Uma das mais belas vozes do Rock se cala

Acordar cedo não me agrada, nunca agradou. Ainda mais quando não é programado, quando estou desempregado e não preciso despertar apressado.

Quando isso acontece, você olha para o lado, pega o celular para ver as últimas notícias e vem aquele soco no estômago. Já aconteceu algumas vezes, o de hoje foi doloroso: Morreu Chris Cornell.

 

Cornell do Soundgarden, do Audioslave, do Temple of the Dog. Simplesmente Cornell. O cara bonito, talentoso, com personalidade, uma das mais belas e potentes vozes do Rock. Para este blogueiro, um dos artistas mais completos do Rock e o melhor vocal de toda aquela turma de Seattle. Talvez um fã de Eddie Vedder pode rebater, entenderei, pois o carisma do frontman do Pearl Jam o coloca num pedestal que muitas vezes reduz a percepção à voz.

Numa semana onde se lembram os 7 anos da partida de Ronnie James Dio e os 30 do suicídio de Ian Curtis, um Chris Cornell sai de mais um show apresentado com maestria e se enforca em um hotel em Detroit aos 52 anos, jovem e em fase produtiva. No Soundgarden, vinha em turnê pelos Estados Unidos desde abril deste ano.

Em sua carreira solo – muitas vezes esquecida quando a turma lembra do trabalho nas bandas da qual fez parte -, vinha de um álbum lançado em 2015 (Higher Truth), além de participação em trilhas sonoras. Em abril deste ano o último single lançado em vida foi justamente uma trilha sonora chamada “The Promise”, lançado em abril deste ano com o filme homônimo.

Se você não conhece a carreira de Cornell, recomendo que ouça os álbuns Badmotorfinger (1991) e Superunknown (1994), com o Soundgarden, Temple of The Dog (1991), com o Temple of The Dog, Audioslave (2002), do Audioslave, e Euphoria Morning (1999), da carreira solo do cantor. Nos citados você vai reconhecê-lo como grande compositor e cantor.

Quando escrevo que Cornell foi um artista completo, recomendo que ouça ou assista seus shows, seus improvisos e a criatividade. Na última passagem pelo Brasil, em dezembro de 2016, apresentou na Ópera de Arame, em Curitiba, por exemplo, uma versão de “One”, do U2, cantando a letra de “One”, do Metallica.

Também apresentava uma bonita versão de “Billie Jean”, do Michael Jackson, que foi registrada no álbum solo Carry On (2007), além de várias outras versões de Beatles, Bob Dylan, Bob Marley e de seus próprios sucessos com Soundgarden, Temple of the Dog e Audioslave.

O Audioslave, aliás, era a banda que tinha tudo para ser gigante por um longo período, mas não deu certo. Era minha trilha sonora diária nos anos 2000, reunindo Cornell com Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk (guitarrista, baixista e baterista do Rage Against the Machine – atualmente membros do Prophets of the Rage, que tocou no Brasil no último fim de semana).

A banda que acabou em 2007, voltou a “se encontrar” em janeiro deste ano em uma apresentação de Cornell com o Prophets of the Rage, em Los Angeles, com a execução de “Show me How to Live”, “Like a Stone” e “Cochise”, esta com um vocal alto que lembra um pouco a zeppeliana “Whole Lotta Love”, também gravada pelo cantor americano em uma parceria com o guitarrista Carlos Santana.

Homenagens vieram e virão de muitos artistas nos próximos dias, seja naquelas mensagens de redes sociais ou até em shows, como fez o Megadeth, no Japão, ao apresentar “Outshined” (vídeo abaixo).

 

Já li, ouvi e vi muita coisa sobre a morte de Chris Cornell, até sobre a infeliz coincidência de ele ter cantado durante a execução de “Slaves & Bullldozers” o refrão de “In My Time of Dying”, coisa que ele já havia feito em outros shows da turnê com o Soundgarden. Bobagem. Ninguém vai conseguir agora ler tardiamente a mente dele e procurar motivos para um suicídio. Não tem volta, nem solução.

Cornell teria mais a apresentar, mais shows a fazer, novas músicas a cantar, mas por algum motivo optou por encerrar tudo. Me resta agradecer pelo que fez e aproveitar para prestigiar o legado.

Chris Cornell em um dos últimos shows com o Soundgarden

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