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Criador de Tieta, Pai do Axé dá uma aula de Rock!

Luiz Caldas é conhecido como o pai do axé, se consagrou com sucessos como “Tieta” e “Haja amor”, além de ter criado os singelos versos “pega ela aí para passar batom, de cor de violeta na boca e na bochecha” e “batom azul na boca e na porta do céu” em “Fricote”, também conhecida como “Nega do Cabelo Duro”. (obs.: os versos deixam no ar possíveis rimas que são de uma malícia digna do AC/DC)

Lembro que no início da década de 90 ainda era bem comum ver Luiz Caldas em programas de TV e ouvir suas músicas por aí. E aí o axé se consolidou. Vieram o Asa de Águia, o Chiclete com Banana, a Banda Eva (de onde saiu Ivete Sangalo) e mais um monte de gente.

O axé leva cada vez mais público seja no carnaval ou nas micaretas, enquanto ultimamente Luiz Caldas vivia à sombra do sucesso dos outros músicos do gênero. E então o baiano resolveu mostrar o seu vasto conhecimento musical e lançou no ano passado uma série de discos de diferentes estilos, sendo o mais surpreendente o rock.

Assim como Durval Lélys, do Asa de Águia, Luiz Caldas se declara fã de vários grupos de rock como o Pink Floyd e o AC/DC, além de já ter aparecido em público vestindo uma camisa da banda alemã de heavy metal Kreator.

O gosto do músico pelo rock talvez não seja muito novo, assim como a gravação do disco, já que diversos veículos de imprensa noticiaram o fato e recentemente ele esteve no Programa do Jô, na TV Globo, para cantar a música “Maldição”.

Mas o que pode surpreender a muitos é a pegada do som tocado por Luiz Caldas. É muito curioso dizer que o disco que talvez seja um dos melhores do Brasil no rock atual foi feito pelo “Rei do Axé”.

No álbum Castelo de Gelo, se destacam o heavy metal “Maldição”, que tem vocal agressivo, riffs pesados e uma letra característica, além de “No Bar”, veloz e ‘na cara’, além da faixa-título, um hard rock com uma ótima levada e uma melodia bacana.

Luiz Caldas é o exemplo claro de que não adianta caprichar mais nas cores do que na música, e também mostra ser possível fazer música boa apostando nos riffs de guitarra, em letras despojadas, sem aquele apelo que boa parte da garotada tem hoje em dia com o rock, que atualmente é tão cafona quanto o sertanejo universitário.

Paula Fernandes vai além do sertanejo e do heavy metal (!?!)

A voz da mineira Paula Fernandes é uma das melhores coisas que há atualmente na capenga música brasileira. A cantora é uma legítima representante da música sertaneja verídica, diferente daquele “sertanejo de apartamento” encarnado por Luan Santana e outros. Mas demonstra habilidade também em outros estilos.

Ok, minha área de atuação não costuma incluir música sertaneja, mas a beleza e a voz de Paula Fernandes me impressionaram muito nesta febre que ela alcançou após cantar com Roberto Carlos e estourar o hit “Pássaro de Fogo”.

Meu irmão me indicou uma preciosidade, um disco (chamado Dust In The Wind) gravado em 2006  pela cantora contendo apenas covers de sucessos do pop, do folk, do country norte-americano, do rock progressivo brasileiro, do rock inglês e… do Heavy Metal!

Ouvi o álbum inteiro, me interessei e decidi escolher duas emblemáticas para postar no Espelho Mau. A primeira é uma releitura bem feita de “Behind Blue Eyes”, gravada originalmente pelo The Who em 1971.

Já tinha ouvido outras versões do clássico e garanto, a versão de Paula Fernandes é muito melhor da que o insuportável Limp Bizkit tentou emplacar em 2003. E cá para nós, a voz e o visual dela são bem melhores que os de Fred Durst.

Como se não bastasse, Paula Fernandes se arriscou em um degrau acima e regravou “Nothing Else Matters”, um dos sucessos do Metallica no aclamado álbum que se chama Metallica, mas todo mundo conhece como Black Album desde o seu lançamento em 1991.

