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cantor de heavy metal com passagens pelas bandas Viper, Angra, Shaman e Symfonia

Adeus, Maestro!

Não é fácil perder um ídolo. Difícil de acreditar, mas Andre Matos morreu aos 47 anos neste sábado e nos fez querer imaginar que era apenas mais um daqueles boatos que não se concretizam. Desta vez, nada de fake news, de boato, o maior cantor de rock do Brasil e um dos maiores do mundo partiu mesmo deste mundo.

Looking Back

A obra deixada por Andre Matos é riquíssima, a ser apreciada de cada momento da carreira, cada disco, cada composição tem um valor inestimável e a sua voz era única, ninguém conseguiu e ninguém vai conseguir imitar ou chegar perto de seu nível.

Como brasileiro, é uma pena ver que o seu reconhecimento no país é muito de nicho e até mesmo sua morte repercute muito menos fora de nossa bolha do rock e metal do que a de artistas com história irrelevante e obras aquém da qualidade apresentada por Matos.

Don’t Let Me Go

Eu conheci o Angra logo após a saída de Matos, Ricardo Confessori e Luis Mariutti. Assim, não tive a oportunidade de ver a formação clássica no palco ao vivo, embora tenha ouvido de cabo a rabo os discos Angels Cry, Holy Land e Fireworks, além dos EPs e todos os bootlegs possíveis que vazaram por aí.

E aí fui conhecer o Viper e também o Virgo – projeto de Matos com Sascha Paeth. Veio então um momento complicado da minha vida durante a adolescência. Problemas, solidão, distância de amigos e tudo novo. Foi então que comecei tentar aprender música em um violão bem simples – e veio a música do Shaman, que foi parar numa novela, uma coisa impensável para uma banda brasileira de metal.

Here I Am

Posso dizer de coração hoje que foram as músicas de Angra e Shaman que me trouxeram até aqui, que me fizeram pensar, imaginar, sonhar. As melodias e as letras me traziam conforto quando eu precisava, me davam ideias, me faziam querer escrever.

A voz de Andre Matos me fez querer cantar, até então eu tinha vergonha da minha voz e não queria ser ouvido nem cantarolando.

Nightmares

Fracassei feio no sonho de ser músico. Devo ter muita coisa escrita ainda, guardada sei lá onde. Mas se aquilo não me tornou músico, me fez um cara melhor, me fez pensar, construir frases, construir textos, contar histórias e muitas coisas que hoje uso de outra forma.

Já escrevi sobre a perda de outros músicos que admirava, contei sua história, contei os discos, as bandas, mas desta vez a coisa é mais pessoal. Tenho aprendido muito com as perdas em minha vida e percebo que isso nos muda a cada momento.

Você vai ler bastante sobre a carreira do Andre Matos no Angra e no Shaman por aí. Mas lembre que a obra dele é muito maior, com o Viper, com seus discos solo que se ouvidos com cuidado serão muito bem apreciados. Daquelas ironias da vida, essa semana o algoritmo das minhas playlists me soltou a música “Don’t Let me Go”, do Symfonia, que muitos nem conhecem, mas era um dream team do metal melódico com Andre Matos e Timo Tolkki (ex-Stratovarius).

Silence and Distance

E como é a vida. Eu era muito novo para ver o Viper ao vivo com o Andre Matos no vocal, até que eles fizeram uma reunião em 2012 e eu pude ver. Eu tinha pego apenas um show do Shaman em seu auge e no ano passado fui ao show que marcou o retorno. Faltou o Angra, que o próprio Andre já não vinha mais descartando com a ênfase de outrora. E ficou faltando, infelizmente.

Mas se toda perda deixa alguma coisa boa, a partida do Andre mostrou a cena heavy metal brasileira unida no luto, mesmo quem não era amigo dele se manifestou, todos sentiram sua morte. Espero que a cena passe a se unir daqui pra frente sem que seja na dor.

Who Wants to Live Forever
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Viper: Um mês revivendo as melhores noites

“Para quem diz por aí que o Heavy Metal do Brasil está morto, aqui está a resposta!”.

