primeira parte foi Late Redemption, que anos atrás era tocada apenas em uma versão acústica e desta vez teve Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro e Fabio Lione dividindo os vocais, além de Gentle Change, que ficou muito bem na voz do italiano.

Antes de cantar “The Voice Commanding You”, Rafael destacou a frase “Separados não somos nada”, contida na música, e emendou com o aviso: “Para aqueles que acham que o Angra deveria acabar, nós estamos apenas começando”. Uma grande resposta a Andre Matos, que há alguns meses declarou que a banda deveria acabar e se recusou a voltar e a participar do show comemorativo.

O set acústico tocado apenas por Rafael e Kiko no velho estilo “um banquinho e um violão” teve os dois integrantes que nunca saíram da banda fazendo dueto de voz e cordas, começando por Reaching Horizons. Foi legal, mas um pouco cansativo. No momento do acústico, os guitarristas lembraram todos os integrantes que passaram pela banda, ressaltando a importância deles, com Kiko Loureiro dizendo que eles todos fazem parte “desta família”, antes de emendar que “as portas estão sempre abertas”. Que ironia! Ok, bacana, mas o pessoal sabe que não se trata assim de uma família…vide a resposta a Andre Matos, sendo que ambos os lados admitem publicamente a relação inexistente.

Além de Fabio Lione, que é o vocalista da turnê, foram convidados para este show o guitarrista Uli John Roth, a vocalista Tarja Turunen e o vocalista Russell Allen (Symphony X/Adrenaline Mob), que acabou não comparecendo devido a um acidente. O baterista Amílcar Cristófaro (Torture Squad) e o grupo Família Lima, que deu uma cara bem bacana com os violinos e violoncelo tocados ao vivo. Sim, graças a Lucas Lima ecoaram os gritos em homenagem à esposa do rapaz, a Sandy!

Crédito: Divulgação/Top Link Music
Crédito: Divulgação/Top Link Music

O grande momento da apresentação foi “Stand Away”, cantada por Tarja Turunen e Fabio Lione, que fez as vezes de tenor, além do acompanhamento da Família Lima. A versão ficou bonita, mas precisou ser tocada novamente assim como “Sails of Charon”, de Uli John Roth, que teve Rafael Bittencourt nos vocais (seria cantada por Allen) e a aula de guitarra do autor da música. “Evil Warning”, com Amilcar na bateria, também não ficou boa na primeira versão e precisou ser refeita. Na segunda tentativa ficou bem legal.

O lado ruim de precisar gravar novamente é que o show começou às 20h30 de um domingo e como muita gente que ali estava trabalharia ou estudaria no dia seguinte, a casa deu uma esvaziada no momento das regravações. Por isso que eu sempre acho melhor quando um DVD é gravado com material de dois shows seguidos ou em um sábado. Assim fica melhor escolher o melhor material.

No geral, foi um grande show do Angra. Mais animado e alegre do que na parte final da fase anterior, com Edu Falaschi se arrastando nos vocais. Uma demonstração de que a banda ainda tem sim fôlego para seguir sua caminhada e sem precisar da carona de um vocalista. Seria legal poder reunir em um mesmo show Andre Matos, Edu Falaschi, Aquiles Priester e Luis Mariutti? Certamente. Mas me parece muito mais agradável fazer de uma forma mais sincera, sem forçar uma amizade de Andre Matos com a banda, que já não existe há mais da metade da existência da banda. Infelizmente.

Ps: Não coloquei vídeos aqui, diferentemente do que costumo fazer, pois foi a gravação de um DVD e as imagens de internet têm qualidade muito ruim. Principalmente de som.