É claro que se trata de uma versão acústica, sem as guitarras do Metallica e sem aquela voz mais agressiva de James Hetfield em uma das principais baladas já gravadas pela banda norte-americana. E isso é um grande mérito da cantora ao deixar a música mais ao seu estilo, sem estragar, sem deixar a desejar como muita banda cover faz.

Em um momento musical em que todo sucesso pode ser questionável, as versões gravadas antes de a cantora ter atingido o sucesso mostram que há sim músicos que chegam ao estrelato com méritos. E Paula Fernandes já demonstrou que sua voz é muito potente seja para suas canções sertanejas, seja para covers de estilos musicais bem diferentes.

Vira-casaca inspirou nova música do CPM 22?

Como vimos no post anterior, a saída do guitarrista e compositor Wally do CPM 22 causou mudanças drásticas em sua carreira, mas não foi apenas ele que mudou.

Um tanto quanto perdido devido aos problemas internos e com a gravadora, a banda CPM 22 só voltou a lançar um álbum de inéditas sem Wally neste ano e apostou em um estilo musical bem diferente, usando metais e apresentando um ska que nunca teve nada a ver com o grupo. Ruim? Não. Mas o que me pareceu foi uma banda ainda sem saber para onde ir.

Para o álbum “Depois de um Longo Inverno” (2011), nenhum outro guitarrista foi recrutado e Luciano passou a ser o principal do instrumento na banda. E o próprio ex-parceiro de Wally foi responsável pela autoria de uma composição que me soou como uma vingança contra o agora “cavaleiro metal”.

Sim, o título da música é “Cavaleiro Metal” e poderia ter uma interpretação bem diferente, remetendo aos metais usados pela banda, mas não é bem isso o que é passado. Quem prestar atenção à letra vai perceber claramente que a revolta contra o personagem da música é direcionada a uma pessoa.

Para quem percebeu que Wally agora toca heavy metal pesado e que largou o CPM 22 em um dos momentos mais complicados da banda, fica difícil não “captar a mensagem”, como diria o mestre Rolando Lero.

Onde está Wally?

Muita gente conhece o CPM 22, banda paulistana de hardcore melódico (com variação bem pop comercial) criada em 1995. Mas muitos fãs da banda jamais ouviram falar de um tal de Astafix, uma banda de thrash metal muito influenciada pelo Pantera.

O guitarrista e vocalista Wally esteve no processo de criação do CPM 22, mas se cansou dos problemas com a direção que o som da banda tomou depois de assinar com uma gravadora grande, vender discos, tocar em programas de TV, etc. Isso culminou com sua saída em 2007 depois de gravar o álbum “Cidade Cinza”.

Depois de deixar o CPM 22, Wally reuniu o guitarrista Paulo Schroeber, o baixista Ayka e  o baterista Thiago Caurio, além de contar com participações especiais como a de Andreas Kisser (guitarrista do Sepultura) e lançou dois anos depois o álbum “End Ever” pela banda Astafix. Com destaque para a faixa “Red Streets”, um petardo. Confira o vídeo:

Tanto a música “Cidade Cinza”, do CPM 22, quanto “Red Streets”, do Astafix, foram compostas por Wally e são cantadas pelo próprio, o que aumenta a ironia no ‘vira-casaca’ de estilo musical.

Ainda assim, a qualidade do som apresentado pela nova banda de Wally impressiona, a ponto de o grupo ter sido apontado como revelação na conceituada revista nacional “Roadie Crew”.

Mas é claro que vai ser sempre curioso ver e ouvir aos urros um cara que há um tempo escrevia canções melodiosas e com excesso de glicose, além de fazer aqueles backing vocals com os olhos fechados, tudo na busca por sucesso com o público adolescente.

Uma coisa que fica claro no álbum lançado há dois anos pelo Astafix é que Wally percebeu um problema em seguir naquela direção do CPM 22. O público adolescente cresce e muda, não há fidelidade, não como no heavy metal.