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Jornalista. Ex-repórter de Lance!, UOL Esporte, e Confederação Brasileira de Tênis. Músico (não-praticante) nas horas vagas. Fã de várias vertentes de música, especialmente Rock e Heavy Metal. Um colecionador de covers, tributos, versões alteradas e plágios descarados no mundo da música.

Mötley Crüe faz cover de Like a Virgin, de Madonna, para promover seu filme

Nenhuma banda misturou tanto o sexo, as drogas, o rock, a fama e as encrencas como os americanos do Mötley Crüe. E os caras voltam à cena três anos após o show de despedida com nada menos que um cover de “Like a Virgin”, da Madonna.

A música com uma versão mais pesada e não menos sacana integra o soundtrack gravado pela banda para o filme biográfico “The Dirt”, que será lançado no próximo dia 22 de março no Netflix e promete contar as polêmicas da explosiva banda de Hard Rock, ou Glam Metal, como queiram.

Trailer do filme “The Dirt” legendado

Pouco mais de três anos depois da turnê de despedida, que rodou entre 2014 e 2015 e passou pelo Brasil (pela primeira vez) no Rock In Rio em setembro de 2015, os caras se reuniram para gravar a trilha e, pelas duas gravações já reveladas, eles voltaram muito bem.

A “Like a Virgin” do Mötley Crüe começa com uma introdução sombria que dá lugar um poderoso e pesado riff de guitarra, tem variações de ritmo e velocidade, com trechos mais heavy metal e um solo matador de Mick Mars, tudo isso com uma cozinha impecável e a inconfundível voz de pato de Vince Neil.

O disco que será disponibilizado nas plataformas digitais na próxima semana traz ainda a inédita “The Dirt (Est. 1981)”, com todo os elementos que marcaram os grandes momentos da carreira da banda californiana: Peso, riff encorpado, um refrão bem pegajoso e uma letra que resume todos os elementos que marcaram a banda. A música conta com a participação do rapper e ator Machine Gun Kelly, que interpreta o baterista Tommy Lee no filme.

“The Dirt (Est. 1981)”

Há ainda na trilha sonora outras duas músicas inéditas: “Ride with the Devil” e “Crash and Burn”, que se somam a clássicos da carreira da banda que foram lançados nos anos 80 pela banda de Los Angeles. Confira o tracklist de “The Dirt Soundtrack” abaixo:

  1. The Dirt (Est. 1981) – com Machine Gun Kelly
  2. Red Hot [Shout at the Devil – 1983]
  3. On with the Show [Too Fast for Love – 1981]
  4. Live Wire [Too Fast for Love – 1981]
  5. Merry – Go – Round [Too Fast for Love – 1981]
  6. Take Me to the Top [Too Fast for Love – 1981]
  7. Piece of Your Action [Too Fast for Love – 1981]
  8. Shout at the Devil [Shout at the Devil – 1983]
  9. Looks That Kill [Shout at the Devil – 1983]
  10. Too Young to Fall in Love [Shout at the Devil – 1983]
  11. Home Sweet Home [Theatre of Pain – 1985]
  12. Girls, Girls, Girls [Girls, Girls, Girls – 1987]
  13. Same Ol’ Situation (S.O.S.) [Dr. Feelgood – 1989]
  14. Kickstart My Heart [Dr. Feelgood – 1989]
  15. Dr. Feelgood [Dr. Feelgood – 1989]
  16. Ride with the Devil
  17. Crash and Burn
  18. Like A Virgin [cover de Madonna]

Durante toda a carreira, o Mötley Crüe lançou outros covers interessantes, como “Helter Skelter”, dos Beatles, “Jailhouse Rock”, de Elvis Presley, “Anarchy in the U.K.”, dos Sex Pistols, além de “Smokin’ in the Boys Room”, do Brownsville Station. Mas nenhuma versão é tão surpreendente e forte como a de “Like A Virgin”.

Apesar de todo o cenário para uma nova reunião que poderia explorar a divulgação do filme, os integrantes juram que não farão mais shows depois do último tocado no Staples Center, em Los Angeles, no dia 31 de dezembro de 2015, que virou o DVD “Mötley Crüe: The END”, lançado em novembro de 2016.

“Ás vezes eu vejo meus amigos, como os caras do Aerosmith e Metallica, e eu penso ‘Cara, será que nós nos retiramos muito cedo?’ Mas não haverá shows no futuro. Talvez nos juntemos para fazer algumas jams no estúdio de Mick Mars”

diz o baixista Nikki Sixx.
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Waters: ‘Você não tem ouvido todos esses anos?’