A frase acima foi apenas uma das formas que o Viper usou para mostrar que o gênero está vivo e a banda em uma forma que faz com que todos lamentem o final da turnê To Live Again, lançada neste ano em comemoração pelos 25 anos do álbum Soldiers of Sunrise.

O próprio Viper talvez não tenha confiado muito em seu taco e a banda com a formação semiclássica com André Matos, Pit Passarell, Felipe Machado, Guilherme Martin e Hugo Mariutti (com participação de Yves Passarell) fez um show com casa cheia em São Paulo com as 1.800 pessoas confirmando o sold out na casa Via Marquês, um local acanhado para a gravação de um DVD do momento histórico.

Já do lado de fora era interessante notar a fila dando volta no quarteirão para que os fãs adentrassem ao recinto. No público, jornalistas como Maurício Dehó e Ricardo Batalha, músicos como o baixista do Korzus, Dick Siebert, Bruno Sutter, entre outros, deixavam claro que aquela casinha acanhada era a casa do Heavy Metal na noite do domingo, dia 1º de julho.

O atraso de quase 1h foi compensado com a energia da banda no palco. Não eram mais aqueles “menudos” de 15 a 20 anos e sim uns tiozinhos beirando os 40 anos que se apresentavam com a mesma alegria de 25 anos atrás para um público em sua maioria formado por jovens entre 30 e 50 anos.

No set list, os clássicos de “Soldiers of Sunrise” e “Theatre of Fate”, tocados na íntegra, além de um vídeo da banda contando histórias de forma bem despojada e algumas novidades como “Crime”, “Spreading Soul”, “Rebel Maniac” e o cover do Queen, “We Will Rock You”, novidades na voz de André Matos.

Em um show memorável é difícil destacar alguns momentos como os principais, mas certamente “Living for the Night” foi única por toda a história da música e tudo o que ela representou em seu tempo e também pela apresentação com a casa toda cantando junto. Um momento curioso foi quando Yves Passarell subiu ao palco e parte do público deu aquela ironizada no guitarrista que hoje toca no Capital Inicial.

É claro que escrevo aqui sobre o show de São Paulo, que foi registrado para um DVD, mas no total foram 15 apresentações de 2h30min cada no período de apenas um mês.

A brincadeira começou no dia 22 de junho em Santo André, foi a Ribeirão Preto no dia 28 de junho, passou por São José do Rio Preto no dia 29 de junho, chegou a São Paulo no dia 1º de julho, voou para o nordeste e passou Natal no dia 6 de julho, Recife no dia 7 de julho e Salvador no dia 8 de julho.

Na sequência foi a vez de o Rio de Janeiro virar a casa do Viper no dia 10 de julho, com Bauru recebendo a banda no dia 13 de julho (uma sexta-feira 13 que também foi Dia Mundial do Rock!).

Araraquara abriu as portas ao Viper no dia 14 de julho, Jundiaí no dia 15 de julho e então foi a vez de Ponta Grossa receber o show no dia 18 de julho, Joinville no dia 19 de julho, Curitiba no dia 20 de julho e Porto Alegre encerrou o espetáculo no dia 21 de julho.

O sucesso da turnê foi tanto que muitos dos que viram ficaram com aquele sentimento de que uma dosezinha a mais não faria nada mal. Justamente por isso a banda já anunciou que pretende realizar novas apresentações em setembro.

Muito se fala hoje em dia sobre o que seria André Matos de volta ao Angra, mas a verdade é que faz muito mais sentido que ele seja o cara do Viper. Nem a carreira solo de André e nem as outras bandas pelas quais passou são tão legais quanto foi essa banda que já derrapou bastante com umas fases até meio toscas após a sua saída.

Confira abaixo o set list do show de São Paulo:

Knights of Destruction
Nightmares
Thw Whipper
Wings of the Evil
Signs of the Night
Killera (Princess of Hell)
Soldiers of Sunrise
Law of the Sword
H.R.

