A morte e a obra de Chester Bennington

Na tarde desta quinta-feira (horário de Brasília), o site americano TMZ espantou novamente o mundo da música com a notícia de que o cantor Chester Bennington, vocalista do Linkin Park (ex-Stone Temple Pilots / Dead by Sunrise) , foi encontrado morto em sua residência aos 41 anos.

Mais tarde veio a confirmação por meio do outro vocalista do Linkin Park, Mike Shinoda. As informações deram conta de suicídio por enforcamento. Uma curiosa e mórbida coincidência. Há dois meses e dois dias morreu da mesma forma Chris Cornell, vocal do Soundgarden, Temple of the Dog e Audioslave, que completaria 53 anos nesta quinta-feira.

Os dois músicos eram próximos. Há um registro no vídeo abaixo de ambos cantando juntos a música “Hunger Strike”, do Temple of the Dog (em 2010), além de uma participação de Cornell com o Linkin Park em “Crawling”  (em 2008).

No velório de Cornell, Chester foi um dos presentes e cantou uma bela versão de “Hallelujah”. Ele escreveu uma mensagem também bastante emocionada ao amigo quando soube de sua morte.

Em tempos de pessoas extremistas para todos os lados, há muito julgamento, a morte de alguém famoso é sempre cercada de todos os boatos possíveis, de inúmeros pré-conceitos, aquela historinha de “Rock e drogas”, uma hipocrisia que a cada dia piora.

O maior inimigo de uma pessoa que comete um suicídio é a própria mente, é a depressão, sequências traumáticas que geram consequências trágicas. Casos que merecem cada vez mais atenção para que possam vir a ser evitados com outros indivíduos no futuro.

Conheço pessoas que sofreram do mesmo problema, uma bomba-relógio que em 5 minutos acabou uma vida, várias, e continua enquanto não se der mais atenção a esta depressão, doença ignorada, que não abastece a indústria farmaceutica, na verdade é muitas vezes abastecida por ela nos efeitos colaterais tal qual com drogas e álcool.

Morreu não apenas um cantor de 41 anos, em fase produtiva na carreira, mas um pai de seis crianças, um marido, um filho.

O músico

Chester Bennington foi um cantor admirável, com uma voz potente que ajudou a alçar voos com o Linkin Park, banda que lançou dois fortes discos, o Hybryd Theory (2000) e o Meteora (2003) no início da década passada e ganhou o mundo.

Estive em um show da banda em 2004, quando eles visitaram o Brasil pela primeira vez e eles eram bem explosivos, surfavam no sucesso do segundo álbum trazendo um som diferente, que ajudou a fincar a bandeira do nu-metal, um pouco na linha do Korn, mas com a novidade que eram os gritos de Chester e o rap de Shinoda.

Depois de alguns anos, lançaram com a produção do renomado Rick Rubin o Minutes to Midnight (2007), um pouco mais melódico, menos velocidade, menos gritos, mas que também atingiu boas marcas num momento de declínio da indústria musical.

Então veio A Thousand Suns (2010), mais pop, mais experimental e mais fraco que os três álbuns anteriores, que teve relativo sucesso e ajudou a manter a banda em evidência. Living Things (2012) manteve com aquelas músicas de balada pop, com uma banda cada vez mais light e distante daquela que os colocou no main stream.

A banda se reaproximou do nu-metal em The Hunting Party (2014), com uma pegada mais forte e participações interessantes como a de Tom Morello (Rage Against The Machine/Audioslave), em “Drawbar”, de Daron Malakian (System of a Down/Scars on Broadway), em “Rebellion”, e de Page Hamilton (Helmet), em “All for Nothing”, e do rapper Rakim em “Guilty All the Same”. O disco trouxe o melhor do vocal de Bennington, que sempre casou bem com um instrumental poderoso.

O último lançamento do Linkin Park com Chester foi há exatos dois meses, nominado One More Light, que mudou completamente a direção da banda, com uma sonoridade muito mais para Justin Bieber do que para tudo o que eles haviam feito por todos esses anos, pior inclusive que aqueles discos alternativos como o Reanimation e o Recharged, que tinham músicas regravadas com outra roupagem.

O álbum foi alvo de críticas de fãs e o vocalista chegou a ser alvo de uma garrafa atirada do público durante a apresentação da música “Heavy” (que de heavy não tem nada) no Hellfest, em junho.

