Todos os posts de Rubens Lisboa

Jornalista. Repórter com passagens pelas redações de Diário Lance! (2007-2009) e UOL Esporte (2009-2011), assessoria de imprensa na Confederação Brasileira de Tênis (2012-2017). Freelancer para o Yahoo Esportes em 2017 e atualmente no UOL Esporte. Músico (não-praticante) nas horas vagas. Fã de várias vertentes de música, especialmente Rock e Heavy Metal. Um colecionador de covers, tributos, versões alteradas e plágios descarados no mundo da música.

Alexi Laiho gravou covers memoráveis de Creedence, Poison e Britney Spears com o Children of Bodom

Uma publicação nas redes sociais informou logo pela manhã desta segunda-feira que a última semana de 2020 levou embora Alexi Laiho, vocalista, guitarrista, fundador e compositor do Children of Bodom, banda finlandesa de metal que se separou em 2019, após 26 anos e dez álbuns de estúdio. O post não informou causa e nem mesmo a data da morte do músico de 41 anos, o que não diminui o choque.

Há algum tempo venho catalogando covers para tentar criar algo legal para este blog, para falar de regravações, o que elas trouxeram de diferente, se ganharam a cara da banda, etc. E uma das bandas com covers que mais me chamavam a atenção, integrando inclusive minha playlist (em tardia transição de player), é justamente o Children of Bodom, aquela que um dia me chamou a atenção por uma camiseta com a sigla COB e uma figura segurando uma foice com uma mão e oferecendo a outra, um chamado da morte, imagem que reproduz a capa de Something Wild, primeiro álbum da banda.

Embora a imagem tenha sido impactante, acabei conhecendo melhor a banda depois de rir ao ouvir sua versão para Oops!… I did it Again, de Britney Spears. Uma banda que faz um cover como esse e da forma debochada como Laiho e cia fizeram, merece muito crédito.

E foi então que me interessei mais pelas músicas da banda, como Follow the Reaper, Everytime I Die, Are You Dead Yet?, Hate Me!, In Your Face, enfim, um repertório muito bom e que vale ser explorado pela mescla dos licks da guitarra de Laiho, a voz, a velocidade, o ritmo e a temática.

Mas os covers foram tão interessantes que acabaram catalogados em um álbum da banda, Skeletons in the Closet, lançado em 2009. O material inclui versões para Lookin’ Out my Back Door (Creedence Clearwater), Somebody put Something in my Drink (Ramones), Mass Hypnoses (Sepultura), Don’t Stop at the Top (Scorpions), Silent Scream (Slayer), Bed of Nails (Alice Cooper), Aces High (Iron Maiden), Rebel Yell (Billy Idol), Antisocial (Anthrax), Talk Dirty to Me (Poison), além, é claro, de Oops!… I did it Again (Britney Spears). Ainda tem W.A.S.P., Suicidal Tendencies, King Diamond, Pat Banatar e Kenny Rodgers.

De todos os covers, minhas versões preferidas são as que eles fizeram de Talk Dirty to Me, Don’t Stop at the Top e Rebell Yell, esta regravada por muitos, mas com a versão que mais me agrada sendo justamente a do Children of Bodom.

Mesmo quando faz uma sátira da música, uma mera tiração de sarro, o Children of Bodom deu a cara da banda para as músicas que gravou. Antes de serem compilados em Skeletons in the Closet (belo nome, aliás), os covers foram lançados nos álbuns autorais da banda e alguns poderiam ser muito bem confundidos com músicas do CoB.

Nos últimos meses, desde a separação do Children of Bodom e impedido legalmente de utilizar o nome da banda, de posse dos ex-integrantes Jaska Raatikainen (baterista e co-fundador), Henkka Seppala (baixista) e Janne Wirman (tecladista)– que chegaram a esclarecer em nota que o guitarrista e vocalista vendeu sua parte da banda a eles –, Laiho vinha trabalhando com o nome Bodom After Midnight, ao lado do baterista Waltteri Vayrynen, (Paradise Lost), do baixista Mitja Toivonen (ex-Santa Cruz), além do guitarrista Daniel Freyberg, com quem tocava no CoB desde 2016 e gravou o último álbum da banda, Hexed, lançado em 2019.