Illusions
At Least a Chance
To Live Again
A Cry from the Edge
Living fot the Night
Theatre of Fate
Moonlight
Prelude to Oblivion

Crime
The Spreading Soul
Rebel Maniac
We Will Rock You (cover do Queen)

Acabou a Nova Era

Liana Nakao/Site oficial Edu Falaschi

O Angra recrutou Edu Falaschi como vocalista logo após a saída de Andre Matos em 2000 e com ele teve grandes momentos que talvez tenham sido os maiores da banda com os álbuns Rebirth e, principalmente, Temple of Shadows, o que na opinião deste blogueiro é o melhor disco da carreira da banda paulistana.

Mas desde o lançamento do Temple of Shadows e a segunda perna da turnê do álbum lançado em 2004, uma maldição parece ter perseguido o grupo. Edu Falaschi passou a ter problemas para cantar as músicas nos tons originais, o que fez a banda alterar sua apresentação ao vivo. Mas depois percebe-se que isso era o de menos.

Brigas internas (com direito a agressão física), disputa de nome da banda na justiça (até conseguir afastar o empresário Toninho Pirani, da Rock Brigade), a eterna espera por um DVD decente, álbuns que não atingiram a expectativa, a saída de Aquiles Priester, turnês esvaziadas, declarações polêmicas e falta de pudor em publicações nas redes sociais, acusação de plágio e briga na justiça com grupo de pagode, e o pior show da edição 2011 do Rock in Rio tornaram o Angra uma bomba.

Nos últimos anos a banda apareceu na mídia apenas de forma negativa, tanto na grande imprensa quanto na especializada e não criou nada que pudesse colocar de volta o nome Angra como grande.

É curioso notar que em todos os 20 anos de carreira e sete álbuns de estúdio, apenas um DVD foi lançado pelo Angra e isto ocorreu há mais de dez anos, com a gravação de um dos primeiros shows da turnê Rebirth, que precisou de overdubs devido à falha no microfone que captava o som do público. Desde então, promessas e expectativas na turnê do Temple of Shadows, um show em São Paulo contando com participações especiais de músicos convidados do disco, como Kai Hansen, e nada.

Em Aurora Consurgens o Angra expôs a ferida com um álbum que falava sobre distúrbios mentais. Na época tudo era pólvora no clima da banda, que esteve bem próxima de uma separação. No fim, apenas Aquiles Priester saiu. A volta de Ricardo Confessori à bateria da banda poderia soar como um bom momento novamente, revivendo o passado… Mas não foi isso o que aconteceu.

Depois de uma turnê ao lado do Sepultura o Angra mais uma vez começou a preparar um novo disco, filmou quase toda a produção e lançou Aqua, que não remeteu ao passado e nem soube ser moderno. Ficou um disco morno e não teve uma divulgação tão bem sucedida.

Aí vieram as polêmicas com a acusação de plágio ao Parangolé em trecho claramente surrupiado pelos baianos na música “Nova Era”. Edu Falaschi resolver se juntar a Thiago Bianchi, do Shaman, numa patética campanha pelo Heavy Metal brasileiro. E o que se viu no fim foi Bianchi organizar um evento vazio em São Paulo e depois escrever e cantar o hino    do mais patético de todos os festivais de música do Brasil, o Metal Open Air.

Neste meio-tempo, Edu Falaschi teve tempo de fazer talvez o pior show da carreira em pleno Rock in Rio com TV ao vivo, dar uma entrevista tocando em pontos corretos da forma errada ao falar sobre o cenário do Metal no país e agradecer no fim aos organizadores do M.O.A. depois de ter feito um show “pelo público” quando muitos cancelaram a participação.

Em pouco mais de 11 anos, podemos dizer que Edu Falaschi cresceu como músico, fez ótimas composições, criou uma banda excelente que é o Almah, gravou um dos grandes discos de Heavy Metal da década passada com o Angra e se tornou a cara e o para-raio da banda, o alvo das críticas e um político chato. Os discursos passaram a atrapalhar Edu, assim como sua voz foi embora pelo fato de ele ter passado anos cantando músicas fora de sua linha vocal natural.