Roger Waters completou recentemente 75 anos e está desde 1964 em atividade como músico contando a partir do Pink Floyd, banda na qual foi o responsável por criar obras atemporais, que seguem relevantes em 2018. The Dark Side of The Moon, Animals e The Wall são obras obrigatórias para uma boa formação cultural do cidadão.

Embora a carreira toda de Waters seja marcada por atos políticos, inclusive dentro das letras de suas músicas, percebe-se que muitos fãs não conhecem muito sobre o ídolo deles.

Foto: Rubens Lisboa

A turnê mundial “Us + Them” é possivelmente uma das últimas ou mesmo a derradeira na carreira do baixista inglês, ou seja, pode ser que o público brasileiro tenha até o fim deste mês, em uma perna surpreendentemente grande pelo país entre 9 e 30 de outubro.

Começou com os shows desta terça (9) e quarta (10) no Allianz Parque, em São Paulo, e segue para o estádio Mané Garrincha, em Brasília (13), Arena Fonte Nova, em Salvador (17), Mineirão, em Belo Horizonte (21), Maracanã, no Rio de Janeiro (24), estádio Couto Pereira, em Curitiba (27), e no Beira-Rio, em Porto Alegre (30).

Foto: Rubens Lisboa

As apresentações coincidem com o segundo turno da corrida presidencial no Brasil, que se encerra no dia 28. E foi ingênuo quem imaginou que Waters passaria pelo país sem deixar clara a sua posição, como fez durante toda a turnê que tem o presidente americano Donald Trump como principal alvo, mesmo nos 49 shows realizados em solo norte-americano.

O álbum mais recente do músico, lançado em 2017 sob o título Is This the Life We Really Want? também é marcado por forte crítica política, especialmente voltada a Donald Trump.

Capa do disco mais recente de Waters: Essa é a vida que realmente queremos?

Em São Paulo, o nome do candidato Jair Bolsonaro (fã declarado de Trump, entre outras qualidades dúbias), conseguiu ser agraciado e incluído em uma lista de neofascistas citada no telão logo após a execução de “Another Brick In The Wall” e a Resistência exaltada por Waters. Parte do público puxou os gritos de “Ele Não”, outros vaiaram, gritaram “mito” e “Ele Sim”.

Mais tarde, a hashtag usada nos protestos contra Bolsonaro antes do primeiro turno das eleições, foi parar no telão, para o desespero dos fãs do político do PSL, que reforçaram as vaias, partiram para a briga com outros fãs de Waters segundo relatos e alguns deixaram o estádio antes do fim do show.

Foto: Kate Izor

Uma entrevista dada pelo músico em setembro do ano passado ao ABC News, da Austrália, ele deu sua resposta a quem não gosta de suas manifestações políticas no show e se ele teria medo de perder fãs por isso:

“É algo que eu não posso me preocupar, porque eu nunca poderia dizer nada sobre nada do que eu acredito, pois qualquer coisa que você dissesse sempre poderia ofender alguém”


“Eu gosto de pensar que eu nunca cedi. Eu nunca me curvei à máquina ou o resto. Há pessoas por aqui que continuam dizendo: ‘Por que você está falando sobre política?  Apenas cante suas músicas e blá blá’. E você responde: ‘Você não tem ouvido todos esses anos?’.”

“De qualquer forma, não é da sua conta o que eu faço. Se não gosta, vá ver a Katy Perry”

A entrevista é interessante e cita também a questão de Waters com Israel por ser um defensor da Palestina. Ele já pediu a artistas como o brasileiro Caetano Veloso e ao Radiohead para não se apresentarem em Israel. O vídeo está aqui embaixo:

Ironicamente, no segundo show da passagem do músico britânico pelo Brasil, novamente em São Paulo, ele substituiu o nome de Jair Bolsonaro pela frase “Ponto de vista político censurado”. Não apareceu desta vez a hashtag #Elenão no telão do Allianz Parque, mas ele deu seu recado.

O autor deste blog alerta: tome cuidado se você também é fã de músicos como Bruce Springsteen e Eddie Vedder, pois você pode em algum momento ter de escolher se idolatra os músicos ou o político.