O músico chegou a concluir as gravações de três músicas, conforme revelou o comunicado que anunciou sua morte. Obrigado pelos licks e pelos covers. Descanse em paz, Alexi Laiho!

Eddie Van Halen – a perda do ícone em um mundo doente

Estamos vivendo no meio de uma pandemia que ceifou mais de um milhão de vidas no mundo, o período em que perdi meu melhor amigo, inclusive, mas toda desgraça parece pouca para 2020. Depois de Neil Peart, o melhor baterista que eu vi tocar, hoje foi a vez de Eddie Van Halen partir, aos 65 anos, vítima de um câncer de garganta que teve complicações após dez anos de tratamento. Uma lástima.

Difícil mensurar o tamanho de Eddie Van Halen, mas sabe quando você pensa naqueles caras que marcam em alguma atividade específica, o cara que é ícone, aquele que faz algo de diferente? Este foi Van Halen, um cara tão criativo e revolucionário quanto Jimi Hendrix, Richie Blackmore, Chuck Berry e BB King.

Desde a guitarra Frankenstrat, que o próprio criou com características que atendessem ao som desejado, reunindo o melhor da Fender Stratocaster com a captação de som de uma Gibson, o uso da ponte Floyd Rose com alavanca, enfim, uma criatividade que foi além da técnica.

Inventor do tapping, Eddie influenciou toda uma geração de guitarristas que surgiram após a criação do Van Halen e o que a banda apresentou em seu primeiro álbum, homônimo, em 1978. A técnica usando com as duas mãos no braço da guitarra foi uma de suas marcas registradas.

Eruption é uma aula para qualquer guitarrista, a música na qual Eddie despejou todo o seu talento com o melhor solo que já ouvi e que é um marco na história do Rock, hoje tão combalido. E com todo respeito ao The Kinks, não consigo ouvir You Really Got Me sem que seja uma sequência de Eruption, ficou impossível dissociar uma da outra na versão do Van Halen.

É uma pena que tenha havido hiatos na carreira do Van Halen a partir do final dos anos 90, e as reuniões da banda não tenham esticado suas turnês muito além dos Estados Unidos, pois para a minha geração foi impossível ver um show da banda no Brasil, considerando que a única passagem do Van Halen pelo Brasil foi ainda em 1983, com nove shows, sendo três no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, três no Maracanãzinho, no Rio, e outros três no Gigantinho, em Porto Alegre.

Das frustrações que tenho, uma delas é não ter tido a oportunidade de ver e ouvir EVH tocando ao vivo. Só fui conhecer direito a banda no álbum Balance, com Sammy Hagar como vocalista, e aí veio Gary Cherone, a separação da banda e o tempo passou.

Neste blog ficou às teias durante os últimos anos, com alguns posts esporádicos em mortes de músicos como agora com Eddie Van Halen, meu único texto sobre a banda foi escrito em 2012, quando houve o lançamento do último álbum de estúdio “A Different Kind of True”, que embora contasse novamente com David Lee Roth, não tinha Michael Antony, e no baixo estava o filho Wolfgang.

Por fim, volto a lamentar que não tenha havido Van Halen nos palcos além de outubro de 2015, quando a banda se apresentou ao vivo pela última vez no Hollywood Bowl, em Los Angeles.

Com Neil Peart e Eddie Van Halen, em algum lugar há uma superbanda se formando, enquanto aqui podemos seguir ouvindo obras que ambos deixaram e que mudaram a música para sempre. Obrigado!

Adeus, Maestro!

Não é fácil perder um ídolo. Difícil de acreditar, mas Andre Matos morreu aos 47 anos neste sábado e nos fez querer imaginar que era apenas mais um daqueles boatos que não se concretizam. Desta vez, nada de fake news, de boato, o maior cantor de rock do Brasil e um dos maiores do mundo partiu mesmo deste mundo.

