Rodas e lágrimas no indefinível System Of A Down

A imprensa geralmente se incumbe do papel de escolher qual é o estilo de cada banda e cada vez tem nomes mais esquisitos que formam um monte de bobagem. Quem gosta da banda é pela música e não pela classificação a ela dada, pelo menos deveria ser assim.

E o System Of A Down é uma grande afronta a toda essa mania que nós jornalistas temos de querer dar nomes aos bois. Quem pode definir o que é a banda norte-americana formada por integrantes de origem armênia e libanesa?

Nu-Metal (lê-se New Metal)? Experimental Metal? Progressive Metal? Já ouvi de tudo na definição, mas é impossível encaixar em qualquer uma das alternativas e a única coisa certa: é uma banda bem interessante e com isso mistura um público bem oposto.

Fui ao primeiro show do System Of A Down no Brasil, no sábado, em São Paulo, e acho muito curioso quando você vê um público com fãs de Heavy Metal, de Hard Rock, de Rock Farofa Radiofônico, de Pop, de Emo e por aí vai.

A reação do público também é interessante. O som do System Of A Down é pesado, propício a várias rodas que são abertas no meio do público, onde o couro come. Mas ao mesmo tempo tem aqueles grupos de amigos que formam uma ‘mini-roda’ e dão ombradas comedidas entre eles, só para poderem dizer ‘eu participei’.

Sim, em boa parte isso se deve ao público da Farofa Radiofônica. Mas a última coisa que eu espero ver em um show pesado são meninas aos prantos, berrando com os olhos cheios de lágrimas. Chega a dar pena e causa a dúvida: “Estou no show do Restart?”.

Sobre a apresentação da banda, acho interessante o fato de haver pouquíssima interação com o público. É tudo direto e sem frescuras. Não há longos solos de guitarra, nem de bateria, nem divisão de plateia em coros, muito menos conversa. É uma música atrás da outra e quando você nem percebe que já se foram 28 músicas (o mesmo set list do Rock in Rio), a banda deixa o palco sem bis, pois nem precisava.

O engraçado é ver o vocalista Serj Tankian em algumas músicas se movimentar em uma dança como se estivesse em uma festa típica armênia, usando um sorriso sarcástico e alternando tons de voz ao cantar. Enquanto isso, Daron Malakian faz um trabalho honesto na guitarra e nos vocais, Shavo Odadjian cumpre seu papel no baixo e John Dolmayan vai muito bem na bateria, demonstrando um semblante bem sério a todo momento. É um curioso e bom show.

A apresentação foi na Chácara do Jockey, um lugar interessante para receber shows e até festivais. O espaço é grande, a entrada é rápida e as opções para tendas vendendo comes e bebes são interessantes. Mas…sobe uma poeira terrível para um show de Rock, de deixar os pulmões cheios…de terra. A organização para a saída também foi triste, o que tem sido bem comum por aqui. Está difícil para os organizadores conseguirem acertar isso.

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2 comentários em “Rodas e lágrimas no indefinível System Of A Down”

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