Arquivo da tag: acústico

música executada sem instrumentos plugados

Heavy Metal Universitário?!

Você já deve ter ouvido falar em Forró Universitário, Sertanejo Universitário, Pagode Universitário, Axé Universitário e tudo que é tipo de música utilizando o complemento “universitário”. E provavelmente engoliu facilmente todos os subgêneros.

Agora, e se eu te empurrasse goela abaixo o Heavy Metal Universitário? Ok, isso não vai acontecer. O gênero não usa o nome complementar, não é popular para isso e nem pagador de jabá.

Só que a ótima banda gaúcha Hangar gravou um álbum de Heavy Metal no formato acústico e ouvi a expressão em uma brincadeira durante o programa Heavy Nation, da Rádio UOL.

E o que tem demais? Basta conferir os diferentes arranjos utilizados, a sonoridade suave e você tem uma música que seria facilmente radiofônica. Você poderia ouvir em emissoras de Rock e Pop em seu rádio ou ver o videoclipe na MTV, mas não vai. E sabe o motivo: é Heavy Metal, o gênero musical proibido para o povão.

É um tema que me instiga ainda o fato de nem mesmo as baladas e as versões acústicas serem tocadas nas emissoras de rádio sem a presença do bom e velho jabá. Acho que o último Metal a tocar em uma rádio rock por aqui foi do Angra com “Wishing Well” ou o Shaman com “Innocence”, ambos na extinta rádio rock paulistana 89 FM.

Ok, eu posso ouvir o Heavy Metal que gosto em meu MP3, aliás, é o que faço diariamente. E tudo bem, nem precisa tocar o som mais pesado do Slayer, do Sepultura ou do Korzus. Mas será que nem quando a música é mais leve e melhor tocada que muita coisa popular por aí é possível colocar para rodar?

A diferença do Metal para outros gêneros fica muito clara quando você tem um álbum ou apenas uma música gravada no formato acústico. Os arranjos são mais poderosos, a velocidade reduzida não tira a essência e a levada na percussão é incomparável. E o Hangar mostra isso perfeitamente no álbum Acoustic but Plugged In!, lançado neste ano com mais uma mudança de vocalista (ainda prefiro o Nando Fernandes, mas o André Leite é muito bom!) e que me pareceu uma grande sacada.

Muita gente vai condenar o fato de os caras terem gravado um álbum acústico. ‘Ah, não pode! Não é true!’. A típica coisa de gente chata que faz o Heavy Metal parecer chato. Pois já teve aquele pessoal que reclamou quando o Metallica gravou com orquestra sinfônica um puta álbum, assim como tem adoráveis seres que chamariam o Sepultura de ‘vendido’ por isso aqui.

É uma pena que para que o público em geral goste deste tipo de coisa talvez tenhamos de incluir o nome “Universitário” no meio…

Titãs fizeram Patches virar Marvin e cometer delitos

A história de um rapaz que perdeu o pai aos 13 anos e teve de ir para a roça trabalhar e sustentar sua família foi um dos sucessos da longa carreira da banda Titãs, um grupo cheio de altos e baixos, que fez tanta coisa de diferente que é difícil saber o gênero hoje em dia.

A música em questão é chamada “Marvin”, com versão escrita por Nando Reis e gravada pelos Titãs em seu primeiro disco, homônimo de 1984. O que alguns não sabem é que a canção se trata da reprodução de uma história norte-americana de alcunha “Patches”, escrita e gravada originalmente pela banda Chairmen of the Board em 1970.

Os compositores Ronald Dunbar & General Johnson conseguiram um Grammy com a canção em 1970 na categoria Melhor Canção de Rhythm & Blues. Ao perceber o potencial da música, o cantor Clarence Carter decidiu fazer uma regravação tendo de ouvi-la durante a reprodução, já que ficou cego na juventude.

Conhecido por ter uma história sofrida de infância e nascido no Alabama, Clarence Carter se assemelhava ao personagem principal da história e com isso levou a canção ao posto de número 2 das paradas britânicas e 4 nas norte-americanas.

Na “versão brasileira Herbert Richards”, algumas características são curiosas, pois o que era Rhythm & Blues ficou praticamente um Reggae, sem contar alguns desvios na letra, que dificilmente seria idêntica devido à sequência musical.

Enquanto na versão original, Patches foi proibido pela mãe de abandonar a escola e teve de trabalhar e estudar, Marvin parou com os estudos logo que o pai morreu e então precisou ir à labuta.

O pai de Patches não lhe deu muitas esperanças ao morrer, já que não dizia saber o destino do filho e nem prometia sofrer caso o jovem caísse no choro.

Enquanto Marvin admitiu ter cometido o crime de roubo na versão dos Titãs, Patches jamais citou ter roubado um frango em nome da fome. Sua mãe rezava apenas para que o jovem aguentasse o trabalho pesado a cada dia. Confira abaixo as duas versões:

Paula Fernandes vai além do sertanejo e do heavy metal (!?!)

A voz da mineira Paula Fernandes é uma das melhores coisas que há atualmente na capenga música brasileira. A cantora é uma legítima representante da música sertaneja verídica, diferente daquele “sertanejo de apartamento” encarnado por Luan Santana e outros. Mas demonstra habilidade também em outros estilos.

Ok, minha área de atuação não costuma incluir música sertaneja, mas a beleza e a voz de Paula Fernandes me impressionaram muito nesta febre que ela alcançou após cantar com Roberto Carlos e estourar o hit “Pássaro de Fogo”.

Meu irmão me indicou uma preciosidade, um disco (chamado Dust In The Wind) gravado em 2006  pela cantora contendo apenas covers de sucessos do pop, do folk, do country norte-americano, do rock progressivo brasileiro, do rock inglês e… do Heavy Metal!

Ouvi o álbum inteiro, me interessei e decidi escolher duas emblemáticas para postar no Espelho Mau. A primeira é uma releitura bem feita de “Behind Blue Eyes”, gravada originalmente pelo The Who em 1971.

Já tinha ouvido outras versões do clássico e garanto, a versão de Paula Fernandes é muito melhor da que o insuportável Limp Bizkit tentou emplacar em 2003. E cá para nós, a voz e o visual dela são bem melhores que os de Fred Durst.

Como se não bastasse, Paula Fernandes se arriscou em um degrau acima e regravou “Nothing Else Matters”, um dos sucessos do Metallica no aclamado álbum que se chama Metallica, mas todo mundo conhece como Black Album desde o seu lançamento em 1991.

É claro que se trata de uma versão acústica, sem as guitarras do Metallica e sem aquela voz mais agressiva de James Hetfield em uma das principais baladas já gravadas pela banda norte-americana. E isso é um grande mérito da cantora ao deixar a música mais ao seu estilo, sem estragar, sem deixar a desejar como muita banda cover faz.

Em um momento musical em que todo sucesso pode ser questionável, as versões gravadas antes de a cantora ter atingido o sucesso mostram que há sim músicos que chegam ao estrelato com méritos. E Paula Fernandes já demonstrou que sua voz é muito potente seja para suas canções sertanejas, seja para covers de estilos musicais bem diferentes.