Set list:

Abertura: Gate XIII
1. Angels Cry
2. Nothing to Say
3. Waiting Silence
4. Lisbon
5. Time
6. Millennium Sun (Kiko Loureiro nos teclados, com Família Lima)
7. Winds of Destination (com Família Lima)
8. Gentle Change
9. The Voice Commanding You (Rafael Bittencourt nos vocais)
10. Late Redemption
11. Silence and Distance (Kiko Loureiro nos teclados)

Set acústico – Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro
12. Reaching Horizons (Rafael Bittencourt nos vocais)
13. Unholy Wars/ Caça e Caçador (Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt nos vocais)
14. A Monster In Her Eyes (Rafael Bittencourt nos vocais)
15. Make Believe (Kiko Loureiro nos vocais)

Encore
16. No Pain for the Dead (com Família Lima)
17. Stand Away (com Tarja Turunen e Família Lima)
18. Wuthering Heights (com Tarja Turunen e Uli John Roth)
19. Evil Warning (com Amilcar Cristofaro)

Encore 2
20. Unfinished Allegro (com Família Lima)
21. Carry On
22. Rebirth
23. The Sails of Charon (com Uli John Roth/Rafael Bittencourt nos vocais)
24. In Excelsis/ Nova Era

O que não escrevi em 2012…

O ano de 2012 acabou, o de 2013 começou e a falta de tempo útil me tirou posts inspirados nos últimos meses. Sim, não foi por falta de ideias. Cheguei a pensar em todo o texto em alguns casos, mas faltou escrever. Dizem que dá azar voltar ao passado, mas para mim é impossível dar um passo à frente sem saber como foi dado o passo anterior.

Não publiquei o texto “Chupa, Teló”, onde falaria do maior hit do mundo, o “Gangnam Style”. O gordinho coreano Psy jogou para debaixo do tapete os nossos representantes do pop mundial e alcançou uma popularidade incrível com uma música esquisita e uma dança bizarra. O cantor virou pop star, deu bandeirada no GP da Coreia do Sul de Fórmula 1 e hoje é difícil alguém que acesse a internet, veja TV ou ouça rádio jamais tenha conhecido qualquer referência dele. E a gente achando que o Michel Teló era o máximo…

Como consequência, também não postei o texto “O homem que copiava (e ainda copia)”. Neste post a grande estrela seria Latino, o sujeito que mais faz versões bizarras de músicas internacionais. Depois de “Festa no Apê” e “Vem Dança Kuduro”, veio “Despedida de Solteiro”, pegando carona no sucesso do Gangnam Style. Sim, Latino é um gênio! Pelo menos enquanto tiver quem consuma sua arte.

Não falei sobre “O cantor da pizzaria”! Sim, o italiano Fabio Lione será o vocalista convidado do Angra no cruzeiro 70000 Tons of Metal. Fabio Lione é a voz do Rhapsody of Fire, banda italiana que já se chamou apenas Rhapsody e toca aquele estilo defasado de Heavy Metal, o Melódico, ou Power Metal. Admito que fiquei curioso para ouvir a voz de Lione no Angra, ainda mais sabendo que meses atrás, ainda como vocalista do Angra, Edu Falaschi resolveu falar sobre o sotaque dos vocalistas cantando inglês e soltou a pérola: “Fabio Lione cantando parece o cara da pizzaria”, antes de mostrar como seria o italiano cantando “Arising Thunder”, do Angra.

Não comentei sobre “Ivetão Thrash Metal”. Sim, pois em plena TV aberta em rede nacional a melhor cantora baiana da Bahia pegou um violão e soltou uma versão de “Dead Skin Mask”, do Slayer. E a Cláudia Leitte querendo fazer média com roqueiros tocando uma versãozinha de “Dy’er Mak’er”, a música menos rock que o Led Zeppelin já gravou.

Voltando ao Falaschi, também não falei do post “Ano dos Revivals”, lembrando que Edu e Tito fizeram um show com Rodrigo Arjonas e Demian Tiguez marcando a comemoração de 15 anos da extinta banda Symbols, uma das bandas legais do final dos anos 90 que ficaram no tempo. O show foi no dia 23 de dezembro no Manifesto, que teve um público bem bacana na ocasião ao que consta. É o legado do Viper!

