#ForçaChape

 Já perdi muita gente querida. Amigos, familiares, conhecidos. Mas por maior que seja o amor por cada um, o sentimento agora é muito mais profundo do que em todas as ocasiões anteriores. Hoje foi o dia mais triste da minha carreira, da minha vida.
Como acreditar que domingo à tarde eu estava no Allianz Parque comemorando o título do Palmeiras e vendo o último jogo da Chapecoense prévio a uma tragédia? Adoro a história do time, torci como se fosse meu time na semifinal contra o San Lorenzo. E hoje logo que acordei vi a notícia. Custei a acreditar.
Caio Junior era o técnico do Palmeiras quando eu estava começando no jornalismo esportivo. Cobri treinos do clube pela “TVzinha” do Lance!. Vi ele e todos aqueles jogadores em campo no domingo. Como assim? Aí começaram a chegar as listas de passageiros e lá estava o André Podiacki.
Sempre brinquei com o Podiacki que ele era o repórter oficial do WTA de Floripa. Nos últimos dois anos era o único além da assessoria que passava o dia no torneio, as coletivas de imprensa eram exclusivas do Podiacki. Teliana, Gabriela, Paula, Monica Puig, Mattek-Sands e tantas outras foram recepcionadas por ele na sala de imprensa. A romena Ana Bogdan já sorria quando o via ao chegar para a “coletiva exclusiva”, que acabava virando um bate-papo depois de pausados os gravadores, o dele, o meu e o do Rafael Hertel.
Na Davis de BH, o Podi era o único repórter que ia comer com nossa equipe. Virou o “Pão de Alho” em falha auditiva do Dennis Forster. Quando vi seu nome, custei a aceitar, mas nosso colega de trabalho e nosso amigo infelizmente não sobreviveu.
Ari Junior foi o cinegrafista, ou melhor, o artista que fez a matéria exibida esse ano no Jornal Nacional com Bruno e Marcelo antes da Olimpíada. Um grão de areia perto de todos os seus registros.
Em uma tragédia, não tem um morto mais importante que o outro. São todos iguais. E eu sinto por todos. Pelo Djalma, cinegrafista que conheci em Floripa, pelo Victorino, pelo Deva, que eu ouvia sempre na época de CBN, todos os outros profissionais, os jogadores e o assessor de imprensa Gilberto Pace Thomaz, que conseguia aliar o amor pelo clube com o trabalho e viajava com o time, o mesmo que eu senti todos esses últimos quatro anos .
Desde que passei a trabalhar na CBT, minha rotina muitas vezes foi a de viajar para tudo o que é canto, seja para a assessoria de um torneio ou para acompanhar a equipe brasileira na Copa Davis. Fico sem ver meus pais, meus irmãos, meus amigos e familiares durante muito tempo. De um voo a outro.
A gente que pega tantos voos, nunca quer acreditar que possa acontecer uma tragédia assim, seja conosco, com pessoas que conhecemos ou não conhecemos. Tal qual o futebol, o tênis é feito de aeroportos, hotéis, voos… No último fim de semana eu tentava convencer a minha sogra a viajar de avião, para não ter medo pois é seguro. Três dias depois, vem isso.
Já desliguei TV, tentei ver outras coisas, mas não sai da minha cabeça. Quem me conhece, sabe que não sou lá um cara muito religioso. Muitos acham que sou ateu, inclusive. Mas hoje eu faço minhas orações pelas vítimas e pelas famílias. E sou apenas mais um que choro.

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