O curioso da saída de Edu Falaschi do Angra é que ela veio recheada com o abandono do baixista Felipe Andreoli ao Almah, logo ele que parecia ser o braço direito do vocalista.

Agora fica a expectativa: O Angra vai trazer Andre Matos de volta mesmo tendo o Ricardo Confessori na bateria? (para quem não se lembra, eles se desentenderam no Shaman). Rafael Bittencourt passa a ser o vocalista da banda, dividindo com a guitarra? Vão contratar um novo vocalista que terá de conviver com as sombras de Andre Matos e também de Edu Falaschi? São muitas as perguntas. O problema é que nos últimos anos o Angra tem respondido a poucas ou quase nada delas.

Cheio de publicidade e perfumaria, novo festival MOA exibe amadorismo

Em 1990, foi criado em uma cidadezinha do interior da Alemanha o Wacken Open Air, que anos depois se tornou o maior evento do Heavy Metal. Muitos brasileiros viajam todo ano para acompanhar o festival ficando em acampamentos e vivendo de Metal. Dentro do evento há um campeonato de bandas chamado Metal Battle, que tem etapas seletivas no mundo inteiro, inclusive no Brasil.

Há alguns anos surgiram boatos de que o Wacken teria uma edição no Brasil. A revista Rodie Crew tomou a dianteira do evento e depois de muita demora por informações, o próprio veículo revelou que não aconteceria mais o festival. No ano passado novamente surgiram os boatos do Wacken no Brasil e os promotores fizeram um belo uso indevido do nome para criar um festival brasileiro.

Depois de tantos boatos e a negativa por parte do Wacken a ceder o nome, nasceu o Metal Open Air, ou M.O.A., um pouco parecido com W.O.A., não? O local escolhido foi longe de onde sempre ocorrem os grandes shows: São Luís, no Maranhão, marcado para os dias 20, 21 e 22 de abril.

Passado o período de polêmica em relação ao nome do evento, vieram as confirmações e nomes interessantes entraram no cast como Anthrax, Megadeth, Grave Digger, U.D.O., Symphony X, Exodus, e Destruction. Para quem não conhece Heavy Metal, estamos falando de nomes de muito peso!

Mas um ponto interessante foi o valor inicialmente dado às bandas brasileiras. Nomes como Baranga, Torture Squad, Ratos de Porão, Matanza, Carro Bomba, Andre Matos, Korzus, Almah, Shaman, Hangar, Shadowside e o Stress, primeira banda de Heavy Metal formada no Brasil em 1975, em Belém do Pará!.

Na divulgação, vídeos de Charlie Sheen, músicos declarando que as bandas brasileiras serão respeitadas, um cenário totalmente favorável ao Heavy Metal em um dos países onde o gênero tem o maior número de fãs ao mesmo tempo em que não é levado a sério pela mídia, afinal, o termo “metaleiros” adotado por muitos foi criado de forma pejorativa pela maior rede de TV do Brasil.

O problema é que mesmo quando se tenta trabalhar em prol do Heavy Metal no Brasil, os organizadores demonstram que não são competentes o suficiente ou são, pelo menos, desleixados com as bandas brasileiras, um problema de vários outros festivais feitos aqui.

Primeiro foi a banda Shadowside que cancelou sua participação devido ao atraso na divulgação da programação com os horários para as bandas que vão realizar os shows.

“Lamento profundamente anunciar, mas não será possível a participação da banda Shadowside na primeira edição do METAL OPEN AIR, pois fica logisticamente inviável eles chegarem a tempo no evento para se apresentarem no horário que só nos foi confirmado há dois dias. O fato de que alguns membros da banda ter outros compromissos profissionais que os impediriam de ficar disponível todo o final de semana já eram do conhecimento da produção. A produção, por conta da demora, acabou inviabilizando nossa ida a São Luís. Pedimos sinceras desculpas a todos os fãs que esperavam tanto pela apresentação da Shadowside no evento”, declarou Flavio Garrido, manager da banda Shadowside.