Também não escrevi o texto “Roger Federer e seus 12 apóstolos”. Sim, em um texto ironicamente natalino eu falaria sobre o evento da Koch Tavares no qual trabalhei para a assessoria de imprensa. Além do tenista que esbanjou carisma, esteve em vários lugares e serviu como embaixador do esporte no país, outros 12 jogadores atuaram no Ginásio do Ibirapuera: Jo-Wilfried Tsonga, Tommy Robredo, Thomaz Bellucci, Marcelo Melo, Bruno Soares, Bob Bryan, Mike Bryan, Maria Sharapova, Caroline Wozniacki, Serena Williams e Victoria Azarenka. (Ah, vale lembrar que apesar de breve encontro com Federer ao lado de Maria Esther Bueno, Gustavo Kuerten não organizou o torneio e não pagou o suíço como empresário do evento. Diferentemente do que escrevem uns blogs ‘jornalísticos’ por aí…). Sim, este post não sairia da regra deste blog, pois teríamos relatos da idolatria ao suíço lembrando um pouco os ídolos musicais e as músicas pedidas pelos tenistas, um oferecimento do DJ Edu Tomiatti. Aliás, já que eu toquei no assunto. Confira abaixo as músicas pedidas pelos tenistas:

Victoria Azarenka: “Ai Se Eu Te Pego (Remix)” – Michel Teló feat. Pitbull
Thomaz Bellucci: “Charlie Brown” – Coldplay
Bruno Soares: “One (Your Name)” – Swedish House Mafia
Marcelo Melo: “Tche Thererê (Remix)” – Gusttavo Lima
Roger Federer: “Mas que Nada”- Sergio Mendes feat. Black Eyed Peas
Roger Federer: “Mr. Saxobeat” – Alexandra Stan
Bob e Mike Bryan: “Hall Of Fame” – Will.I.Am
Tommy Robredo: “This is Love” – Will.I.Am feat. Eva Simon
Serena Williams: “All Of The Lights” – Kanye West
Maria Sharapova: “Sexy Back” -Justin Timberlake
Tommy Haas: “Gangnam Style” – PSY
Jo-Wilfried Tsonga: “Ai Se Eu Te Pego (Remix)” – Michel Teló feat. Pitbull
Caroline Wozniacki: “Man I Feel Like A Woman” – Shania Twain

Enfim, o que me resta dizer é: Feliz 2013
…e que eu consiga escrever aqui mais vezes!

Vocalista do Angra em show de janeiro será convidado

O Angra anunciou em nota publicada no site oficial da banda em pleno domingo de eleição (ótimo dia para se fazer um anúncio!) de que tocará com um vocalista convidado no 70000 Tons Of Metal entre os dias 28 de janeiro e 1 de fevereiro.

Isso significa que, diferentemente do que foi postado aqui, não será o show de estreia do novo vocalista. Sim, a verdade é que a banda ainda não terá definido um vocalista até o início de 2013. É triste, mas a cada anúncio a coisa vai piorando para uma das melhores bandas da história do Heavy Metal brasileiro…

Angra faz 21 anos e tem estreia marcada de novo vocalista, só falta o vocalista…

Nesta terça-feira o Angra completa 21 anos de sua fundação, curiosamente um dia depois de o guitarrista e fundador Rafael Bittencourt completar 41 anos. Desta maioridade, porém,  a banda paulistana soma também alguns meses ou até anos de inatividade e não tem neste momento algo a comemorar após ter ficado abaixo das expectativas nos últimos dois álbuns e suas conturbadas turnês.

Quem será o substituto de Edu Falaschi ainda é uma incógnita, mas ao menos uma notícia acaba de surgir pelo site Blabbermouth, uma das publicações com mais credibilidade no meio do Heavy Metal, que anuciou a data de estreia do novo vocalista do Angra.

O retorno do Angra vai acontecer no cruzeiro 70000 Tons Of Metal, um festival de Heavy Metal que acontece a bordo de um navio e conta com 40 bandas dentre algumas das mais prestigiadas do mundo, que acontece entre os dias 28 de janeiro e 1 de fevereiro de 2013.

Além do Angra a programação terá um show de reunião do Metal Church e bandas como Helloween, Gotthard, Dragonforce, Kreator, In Flames, Doro, Nile, Rage (com a Lingua Mortis Orchestra), Laguna Coil, Sabaton, Flotsam and Jetsam e Turisas.

A pergunta que fica é quem será o tal vocalista novo do Angra e como ele será escolhido. A notícia mais recente que se tem conhecimento é que a banda pretende fazer um reality show para a escolha, de acordo com uma declaração de Rafael Bittencourt à revista Terrorizer. Alguns sites brasileiros abastecidos por fãs e sem muita credibilidade como o Whiplash já chegaram a sugerir que Alírio Netto, da banda Age of Artemis, poderia ser o novo vocalista, mas o próprio negou.