Looking Back

A obra deixada por Andre Matos é riquíssima, a ser apreciada de cada momento da carreira, cada disco, cada composição tem um valor inestimável e a sua voz era única, ninguém conseguiu e ninguém vai conseguir imitar ou chegar perto de seu nível.

Como brasileiro, é uma pena ver que o seu reconhecimento no país é muito de nicho e até mesmo sua morte repercute muito menos fora de nossa bolha do rock e metal do que a de artistas com história irrelevante e obras aquém da qualidade apresentada por Matos.

Don’t Let Me Go

Eu conheci o Angra logo após a saída de Matos, Ricardo Confessori e Luis Mariutti. Assim, não tive a oportunidade de ver a formação clássica no palco ao vivo, embora tenha ouvido de cabo a rabo os discos Angels Cry, Holy Land e Fireworks, além dos EPs e todos os bootlegs possíveis que vazaram por aí.

E aí fui conhecer o Viper e também o Virgo – projeto de Matos com Sascha Paeth. Veio então um momento complicado da minha vida durante a adolescência. Problemas, solidão, distância de amigos e tudo novo. Foi então que comecei tentar aprender música em um violão bem simples – e veio a música do Shaman, que foi parar numa novela, uma coisa impensável para uma banda brasileira de metal.

Here I Am

Posso dizer de coração hoje que foram as músicas de Angra e Shaman que me trouxeram até aqui, que me fizeram pensar, imaginar, sonhar. As melodias e as letras me traziam conforto quando eu precisava, me davam ideias, me faziam querer escrever.

A voz de Andre Matos me fez querer cantar, até então eu tinha vergonha da minha voz e não queria ser ouvido nem cantarolando.

Nightmares

Fracassei feio no sonho de ser músico. Devo ter muita coisa escrita ainda, guardada sei lá onde. Mas se aquilo não me tornou músico, me fez um cara melhor, me fez pensar, construir frases, construir textos, contar histórias e muitas coisas que hoje uso de outra forma.

Já escrevi sobre a perda de outros músicos que admirava, contei sua história, contei os discos, as bandas, mas desta vez a coisa é mais pessoal. Tenho aprendido muito com as perdas em minha vida e percebo que isso nos muda a cada momento.

Você vai ler bastante sobre a carreira do Andre Matos no Angra e no Shaman por aí. Mas lembre que a obra dele é muito maior, com o Viper, com seus discos solo que se ouvidos com cuidado serão muito bem apreciados. Daquelas ironias da vida, essa semana o algoritmo das minhas playlists me soltou a música “Don’t Let me Go”, do Symfonia, que muitos nem conhecem, mas era um dream team do metal melódico com Andre Matos e Timo Tolkki (ex-Stratovarius).

Silence and Distance

E como é a vida. Eu era muito novo para ver o Viper ao vivo com o Andre Matos no vocal, até que eles fizeram uma reunião em 2012 e eu pude ver. Eu tinha pego apenas um show do Shaman em seu auge e no ano passado fui ao show que marcou o retorno. Faltou o Angra, que o próprio Andre já não vinha mais descartando com a ênfase de outrora. E ficou faltando, infelizmente.

Mas se toda perda deixa alguma coisa boa, a partida do Andre mostrou a cena heavy metal brasileira unida no luto, mesmo quem não era amigo dele se manifestou, todos sentiram sua morte. Espero que a cena passe a se unir daqui pra frente sem que seja na dor.

Who Wants to Live Forever

Mötley Crüe faz cover de Like a Virgin, de Madonna, para promover seu filme

Nenhuma banda misturou tanto o sexo, as drogas, o rock, a fama e as encrencas como os americanos do Mötley Crüe. E os caras voltam à cena três anos após o show de despedida com nada menos que um cover de “Like a Virgin”, da Madonna.

A música com uma versão mais pesada e não menos sacana integra o soundtrack gravado pela banda para o filme biográfico “The Dirt”, que será lançado no próximo dia 22 de março no Netflix e promete contar as polêmicas da explosiva banda de Hard Rock, ou Glam Metal, como queiram.

