Adeus ano velho…

Meses depois, volto a escrever neste querido espaço para poder comemorar o ponto final de um ano em que por aqui praticamente só se leu sobre mortes de músicos. Sim, o ano de 2013 teve muita coisa relevante, mas seria necessário contar com alguns braços e cérebros a mais para poder dar conta de tudo, uma vez que sigo na atividade com a assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Tênis (e todos os torneios da entidade), do torneio WTA Brasil Tennis Cup e também do tenista Tiago Fernandes.

Bons discos

forstress

Enquanto se lamenta por não termos tantas bandas surgindo como antigamente, na verdade o que acontece é que não se dá destaque aos músicos certos atualmente. Algumas bandas, como Alter Bridge, deveriam ter muito mais espaço que têm. E 2013 teve provas disso, como o ótimo álbum “Fortress”, o melhor já lançado pelo grupo americano que sabe usar o peso das guitarras e flertar com o Pop mesmo fazendo um bom Rock. Para quem não conhece, a banda tem o vocalista Myles Kennedy (que também é vocal da banda atual do guitarrista Slash), o guitarrista Mark Tremonti, o baixista Brian Marshall e o baterista Scott Phillips, integrantes Creed, aquela banda chata pra cacete que fez sucesso nos anos 90 com músicas como “With Arms Wide Open”, “Higher” e “One Last Breath”.

O Motorhead, que teve seu líder Lemmy Kilmister passando maus bocados, inclusive com boatos falsos de que teria falecido, lançou mais um ótimo disco intitulado “Aftershock”. Também gostei do novo lançamento do Alice in Chains, o chamado “The Devil Put Dinosaurs Here”, que tem uma ótima e irônica faixa-título que fala sobre a fé. A banda Ghost lançou o bom disco “Infestissuman” e veio ao Brasil tocar no Rock in Rio (aos gritos de “Metallica, Metallica” do público brasileiro que não gostou dos misteriosos músicos suecos). Os alemães do Helloween lançaram “Straight Out of Hell”, mais um daqueles que você tenta escutar por respeito à história da banda, mas na terceira música acaba desistindo do mais do mesmo.

O Avantasia, projeto/banda de Tobias Sammet, gravou um ótimo álbum chamado “The Mistery of Time”. Mas o grande álbum foi “13”, do Black Sabbath, que resgatou a melhor banda de Heavy Metal de todos os tempos remetendo ao primeiro álbum do grupo britânico, com Iommi em grande forma mesmo em luta contra o câncer, mais um grande serviço prestado por Geezer Butler e Ozzy Osbourne se esforçando muito. Só faltou Bill Ward pelo passado, mas que no presente talvez não fosse capaz de fazer Mike Bordin no estúdio e Tommy Clufetos em turnê.

Na audição deste blog, o melhor álbum brasileiro de 2013 no Rock/Metal foi “Unfold”, do Almah. Não consegui encontrar uma falha ainda no disco, muito bem produzido e executado. Outro ótimo álbum foi do Sepultura, apesar da terrível escolha de nome “The Mediator Between Head and Hands Must Be The Heart”.

Shows

O grande destaque em termos de shows em 2013 foi o Rock in Rio, que contou com uma forte lista de músicos como Iron Maiden, Metallica, Slayer, Helloween, Bruce Springsteen, Bon Jovi, Muse, Avenged Sevenfold, John Mayer, Viper, Andre Matos, Almah, John Mayer, The Offspring, Alice in Chains, Ghost, Dr. Sin, Krisiun e Destruction, entre outros.

Entre os destaques um show memorável de Bruce Springsteen, mostrando mais uma vez que o apelido “Boss” lhe cabe muito bem. Foi o maior nome do Rock in Rio. Outro Bruce, o Dickinson, liderou o Iron Maiden em outro show espetacular no Rio de Janeiro, com direito a propaganda da cerveja da banda inglesa (devo um post de análise às cervejas roqueiras, em breve publicarei) em um evento patrocinado pela Budweiser. O Metallica também fez um show impecável e levantou o público mesmo tocando em uma quinta-feira. Outro show muito bom foi o do Muse, apesar de muita gente torcer o nariz para o som da banda. O Slayer fez uma bonita homenagem a Jeff Hanneman e o Sepultura fez dois shows, um deles com Zé Ramalho, com direito ao público gritando Zépultura depois de uma grande apresentação mesclando o som pesado às letras fortes de um dos melhores músicos do Brasil.

