O choro de uma geração

Acordei nesta quarta-feira com a notícia da morte do Chorão no Twitter. Eu não acompanhei nem um pouco dos últimos anos da banda, mas lembrei bem do que o Charlie Brown Jr fez na música desde que começou a tocar desenfreadamente nas FMs “O coro vai comê”.

É muito fácil falar ou escrever bem de alguém depois que morre, chamar de gênio, de poeta, de ídolo etc. Hoje em dia com a forma como as redes sociais espalham e promovem assuntos, ficou ainda mais fácil.

Chorão não foi um gênio, mas foi criativo, foi divertido, tinha um grande carisma e tocava um show com sabedoria. Tive a oportunidade de conferir de perto alguns shows do Charlie Brown Jr, comprei discos da banda e sei que a energia que a banda colocava no palco era ótima.

Nos últimos anos as trocas de formações fizeram com que a banda perdesse um pouco o rumo, o fim das rádios que tocavam rock nacional piorou a situação e o Charlie Brown Jr se misturou em um balaio com bandas novas que não conseguiram fazer nada perto do que a banda santista fez no final dos anos 90 e no começo dos anos 2000.

Charlie Brown Jr foi sim uma banda de rock, que soube misturar estilos e seguiu a linha do Red Hot Chili Peppers, do Suicidal Tendencies e do próprio Faith no More.

Em uma época em que as bandas de rock passavam a perder espaço, o Charlie Brown Jr chegou com o pé no peito. Gravou muita coisa boa e também teve seus momentos pouco inspirados.

Chorão conseguiu ser o ídolo de uma geração, a minha geração. Quantos não brincaram ao dizer meu nome cantarolando a música “Rubão”, do Charlie Brown Jr? Foram várias, uma na semana passada, aliás.

Se Chorão se encaixa em uma lista de Cazuza, Renato Russo e sabe lá quem mais queiram listar, isso é totalmente descartável, mas ele está para o pessoal que tem entre seus 20 a 30 e poucos anos como foi Renato Russo há 20 anos. Alguns idolatram, outros odeiam e muitos respeitam o trabalho que fez pela música.

No meu gosto pessoal o Charlie Brown Jr agradou muito mais que a Legião Urbana, mas aí é mais uma comparação indevida e inútil.

O rock nacional perde um líder e uma banda que foram importantes. Descanse em paz, Chorão!

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Uma consideração sobre “O choro de uma geração”

  1. Não gosto do Charlie Brown Jr., mas a banda, assim como Skank, Planet Hemp, Virna Lisi e Raimundos, por exemplo, apostou no estilo próprio, sem precisar copiar gerações anteriores, e criou a trilha sonora do pop/rock brasileiro nos anos 90. Goste ou não, mas respeite. Ainda mais atualmente, em que não se cria nada novo, a música brasileira é um amontoado de clichês e cópias. Acho exagero colocá-lo como um novo Cazuza ou Renato Russo, mas sem dúvida o papel de Chorão é respeitável.

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