No Brasil a banda se apresentou em nove shows ao longo da carreira, passando pelo Chimera Festival, em São Paulo (2004), SWU, em Itu/SP (2010), Arena Anhembi, em São Paulo, Citibank Hall, Rio de Janeiro, e Gigantinho, em Porto Alegre (2012), Circuito Banco do Brasil em Belo Horizonte e Brasília (2014), e Maximus Festival, em São Paulo, no dia 13 de maio de 2017.

A última apresentação do cantor com o Linkin Park foi no dia 6 de julho, em Birmingham, na Inglaterra, pela One More Light Tour. Eles ainda fariam um show na Manchester Arena no dia 7, mas acabaram cancelando a apresentação devido ao ataque que matou 22 pessoas no local durante um show da cantora Ariana Grande.

O grupo americano tinha shows agendados a partir da próxima quinta-feira, 27 de julho, que iniciaria uma sequência de apresentações até novembro ao lado de convidados como o Blink 182, Machine Gun Kelly e Snoop Dogg.

Fora do Linkin Park, Chester cantou com o Stone Temple Pilots no lugar de Scott Weiland (falecido em dezembro de 2015) e mandou bem. O EP High Rise foi seu único registro com a banda e trouxe a ótima “Out of Time” e outras quatro faixas de respeito.

Outro registro foi com o Dead by Sunrise, que teve apenas um álbum de estúdio lançado, Out of Ashes (2009), com um som mais obscuro e mais rock que o Linkin Park daquele período pós-Meteora. É um trabalho não tão conhecido do músico, mas de qualidade.

Que Bennington descanse em paz e seja reconhecido por sua obra. #RIPChesterBennington

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Terror interrompe o Rock

A sequência de ameaças e atos terroristas chega mais uma vez a um evento musical. Poucos dias depois de um atentado no show de Ariana Grande, em Manchester, um ano e meio depois do ataque no Bataclan, em Paris, um dos grandes festivais de Rock e Heavy Metal da Europa, o Rock am Ring, precisou ser evacuado nesta sexta-feira, em Nurburgring, na Alemanha.

O Rock am Ring é um dos festivais nos quais o público fica acampado no local onde acontecem os shows e já tinha confirmada a chegada de 82.500 pessoas para acompanhar as bandas a partir desta sexta-feira.

Palco principal do Rock am Ring antes do aviso pedindo evacuação. Crédito: Divulgação

A principal atração do primeiro dia, que acabou tendo o show cancelado foi o Rammstein, uma das grandes bandas da Alemanha. No cast desta sexta-feira ainda estavam o Rival Sons, Liam Gallagher, shows também cancelados, além de In Flames, Five Finger Death Punch e 2Cellos, que chegaram a se apresentar antes da evacuação.

O aviso da ameaça terrorista aconteceu durante o show da banda Broilers, no palco principal do evento, conforme você pode conferir no vídeo abaixo:

Os organizadores divulgaram a seguinte mensagem em suas redes sociais:

“Devido a uma ameaça terrorista, a polícia nos aconselhou a interromper o festival.

Pedimos a todos os visitantes do festival para deixar o local de forma calma e controlada em direção às saídas e áreas de acampamento.

Precisamos ajudar as investigações da polícia.

Todos os visitantes serão mantidos informados sobre quaisquer desenvolvimentos em todos os canais do Rock am Ring nas mídias sociais, rádio e locutores.

Esperamos que o festival continue amanhã. Obrigado por sua cooperação”

Mais tarde, os organizadores divulgaram que farão neste sábado, às 11h da manhã (horário local), uma coletiva de imprensa com a presença do Ministro do Interior local para dar mais informações sobre as investigações, e esperam poder realizar os shows, embora não tenham confirmação se isto será possível.

Shows previstos para o Rock am Ring 2017. Crédito: Divulgação

Entre as bandas previstas para sábado e domingo estão Sum 41, The Raven Age (banda de George Harris, filho do baixista do Iron Maiden, Steve Harris), Gojira, Airbourne, Jake Bugg, Alter Bridge, Prophets of the Rage e System Of a Down.

Na evacuação, o público deixou o local dos shows cantando “You’ll Never Walk Alone”.

A aglomeração de pessoas é um alvo procurado pelos terroristas e, com a crescente frequência dos atentados, os organizadores precisarão primar mais pela segurança, seja em um parque fechado, como no Rock am Ring, ou em estádios, como vimos há poucos dias no show de Ariana Grande, em Manchester.