De negativo tivemos o Bon Jovi, meio desafinado, com a banda desfalcada e um show monótono. John Mayer até que fez um show razoável, mas para um palco gigante e um público de 80 mil pessoas não me pareceu empolgar. Mais uma vez fica claro que não adianta gravar um bom disco e apenas o reproduzir no palco, em um show o que eu quero ver é o que o músico faz de diferente do estúdio. Caso contrário, melhor comprar o CD e ficar em casa. O mesmo valeu para o Ghost, que fez um show bem fraquinho e pouco empolgante diante de um público que estava ali pelo Metallica. E o Kiara Rocks… Bom, não sei bem como a banda foi parar no palco Mundo, mas o Rock in Rio sempre tem dessas. O Kiara fez o seu melhor, levou o Paul Di Anno ao palco para a sua única aparição no Rock in Rio, assim como o guitarrista Marcão (Charlie Brown Jr) e mandou ver nos covers. Alguns criticaram por eles tocarem covers, mas são os mesmos que deixam de ver ótimas bandas como o Dr. Sin para ver o cover do Aerosmith ou do Guns N’ Roses nos Manifestos da vida…

No Lollapalooza, o Pearl Jam foi a atração principal e fechou o festival em São Paulo, que teve grupos como o Black Keys, The Killers, Queens of the Stone Age, Planet Hemp, Franz Ferdinand, Kaiser Chiefs, entre outros. Após um longo hiato, o Monsters of Rock retornou ao Brasil na Arena Anhembi e teve shows de Aerosmith, Whitesnake, Ratt, Queensryche (um dos), Hellyeah, Gojira, Slipknot, Dr. Sin, Limp Bizkit (!?!) e Korn (!?!).

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Para finalizar o papo sobre os shows, o Angra finalmente gravou um novo DVD em São Paulo com os vocais do italiano Fabio Lione (agora membro da banda brasileira) e participações de Tarja Turunen (ex-Nightwish), Uli John Roth (ex-Scorpions), Amilcar Cristofaro (Torture Squad) e a Família Lima. O show marcou a comemoração pelos 20 anos do disco Angels Cry e foi muito bem produzido. Aliás, Andre Matos também fez uma turnê comemorativa pelo disco de sua ex-banda, tocando o álbum na íntegra com sua banda atual. E o grande show de 2013 foi do Black Sabbath, que veio ao Brasil com Ozzy nos vocais pela primeira vez (A banda já havia tocado aqui sem o Madman), e levantou o público com clássicos muito bem executados ao vivo (lembra do disco é disco, show é show? Então…) e a abertura foi do Megadeth, que foi bem apesar do som baixo.

Mortes

Ao mesmo tempo que digo que tivemos outros destaques, é inegável que há algum tempo não se noticiou tantos músicos mortos no mesmo ano. E músicos relevantes. No Brasil, o Charlie Brown Jr viu dois integrantes partirem: o vocalista Chorão teve uma overdose de cocaína e o baixista champignon cometeu suicídio. Dominguinhos, um dos grandes nomes da música do nordeste brasileiro também faleceu, assim como Reginaldo Rossi (um gênio que escreveu músicas com versos como “Hoje é o dia do corno, foi bom te encontrar”).

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O mundo da música também perdeu Jeff Hanneman, guitarrista do Slayer, vítima de uma falência hepática. Lou Reed faleceu aos 71 anos e tenho como última lembrança um disco medonho com o Metallica intitulado “Lulu”, nome este que em 2013 também conseguiu umas chamadas de destaque devido a um aplicativo bobinho, sinal dos tempos! Voltanto aos mortos, J.J. Cale, autor do clássico “Cocaine” (música imortalizada por Eric Clapton) sofreu um ataque cardíaco aos 74 anos. Trevor Bolder, ex-Uriah Heep foi vencido por um câncer aos 62 anos.

O câncer também levou Ray Manzarek, tecladista do The Doors. Chrissy Amphlett, do The Divinyls, que nos anos 90 teve sucesso com a música “I Touch Myself” também perdeu a batalha contra o câncer aos 53 anos. Depois de nove anos internado em decorrência de um acidente automobilístico, o baixista Chi Cheng, ex-Deftones, também partiu dessa.

Ex-baterista do Iron Maiden, Clive Burr faleceu aos 56 anos após longo período sofrendo com esclerose. Peter Banks, do Yes, também morreu aos 56 anos por complicações cardíacas. Alvin Lee, do Ten Years After, teve complicações em uma cirurgia e também partiu. Dan Toler, guitarrista do The Allman Brothers Band, morreu também devido à esclerose aos 64 anos. Reg Presley, vocalista da banda The Troggs, perdeu a batalha contra um câncer no pulmão. Claudio Leo, guitarrista do Lacuna Coil, faleceu aos 40 anos por uma doença desconhecida.

Se nos últimos anos eu montei uma banda com músicos que faleceram, em 2013 seria possível criar uma orquestra que foi levada embora. Infelizmente também perdemos amigos neste ano por razões diversas e agradeço por 2013 estar indo embora.

Que venha o ano novo com muita música boa para você e com menos Naldos, Anittas e tantos artistas pré-fabricados que temos por aí. E sem os pitis do Justin Bieber (futuro ex-aposentado), o nosso mais forçado rock star também.

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