Carisma salva Pearl Jam em noite com ‘milagre da reencarnação’

Após seis anos de ausência, o Pearl Jam se apresentou em São Paulo pela terceira vez ainda seguro pelo carisma de Eddie Vedder e por alguns clássicos enquanto o som no Morumbi teimou em não colaborar (obra da produtora do show somada à acústica historicamente ruim do local) e a inserção de faixas dos dois últimos álbuns também. Ainda assim, o ponto alto foi o “milagre da reencarnação”.

O aviso de que o show do Pearl Jam começaria 15 minutos mais cedo, enganou. O atraso foi de 30 minutos em que os fãs tiveram de suportar sonolentas canções que rolavam nos PAs. O público também não contribuiu. Numa noite fria de quinta-feira e com sold out para o segundo show (que teve ingressos vendidos antes).

A abertura foi com “Release”, uma opção não muito explosiva para um início de show, ainda mais com os telões em preto e branco, assim como o fundo do palco que no início dava impressão de um retorno ao passado.

No palco Eddie Vedder esbanjou energia e carisma tentando ler palavras em português na comunicação com o público, o que foi bacana levando em consideração que o público geralmente se derrete por qualquer clichê “obrigado”, “eu amo o Brasil” e “boa noite” que os vocalistas geralmente usam. Vedder chegou até a pedir desculpas ao dizer que os americanos são estúpidos com outros idiomas.

O show foi crescendo, a banda cometeu alguns erros de tempo na execução de músicas e no primeiro deles Eddie Vedder contornou puxando um coro de “olê, olê, olê, olê…”, com o público respondendo “Pearl Jam…Pearl Jam”. Foi uma boa saída do vocalista.

Quando a banda fez sua primeira turnê pelo Brasil em 2005, ainda não havia lançado os álbuns “Pearl Jam” e “Backspacer”, e o público aparentemente parou no tempo. Com sete músicas dos dois álbuns, além da nova “Olé”, poucas tiveram bom retorno, enquanto vários fãs ficavam pedindo por “Jeremy”, “Once” e “Given to Fly”.

O ponto mais forte do show, quando o som teve uma melhora significativa, porém, ainda deixou um pouco a desejar. Eddie Vedder lembrou que sua primeira vez no Brasil foi com os Ramones e ofereceu “Come Back” (do álbum Pearl Jam) para o guitarrista Johnny Ramone, morto em 2004.

O Pearl Jam logo emendou “I Believe in Miracles”, dos Ramones, antes de executar o seu maior sucesso por aqui: “Alive”, do álbum Ten, que completou 20 anos em agosto deste ano.

Sim, um dia depois do Dia de Finados, Eddie Vedder gritou “volte”, “eu acredito em milagres” e “eu ainda estou vivo na sequência”. Os mais humorados, como este blog, diria que houve uma reencarnação na noite de quinta-feira no Morumbi.

Após a segunda pausa do show, a banda retornou para um encore respondendo aos que pediam clássicos. Depois de tocarem “Comatose”, os quarentões de Seattle empolgaram com “Black”, “Better Man” e “Rearviewmirror”, fechando com “Rockin’ in the Free World”, cover de Neil Young.

É, foi legal. Mas quando Eddie Vedder pegou sua garrafa de vinho do palco e levou embora dando um tchauzinho para o público, muitos ficaram com aquela cara de “faltou algo”. Faltou sim. Mas pelo que conhecemos do Pearl Jam, o complemento é nesta quinta-feira, novamente no Morumbi.

Set list
1. Release (Ten, 1991)
2.  Corduroy (Vitalogy, 1994)
3.  Why Go (Ten, 1991)
4. Animal (Vs., 1992)
5. World Wide Suicide (Pearl Jam, 2006)
6. Got Some (Backspacer, 2009)
7. Even Flow (Ten, 1991)
8. Unthought Know (Backspacer, 2009)
9. Whipping (Vitalogy, 1994)
10. Daughter (Vs., 1992)
11. Olé (novo single)
12. Down (Lost Dogs, 2003)
13. Save You (Riot Act, 2002)
14. The Fixer (Backspacer, 2009)
15. Do The Evolution (Yeld, 1998)
16. Porch (Ten, 1991)
Encore 1
17. Elderly Woman Behind The Counter in The Small Town (Vs., 1992)
18. Just Breathe (Backspacer, 2009)
19. Come Back (Pearl Jam, 2006)
20. I Believe in Miracles (Brain Drain, 1989 – Ramones)
21. Alive (Ten, 1991)
Encore 2
22. Comatose (Pearl Jam, 2006)
23. Black (Ten, 1991)
24. Better Man (Vitalogy, 1994)
25. Rearviewmirror (Vs., 1992)
26. Rockin’ in the Free World (Freedom, 1989 – Neil Young)

3 comentários em “Carisma salva Pearl Jam em noite com ‘milagre da reencarnação’”

  1. Senti a mesma coisa.. mas a culpa maior disso tudo é a ganância da Tickets For Fun e a avareza dos mesmos em botar equipamentos bons. Meio da pista só se ouvia som abafado.

  2. Achei o som bem aceitável dessa vez: perto do show do Eric Clapton, não estava ruim. Para mim, não chegou a ofuscar uma ótima apresentação. Gostei do início pauleira, na verdade foi o que me fez ficar hipnotizado até o fim – e gostei principalmente do público pequeno, sem tumulto. Não sou tão fã da banda, mas admiro a competência deles no palco. Mesmo sem ter ouvido alguns clássicos que esperava, saí convencido de ter ido no melhor show do ano. Pesa o fato de que nem Eric nem Red Hot fizeram shows sensacionais, e não fui no do System…

  3. Gostei muito de Release como abertura. Depois veio Why Go que levantou a galera.
    Agora…qto ao ‘olê olê olê’ eu imaginei que o publico começou cantando e ele acompanhou, cantando e com a guitarra. Não foi isso? Dormi??!?
    E acredito que muitos ficaram com cara de “faltou algo” pq imaginaram que ele voltaria para atender o pedido da galera (Jeremy)
    Mas nem isso me fez pensar qualquer coisa negativa do show, foi incrivel!
    Não consegui ir ao show em 2005, e este foi uma puta realização. PJ não decepcionou.
    Show foi foooda!

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