Fãs do Foo Fighters não deixam a música parar

 

Era para ser apenas mais um show do Foo Fighters na série que a banda tem feito pelos Estados Unidos, mas Dave Grohl decidiu emendar um “Parabéns a você” na setlist para fazer aquela média com a patroa no BottleRock 2017, realizado no Napa Valley Exposition, em Napa, Califórnia, durante o último domingo.

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Cartaz do festival         Crédito: Divulgação

O problema é que o agrado à esposa ajudou a estourar o tempo previsto para o show durante a execução da música seguinte, um dos maiores sucessos da banda, “Everlong”.

O áudio foi desligado no meio da música, mas a banda seguiu tocando e a plateia assumiu o vocal para levar a música até o final. Pat Smear fez até uma graça enquanto a banda tocava e praticamente ninguém ouvia os instrumentos, exceto a bateria de Taylor Hawkins.

Veja abaixo o vídeo:

Cenas como a de domingo mostram que o Rock não morre, pois seu público não deixará.

Uma das mais belas vozes do Rock se cala

Acordar cedo não me agrada, nunca agradou. Ainda mais quando não é programado, quando estou desempregado e não preciso despertar apressado.

Quando isso acontece, você olha para o lado, pega o celular para ver as últimas notícias e vem aquele soco no estômago. Já aconteceu algumas vezes, o de hoje foi doloroso: Morreu Chris Cornell.

 

Cornell do Soundgarden, do Audioslave, do Temple of the Dog. Simplesmente Cornell. O cara bonito, talentoso, com personalidade, uma das mais belas e potentes vozes do Rock. Para este blogueiro, um dos artistas mais completos do Rock e o melhor vocal de toda aquela turma de Seattle. Talvez um fã de Eddie Vedder pode rebater, entenderei, pois o carisma do frontman do Pearl Jam o coloca num pedestal que muitas vezes reduz a percepção à voz.

Numa semana onde se lembram os 7 anos da partida de Ronnie James Dio e os 30 do suicídio de Ian Curtis, um Chris Cornell sai de mais um show apresentado com maestria e se enforca em um hotel em Detroit aos 52 anos, jovem e em fase produtiva. No Soundgarden, vinha em turnê pelos Estados Unidos desde abril deste ano.

Em sua carreira solo – muitas vezes esquecida quando a turma lembra do trabalho nas bandas da qual fez parte -, vinha de um álbum lançado em 2015 (Higher Truth), além de participação em trilhas sonoras. Em abril deste ano o último single lançado em vida foi justamente uma trilha sonora chamada “The Promise”, lançado em abril deste ano com o filme homônimo.

Se você não conhece a carreira de Cornell, recomendo que ouça os álbuns Badmotorfinger (1991) e Superunknown (1994), com o Soundgarden, Temple of The Dog (1991), com o Temple of The Dog, Audioslave (2002), do Audioslave, e Euphoria Morning (1999), da carreira solo do cantor. Nos citados você vai reconhecê-lo como grande compositor e cantor.

Quando escrevo que Cornell foi um artista completo, recomendo que ouça ou assista seus shows, seus improvisos e a criatividade. Na última passagem pelo Brasil, em dezembro de 2016, apresentou na Ópera de Arame, em Curitiba, por exemplo, uma versão de “One”, do U2, cantando a letra de “One”, do Metallica.

Também apresentava uma bonita versão de “Billie Jean”, do Michael Jackson, que foi registrada no álbum solo Carry On (2007), além de várias outras versões de Beatles, Bob Dylan, Bob Marley e de seus próprios sucessos com Soundgarden, Temple of the Dog e Audioslave.

O Audioslave, aliás, era a banda que tinha tudo para ser gigante por um longo período, mas não deu certo. Era minha trilha sonora diária nos anos 2000, reunindo Cornell com Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk (guitarrista, baixista e baterista do Rage Against the Machine – atualmente membros do Prophets of the Rage, que tocou no Brasil no último fim de semana).

A banda que acabou em 2007, voltou a “se encontrar” em janeiro deste ano em uma apresentação de Cornell com o Prophets of the Rage, em Los Angeles, com a execução de “Show me How to Live”, “Like a Stone” e “Cochise”, esta com um vocal alto que lembra um pouco a zeppeliana “Whole Lotta Love”, também gravada pelo cantor americano em uma parceria com o guitarrista Carlos Santana.

