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cantora pop morta em 2011

Finados em 2011 formariam uma banda respeitável

O dia 2 de novembro, feriado para muitos (não para o jornalista que escreve este blog), é conhecido como o Dia de Finados, um dia para homenagear os mortos. Como já se comentou há algumas semanas, uma reunião de músicos mortos certamente superaria de longe festivais como Rock in Rio e SWU.

Nomes como Janis Joplin, Jimi Hendrix, Ronnie James Dio, Cliff Burton, Bon Scott, Joey Ramone, Brian Jones, John Bonham e Randy Rhoads são apenas alguns dos alvos de homenagens a cada dia 2 de novembro.

E neste ano o time celeste ou infernal foi pesadamente reforçado com figuras relevantes do Pop, do Rock e do Heavy Metal. Provavelmente a perda mais repercutida foi a da inglesa Amy Winehouse, vítima de uma intoxicação alcoólica aos 27 anos.

Já fiz minha homenagem a Amy Winehouse no dia de sua morte, então decidi reservar este post para lembrar de outras figuras importantes que partiram para outra e formariam uma banda de altíssima qualidade.

Para começar, eu estava na Costa do Sauipe, na Bahia, quando soube da morte do guitarrista Gary Moore, vítima de uma parada cardíaca quando passava férias na Espanha aos 58 anos. Moore iniciou sua carreira como guitarrista de rock/blues e foi membro das bandas irlandesas Skid Row (que não é aquele de “In A Darkened Room”) e Thin Lizzy, antes de sossegar com sua volta ao Blues.

Já o baixista Mike Starr fez jus ao primeiro disco lançado na carreira, o EP We Die Young (1990) e morreu aos 44 anos após uma mistura do remédio Xanax com bebidas alcoólicas. Starr era o baixista original da banda Alice in Chains e participou da fase áurea da banda gravando os álbuns Facelift (1990) e Dirt (1992). Acabou não retornando na reunião da banda sem o vocalista Layne Staley.

Ex-vocalista do Warrant, uma das figuras mais marcantes da fase farofa do Rock, também conhecida como Glam Rock, Jani Lane alcançou o sucesso cedo com o single “Heaven” em 1989. O vocalista abandonou a banda em 2004, participou de uma reunião em 2008, mas seu temperamento e as drogas prejudicaram a sequência da banda e de sua carreira, vindo a vitimar o vocalista no dia 10 de agosto deste ano.

Scott Columbus foi o responsável pela marcação de tempo e as baquetas do Manowar entre os anos de 1983 e 2007 e participou de álbuns clássicos da banda a partir de Into Glory Ride, passando por Fighting For The World (1987), Louder Than Hell (1996) e Warriors of the World (2002). Sua morte por causas desconhecidas foi anunciada no dia 5 de abril deste ano pelo site oficial da banda. Columbus tinha 54 anos.

Para completar o clássico quinteto, outro guitarrista que não resistiu ao ano 2011 foi Michael Burston, conhecido pelo apelido Würzel. O músico britânico teve sua carreira marcada por ter ingressado no Motörhead em 1984 e gravado álbuns de sucesso como Orgasmatron (1986), de onde saíram faixas como “Doctor Rock” e a própria “Orgasmatron” (anos depois regravada com esmero pelo Sepultura).

No álbum 1916 participou de homenagens da banda, com “Going to Brazil”, música dedicada ao público brasileiro, e “R.A.M.O.N.E.S.”, obviamente um tributo ao quarteto de Punk Rock. Deixou a banda após gravar o álbum Sacrifice (1996), fazendo o Motörhead voltar a ser um “power trio”. Uma parada cardíaca matou o músico no momento em que ele pegava uma cerveja Guinness, segundo a banda.

Com Jani Lane nos vocais, Würzel e Gary Moore nas guitarras, Mike Starr no baixo e Scott Columbus na bateria, forma-se uma banda respeitável. Uma pena não podermos mais contar com apresentações destes músicos talentosos por aqui.

Amy Winehouse, uma legítima rock star

Aos 27 anos morreu Amy Winehouse e muitos vão passar dias, semanas, meses e anos discutindo a causa da morte, as polêmicas e o estilo de vida da inglesa que tirou a música pop daquele inferno de mesmice em que a dança ganhou mais importância do que a música.

Considero a cantora como a única Rock Star da década de 2000. Afinal, nada que surgiu no rock depois da primeira metade dos anos 90 fez referência a aquilo que havia sido um dia o gênero musical. Na forma de usar o ‘foda-se’ para se apresentar, no ‘tô cagando’ para a mídia e agora em sua morte também na mesma idade de monstros como Brian Jones, Janis Joplin e Jimi Hendrix, entre outros.

E isso justamente pelo fato de geralmente as estrelas mortas do rock causarem mais comentários negativos pelo que fizeram fora dos palcos do que pelo genial que fizeram sobre o palco, ou nos estúdios.

E aí você vai ler muito nos próximos dias gente falando que ela não é um ídolo, é uma drogada, uma doente e por aí vai. Para mim, o lado ‘em que mundo estou?’ da cantora é exatamente o que personifica um ídolo.

Considero ídolos aqueles que alcançam o que nunca terei nem pretensão, aqueles que vivem sem limites e acabam pagando por isso. Se quiser um ídolo de porcelana, perfeito, modelo-padrão, que cada um compre seu santinho e reze por ele, oras!

Outra coisa que vai dilatar o saco é que o talento da cantora provavelmente ficará de lado nos próximos dias. Afinal, é algo que hoje não vende. As pessoas consomem o escândalo, a polêmica e depois compram qualquer coletânea feita nas coxas para se dizerem fãs.

Como este blog é um espaço em que são valorizados os covers, versões e afins, encerro com uma bela versão de “All My Loving” (daqueles tais Beatles) executada por Amy Winehouse. E isso não é uma homenagem à cantora, mas à música, que perdeu algo grandioso.

Enfim, mais vale uma Amy Winehouse morta do que um Restart (ou tudo o que se produz de música chata atualmente) vivo.