Trailer do filme “The Dirt” legendado

Pouco mais de três anos depois da turnê de despedida, que rodou entre 2014 e 2015 e passou pelo Brasil (pela primeira vez) no Rock In Rio em setembro de 2015, os caras se reuniram para gravar a trilha e, pelas duas gravações já reveladas, eles voltaram muito bem.

A “Like a Virgin” do Mötley Crüe começa com uma introdução sombria que dá lugar um poderoso e pesado riff de guitarra, tem variações de ritmo e velocidade, com trechos mais heavy metal e um solo matador de Mick Mars, tudo isso com uma cozinha impecável e a inconfundível voz de pato de Vince Neil.

O disco que será disponibilizado nas plataformas digitais na próxima semana traz ainda a inédita “The Dirt (Est. 1981)”, com todo os elementos que marcaram os grandes momentos da carreira da banda californiana: Peso, riff encorpado, um refrão bem pegajoso e uma letra que resume todos os elementos que marcaram a banda. A música conta com a participação do rapper e ator Machine Gun Kelly, que interpreta o baterista Tommy Lee no filme.

“The Dirt (Est. 1981)”

Há ainda na trilha sonora outras duas músicas inéditas: “Ride with the Devil” e “Crash and Burn”, que se somam a clássicos da carreira da banda que foram lançados nos anos 80 pela banda de Los Angeles. Confira o tracklist de “The Dirt Soundtrack” abaixo:

  1. The Dirt (Est. 1981) – com Machine Gun Kelly
  2. Red Hot [Shout at the Devil – 1983]
  3. On with the Show [Too Fast for Love – 1981]
  4. Live Wire [Too Fast for Love – 1981]
  5. Merry – Go – Round [Too Fast for Love – 1981]
  6. Take Me to the Top [Too Fast for Love – 1981]
  7. Piece of Your Action [Too Fast for Love – 1981]
  8. Shout at the Devil [Shout at the Devil – 1983]
  9. Looks That Kill [Shout at the Devil – 1983]
  10. Too Young to Fall in Love [Shout at the Devil – 1983]
  11. Home Sweet Home [Theatre of Pain – 1985]
  12. Girls, Girls, Girls [Girls, Girls, Girls – 1987]
  13. Same Ol’ Situation (S.O.S.) [Dr. Feelgood – 1989]
  14. Kickstart My Heart [Dr. Feelgood – 1989]
  15. Dr. Feelgood [Dr. Feelgood – 1989]
  16. Ride with the Devil
  17. Crash and Burn
  18. Like A Virgin [cover de Madonna]

Durante toda a carreira, o Mötley Crüe lançou outros covers interessantes, como “Helter Skelter”, dos Beatles, “Jailhouse Rock”, de Elvis Presley, “Anarchy in the U.K.”, dos Sex Pistols, além de “Smokin’ in the Boys Room”, do Brownsville Station. Mas nenhuma versão é tão surpreendente e forte como a de “Like A Virgin”.

Apesar de todo o cenário para uma nova reunião que poderia explorar a divulgação do filme, os integrantes juram que não farão mais shows depois do último tocado no Staples Center, em Los Angeles, no dia 31 de dezembro de 2015, que virou o DVD “Mötley Crüe: The END”, lançado em novembro de 2016.

“Ás vezes eu vejo meus amigos, como os caras do Aerosmith e Metallica, e eu penso ‘Cara, será que nós nos retiramos muito cedo?’ Mas não haverá shows no futuro. Talvez nos juntemos para fazer algumas jams no estúdio de Mick Mars”

diz o baixista Nikki Sixx.

Waters: ‘Você não tem ouvido todos esses anos?’

Roger Waters completou recentemente 75 anos e está desde 1964 em atividade como músico contando a partir do Pink Floyd, banda na qual foi o responsável por criar obras atemporais, que seguem relevantes em 2018. The Dark Side of The Moon, Animals e The Wall são obras obrigatórias para uma boa formação cultural do cidadão.