Homenagens vieram e virão de muitos artistas nos próximos dias, seja naquelas mensagens de redes sociais ou até em shows, como fez o Megadeth, no Japão, ao apresentar “Outshined” (vídeo abaixo).

 

Já li, ouvi e vi muita coisa sobre a morte de Chris Cornell, até sobre a infeliz coincidência de ele ter cantado durante a execução de “Slaves & Bullldozers” o refrão de “In My Time of Dying”, coisa que ele já havia feito em outros shows da turnê com o Soundgarden. Bobagem. Ninguém vai conseguir agora ler tardiamente a mente dele e procurar motivos para um suicídio. Não tem volta, nem solução.

Cornell teria mais a apresentar, mais shows a fazer, novas músicas a cantar, mas por algum motivo optou por encerrar tudo. Me resta agradecer pelo que fez e aproveitar para prestigiar o legado.

Chris Cornell em um dos últimos shows com o Soundgarden

Se reinventando com o passado

Seguindo uma linha um tanto quanto parecida com a executada pelo AC/DC, o Krokus é ao lado do Gotthard uma das principais bandas suíças de Rock e já passou por diversas fases, sendo a mais bem sucedida na década de 80, quando se meteu com discos entre os 50 mais vendidos de Estados Unidos e Reino Unido, resultado alcançado com álbuns como “Hardware” (1981), “One Vice at a Time” (1982), “Headhunter” (1983), “The Blitz” (1984), que trouxe um cover bem mais ou menos da música “Ballroom Blitz”, do Sweet, e “Change of Address” (1986).

Mas como boa parte do que fez sucesso no Hard Rock dos anos 80, a fonte secou. A partir dos anos 90 foram idas e vidas, mudanças de formação e o sucesso só foi alcançado novamente em seu próprio território nos anos 2000.

Não que a música fosse ruim, mas aquela história de gravar ‘todo ano o mesmo disco’ não funciona com toda banda. Os álbuns dos anos 2000, “Rock the Block” (2004) e “Hellraiser” (2006) são bons, trazem uma pegada legal, que sempre te fazem lembrar daquela já citada banda australiana.

Em 2010, o álbum “Hoodoo” trouxe uma versão de “Born to be Wild”, do Seppenwolf, uma das músicas mais gravadas em covers em toda a história, mas o resultado foi bem legal e no disco (essa expressão ainda existe?) seguinte, “Dirty Dynamite” (2013), os caras gravaram “Help!”, dos Beatles, que nem de longe lembra a versão original e isso é uma coisa animadora, gosto quando os caras ‘desrespeitam’ mesmo.

O uso dos covers nos discos mais recentes traçaram o caminho até “Big Rocks”, lançado em janeiro de 2017, que nos traz 12 covers e uma regravação de um dos sucessos da banda. O álbum só tem petardos, uma porrada atrás da outra iniciando com a introdução do riff de “N.I.B”, do Black Sabbath, seguida de “Tie Your Mother Down”, do Queen, “My Generation”, do The Who, “Whild Thing”, do The Troggs, e “The House of the Rising Sun”, do The Animals, numa versão bem encorpada e a rasgada voz de Marc Storace, combinação excelente.

Outras revisitadas são “Gimme Some Lovin’”, do Spencer Davis Group, “Whole Lotta Love”, do Led Zeppelin, esta sem trazer nada de especial em relação aos milhares de covers já gravados. É bem executada, mas tem aquela coisa, né? Várias bandas já a executaram bem.

“Summertime Blues”, de Eddie Cochran, é mais uma que teve diversas gravações diferentes, mas neste caso a versão do Krokus ficou bem diferente das demais e traz do Rockabilly para o ‘Hardão’ mesmo, uma roupagem bem diferente. “Born to be Wild” é um pouco diferente da já gravada anteriormente pela banda, mas prefiro a primeira.

A versão para “Quinn the Eskimo”, de Bob Dylan, é uma das mais interessantes do disco, ao lado de “Jumpin’ Jack Flash”, último cover do álbum, já que a faixa final é uma regravação de “Back Seat Rock n’ Roll”, do próprio Krokus.