A propósito, o jornalista Maurício Dehò,  com quem trabalhei no Lance! e UOL, explica a incoerência de quem vaiou Roger Waters. Leia aqui

Green Day e U2 não entram na briga com o futebol na América do Sul

Estádios de futebol devem receber shows? Este debate já rendeu no Brasil, principalmente com a construção das modernas arenas, que só fazem crescer o número de apresentações internacionais e levam clubes como Palmeiras, São Paulo, entre outros, a jogar em outros gramados que não os seus.

Mas o que me faz escrever sobre o tema não é algo ocorrido no Brasil, mas em outros dois países sul-americanos no qual o futebol foi colocado em primeiro plano diante de artistas de primeiro escalão, o que só reforça que não há um “país do futebol” como nós brasileiros gostamos de falar, mas há vários.

Na Argentina, enquanto Lionel Messi e Ángel di Maria tinham a tarefa de tentar colocar o país na Copa do Mundo jogando em Quito contra o Equador, o U2 se apresentaria no Estádio Ciudad de la Plata, em La Plata, na Argentina. E a própria banda aceitou atrasar seu show por duas horas para que os argentinos pudessem conferir nos telões montados no próprio estádio a classificação para o Mundial.

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Sim, o U2 não entrou em disputa com o futebol. E ainda teve a apresentação de gala de <strong>Messi</strong> como “show de abertura” para aquecer o público. Sem dúvida a ‘hinchada’ estava animada após a vitória em Quito.

Durante o show, Bono Vox ainda ganhou o público ao dizer: “Obrigado, Lionel Messi! Deus existe!”, como você pode conferir no vídeo abaixo.

O outro caso aconteceu nos últimos dias no Peru. A seleção pela qual jogam os flamenguistas Trauco e Guerrero conseguiu avançar à repescagem e briga com a Nova Zelândia em novembro para retornar à Copa do Mundo depois de 36 anos, um feito e tanto.

Só que muito antes da possibilidade de a seleção peruana ser confirmada na repescagem, a banda americana Green Day teve seu show marcado para o Estádio Nacional em Lima, no dia 15 de novembro. O dia era exatamente o mesmo do jogo entre Peru e Nova Zelândia na volta da repescagem, o jogo que define o país classificado.

Havia duas opções, a primeira seria a escolha de outra cidade para receber a partida decisiva da seleção peruana. Mas depois de fazer a campanha em Lima e ficar tão perto do Mundial jogando no Estadio Nacional? A segunda opção seria trocar o local do show de uma banda que não passa pelo território peruano desde 2010. A banda aceitaria? A produtora do show arriscaria mudar com os ingressos já sendo vendidos?

Pois quem se mudou foi o show do Green Day, que se apresentará no Estadio de San Marcos, mesmo local da última passagem pelo país, em 2010. Confira abaixo o comunicado publicado por produtora e banda.

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A banda americana Green Day e a empresa organizadora de seu concerto em nosso país, Move Concerts, decidiram mudar o local do show que se realizará em 15 de Novembro no Estádio San Marcos, permitindo assim que a Seleção Peruana de Futebol possa ter seu último encontro com seus adversários da Nova Zelândia para as eliminatórias da Copa do Mundo 2018 no Estádio Nacional

“Desejamos sorte à seleção e ao país nesta partida histórica e esperamos ver todos os nossos fãs no mesmo local em que nos vimos em 2010 para celebrar”, é a mensagem que enviou a banda por meio de sua agência.

Desta maneira, a empresa organizadora e a icônica banda punk mostram seu apoio à Seleção Peruana de Futebol em busca de um resultado positivo para todos os fanáticos peruanos. A Move Concerts Peru agradece o apoio de todos os fãs do Green Day que já esgotaram mais de 20 mil ingressos e cujo espetáculo se projeta estar totalmente cheio.

E que banda entraria numa dividida dessas com a seleção de um país fanático por futebol?

Uma viagem histórica com o The Who em São Paulo

Em meio a um Rock in Rio com a primeira palavra do nome mais escassa em relação a edições anteriores, a Mercury Concerts aproveitou as principais bandas de rock do casting do principal festival brasileiro de música e criou o São Paulo Trip no Allianz Parque, em São Paulo.

Na noite de quinta-feira, o Alter Bridge foi a primeira banda a subir ao palco pelo festival (ou série de shows como alguns preferem definir – pouco importa). Com um público meio fraco, talvez pela data, pela concorrência do Rock in Rio, pela crise, ou vai saber.

Myles Kennedy (Alter Bridge)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Mas a banda liderada por Myles Kennedy e Mark Tremontti mostrou sua competência e o porquê de ser uma das mais crescentes no cenário atual de rock. Com um set curto, eles levaram o seu próprio público e ainda conseguiram satisfazer os que não estavam lá para vê-los, mas para conferir o The Cult e, principalmente, o The Who.