Embora a carreira toda de Waters seja marcada por atos políticos, inclusive dentro das letras de suas músicas, percebe-se que muitos fãs não conhecem muito sobre o ídolo deles.

Foto: Rubens Lisboa

A turnê mundial “Us + Them” é possivelmente uma das últimas ou mesmo a derradeira na carreira do baixista inglês, ou seja, pode ser que o público brasileiro tenha até o fim deste mês, em uma perna surpreendentemente grande pelo país entre 9 e 30 de outubro.

Começou com os shows desta terça (9) e quarta (10) no Allianz Parque, em São Paulo, e segue para o estádio Mané Garrincha, em Brasília (13), Arena Fonte Nova, em Salvador (17), Mineirão, em Belo Horizonte (21), Maracanã, no Rio de Janeiro (24), estádio Couto Pereira, em Curitiba (27), e no Beira-Rio, em Porto Alegre (30).

Foto: Rubens Lisboa

As apresentações coincidem com o segundo turno da corrida presidencial no Brasil, que se encerra no dia 28. E foi ingênuo quem imaginou que Waters passaria pelo país sem deixar clara a sua posição, como fez durante toda a turnê que tem o presidente americano Donald Trump como principal alvo, mesmo nos 49 shows realizados em solo norte-americano.

O álbum mais recente do músico, lançado em 2017 sob o título Is This the Life We Really Want? também é marcado por forte crítica política, especialmente voltada a Donald Trump.

Capa do disco mais recente de Waters: Essa é a vida que realmente queremos?

Em São Paulo, o nome do candidato Jair Bolsonaro (fã declarado de Trump, entre outras qualidades dúbias), conseguiu ser agraciado e incluído em uma lista de neofascistas citada no telão logo após a execução de “Another Brick In The Wall” e a Resistência exaltada por Waters. Parte do público puxou os gritos de “Ele Não”, outros vaiaram, gritaram “mito” e “Ele Sim”.

Mais tarde, a hashtag usada nos protestos contra Bolsonaro antes do primeiro turno das eleições, foi parar no telão, para o desespero dos fãs do político do PSL, que reforçaram as vaias, partiram para a briga com outros fãs de Waters segundo relatos e alguns deixaram o estádio antes do fim do show.

Foto: Kate Izor

Uma entrevista dada pelo músico em setembro do ano passado ao ABC News, da Austrália, ele deu sua resposta a quem não gosta de suas manifestações políticas no show e se ele teria medo de perder fãs por isso:

“É algo que eu não posso me preocupar, porque eu nunca poderia dizer nada sobre nada do que eu acredito, pois qualquer coisa que você dissesse sempre poderia ofender alguém”


“Eu gosto de pensar que eu nunca cedi. Eu nunca me curvei à máquina ou o resto. Há pessoas por aqui que continuam dizendo: ‘Por que você está falando sobre política?  Apenas cante suas músicas e blá blá’. E você responde: ‘Você não tem ouvido todos esses anos?’.”

“De qualquer forma, não é da sua conta o que eu faço. Se não gosta, vá ver a Katy Perry”

A entrevista é interessante e cita também a questão de Waters com Israel por ser um defensor da Palestina. Ele já pediu a artistas como o brasileiro Caetano Veloso e ao Radiohead para não se apresentarem em Israel. O vídeo está aqui embaixo:

Ironicamente, no segundo show da passagem do músico britânico pelo Brasil, novamente em São Paulo, ele substituiu o nome de Jair Bolsonaro pela frase “Ponto de vista político censurado”. Não apareceu desta vez a hashtag #Elenão no telão do Allianz Parque, mas ele deu seu recado.

O autor deste blog alerta: tome cuidado se você também é fã de músicos como Bruce Springsteen e Eddie Vedder, pois você pode em algum momento ter de escolher se idolatra os músicos ou o político.