Não bastasse perder o Shadowside, uma das boas bandas brasileiras do cenário atual, nesta quarta-feira, faltando dois dias para o início do festival, a banda Hangar já colocou sua participação em xeque. Pelas redes sociais, o baterista Aquiles Priester e o baixista Nando Mello avisaram que a banda não recebeu nenhum comunicado com a confirmação do horário de seu show e como está em Fortaleza, no Ceará, viajando em um ônibus, não haveria tempo suficiente para a ida até São Luis se a banda saísse após as 6h da manhã desta quinta-feira.

“É muito legal ver como o metal nacional é tratado… Uma pena, mas não temos mais tempo hábil para chegar ao Festival. Estamos de ônibus em Fortaleza e deveríamos sair amanhã de manhã, às 6h00 da manhã para chegar antes da meia noite ainda na quinta-feira, dia 19/04…. Infelizmente não temos como seguir sem uma confirmação da organização… Lamentável!”,  escreveu Aquiles Priester pelo Facebook.

Tudo bonito, divulgação no G1 com uma matéria por dia, participação de grandes nomes do Heavy Metal e do Rock, figuras como Charlie Sheen e Gene Simmons em anúncios e a produção perde duas atrações por puro amadorismo? Assim fica difícil fazer o Metal ser levado a sério no Brasil! Uma pena.

O ‘modo USP’ de Edu Falaschi e o contra-ataque do Metal

O desabafo de Edu Falaschi sobre a cena atual do Heavy Metal no Brasil teve grande repercussão entre fãs e músicos, mas curiosamente não foram muitos os que concordaram com o líder do Almah e (provável futuro ex) vocalista do Angra.

Como você pode conferir no post anterior, Edu não teve papas na língua para reclamar do que chama de morte do Metal brasileiro e abusou, exagerou no baixo calão chegando a jogar contra o seu próprio público e extrapolou ao declarar a “morte do Heavy Metal brasileiro”. Para este blog, foi um tapa na cara muito bem dado do público atual, que realmente não é tão fiel ao gênero quanto se diz e se acha, mas feito da pior forma possível, não à toa usei o termo “deselegante”.

Que entendam onde quero chegar, mas comparo o que Falaschi fez ao protesto recente dos estudantes da USP, em que a bagunça transformou os invasores da reitoria em vilões para a população e a mídia, provavelmente deixando de lado o que motivou tudo aquilo. Edu perdeu a linha e deu brecha a quem o quis rebater.

O desempenho ruim do vocalista em suas últimas apresentações também pesam contra, principalmente após o show com o Angra no Rock in Rio. Prestes a passar por uma cirurgia para resolver um refluxo que lhe atrapalha há anos, Edu acumula mais uma polêmica para sua lista após deixar em aberto a permanência no Angra, reclamar do Metal Melódico (que é decadente não apenas no Brasil) e viver rebatendo as críticas de seus fãs recém-saídos das fraldas.

Achei bem curioso o público juvenil do Heavy Metal se sentir vítima das palavras do músico e acreditar que não tem nenhuma culpa pelo estilo musical que gosta estar vivendo uma fase das piores por aqui, quando todos os envolvidos têm culpa.

Não sei se por respeito aos fãs, demagogia ou simplesmente pela própria opinião mesmo, mas não vi músicos defenderem o líder do Almah, pelo contrário. Kiko Loureiro, guitarrista do Angra, fez questão de avisar aos fãs que aquilo não era a opinião da banda e sim do Edu.

“Discordo, ainda mais da forma que foi dita. Foi declaração dele e não do Angra. Por favor separem as coisas”, escreveu Kiko Loureiro no Twitter.

No Heavy Nation desta sexta-feira, no UOL, você pode conferir a opinião de Aquiles Priester e Nando Mello, do Hangar. Ex-parceiro de Edu Falaschi no Angra, o baterista também revelou não concordar com a declaração. Da mesma forma agiu o baixista do Shaman, Fernando Quesada em texto muito bem escrito que foi publicado no site Whiplash, que tem bons argumentos e deixa claro que temos um bom tema para discussão.