O show começou com “Come to Life”, do álbum Blackbird (2007) ainda com o estádio palmeirense bem vazio. Na sequência, emendaram a ótima “Addicted to Pain”, do Fortress (2013), já numa fase mais pesada da banda, e ‘garantiram o bicho’.

Como habitual, o carismático Myles Kennedy mandou um dedilhado de “Blackbird”, dos Beatles, para emendar a música homônima que é um dos principais sucessos do Alter Bridge. “Isolation”, “Open Your Eyes” e “Rise Today” foram outros pontos fortes, com esta última fechando a digna apresentação do quarteto formado por três quartos do Creed (quem diria que sairia coisa boa do Creed?).

E nesta sexta eles tocam no Rock in Rio logo depois do Jota Quest, em dia que tem Tears For Fears e Bon Jovi (quem escalou o Alter Bridge junto às três bandas é um gênio! Mas não surpreende no RiR).

Ian Astbury e Billy Duff (The Cult)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

E aí veio o The Cult com toda a marra de Billy Duff e o carisma de Ian Astbury, o som em volume mais aceitável e tacando fogo logo de cara apresentando a excelente “Wild Flower”.

Mais conhecido do público presente em geral, o quinteto britânico fez uma apresentação mais agitada, com um set irretocável, embora curto (não dava pra ser mais longo, assim como o AB), para quem tem um número razoável de clássicos.

O lado chato e já recorrente em vários shows, Ian Astbury precisou pedir pra galera dar uma segurada para usar os telefones celulares após o show. Que fase vivemos hein!

Destaque para os petardos apresentados em sequência “Rise”, “She Sells Sanctuary” e “Fire Woman”, que esquentaram a galera o suficiente para esperar pela chegada do momento histórico.

Roger Daltrey (The Who)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

53 anos depois de sua fundação, o The Who finalmente pisou em solo sul-americano pela primeira vez com Roger Daltrey e Pete Townshend, além de uma banda muito competente a eles somada a Zak Starkey, filho de Ringo Starr e que ganhou seu primeiro kit de bateria sabe de quem? Keith Moon, o lendário e inesquecível baterista da formação original do The Who.

A apresentação começou com “I Can’t Explain”, nome que dizia muito sobre a sensação de quem estava tendo o privilégio de ver pela primeira vez a banda de Daltrey e Townshend. Em seguida vieram “The Seeker”, “Who Are You” e “The Kids Are Alright”, três dos vários clássicos que não deixaram a casa esfriar em nenhum momento.

Zakk Starkey (The Who)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Nem mesmo a entrada completamente errada de Daltrey em “My Generation” atrapalhou alguma coisa na apresentação dos ingleses na capital paulista. “Behind Blue Eyes”, outra das mais repetidas pelos fãs da banda teve um dos momentos mais bonitos no estádio.

E ainda tinha “Pinball Wizard”, “See Me Feel Me”, “Baba o’Riley” e “Won’t Get Fooled Again”. Dava para não ficar satisfeito? Sim e não.

Ao mesmo tempo que o público ainda mostrava querer ficar ali dias ouvindo mais o The Who, a banda também mal deixou o palco e voltou rapidamente para o bis, fechando com “Substitute”.

Pete Townshend (The Who)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Ao fim, Pete Townshend mandou todos embora para suas casas. Depois de um show como este, ele poderia ter mandado todos para a puta que pariu e ninguém ousaria negar. Seu pedido é uma ordem.

A morte e a obra de Chester Bennington

Na tarde desta quinta-feira (horário de Brasília), o site americano TMZ espantou novamente o mundo da música com a notícia de que o cantor Chester Bennington, vocalista do Linkin Park (ex-Stone Temple Pilots / Dead by Sunrise) , foi encontrado morto em sua residência aos 41 anos.

Mais tarde veio a confirmação por meio do outro vocalista do Linkin Park, Mike Shinoda. As informações deram conta de suicídio por enforcamento. Uma curiosa e mórbida coincidência. Há dois meses e dois dias morreu da mesma forma Chris Cornell, vocal do Soundgarden, Temple of the Dog e Audioslave, que completaria 53 anos nesta quinta-feira.

Os dois músicos eram próximos. Há um registro no vídeo abaixo de ambos cantando juntos a música “Hunger Strike”, do Temple of the Dog (em 2010), além de uma participação de Cornell com o Linkin Park em “Crawling”  (em 2008).

