Aposta certeira do Almah com o álbum Motion

Bom, já que a onda com o final do ano é embarcar nas famigeradas retrospectivas por aí, o Espelho Mau não poderia ficar de fora do clichê. Mas a ideia aqui não é falar dos escândalos, dos mais bizarros ou relembrar shows. O intuito é falar dos melhores álbuns lançados no ano.

Para começar, analiso aqui o álbum Motion, lançado em setembro pela banda Almah com produção de Edu Falaschi e Felipe Andreoli, respectivos vocalista e baixista da banda.

Para quem não conhece, o Almah surgiu como um projeto paralelo de Edu Falaschi no momento em que o Angra passava por uma grande crise com o empresário Antônio Pirani.

O primeiro álbum foi gravado com material dos gringos Lauri Porra (baixista do Stratovarius), Emppu Vuorinen (guitarrista do Nightwish) e Casey Grillo (baterista do Kamelot) em 2006. Depoiso que era projeto passou a ganhar status de banda com Fragile Equality e agora chega entre as grandes bandas nacionais com o álbum Motion.

Enquanto ninguém aguenta mais as bandas repetitivas do Heavy Metal Melódico, o Almah decidiu se jogar de cabeça em um som mais agressivo e moderno, contando com uma ou outra balada e temas que fogem daquelas histórias épicas que tanto foram chupinhadas por aí.

Já na faixa de abertura, intitulada “Hypnotize” a velocidade já é imposta logo após a introdução e com uma levada bem visceral. Logo em seguida vem “Lifting and Drifting” também apostando em uma pegada longe daquilo que a banda principal, e Falaschi e Andreoli.

As guitarras de Marcelo Barbosa e Paulo Schroeber continuam falando grosso em “Days of the New”. Em “Bullets on the Altar”, a levada é mais cadenciada, sem apostar na velocidade, mas mantendo uma melodia mais grudenta e com guitarras mais sujas. O tema da música é o massacre de crianças em uma escola do Rio de Janeiro.

E quando você poderia acreditar que viria uma balada para acalmar, logo percebe que está enganado. Pois o ritmo segue forte e agora mais veloz com “Zombies Dictator”, que tem como convidado o vocalista Vctor Cutralle, da banda Furia Inc, soltando o gutural.

O Metal pesado segue na execução de “Trace of Trait”, primeiro single da banda tirada do Motion. A música já teve seu videoclipe lançado e marcou como um dos símbolos da nova linha do Almah. O Heavy Metal do barulhento continua em “Soul Alight”, enquanto na música seguinte chega a primeira balada com “Late Night of 85”.

Para finalizar há a participação de Thiago Bianchi, vocalista do Shaman, em “Daydream Lucidity”, enquanto “When and Why” é acústica, lenta e destoa um pouco do sentido que o Almah encara no álbum, encerrando a lista.

Mas saindo um pouco da música, o Almah também passou por problemas internos, como o problema de refluxo que prejudicou a voz de Edu Falaschi, que se opera agora em janeiro. E se não bastasse, um problema cardíaco do guitarrista Paulo Schoroeber assustou pouco e deixou o músico fora dos palcos no final da turnê.

Enfim, o Almah caprichou para lançar um álbum que pode ser divisor de águas na carreira da banda, com identidade, peso e melodia na medida correta. Muita banda maior, com mais nome e tempo de estrada segue na mesmice, enquanto o Almah foi criativo para tentar um passo adiante.

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