Claro que discordo em algumas coisas, como muitos discordam do que leram aqui. Mas a partir do momento em que há a discordância, há um tema sendo debatido e isso é bom para o Heavy Metal. Não de forma brusca e mal educada, mas inteligente. Não “matando” o gênero, mas buscando alternativas para fazê-lo voltar a respirar sem o tubo.

Com tudo isso, a melhor coisa a se fazer quando o público é pequeno só pode ser valorizar os poucos merecedores disso, como faz muito bem neste Stand Up Metal Comedy o ex-Angra Andre Matos, vocalista da banda Symfonia, que recentemente tocou para casas esvaziadas e tirou de letra.

‘Deselegância’ de Edu Falaschi e a UTI do Metal brasileiro

No último domingo foi realizado pela primeira vez um show para celebrar o Dia do Heavy Metal Brasileiro. Idealizada por Thiago Bianchi, produtor musical e vocalista da banda Shaman, a data não teve muita divulgação, exceto por anúncios discretos em veículos especializados.

Logo, um evento que reunia bandas importantes no cenário atual como Almah, Hangar e Shaman foi um verdadeiro fracasso de público, o que causa preocupação para quem acompanha e valoriza o cenário musical.

Marcado por fazer declarações fortes recentemente quando fala sobre o Angra, o Almah e o público atual do Metal, o vocalista Edu Falaschi não segurou a frustração e soltou o verbo em um desabafo no qual apelou em alguns termos um tanto quanto impróprios, tendo razão em muita coisa, principalmente em relação ao fato de o Heavy Metal brasileiro respirar por aparelhos.

A oferta de shows internacionais no Brasil cresceu nos últimos anos e bandas como o Iron Maiden batem cartão em terras tupiniquins. Os shows são sempre lotados. A concorrência ficou desleal para as bandas nacionais, que já não faturam nada com vendas de discos, já que seus produtos não estão nas grandes lojas e o público atual é mais preguiçoso e mão de vaca: Faz download de tudo e não vai atrás para comprar nenhum disco e quando o gasta seu dinheiro é com uma banda estrangeira.

Os problemas não são exclusividade do Heavy Metal, mas de vários outros gêneros. Edu Falaschi não é o primeiro e nem será o último a chiar. Aliás, já ouvi os caras do Dr. Sin reclamarem há uns três ou quatro anos, assim como li os manifestos de Thiago Bianchi.

Por outro lado, lembro de ter lido há uns cinco ou seis anos o cantor Andre Matos dizer que a pirataria não assustava tanto, já que o público do Heavy Metal era fiel e comprava os discos, além de comparecer aos shows. Que mesmo baixando os arquivos de MP3, comprava o CD e o DVD para guardá-los como item de coleção. Sim, a coisa mudou. Aquele público que se dizia fiel, não tem mais fidelidade alguma, exceto com bandas com o Iron Maiden, que conseguiu disco de ouro no Brasil com o esquisito álbum Final Frontier, por exemplo.

A mídia especializada também piorou muito. Tente ler as entrevistas repetitivas e as resenhas chatas e manjadas nas páginas da revista Roadie Crew. A tarefa é dura. E aguentar então aquele perfil de programa infantil incorporado pela galera do Stay Heavy, programa especializado de TV. O Whiplash, que é o maior site de Metal do país, passou a apelar em suas manchetes, além de abrir espaço a outros gêneros. Enfim, é tudo pela vendagem, pela grana, como qualquer veículo de imprensa que necessita de margem de lucro.

O problema que vejo é simples: os meios do Heavy Metal estão seguindo um padrão pop para atrair a outros públicos. Enquanto isso, não se consegue emplacar o material feito no Brasil em eventos grandes realizados por aqui, e não são poucos. No Rock in Rio o espaço para o Metal brasileiro foi bem pequeno e amador, no festival SWU não há Heavy Metal nacional e o espaço na mídia em geral inexiste para quem não é Metallica, Iron Maiden e etc.