E como destaque a própria banda escolheu “Rockin’ in the Free World”, de Neil Young, para ganhar um vídeoclipe. A versão ficou muito boa e o vídeo traz imagens de um jovem carregando o mundo nas mãos sobre um skate enquanto passa por imagens de Adolf Hitler, Elvis Presley, Fidel Castro, Muhammad Ali, Donald Trump, o ataque às Torres Gêmeas, a Segunda Guerra Mundial, entre outras imagens e figuras históricas.

O clipe ficou bem legal, explorou assuntos históricos e do momento atual, em um período no qual são poucos os que fazem vídeos interessantes, e a música casou bem com o vídeo, assim como  com a pegada imposta pela banda, o riff é daqueles que ficam na cabeça durante dias.

Enfim, muitas bandas fazem discos com covers, você já deve ter ouvido vários bons e ruins, mas “Big Rocks”, do Krokus, é daqueles que você não se arrepende de repetir, repetir e repetir, mesmo a banda tendo esse histórico repetitivo.

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#ForçaChape

 Já perdi muita gente querida. Amigos, familiares, conhecidos. Mas por maior que seja o amor por cada um, o sentimento agora é muito mais profundo do que em todas as ocasiões anteriores. Hoje foi o dia mais triste da minha carreira, da minha vida.
Como acreditar que domingo à tarde eu estava no Allianz Parque comemorando o título do Palmeiras e vendo o último jogo da Chapecoense prévio a uma tragédia? Adoro a história do time, torci como se fosse meu time na semifinal contra o San Lorenzo. E hoje logo que acordei vi a notícia. Custei a acreditar.
Caio Junior era o técnico do Palmeiras quando eu estava começando no jornalismo esportivo. Cobri treinos do clube pela “TVzinha” do Lance!. Vi ele e todos aqueles jogadores em campo no domingo. Como assim? Aí começaram a chegar as listas de passageiros e lá estava o André Podiacki.
Sempre brinquei com o Podiacki que ele era o repórter oficial do WTA de Floripa. Nos últimos dois anos era o único além da assessoria que passava o dia no torneio, as coletivas de imprensa eram exclusivas do Podiacki. Teliana, Gabriela, Paula, Monica Puig, Mattek-Sands e tantas outras foram recepcionadas por ele na sala de imprensa. A romena Ana Bogdan já sorria quando o via ao chegar para a “coletiva exclusiva”, que acabava virando um bate-papo depois de pausados os gravadores, o dele, o meu e o do Rafael Hertel.
Na Davis de BH, o Podi era o único repórter que ia comer com nossa equipe. Virou o “Pão de Alho” em falha auditiva do Dennis Forster. Quando vi seu nome, custei a aceitar, mas nosso colega de trabalho e nosso amigo infelizmente não sobreviveu.
Ari Junior foi o cinegrafista, ou melhor, o artista que fez a matéria exibida esse ano no Jornal Nacional com Bruno e Marcelo antes da Olimpíada. Um grão de areia perto de todos os seus registros.
Em uma tragédia, não tem um morto mais importante que o outro. São todos iguais. E eu sinto por todos. Pelo Djalma, cinegrafista que conheci em Floripa, pelo Victorino, pelo Deva, que eu ouvia sempre na época de CBN, todos os outros profissionais, os jogadores e o assessor de imprensa Gilberto Pace Thomaz, que conseguia aliar o amor pelo clube com o trabalho e viajava com o time, o mesmo que eu senti todos esses últimos quatro anos .
Desde que passei a trabalhar na CBT, minha rotina muitas vezes foi a de viajar para tudo o que é canto, seja para a assessoria de um torneio ou para acompanhar a equipe brasileira na Copa Davis. Fico sem ver meus pais, meus irmãos, meus amigos e familiares durante muito tempo. De um voo a outro.
A gente que pega tantos voos, nunca quer acreditar que possa acontecer uma tragédia assim, seja conosco, com pessoas que conhecemos ou não conhecemos. Tal qual o futebol, o tênis é feito de aeroportos, hotéis, voos… No último fim de semana eu tentava convencer a minha sogra a viajar de avião, para não ter medo pois é seguro. Três dias depois, vem isso.
Já desliguei TV, tentei ver outras coisas, mas não sai da minha cabeça. Quem me conhece, sabe que não sou lá um cara muito religioso. Muitos acham que sou ateu, inclusive. Mas hoje eu faço minhas orações pelas vítimas e pelas famílias. E sou apenas mais um que choro.