Acredito que Alírio Netto não seria uma opção ruim, assim como também não descartaria Rafael Bittencourt assumindo o microfone principal, embora não acredite que isto irá acontecer. Ao que me parece, a única coisa certa é que Andre Matos está longe de entrar nesta que pode ser uma bela roubada.

Acabou a Nova Era

Liana Nakao/Site oficial Edu Falaschi

O Angra recrutou Edu Falaschi como vocalista logo após a saída de Andre Matos em 2000 e com ele teve grandes momentos que talvez tenham sido os maiores da banda com os álbuns Rebirth e, principalmente, Temple of Shadows, o que na opinião deste blogueiro é o melhor disco da carreira da banda paulistana.

Mas desde o lançamento do Temple of Shadows e a segunda perna da turnê do álbum lançado em 2004, uma maldição parece ter perseguido o grupo. Edu Falaschi passou a ter problemas para cantar as músicas nos tons originais, o que fez a banda alterar sua apresentação ao vivo. Mas depois percebe-se que isso era o de menos.

Brigas internas (com direito a agressão física), disputa de nome da banda na justiça (até conseguir afastar o empresário Toninho Pirani, da Rock Brigade), a eterna espera por um DVD decente, álbuns que não atingiram a expectativa, a saída de Aquiles Priester, turnês esvaziadas, declarações polêmicas e falta de pudor em publicações nas redes sociais, acusação de plágio e briga na justiça com grupo de pagode, e o pior show da edição 2011 do Rock in Rio tornaram o Angra uma bomba.

Nos últimos anos a banda apareceu na mídia apenas de forma negativa, tanto na grande imprensa quanto na especializada e não criou nada que pudesse colocar de volta o nome Angra como grande.

É curioso notar que em todos os 20 anos de carreira e sete álbuns de estúdio, apenas um DVD foi lançado pelo Angra e isto ocorreu há mais de dez anos, com a gravação de um dos primeiros shows da turnê Rebirth, que precisou de overdubs devido à falha no microfone que captava o som do público. Desde então, promessas e expectativas na turnê do Temple of Shadows, um show em São Paulo contando com participações especiais de músicos convidados do disco, como Kai Hansen, e nada.

Em Aurora Consurgens o Angra expôs a ferida com um álbum que falava sobre distúrbios mentais. Na época tudo era pólvora no clima da banda, que esteve bem próxima de uma separação. No fim, apenas Aquiles Priester saiu. A volta de Ricardo Confessori à bateria da banda poderia soar como um bom momento novamente, revivendo o passado… Mas não foi isso o que aconteceu.

Depois de uma turnê ao lado do Sepultura o Angra mais uma vez começou a preparar um novo disco, filmou quase toda a produção e lançou Aqua, que não remeteu ao passado e nem soube ser moderno. Ficou um disco morno e não teve uma divulgação tão bem sucedida.

Aí vieram as polêmicas com a acusação de plágio ao Parangolé em trecho claramente surrupiado pelos baianos na música “Nova Era”. Edu Falaschi resolver se juntar a Thiago Bianchi, do Shaman, numa patética campanha pelo Heavy Metal brasileiro. E o que se viu no fim foi Bianchi organizar um evento vazio em São Paulo e depois escrever e cantar o hino    do mais patético de todos os festivais de música do Brasil, o Metal Open Air.

Neste meio-tempo, Edu Falaschi teve tempo de fazer talvez o pior show da carreira em pleno Rock in Rio com TV ao vivo, dar uma entrevista tocando em pontos corretos da forma errada ao falar sobre o cenário do Metal no país e agradecer no fim aos organizadores do M.O.A. depois de ter feito um show “pelo público” quando muitos cancelaram a participação.

Em pouco mais de 11 anos, podemos dizer que Edu Falaschi cresceu como músico, fez ótimas composições, criou uma banda excelente que é o Almah, gravou um dos grandes discos de Heavy Metal da década passada com o Angra e se tornou a cara e o para-raio da banda, o alvo das críticas e um político chato. Os discursos passaram a atrapalhar Edu, assim como sua voz foi embora pelo fato de ele ter passado anos cantando músicas fora de sua linha vocal natural.