No velório de Cornell, Chester foi um dos presentes e cantou uma bela versão de “Hallelujah”. Ele escreveu uma mensagem também bastante emocionada ao amigo quando soube de sua morte.

Em tempos de pessoas extremistas para todos os lados, há muito julgamento, a morte de alguém famoso é sempre cercada de todos os boatos possíveis, de inúmeros pré-conceitos, aquela historinha de “Rock e drogas”, uma hipocrisia que a cada dia piora.

O maior inimigo de uma pessoa que comete um suicídio é a própria mente, é a depressão, sequências traumáticas que geram consequências trágicas. Casos que merecem cada vez mais atenção para que possam vir a ser evitados com outros indivíduos no futuro.

Conheço pessoas que sofreram do mesmo problema, uma bomba-relógio que em 5 minutos acabou uma vida, várias, e continua enquanto não se der mais atenção a esta depressão, doença ignorada, que não abastece a indústria farmaceutica, na verdade é muitas vezes abastecida por ela nos efeitos colaterais tal qual com drogas e álcool.

Morreu não apenas um cantor de 41 anos, em fase produtiva na carreira, mas um pai de seis crianças, um marido, um filho.

O músico

Chester Bennington foi um cantor admirável, com uma voz potente que ajudou a alçar voos com o Linkin Park, banda que lançou dois fortes discos, o Hybryd Theory (2000) e o Meteora (2003) no início da década passada e ganhou o mundo.

Estive em um show da banda em 2004, quando eles visitaram o Brasil pela primeira vez e eles eram bem explosivos, surfavam no sucesso do segundo álbum trazendo um som diferente, que ajudou a fincar a bandeira do nu-metal, um pouco na linha do Korn, mas com a novidade que eram os gritos de Chester e o rap de Shinoda.

Depois de alguns anos, lançaram com a produção do renomado Rick Rubin o Minutes to Midnight (2007), um pouco mais melódico, menos velocidade, menos gritos, mas que também atingiu boas marcas num momento de declínio da indústria musical.

Então veio A Thousand Suns (2010), mais pop, mais experimental e mais fraco que os três álbuns anteriores, que teve relativo sucesso e ajudou a manter a banda em evidência. Living Things (2012) manteve com aquelas músicas de balada pop, com uma banda cada vez mais light e distante daquela que os colocou no main stream.

A banda se reaproximou do nu-metal em The Hunting Party (2014), com uma pegada mais forte e participações interessantes como a de Tom Morello (Rage Against The Machine/Audioslave), em “Drawbar”, de Daron Malakian (System of a Down/Scars on Broadway), em “Rebellion”, e de Page Hamilton (Helmet), em “All for Nothing”, e do rapper Rakim em “Guilty All the Same”. O disco trouxe o melhor do vocal de Bennington, que sempre casou bem com um instrumental poderoso.

O último lançamento do Linkin Park com Chester foi há exatos dois meses, nominado One More Light, que mudou completamente a direção da banda, com uma sonoridade muito mais para Justin Bieber do que para tudo o que eles haviam feito por todos esses anos, pior inclusive que aqueles discos alternativos como o Reanimation e o Recharged, que tinham músicas regravadas com outra roupagem.

O álbum foi alvo de críticas de fãs e o vocalista chegou a ser alvo de uma garrafa atirada do público durante a apresentação da música “Heavy” (que de heavy não tem nada) no Hellfest, em junho.

No Brasil a banda se apresentou em nove shows ao longo da carreira, passando pelo Chimera Festival, em São Paulo (2004), SWU, em Itu/SP (2010), Arena Anhembi, em São Paulo, Citibank Hall, Rio de Janeiro, e Gigantinho, em Porto Alegre (2012), Circuito Banco do Brasil em Belo Horizonte e Brasília (2014), e Maximus Festival, em São Paulo, no dia 13 de maio de 2017.

A última apresentação do cantor com o Linkin Park foi no dia 6 de julho, em Birmingham, na Inglaterra, pela One More Light Tour. Eles ainda fariam um show na Manchester Arena no dia 7, mas acabaram cancelando a apresentação devido ao ataque que matou 22 pessoas no local durante um show da cantora Ariana Grande.

O grupo americano tinha shows agendados a partir da próxima quinta-feira, 27 de julho, que iniciaria uma sequência de apresentações até novembro ao lado de convidados como o Blink 182, Machine Gun Kelly e Snoop Dogg.