Em tempos de nostalgia, Helloween se reúne com Kiske

 

Em um momento de música consumida em plataformas digitais, o CD perdendo vendas, o vinil aumentando vendas (quem diria!), agora chegou a vez de as bandas se reunirem, em boa parte dos casos não exatamente por amizade, mas pensando nos fãs e, mais ainda, o preço que os fãs estão dispostos a pagar para ver o que têm saudade ou nem viram ao vivo em alguns casos.

Aqui no Brasil está aí para provar o Guns N’ Roses em turnê com Axl Rose, Slash e Duff McKagan juntos (em Buenos Aires até o Steven Adler subiu ao palco). E daqui pouco menos de um ano estará reunida em São Paulo uma formação clássica do Helloween, uma das grandes notícias do ano musical.

O anúncio da nova turnê foi feito pelo vídeo apresentado abaixo, postado no site oficial e nas mídias sociais da banda alemã. Será a Pumpkins United World Tour 2017/2018.

Depois de 24 anos, Michael Kiske se juntará à banda que o consagrou e que ajudou a atingir o ápice com os excelentes álbuns Keeper of the Seven Keys Part I & Part II, trazendo junto Kai Hansen, voz original da banda e guitarrista até a saída após os “Guardadores das Sete Chaves”.

Os demais integrantes nesta tour serão o guitarrista Michael Weikath e o baixista Markus Grosskopf, digamos, os “donos” do Helloween, únicos integrantes que estão desde a primeira formação, além dos atuais membros: o vocalista Andy Deris, substituto de Kiske desde 1994, o guitarrista Sascha Gerstner, que assumiu a posição após a saída de Roland Grapow em 2002 e o baterista Daniel Loble, que está na banda desde 2005, lembrando que o batera original da banda, Ingo Schwichtenberg, cometeu suicídio em 1995.

A notícia estava sendo especulada há algumas semanas, mas o autor deste blog sempre teve um pé atrás em se tratando de Kiske e Helloween, já que foram anos de declarações e demonstrações de que o vocalista não estava muito disposto a se reunir aos antigos companheiros. Kiske e Hansen já estavam tocando juntos desde 2011 no Unisonic, além de participações especiais em turnês do Gamma Ray.

Em meio a tantas reuniões de outras bandas, os fãs já aguardavam ansiosamente há alguns anos. O Helloween precisava, os últimos discos decepcionaram bastante na qualidade Enfim, a banda estava chata e precisava de um atrativo para chamar novamente a atenção dos fãs.

helloween-br-2017Kiske durante um bom tempo ficou sumido. Depois era arroz de festa como convidado de projetos especiais, como o Avantasia. Colocou em prática alguns bons, outros bem esquisitos. A situação começou a melhorar no final dos anos 2000, quando voltou a pegar gosto pelo Rock e foi aumentando a dose de potência até o Unisonic (2012), a coisa mais próxima do Helloween que o cantor de 48 anos fez desde 1993, com dois bons discos.

Kai Hansen já havia se aproximado do Helloween algumas vezes, inclusive com o Gamma Ray fazendo turnê em conjunto com sua banda de origem em 2007/2008, a Hellish Rock Tour.

O interessante da nova turnê é que a banda vai para o palco com três guitarras com Sascha Gerstner, assim como o Iron Maiden fez mantendo Janick Gers na época do retorno de Adrian Smith com Bruce Dickinson. E a volta de Kiske não significa a saída de Deris, ou seja, haja palco para todo mundo.

O público paulistano, que já recebeu a gravação de um DVD da banda, será novamente agraciado, pois o primeiro show confirmado da nova tour já está marcado para o Espaço das Américas, na Barra Funda, em São Paulo, no dia 28 de outubro, com venda de ingressos a partir desta quarta-feira, dia 16 de novembro.

Para quem tem passado por uma maratona de reuniões em 2016, com shows do Guns N’ Roses e da última turnê do Black Sabbath, nada mal ter garantida para o próximo ano mais uma grande banda apresentando uma formação clássica.

A reunião é boa para Michael Kiske e Kai Hansen, é ótima para o Helloween e alguém belisque os fãs da banda para que eles acreditem. Vai acontecer mesmo!

Informações, análise, curiosidades, bizarrices e mesmices da música por Rubens Lisboa

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