O curioso da saída de Edu Falaschi do Angra é que ela veio recheada com o abandono do baixista Felipe Andreoli ao Almah, logo ele que parecia ser o braço direito do vocalista.

Agora fica a expectativa: O Angra vai trazer Andre Matos de volta mesmo tendo o Ricardo Confessori na bateria? (para quem não se lembra, eles se desentenderam no Shaman). Rafael Bittencourt passa a ser o vocalista da banda, dividindo com a guitarra? Vão contratar um novo vocalista que terá de conviver com as sombras de Andre Matos e também de Edu Falaschi? São muitas as perguntas. O problema é que nos últimos anos o Angra tem respondido a poucas ou quase nada delas.

O ‘modo USP’ de Edu Falaschi e o contra-ataque do Metal

O desabafo de Edu Falaschi sobre a cena atual do Heavy Metal no Brasil teve grande repercussão entre fãs e músicos, mas curiosamente não foram muitos os que concordaram com o líder do Almah e (provável futuro ex) vocalista do Angra.

Como você pode conferir no post anterior, Edu não teve papas na língua para reclamar do que chama de morte do Metal brasileiro e abusou, exagerou no baixo calão chegando a jogar contra o seu próprio público e extrapolou ao declarar a “morte do Heavy Metal brasileiro”. Para este blog, foi um tapa na cara muito bem dado do público atual, que realmente não é tão fiel ao gênero quanto se diz e se acha, mas feito da pior forma possível, não à toa usei o termo “deselegante”.

Que entendam onde quero chegar, mas comparo o que Falaschi fez ao protesto recente dos estudantes da USP, em que a bagunça transformou os invasores da reitoria em vilões para a população e a mídia, provavelmente deixando de lado o que motivou tudo aquilo. Edu perdeu a linha e deu brecha a quem o quis rebater.

O desempenho ruim do vocalista em suas últimas apresentações também pesam contra, principalmente após o show com o Angra no Rock in Rio. Prestes a passar por uma cirurgia para resolver um refluxo que lhe atrapalha há anos, Edu acumula mais uma polêmica para sua lista após deixar em aberto a permanência no Angra, reclamar do Metal Melódico (que é decadente não apenas no Brasil) e viver rebatendo as críticas de seus fãs recém-saídos das fraldas.

Achei bem curioso o público juvenil do Heavy Metal se sentir vítima das palavras do músico e acreditar que não tem nenhuma culpa pelo estilo musical que gosta estar vivendo uma fase das piores por aqui, quando todos os envolvidos têm culpa.

Não sei se por respeito aos fãs, demagogia ou simplesmente pela própria opinião mesmo, mas não vi músicos defenderem o líder do Almah, pelo contrário. Kiko Loureiro, guitarrista do Angra, fez questão de avisar aos fãs que aquilo não era a opinião da banda e sim do Edu.

“Discordo, ainda mais da forma que foi dita. Foi declaração dele e não do Angra. Por favor separem as coisas”, escreveu Kiko Loureiro no Twitter.

No Heavy Nation desta sexta-feira, no UOL, você pode conferir a opinião de Aquiles Priester e Nando Mello, do Hangar. Ex-parceiro de Edu Falaschi no Angra, o baterista também revelou não concordar com a declaração. Da mesma forma agiu o baixista do Shaman, Fernando Quesada em texto muito bem escrito que foi publicado no site Whiplash, que tem bons argumentos e deixa claro que temos um bom tema para discussão.

Claro que discordo em algumas coisas, como muitos discordam do que leram aqui. Mas a partir do momento em que há a discordância, há um tema sendo debatido e isso é bom para o Heavy Metal. Não de forma brusca e mal educada, mas inteligente. Não “matando” o gênero, mas buscando alternativas para fazê-lo voltar a respirar sem o tubo.

Com tudo isso, a melhor coisa a se fazer quando o público é pequeno só pode ser valorizar os poucos merecedores disso, como faz muito bem neste Stand Up Metal Comedy o ex-Angra Andre Matos, vocalista da banda Symfonia, que recentemente tocou para casas esvaziadas e tirou de letra.