A propósito, o jornalista Maurício Dehò,  com quem trabalhei no Lance! e UOL, explica a incoerência de quem vaiou Roger Waters. Leia aqui

Green Day e U2 não entram na briga com o futebol na América do Sul

Estádios de futebol devem receber shows? Este debate já rendeu no Brasil, principalmente com a construção das modernas arenas, que só fazem crescer o número de apresentações internacionais e levam clubes como Palmeiras, São Paulo, entre outros, a jogar em outros gramados que não os seus.

Mas o que me faz escrever sobre o tema não é algo ocorrido no Brasil, mas em outros dois países sul-americanos no qual o futebol foi colocado em primeiro plano diante de artistas de primeiro escalão, o que só reforça que não há um “país do futebol” como nós brasileiros gostamos de falar, mas há vários.

Na Argentina, enquanto Lionel Messi e Ángel di Maria tinham a tarefa de tentar colocar o país na Copa do Mundo jogando em Quito contra o Equador, o U2 se apresentaria no Estádio Ciudad de la Plata, em La Plata, na Argentina. E a própria banda aceitou atrasar seu show por duas horas para que os argentinos pudessem conferir nos telões montados no próprio estádio a classificação para o Mundial.

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Sim, o U2 não entrou em disputa com o futebol. E ainda teve a apresentação de gala de <strong>Messi</strong> como “show de abertura” para aquecer o público. Sem dúvida a ‘hinchada’ estava animada após a vitória em Quito.

Durante o show, Bono Vox ainda ganhou o público ao dizer: “Obrigado, Lionel Messi! Deus existe!”, como você pode conferir no vídeo abaixo.

O outro caso aconteceu nos últimos dias no Peru. A seleção pela qual jogam os flamenguistas Trauco e Guerrero conseguiu avançar à repescagem e briga com a Nova Zelândia em novembro para retornar à Copa do Mundo depois de 36 anos, um feito e tanto.

Só que muito antes da possibilidade de a seleção peruana ser confirmada na repescagem, a banda americana Green Day teve seu show marcado para o Estádio Nacional em Lima, no dia 15 de novembro. O dia era exatamente o mesmo do jogo entre Peru e Nova Zelândia na volta da repescagem, o jogo que define o país classificado.

Havia duas opções, a primeira seria a escolha de outra cidade para receber a partida decisiva da seleção peruana. Mas depois de fazer a campanha em Lima e ficar tão perto do Mundial jogando no Estadio Nacional? A segunda opção seria trocar o local do show de uma banda que não passa pelo território peruano desde 2010. A banda aceitaria? A produtora do show arriscaria mudar com os ingressos já sendo vendidos?

Pois quem se mudou foi o show do Green Day, que se apresentará no Estadio de San Marcos, mesmo local da última passagem pelo país, em 2010. Confira abaixo o comunicado publicado por produtora e banda.

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A banda americana Green Day e a empresa organizadora de seu concerto em nosso país, Move Concerts, decidiram mudar o local do show que se realizará em 15 de Novembro no Estádio San Marcos, permitindo assim que a Seleção Peruana de Futebol possa ter seu último encontro com seus adversários da Nova Zelândia para as eliminatórias da Copa do Mundo 2018 no Estádio Nacional

“Desejamos sorte à seleção e ao país nesta partida histórica e esperamos ver todos os nossos fãs no mesmo local em que nos vimos em 2010 para celebrar”, é a mensagem que enviou a banda por meio de sua agência.

Desta maneira, a empresa organizadora e a icônica banda punk mostram seu apoio à Seleção Peruana de Futebol em busca de um resultado positivo para todos os fanáticos peruanos. A Move Concerts Peru agradece o apoio de todos os fãs do Green Day que já esgotaram mais de 20 mil ingressos e cujo espetáculo se projeta estar totalmente cheio.

E que banda entraria numa dividida dessas com a seleção de um país fanático por futebol?

Uma viagem histórica com o The Who em São Paulo

Em meio a um Rock in Rio com a primeira palavra do nome mais escassa em relação a edições anteriores, a Mercury Concerts aproveitou as principais bandas de rock do casting do principal festival brasileiro de música e criou o São Paulo Trip no Allianz Parque, em São Paulo.

