Os shows pré-pagos chegaram

As produtoras de shows no Brasil já perceberam que precisam tomar alguma iniciativa para não acabar levando cano de seu público alvo. E uma das inovações foi a criação de um sistema de cotas que são vendidas para ativar a realização de um show.

Não é novidade que o público já não é assim tão fiel por terras tupiniquins. Isso acontece devido à grande demanda de shows internacionais, graças ao mercado em baixa na Europa, além de sabermos que tem muito produtor espertinho que sabe que determinados shows lotam facilmente e então ele enfia a faca nos fãs para garantir a burra cheia de dólares.

Acontece que não apenas os gigantes estão vindo para o Brasil, mas as bandas que são menos populares para o público em geral e vivem de um público segmentado, também estão tentando aproveitar o momento econômico do lado de cá do Atlântico. No caso deles, os músicos acabam fazendo shows em muquifos, com um público digno de uma banda cover qualquer de um Aerosmith ou Guns N’ Roses, ou ainda menor.

Aí a ideia de fazer com que o show seja confirmado apenas quando uma cota mínima estiver garantida para pagar o cachê da banda, a locação da casa de shows e os gastos que uma apresentação ocasiona aos produtores e banda. O primeiro teste que vi foi com o show da banda Soulfly, de Max Cavalera, ex-vocalista do Sepultura.

E o resultado inicial não foi lá muito animador. O site “Ativa Aí”, que colocou à venda os ingressos para o Soulfly, já anunciou que não conseguiu chegar à meta mínima para o show que seria realizado no Rio de Janeiro. Em São Paulo falta ainda pouco mais de 1h quando estou escrevendo e está bem perto de esgotar também, mas em cima da hora.

A iniciativa não é ruim, acho bem criativa. O problema é que quando você lida com o público brasileiro deve lembrar que, salvo raras exceções (que são aquelas atrações amplamente divulgadas via publicidade ou imprensa), ele deixa para comprar seu ingresso na última hora. O Show do Soulfly ocorre daqui um mês em São Paulo (ou não!) e muita gente não sabe nem se terá tempo para ir. Aí complica tudo.

Parece bem mais complicado lidar com novas ideias para a venda de ingressos quando o público é o brasileiro, aquele que deixa para fazer tudo no último minuto do segundo tempo. O mesmo site usa o sistema para a venda de camarotes da rádio Kiss Fm para o show de Roger Waters em São Paulo com o preço de R$ 1 mil.

Eu só gostaria de saber mesmo é se estão sendo honestos nos valores ou vão colocar mais uma das grossas nos fundilhos dos fãs, o que muitas produtoras já fazem há tanto tempo.

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