O que existe hoje na mídia em geral é o culto à celebridade e o Heavy Metal brasileiro passa longe de ser celebridade, exceto por um Andreas Kisser aqui, um Kiko Loureiro ali. Claro que a preguiça de um público “acostumado a leite com pêra” (“mimado”, para quem não entendeu o termo anterior) atrapalha e aí faz todo sentido a frase mais interessante de Edu Falaschi no final da entrevista que virou pronunciamento: “Fiquem aí com o Restart”.

Para quem não quer lembrar no futuro que o Rock bem feito no Brasil morreu para dar espaço a Restarts e NXZeros da vida, deixo abaixo uma lista com coisa muito boa que é ou foi feita por aqui.

Akashic, Almah, Angra, Astafix, Carro Bomba, Dr. Sin, Hangar, Harppia, Korzus, Krisiun, Mindflow, Musica Diablo, Nando Fernandes, Scelerata, Sepultura, Shadowside, Shaman, Stormental, Symbols, Torture Squad, Tribuzy, Tuatha de Danann, Viper e Vulcano.

Ah, então o público tem que ignorar as bandas estrangeiras? Claro que não! Mas abandonar o material produzido no Brasil é lamentável! Acha que não, então confira abaixo o que temos:

Hangar

Torture Squad

Krisiun

Stormental

Almah

Shadowside

Carro Bomba

Korzus

Quando o playback dá errado e a TV vira circo…

O playback é um artifício muito utilizado na TV e atualmente são poucos os programas que contam com música ao vivo, seja por falta de uma aparelhagem decente para levar o som ao telespectador ou pela falta de disposição do músico em ter de fazer o esforço em um horário que geralmente seria o seu descanso.

O velho Chacrinha foi um dos pais do playback no Brasil e consagrou muitos artistas do cenário atual desta forma, enquanto alguns que se recusavam a prestar tal papelão ficaram no ostracismo por um longo período.

O Espelho Mau não gosta de playback e recursos que possam ser utilizados para mascarar o que o sujeito está tocando ao vivo, mas admite que muitas vezes o artifício da farsa se torna engraçado.

Tem músico que cai do palco, ou tem o microfone roubado pela plateia, ou então o baterista tem que fingir fazer uma puta virada em um kit infantil de bateria, sem contar quando a música entra antes ou dá um problema no meio da execução.

O caso deste post ocorreu em 1994 e a banda responsável por um dos playbacks mais hilários foi o Angra, ainda em seus primórdios com André Matos como vocalista. O programa foi o TV Mulher, um daqueles programas de variedades que só servem para você saber que a pior coisa a fazer quando não tem o que fazer é ver TV.

Com um playback combinado, o Angra foi ao estúdio sem o baterista Ricardo Confessori e sua bateria. O guitarrista Kiko Loureiro se passou por baixista ao trocar seu instrumento com Luis Mariutti e Rafael Bittencourt fingiu freneticamente fazer solos de guitarra em um violão desplugado.

E cada vez que você acha que já viu bizarrices o bastante, surge uma nova. O Angra “tocou” no programa a música “Wuthering Heights”, cover de Kate Bush, e depois Andre Matos anunciou que a radiofônica “Time” seria a próxima música.

Enquanto o vocalista ainda conversava com a apresentadora do programa, eis que surge o verso “Time to believe in the dream that you’ve seen…”. Era a entrada da música “Evil Warning” e não a “Time”.

As músicas não são parecidas e dificilmente a canção que fala do “aviso do mau” seria apresentada em um programa de TV no lugar de outra que fala no “tempo que faz viver”, ainda mais por ser muito mais pesada do que a que o Angra pretendia fingir tocar. O mais engraçado é notar o riso dos integrantes (principalmente Kiko Loureiro) com o circo armado e a apresentadora achando tudo aquilo normal.

Para quem quiser conferir a “pequena diferença” entre a “Time” e a “Evil Warning” para constatar a confusão do programa televisivo, segue aqui o clipe oficial da música que a banda paulistana pretendia fingir tocar.