Na noite de quinta-feira, o Alter Bridge foi a primeira banda a subir ao palco pelo festival (ou série de shows como alguns preferem definir – pouco importa). Com um público meio fraco, talvez pela data, pela concorrência do Rock in Rio, pela crise, ou vai saber.

Myles Kennedy (Alter Bridge)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Mas a banda liderada por Myles Kennedy e Mark Tremontti mostrou sua competência e o porquê de ser uma das mais crescentes no cenário atual de rock. Com um set curto, eles levaram o seu próprio público e ainda conseguiram satisfazer os que não estavam lá para vê-los, mas para conferir o The Cult e, principalmente, o The Who.

O show começou com “Come to Life”, do álbum Blackbird (2007) ainda com o estádio palmeirense bem vazio. Na sequência, emendaram a ótima “Addicted to Pain”, do Fortress (2013), já numa fase mais pesada da banda, e ‘garantiram o bicho’.

Como habitual, o carismático Myles Kennedy mandou um dedilhado de “Blackbird”, dos Beatles, para emendar a música homônima que é um dos principais sucessos do Alter Bridge. “Isolation”, “Open Your Eyes” e “Rise Today” foram outros pontos fortes, com esta última fechando a digna apresentação do quarteto formado por três quartos do Creed (quem diria que sairia coisa boa do Creed?).

E nesta sexta eles tocam no Rock in Rio logo depois do Jota Quest, em dia que tem Tears For Fears e Bon Jovi (quem escalou o Alter Bridge junto às três bandas é um gênio! Mas não surpreende no RiR).

Ian Astbury e Billy Duff (The Cult)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

E aí veio o The Cult com toda a marra de Billy Duff e o carisma de Ian Astbury, o som em volume mais aceitável e tacando fogo logo de cara apresentando a excelente “Wild Flower”.

Mais conhecido do público presente em geral, o quinteto britânico fez uma apresentação mais agitada, com um set irretocável, embora curto (não dava pra ser mais longo, assim como o AB), para quem tem um número razoável de clássicos.

O lado chato e já recorrente em vários shows, Ian Astbury precisou pedir pra galera dar uma segurada para usar os telefones celulares após o show. Que fase vivemos hein!

Destaque para os petardos apresentados em sequência “Rise”, “She Sells Sanctuary” e “Fire Woman”, que esquentaram a galera o suficiente para esperar pela chegada do momento histórico.

Roger Daltrey (The Who)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

53 anos depois de sua fundação, o The Who finalmente pisou em solo sul-americano pela primeira vez com Roger Daltrey e Pete Townshend, além de uma banda muito competente a eles somada a Zak Starkey, filho de Ringo Starr e que ganhou seu primeiro kit de bateria sabe de quem? Keith Moon, o lendário e inesquecível baterista da formação original do The Who.

A apresentação começou com “I Can’t Explain”, nome que dizia muito sobre a sensação de quem estava tendo o privilégio de ver pela primeira vez a banda de Daltrey e Townshend. Em seguida vieram “The Seeker”, “Who Are You” e “The Kids Are Alright”, três dos vários clássicos que não deixaram a casa esfriar em nenhum momento.

Zakk Starkey (The Who)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Nem mesmo a entrada completamente errada de Daltrey em “My Generation” atrapalhou alguma coisa na apresentação dos ingleses na capital paulista. “Behind Blue Eyes”, outra das mais repetidas pelos fãs da banda teve um dos momentos mais bonitos no estádio.

E ainda tinha “Pinball Wizard”, “See Me Feel Me”, “Baba o’Riley” e “Won’t Get Fooled Again”. Dava para não ficar satisfeito? Sim e não.

Ao mesmo tempo que o público ainda mostrava querer ficar ali dias ouvindo mais o The Who, a banda também mal deixou o palco e voltou rapidamente para o bis, fechando com “Substitute”.

Pete Townshend (The Who)
Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Ao fim, Pete Townshend mandou todos embora para suas casas. Depois de um show como este, ele poderia ter mandado todos para a puta que pariu e ninguém ousaria negar. Seu pedido é uma ordem.