Fora do Linkin Park, Chester cantou com o Stone Temple Pilots no lugar de Scott Weiland (falecido em dezembro de 2015) e mandou bem. O EP High Rise foi seu único registro com a banda e trouxe a ótima “Out of Time” e outras quatro faixas de respeito.

Outro registro foi com o Dead by Sunrise, que teve apenas um álbum de estúdio lançado, Out of Ashes (2009), com um som mais obscuro e mais rock que o Linkin Park daquele período pós-Meteora. É um trabalho não tão conhecido do músico, mas de qualidade.

Que Bennington descanse em paz e seja reconhecido por sua obra. #RIPChesterBennington

Terror interrompe o Rock

A sequência de ameaças e atos terroristas chega mais uma vez a um evento musical. Poucos dias depois de um atentado no show de Ariana Grande, em Manchester, um ano e meio depois do ataque no Bataclan, em Paris, um dos grandes festivais de Rock e Heavy Metal da Europa, o Rock am Ring, precisou ser evacuado nesta sexta-feira, em Nurburgring, na Alemanha.

O Rock am Ring é um dos festivais nos quais o público fica acampado no local onde acontecem os shows e já tinha confirmada a chegada de 82.500 pessoas para acompanhar as bandas a partir desta sexta-feira.

Palco principal do Rock am Ring antes do aviso pedindo evacuação. Crédito: Divulgação

A principal atração do primeiro dia, que acabou tendo o show cancelado foi o Rammstein, uma das grandes bandas da Alemanha. No cast desta sexta-feira ainda estavam o Rival Sons, Liam Gallagher, shows também cancelados, além de In Flames, Five Finger Death Punch e 2Cellos, que chegaram a se apresentar antes da evacuação.

O aviso da ameaça terrorista aconteceu durante o show da banda Broilers, no palco principal do evento, conforme você pode conferir no vídeo abaixo:

Os organizadores divulgaram a seguinte mensagem em suas redes sociais:

“Devido a uma ameaça terrorista, a polícia nos aconselhou a interromper o festival.

Pedimos a todos os visitantes do festival para deixar o local de forma calma e controlada em direção às saídas e áreas de acampamento.

Precisamos ajudar as investigações da polícia.

Todos os visitantes serão mantidos informados sobre quaisquer desenvolvimentos em todos os canais do Rock am Ring nas mídias sociais, rádio e locutores.

Esperamos que o festival continue amanhã. Obrigado por sua cooperação”

Mais tarde, os organizadores divulgaram que farão neste sábado, às 11h da manhã (horário local), uma coletiva de imprensa com a presença do Ministro do Interior local para dar mais informações sobre as investigações, e esperam poder realizar os shows, embora não tenham confirmação se isto será possível.

Shows previstos para o Rock am Ring 2017. Crédito: Divulgação

Entre as bandas previstas para sábado e domingo estão Sum 41, The Raven Age (banda de George Harris, filho do baixista do Iron Maiden, Steve Harris), Gojira, Airbourne, Jake Bugg, Alter Bridge, Prophets of the Rage e System Of a Down.

Na evacuação, o público deixou o local dos shows cantando “You’ll Never Walk Alone”.

A aglomeração de pessoas é um alvo procurado pelos terroristas e, com a crescente frequência dos atentados, os organizadores precisarão primar mais pela segurança, seja em um parque fechado, como no Rock am Ring, ou em estádios, como vimos há poucos dias no show de Ariana Grande, em Manchester.

Fãs do Foo Fighters não deixam a música parar

 

Era para ser apenas mais um show do Foo Fighters na série que a banda tem feito pelos Estados Unidos, mas Dave Grohl decidiu emendar um “Parabéns a você” na setlist para fazer aquela média com a patroa no BottleRock 2017, realizado no Napa Valley Exposition, em Napa, Califórnia, durante o último domingo.

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Cartaz do festival         Crédito: Divulgação

O problema é que o agrado à esposa ajudou a estourar o tempo previsto para o show durante a execução da música seguinte, um dos maiores sucessos da banda, “Everlong”.

O áudio foi desligado no meio da música, mas a banda seguiu tocando e a plateia assumiu o vocal para levar a música até o final. Pat Smear fez até uma graça enquanto a banda tocava e praticamente ninguém ouvia os instrumentos, exceto a bateria de Taylor Hawkins.

Veja abaixo o vídeo:

Cenas como a de domingo mostram que o Rock não morre, pois seu público não deixará.